04 março 2014

Somos um povo ignorante?!


Em Dezembro de 2013, a dívida atingiu os 213.390 milhões de euros ou 129% do Produto Interno Bruto (PIB).
O rácio da dívida pública em percentagem do PIB tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos e passou de 108,3% em 2011, para 124,1% em 2012 e 129% em 2013.
Eu, que nada percebo destes assuntos e fui buscar estes dados ao Banco de Portugal, questiono-me, perante estes números, se estamos, realmente, melhores, financeiramente e a recuperar a economia do país? Há mais desemprego, emigração, cortes salariais e das pensões insuportáveis, há fome, miséria, gente a dormir na rua porque perdeu suas casas em consequência de ter perdido seu emprego, afinal, como estamos a recuperar?
Somos um povo ignorante, ou não sabemos fazer contas, ou ainda pior, não sabemos “governar” e “esticar” nosso vencimento e nossa pensão para podermos sobreviver o mês todo?
Pagamos a luz, ou pagamos a água? Compramos os medicamentos que precisamos ou os sapatos para o nosso filho?
Já não há dinheiro para o leite e à noite comesse uma sopa e chega, pois é preciso pagar a renda em atraso.
Revolta, sinto revolta, pois somos um povo demasiado pacífico, que se deixa roubar e enganar.
Vejo os seniores sem brilho no olhar, os jovens sem esperança e nós, nem jovens nem seniores…cansados de lutar, cansados de sermos roubados e explorados por este desgoverno, apadrinhado pela mais alta patente do país, que devia defender o povo e não o faz…uma verdadeira vergonha nacional.
O que fazer?
Usar o nosso dever cívico, e já nas próximas eleições europeias, pois a UE também tem a sua quota parte de culpa do que acontece no nosso país e há que ser interventivo e participativo também, no processo europeu.
Entretanto…sorria que…está a ser roubado :)

09 fevereiro 2014

E eu deixo...


E com isto, não quero dizer que não tenha Esperança, mas sei que seguir em frente é uma certeza :)
E, dancemos, amemos, beijemos, abracemos, curtamos a VIDA no que ela tem de melhor, ao som, desta vez, dos irreverentes The Black Eyed Peas, why not?

03 fevereiro 2014

A face oculta do cancro da mama…


O cancro da mama não passa somente pela aceitação mais ou menos fácil do seu diagnóstico. Passa também, e é aí que a sua face oculta se começa a revelar, pelo abandono dos maridos, dos companheiros e namorados, quando são confrontados com esse mesmo diagnóstico, deixando suas esposas, companheiras e namoradas sozinhas nesta viagem alucinante de combate ao cancro.
Mas, há outras faces ocultas, o olhar ao espelho a mutilação, a amputação da mama, e quantas vezes, das 2 mamas. Das reconstruções mal feitas, que resultam num desespero psicológico pior do que amputação, para não falar naquelas mulheres em que a reconstrução não é possível, mas que a perseguem como uma tábua de salvação, enterrando-se num desespero psicológico profundo, de onde não conseguem sair.
A incompreensão familiar, que não percebe a fragilidade de quem combate e luta para se salvar do cancro da mama, mas que bem no fundo da sua alma, tem sempre presente que pode sofrer uma recidiva, que pode morrer, que os tratamentos a fragilizam física e mentalmente, e que isso não significa que desiste de lutar, apenas se sente frágil, cansada e que sofre os efeitos secundários, extremamente agressivos dos tratamentos e que muitas vezes, apenas precisa de paz e sossego.
Só quem passa por uma situação como esta, se apercebe destas fragilidades, só quem está a fazer estes tratamentos e tem contacto com outras mulheres na mesma situação, e ouve as suas histórias e vivências bem reais e sofridas, se confronta com a outra face do cancro da mama, que não é um laço cor de rosa, e podem comprová-lo aqui neste link http://obviousmag.org/archives/2012/08/scar_project_-_o_cancer_de_mama_nao_e_uma_fita_rosa.html leiam o artigo, vejam as fotos.
Sejamos corajosas, lutadoras e enfrentemos esta luta com Coragem, Fé e Esperança e falemos do que nos perturba e magoa com frontalidade, pois somos Mulheres de armas, mas que também sofrem e choram e têm direito às suas fragilidades.

19 janeiro 2014

Família


Qual é a definição de família?
Devo procurar no dicionário, ou seguir o que se diz popularmente?
Cada um tem a família que merece, cada um escolhe a sua família, etc, etc, e por ai fora…
Na realidade, e para o que pretendo, não me interessa muito nem a definição oficial de família, nem o que se diz sobre a família, pois e para além de tudo, a família é o núcleo fundamental e essencial da sociedade e sem ela nada funciona à sua volta.
Mas, passando adiante de qualquer pensamento ou fundamento social ou filosófico, pois não é para aqui chamado, a não ser para dar uma sequência lógica à minha escrita e ao que eu quero transmitir.
Neste momento complicado da minha vida, em que me vejo fragilizada e a “combater” um cancro, é com a Família que conto, esse porto de abrigo acolhedor, esse núcleo onde tudo começa.
Acima de tudo e para além de tudo, tenho que reconhecer a abnegação e o amor incondicional dos meus Pais, que, deixaram a sua vida, o seu lar, as suas rotinas, a sua terra e vieram para minha casa, para a terra onde vivo, para me apoiarem, para cuidarem de mim.
Nunca, ao longo das suas vidas, se demitiram das suas funções e sempre estiveram presentes e agora, já idosos (com 81 e 78) que deveriam ser as filhas a mimá-los, estão a mimar-me e a tratar de mim.
Sinto-me abençoada pela VIDA, por ter Pais assim, de quem muito me orgulho e a quem dedico este pequeno texto.
Família ama e cuida.

11 janeiro 2014

Quando acordei…


Quando acordei, hoje, fui, agradavelmente, surpreendida com um tabuleiro de pequeno almoço que, tive que esfregar os olhos, voltar a fechá-los e abri-los novamente, para perceber se estava acordada ou a sonhar.
Mas, de repente, dou contigo a sorrir aos pés da cama.
Claro, a dorminhoca, esqueceu-se, completamente da hora do pequeno almoço.
- Então, princesa – dizes tu, a sorrir – vamos lá a comer, pois já passaram os 30 minutos desde que fizeste a tua medicação e tens que te alimentar.
- És um anjo na minha vida – respondo eu – chega cá para te dar um beijo.
Sento-me na cama e delicio-me com um belíssimo pequeno almoço, preparado com o carinho que, só quem ama e cuida sabe fazer.
Continuas sentado na beira da cama a sorrir, e vês-me devorar a comida com satisfação, pois sabes que, apesar dos enjoos, provocados pelos tratamentos, tenho apetite e preciso de me alimentar.
- Estava uma delícia – dirigindo-me a ti – comi tudo, obrigada.
- Mas, sabes, hoje acordei com uma vontade estranha – e ri.
- O que foi agora? – respondes tu, em sobressalto.
- Hoje acordei com vontade de dançar. – e rio.
- Olha, olha – e soltas uma gargalhada cristalina – e o que queres dançar?
Salto da cama, calço as pantufas, visto o robe, não quero saber de mais nada, o dia é nosso, o tempo é nosso.
Estendo-te a mão e digo-te: - vem comigo até à sala, não interessa a música, vem comigo dançar, o que a rádio ou o cd tocar está bom para mim, pois só me apetece dançar contigo.
Descemos os dois de mãos dadas e fomos dançar…o tempo é nosso, a música é nossa.
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