19 janeiro 2014

Família


Qual é a definição de família?
Devo procurar no dicionário, ou seguir o que se diz popularmente?
Cada um tem a família que merece, cada um escolhe a sua família, etc, etc, e por ai fora…
Na realidade, e para o que pretendo, não me interessa muito nem a definição oficial de família, nem o que se diz sobre a família, pois e para além de tudo, a família é o núcleo fundamental e essencial da sociedade e sem ela nada funciona à sua volta.
Mas, passando adiante de qualquer pensamento ou fundamento social ou filosófico, pois não é para aqui chamado, a não ser para dar uma sequência lógica à minha escrita e ao que eu quero transmitir.
Neste momento complicado da minha vida, em que me vejo fragilizada e a “combater” um cancro, é com a Família que conto, esse porto de abrigo acolhedor, esse núcleo onde tudo começa.
Acima de tudo e para além de tudo, tenho que reconhecer a abnegação e o amor incondicional dos meus Pais, que, deixaram a sua vida, o seu lar, as suas rotinas, a sua terra e vieram para minha casa, para a terra onde vivo, para me apoiarem, para cuidarem de mim.
Nunca, ao longo das suas vidas, se demitiram das suas funções e sempre estiveram presentes e agora, já idosos (com 81 e 78) que deveriam ser as filhas a mimá-los, estão a mimar-me e a tratar de mim.
Sinto-me abençoada pela VIDA, por ter Pais assim, de quem muito me orgulho e a quem dedico este pequeno texto.
Família ama e cuida.

11 janeiro 2014

Quando acordei…


Quando acordei, hoje, fui, agradavelmente, surpreendida com um tabuleiro de pequeno almoço que, tive que esfregar os olhos, voltar a fechá-los e abri-los novamente, para perceber se estava acordada ou a sonhar.
Mas, de repente, dou contigo a sorrir aos pés da cama.
Claro, a dorminhoca, esqueceu-se, completamente da hora do pequeno almoço.
- Então, princesa – dizes tu, a sorrir – vamos lá a comer, pois já passaram os 30 minutos desde que fizeste a tua medicação e tens que te alimentar.
- És um anjo na minha vida – respondo eu – chega cá para te dar um beijo.
Sento-me na cama e delicio-me com um belíssimo pequeno almoço, preparado com o carinho que, só quem ama e cuida sabe fazer.
Continuas sentado na beira da cama a sorrir, e vês-me devorar a comida com satisfação, pois sabes que, apesar dos enjoos, provocados pelos tratamentos, tenho apetite e preciso de me alimentar.
- Estava uma delícia – dirigindo-me a ti – comi tudo, obrigada.
- Mas, sabes, hoje acordei com uma vontade estranha – e ri.
- O que foi agora? – respondes tu, em sobressalto.
- Hoje acordei com vontade de dançar. – e rio.
- Olha, olha – e soltas uma gargalhada cristalina – e o que queres dançar?
Salto da cama, calço as pantufas, visto o robe, não quero saber de mais nada, o dia é nosso, o tempo é nosso.
Estendo-te a mão e digo-te: - vem comigo até à sala, não interessa a música, vem comigo dançar, o que a rádio ou o cd tocar está bom para mim, pois só me apetece dançar contigo.
Descemos os dois de mãos dadas e fomos dançar…o tempo é nosso, a música é nossa.

01 janeiro 2014

300 Caracteres


Quando começamos a escrever, não escrevemos com a intenção de contar as palavras ou as letras, escrevemos porque nos apetece e terminamos quando nos apetece.
Condicionados, sentimo-nos presos às palavras, à contagem, e ficamos com a inspiração presa e começa a penosa subida da montanha de nós mesmos, até atingirmos o cume da suprema inspiração.
Quando chegamos ao topo, estamos exaustos, e podemos ter produzido algo fantástico ou simplesmente fracassado na nossa intenção.
Aí teremos que recomeçar todo o processo novamente, ou simplesmente, abandonamo-nos ao cansaço e esperamos por dias melhores.
O vale verdejante, avistado no topo da montanha aguarda por nós...
Recomeçamos?
Descansamos?
As letras, as palavras sussurram ao nosso ouvido, a mão treme...
Pegamos na caneta e no papel?
Ligamos o portátil?
Estamos no topo da montanha, não temos nada disso ao nosso dispor, o que fazemos?
A inspiração é mais forte que nós e toma o controlo, assim como os 300 caracteres tomam o controlo deste texto, que andando às voltas, não sabe se quer chegar a algum lado.
Retomamos o fôlego, a inspiração é um apelo forte de mais, é impossível resistir-lhe.
Descemos a montanha, com a alma cheia, cheia de sonhos, cheia de letras, de palavras, de novas cores, cheiros, locais que, desesperadamente, precisam de preencher as folhas em branco, precisam de relatar as vivências, os amores, as alegrias, os desencontros, as viagens e assim soltar, sem contar os caracteres, todas as inspirações aprisionadas nas almas daqueles que sonham e escrevem.
Os 300 caracteres perdem-se na inspiração e nunca mais se encontram, a não ser com muitos outros 300 caracteres que contam muitas outras histórias.
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