05 maio 2021

Declaração de amor


 

Moncorvo, 3 de Abril de 1956

                                                                  Branquinha

Decerto que ao abrir esta carta, ficará admirada ao verificar, por quem ela é escrita, mas o caso é que não posso esconder por mais tempo, o que o meu coração desde há muito ambiciona.

Só longe de si, é que avalio o grande amor que lhe tenho, e como não podia deixar para mais tarde, o que já há muito sinto por si, formulei esta hoje, desejando que, a resposta venha de encontro aos meus desejos.

Bem sei que ao ler esta carta dirá, este rapaz não terá juízo, o caso não é para menos, pois que dirá logo namora com outra e vem declarar o seu amor por mim.

Mas não, o que sinto por si, já não é de hoje, talvez por acanhamento nunca lhe disse, julgo que, deve ter notado, já quando estava no Fortunato, mesmo pelos meus colegas, já sabia o que eu sentia.

Nunca lhe o quis dizer que a amava, para que não julgasse que era brincadeira.

Mas a brincadeira tomou proporções de tal ordem, que hoje, dentro do meu coração não cabe outro amor, que não seja aquele que sinto por si.

Talvez diga para si, o mesmo já disse a outras, comigo não levas a melhor.

Mas não Branquinha, sabe muito bem, que com as outras era uma brincadeira, o que consigo não será, pois que já tenho idade para pensar na vida a sério, e o que procuro é uma mulher que me compreenda e seja para mim a futura mãe dos meus filhos.

Nada mais ambicioso nesta vida, pois é para o que todos os nós homens lutamos, construir um lar.

Não quero deixar de não falar no namoro que tive, para que não julgue que ainda namoro com ela, no domingo de Páscoa ficou acabado entre nós, pois que já eram horas de terminar com um namoro, de onde não podia tirar proveito, visto que não reunia o ideal, que para mim representaria no futuro.

Espero que não leve a mal esta minha ousadia, aguardo pois correspondência sua, para a direção que abaixo menciono, onde me devo encontrar sábado.

Se não me julgar merecedor do seu amor, peço-lhe que queime esta, no entanto, conto na mesma com a sua amizade.

Aguardando a sua resposta com a maior ansiedade, assino-me

                                                                             Jorge

PS: esta carta foi escrita pelo meu Pai á minha Mãe e estiveram casados 58 anos, até o meu Pai falecer. Já não há amores assim.

20 fevereiro 2021

Dualidades...

(foto de Ana Filipa Scarpa)

Ás vezes tenho saudades de tempos passados, de alegrias partilhadas, de risos soltos, de abraços apertados.

Outras vezes, quero que me esqueçam, que não se lembrem de mim, que eu seja aquela nuvem chuvosa que passou, descarregou as suas gotas de chuva, vos molhou o coração e partiu para bem longe.

Dualidades existenciais que habitam dentro de mim e que muitas vezes lutam entre si, cada uma tentando vencer e colocando-me num campo de batalha que me retira as forças.

Quem não sente essas dualidades existenciais?

O confinamento a que estamos todos sujeitos, trouxe a cada um de nós fragilidades que o dia a dia escondia, na azafama diária para a qual não tínhamos tempo para pensar, e olhar para essas fragilidades.

Não tenho receio de admitir minhas fragilidades, não tenho medo de falar nas minhas dualidades e batalhas interiores e ninguém deve ter esse receio, esse medo, pois somos Humanos, temos sentimentos, temos forças que estão a ser levadas ao limite de nós mesmos.

Um dia, todos nós iremos rir descontroladamente, iremos abraçar com todas as forças da nossa alma.

Até lá, lutemos e não deixemos que as nossas dualidades levem a melhor sobre nós mesmos.

 angelis


21 dezembro 2020

Feliz Natal


Apesar do ano difícil que todos vivemos a nível mundial, que saibamos abraçar de forma positiva este Natal, com a Fé e a Esperança em dias melhores.
Que Deus vos abençoe a todos.

 

25 novembro 2020

Incertezas


 

Hoje o dia está cinzento e chove lá fora e isso não é bom para o humor de ninguém.

O mundo vive de incertezas, de mortes, de infeções, de perdas de emprego, instabilidade, medo generalizado, que faz um apelo constante ao que o ser humano tem de pior.

E, enquanto não se mudarem comportamentos, ideias, formas de ser e estar, o mundo não mudará e o ser humano continuará neste círculo vicioso em que nada aprende e tudo perde.

Governantes de todo o mundo não conseguem ver, ou não querem ver o que se passa, economias entram em rotura, e depois? De que vão viver?

É preciso um vírus como o covid-19 para despertar as mentalidades?

Parece que não está a surtir efeito, pois a segunda vaga chegou e comportamentos não mudaram, as pessoas, na sua generalidade, continuam a ter comportamentos de risco, achando que o vírus não as irá infetar, que não é nada com elas, até quando?

Olhamos para a fome em África? Claro que não, que morram, não é nada connosco, não há interesses económicos a defender. Olhamos para os genocídios e conflitos armados? Claro que não, só se tivermos armas para vender ou o petróleo estiver em causa.

Somos uma raça egoísta por natureza, então, só nos preocupamos se tocar no nosso real umbigo, caso contrário, os outros que se defendam.

Podíamos aprender tantos com os animais, esses ditos seres irracionais, mas que, mesmo que sejam maltratados por nós, perdoam, confiam e amam incondicionalmente.

Mas não, nós é que somos os seres superiores, pensantes e racionais e onde nos leva essa racionalidade?

Hoje chove, e as incertezas do futuro, cobrem o planeta e todos devíamos pensar no que queremos SER e no que pretendemos deixar ás gerações futuras.

EU SOU…O QUE TU ÉS???

 

03 junho 2020

Nós não...



Nós não precisamos, mesmo de muita coisa...e quando aprendermos isso, seremos mais felizes.
Nós precisamos de gente feliz...e de sonhos, nunca desistamos dos sonhos, por que o sonho comanda a VIDA!!!
Sejamos nós mesmos e nunca outra pessoa para cabermos no seu mundo...porque o seu mundo pode não ser o nosso e pode destruir quem nós somos.

Afinal só precisamos uns dos outros (gente feliz)...e de sonhos!!!

angelis

Declaração de amor

  Moncorvo, 3 de Abril de 1956                                                                   Branquinha Decerto que ao abrir esta ca...