31 março 2004

Perdidos...



Perdidos na escuridão que se abateu sobre a cidade, buscamos as nossas almas perdidas. Perdidos de nós mesmos, buscamos a luz que possa iluminar nossos passos.
Perdidos da vida, buscamos a esperança de um novo amanhecer.
Olho para os prédios que me rodeiam e tento adivinhar o que cada um esconde.
Vislumbro aqui e ali pequenos pontos de luz , que tímidos se mostram por detrás das cortinas. Que esconde cada lar?
Que dramas ocultam essas paredes?
Na selva urbana em que a maioria de nós vive, onde nos encontramos?
Na lei do mais forte, onde nos defendemos?
Na indiferença que percorre os olhares, onde nos auxiliamos?
Onde habita o amor?
Onde mora a esperança?
Em que prédio tocamos á campainha do auxilio?
Como sufocar o grito de desespero ?
Como ?
Onde?
Para quê?
Porquê?
Há vidas perdidas...
Há esperanças frustradas...
Há lares desfeitos pela intolerância , pelo desafecto...
Irmãos lutam entre si...
Pais abandonados...
Velhos despojados da sua dignidade...
Onde vamos parar?
Onde queremos chegar?
Perdidos da vida...perdidos de nós....quem sabe achados numa viela miserável...
Perdidos...
Talvez um dia resgatados pelo amor de alguém...
Talvez um dia iluminados pelo sorriso fraterno de alguém...
Perdidos...
E continuamos vagueando pela selva da vida, quais predadores...
Perdidos...
Talvez um dia achados...

angelis

30 março 2004

Oceano da vida...



No oceano da vida te encontrei.
Quando menos te esperava, os meus olhos cruzaram-se com os teus.
Navegava sem rumo, nem destino.
Vagueava ao sabor dos ventos e das tempestades.
Tinha perdido o meu norte, o meu caminho.
E o meu rio transbordou...
E as margens da minha vida se inundaram...
Desde o primeiro dia te esperava...
Entre tormentas mil...tempestades avassaladoras...margens escarpadas...percursos acidentados...
O rio da minha vida corria sem destino.
Os montes que o oprimiam provinham de uma vida sem sentido.
Navego de encontro ao mar e a meio do percurso te encontro, qual marinheiro aventureiro disposto a salvar este rio sem destino.
As nossas águas fundem-se...
Os nossos corações entrelaçam-se...
Mas o rio segue o seu destino fatal...
Algures se irá encontrar com o oceano e num abraço infinito se fundirá com as suas águas.
As lágrimas terão um sabor a sal que queimará meu coração na hora da despedida, pois o teu rio corre para outro oceano e só por breves momentos se uniu ao meu num abraço de amor eterno. A vida diz-se e faz-se de pequenos gestos de ternura e carinho...
O rio cresce das pequenas gotas de chuva que a ele se juntam, engrandecendo-o.
O amor floresce da amizade sincera e da entrega de duas almas.
O oceano da vida será imenso , bonito, sereno através das acções que a ele se juntam...acções no bem e na paz ...na tranquilidade e serenidade de consciências límpidas.
O rio navega para o mar...
O meu coração navega de encontro ao teu...
Para sempre e na eternidade do amor que os une ...

28 março 2004

Esperança



De todas as virtudes a esperança é aquela que mais importante é para a vida. Porque sem ela quem se atreveria a começar uma qualquer actividade, a iniciar um qualquer empreendimento? Quem teria a coragem de enfrentar o futuro obscuro, incerto, imprevisível?
……… A vida consiste exactamente nisto, no revelar do possível, no abrir do horizonte do futuro. O horizonte é a vida.
……… A vida é construída sobre a possibilidade de acção no futuro e, por conseguinte, sobre a esperança. A vida, na sua natureza profunda, é acesso à esperança.
……… A esperança provém do desejo. Do desejo de amor, do desejo de nos exprimirmos, do desejo de liberdade. E quanto mais forte é este desejo e, ao mesmo tempo, enraizado, maior é a capacidade da esperança para transfigurar o futuro, de o apresentar radioso, infinitamente desejável. E tem o poder de acalmar o nosso coração, de sossegar as nossas ânsias, de tornar suportável o presente e de reforçar a nossa vontade de lutar para concretizar aquilo que desejamos.
……… O que fazemos quando enfrentamos um problema, quando planeamos uma acção? Imaginamos situações possíveis, situações futuras que desejamos atingir, e exploramos com o pensamento e a imaginação os caminhos para conseguir chegar-lhes. Se não tivéssemos a esperança de poder alcançar a meta, não começaríamos sequer a procura. Nós pensamos no possível porque esperamos podê-lo realizar. A esperança é o alicerce do pensamento.

Excertos do livro “ A Esperança “ de Francesco Alberoni
“Para construir a esperança basta um coração generoso e uma mente livre.”

27 março 2004

Viagem...

Algures numa estação perdida da vida apanhei um comboio que me levou para parte incerta.
Nessa viagem parti sem nada levar na bagagem , além de sonhos desfeitos.
Queria chegar ao meu destino...
Mas qual é o meu destino?
Qual o destino de todas as almas ?
A viagem faz-se sem grandes sobressaltos...
Pela paisagem deslumbrante, recortada por montes imponentes vai passando minha vida.
Cada monte representa conquista realizada a pulso á custa de esforços sobre humanos.
Cada nuvem leva sonhos desfeitos, quimeras irrealizáveis na dureza da vida.
Cada árvore , cada flor, dá-me a certeza de trabalho realizado.
A viagem segue o seu curso, imparável , sem marcha atrás e sem hipótese de saltar fora antes de chegar ao seu destino.
Mas para onde vai este comboio repleto de almas angustiadas?
Na viagem da vida, tudo se constrói por esforço e mérito próprio.
Cada conquista pessoal é alegria para a alma que trabalha no seu aperfeiçoamento moral.
Conforme a viagem vai decorrendo, todos aqueles que viajam neste comboio, vão-se apercebendo que não viajam sós.
Começam a ver os outros passageiros, começam a falar...a sorrir uns para os outros, pois tomam consciência de que a viagem é longa e poderão aproveitar para se conhecerem.
Uns falam dos seus sonhos.
Outros dos projectos para o futuro.
Outros partilham os seus lanches.
Outros ainda ajudam-se mutuamente no consolo de tristezas e desilusões.
Aos poucos o comboio, até então tristonho e cinzento, vai-se transformando, vai-se pintando com as cores da alegria, da fraternidade, da entreajuda.
Que milagre ocorreu lá dentro?
Simplesmente os seus ocupantes se aperceberam que fazer a viagem da vida fechados no seu egoísmo, na sua dor, os faz demorar mais tempo a crescer.
Partilhar alegrias, dividir tristezas, multiplicar a amizade e a fraternidade dá cor e sabor á vida.
Olhando para fora, para a paisagem que percorrem, vêem a natureza em festa, sorrindo para eles, dando-lhes forças e coragem, dizendo-lhes que vale a pena o esforço de nos aproximarmos dos outros, de escutarmos seus corações , de darmos sem reservas...
Vale a pena amar...
Vale a pena partilhar...
Vale a pena viver...
E a viagem prossegue , imparável no seu destino...
Para onde?
Para a felicidade...
Para o crescimento ....
Para a perfeição...
Para o amor...

26 março 2004

O Nada

Sentei-me no chão , apaguei a luz e rodeei-me dos nadas que preenchem , diariamente , a vida de cada um.
Saltitantes , à minha volta , os nadas estavam contentes por poderem conversar comigo.
Pressenti que seria uma longa e interessante conversa. Realmente ,é apaixonante tentarmos pesquisar o nada em toda a sua essência plena de uma carga emotiva e psicológica que tenta , dia após dia , arrasar o indivíduo.
Talvez o nada seja o desconhecido , o perplexo , a fronteira entre o sonho e a realidade , o possível e o impossível , talvez seja a única cambiante existente , talvez seja aquilo que toda a gente deseja.
O nada é doce , implacável , irresistível e atrai ferozmente para o abismo. A inspiração solta-se. É horrível a sensação de abandono. A loucura apodera-se de tudo.
O nada é o tempo , o espaço , aquilo que não fomos , aquilo que sonhámos , o irreal , o inatingível , o caminho palpável , a quimera irrealizável. Ser tudo e nada...
Já Protágoras dizia :« O homem é a medida de todas as coisas» . Talvez tivesse razão e talvez não. O homem pode ser um dos nadas que povoam o nosso planeta.
Talvez o nada esteja no empirismo. Talvez o espírito « tábua rasa » de Locke que se opõe à teoria das ideias inatas de Descartes, afirmando que o nosso espírito é inicialmente uma tábua rasa ou papel branco , onde nenhuma ideia está escrita antes de ser impressioNADA pelos sentidos , seja o princípio do « nada ».
Mas , se passarmos por Platão que diz: « conhecer é recordar , embora nunca se atinja a recordação total dos objectos porque estes são imperfeitos ou simples sombras dos objectos reais » ,talvez aqui o «nada» seja realmente importante ou talvez eu não queira dizer nada com o que escrevi até aqui.
Mas quem sabe se encontraremos um nada hereditário no comportamento actual do homem enquanto ser humano pensante.
Quem me diz a mim que a frustração actual do homem não é resultante dum nada conflituoso ao nível duma motivação individual (instintos e hábitos) e duma motivação social , nem sempre concreta e aceitável segundo as regras vigentes e caducas de cada sociedade.
Talvez o nada seja o passo de cada dia , repetido a cada hora. A solidão de um olhar suspenso em cada fantasma que nos rodeia. O nada pode ser um viajante do tempo , um retardado da vida no seu caminho errante.
O nada pode estar numas mãos brancas e impávidas , trémulas , inquietas , que incrédulas limpam uma lágrima e estão vazias e cheias de nada, nada que se encontra à sua volta.
Talvez tudo isto não seja nada, uma simples ilusão óptica , duma esferográfica que risca o papel branco e imaculado.
Nada pode ser nada e nada pode ser tudo...depende de cada um preencher os pequenos nadas que compõem a sua vida.
E já António Gedeão dizia:
«Eles não sabem , nem sonham,
que o sonho comanda a vida;
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança» .
Que o nada seja sonho , cor , fantasia. Tudo aquilo que se desejar , que o nada não seja só nada , sem nada mais para dizer.

24 março 2004

História ou talvez não...

A pequena Brisa estava confusa, como a iriam sentir se nem os ventos fortes que sopravam do coração as pessoas conseguiam sentir?
Todos os dias ela observava as pessoas, sisudas, fechadas em si mesmas, tristes. Tinha que fazer alguma coisa.
Perguntou ao Vento e ele apenas lhe disse que quando crescesse iria entender. Nada disso, a Brisa queria fazer algo agora, meste momento.
Pensou...pensou...até que decidiu agir. Foi para a rua. Começou a distribuir sorrisos, cumprimentos, simpatia, atenção...
Os primeiros dias foram frustrantes, mas a pequena Brisa não se dá por vencida e insiste...insiste...e volta a insistir. Um dia alguém irá sentir essa Brisa refrescante que sopra do mais belo e profundo que tem a alma humana.
Será que ela está a soprar algo de errado? Ou será que cada um de nós vive tão fechado no seu mundo que não consegue sentir essa suavidade refrescante que é a simpatia, o carinho, a atenção , o sorriso?
Ela não vai desistir de soprar...de distribuir o melhor do ser humano...e algures alguém irá sentir e retribuir e então nesse dia ...mesmo tendo sido somente um ser humano a retribuir terá valido a pena o esforço.
Pensem nisso...não se fechem...sorriam, sejam gentis...vale a pena!!!
Sintam essa Brisa que sopra do fundo das vossas almas e ousem sorrir e ser felizes!!!

23 março 2004

Pé de Vento

Mais um Blog...Será que fará a diferença?
Será que fará justiça ao seu nome?
Nada disso me interessa, apenas escrever pelo prazer da escrita, por poder publicamente expôr minhas ideias.
Provocará um pé de vento?
De onde soprarão esses ventos que arrastarão tudo e todos?
Apenas um diário de viagem...da viagem pela vida, pelos encontros e desencontros, que provocam tantos pés de vento em cada um de nós.
Espreitem o Pé de Vento...sem medos...sem sustos...pois é apenas uma leve brisa que sopra do coração.
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