Será que podemos dizer que trilhamos caminhos cansados? Ou
será que somos nós que estamos cansados dos caminhos que trilhamos?
Será um dilema? Ou apenas uma questão de português?
Ás vezes questiono-me se os caminhos que percorro há anos
não estão a cansar-me, mas não tenho alternativa a não ser continuar a
percorre-los, pois só quem é cuidador de alguém que sofre de Alzheimer
conseguirá entender este trocadilho dos caminhos cansados que se trilham por
amor a alguém.
A verdade é que percorro esses caminhos cansados e vejo,
todos os dias, que apesar desse cansaço, não posso abandonar esses caminhos,
simplesmente, porque alguém precisa que eu percorra esses caminhos.
Nunca, mas nunca é fácil tomar a decisão, em plena consciência,
de percorrer esses caminhos, mesmo sabendo que não há qualquer apoio para quem
faz esta caminhada, no entanto, por mais difícil que sejam estes caminhos,
abandona-los, está fora de questão.
Todo o cuidador faz/percorre estes caminhos cansados, mesmo
sabendo que não tem apoio, especialmente da família, depois de todos os outros,
mas não abandona quem cuida, pois o seu amor por quem depende dele é maior que
os caminhos que percorre e o cansa.
angelis
