29 dezembro 2005

Imagine

Imagine
Se não houvesse o céu
É fácil se você tentar
Nenhum inferno
Abaixo de nós
Acima de nós
Somente o infinito

Imagine todo mundo
Vivendo para o presente....
Imagine
Se não houvesse países
Não é difícil de imaginar
Nada para matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todo mundo...
Vivendo a vida em paz...
Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que algum dia
Você se una a nós
E o mundo será um só

Imagine
Se não houvesse propriedades
Eu acho que você
Pode imaginar
Se não houvesse
Ganância e fome
Se houvesse fraternidade entre os homens
Imagine
Todo o mundo
Dividindo
O mundo inteiro...


J. Lennon

26 dezembro 2005

Votos e Desejos

Novo ano à porta, e com ele os votos e desejos de sempre, as promessas do costume, os objectivos habituais…
Fazemos promessas que acabamos por não cumprir…
Traçamos objectivos que acabamos por não concretizar…
Fazemos votos e desejos para os quais não nos sentimos motivados…
Então porquê desejar?
Então porquê fazer votos?
Hábito? Tradição? Sem sombra de dúvida!!!
Mas, estou para aqui a escrever sobre votos e desejos…isto quer dizer que os vou fazer?
Sim…e não!!!
Sim, porque irei desejar-vos algo…não, porque não farei da forma tradicional e convencional…

No virar de novo ano, façam uma pequena analise ao ano que agora termina.
O que realizaram, que metas atingiram, na família, no trabalho, com os amigos.
Façam uma análise objectiva, sem receios, sem culpas e sem medos…somos humanos, falhamos, nem sempre conseguimos dar o nosso melhor.
Mas…temos obrigação de reconhecer os nossos erros e por eles, pedirmos desculpa a quem ofendemos, a quem magoamos a quem hostilizamos.
Depois…depois tracem metas, objectivos para o novo ano.
Mas…metas e objectivos realistas, sinceros, ao alcance das vossas mãos, das vossas possibilidades enquanto seres humanos, enquanto homens e mulheres, trabalhadores, pais, mães, filhos, tios, enquanto pessoas inseridas na sociedade, na família.
Difícil? Claro que não…apenas trabalhoso, mas o que se faz sem trabalho e esforço?

Sejam alegres, um sorriso vale por mil palavras…
Sejam responsáveis, sinceros, leais…
Saibam perdoar, saibam pedir desculpa, saibam reconhecer vossos erros e falhas, assim como os dos outros.
Trabalhem, independentemente do tipo de trabalho, todos precisamos de um meio de subsistência, e todo o trabalho é honesto e válido, desde varrer ruas, conduzir um autocarro, até cargos de chefia, pois nem sempre quem está lá no alto é mais feliz e realizado, tem apenas mais dinheiro e preocupações.
Abracem, dancem, riam, chorem, manifestem vossas emoções, vossos sentimentos.
Amem…pois sem a força do Amor o Mundo fica perdido e frio.
Tenham Esperança e Fé.
Sejam solidários, não dói nada!!!
E…ousem ser Felizes!!!
Estes são os meus votos e desejos para 2006!!!

angelis

13 dezembro 2005

Carta vencedora

Em primeiro lugar, quero agradecer a todos os que participaram neste meu desafio, quer escrevendo a carta ao Pai Natal, quer participando na votação e comentando as cartas.
Claro que, este desafio era um exercício, um apelo à criança que somos, e que no nosso dia a dia não damos espaço para respirar, sentir, agir.
Todas as cartas estão muito bonitas, carregadas de sentimentos e emoções e como tal, todas são vencedoras.
Mas…há sempre um “mas”, eu pedi que votassem na carta que mais gostassem, que mais os comovesse e como tal…há uma carta que se destacou e venceu, a CARTA NÚMERO UM.
O resultado das vossas escolhas e votação, expressas nos comentários do artigo anterior, ou seja, no artigo onde estão transcritas as cartas, foi a seguinte:
CARTA NÚMERO UM - 9 VOTOS
CARTA NÚMERO DOIS - 0 VOTOS
CARTA NÚMERO TRÊS - 0 VOTOS
CARTA NÚMERO QUATRO - 5 VOTOS
CARTA NÚMERO CINCO - 1 VOTO
CARTA NÚMERO SEIS - 1 VOTO
CARTA NÚMERO SETE - 2 VOTOS
A escolha foi vossa, mas mais do que uma carta vencedora ou um prémio para a mesma, é fundamental o espirito de participação, de aderência a esta iniciativa e a vossa disponibilidade para me aturarem, a Amizade, o Respeito que aqui prevaleceu deram côr e alegria a este desafio.
Parabéns Berto, pois a tua cartinha venceu e há um prémio para ti, este que está aqui na foto. Só tens que me dizer como te posso fazer chegar o prémio…ou então podes vir buscá-lo à sede do Pé de Vento, que tal?


O que é o prémio? Seus cuscas…querem saber? Perguntem ao autor da carta vencedora…ele, se quiser, vos dirá o que é…isso, claro está, depois de o receber.
Até lá…

angelis

01 dezembro 2005

Cartas ao Pai Natal

O prometido é devido, e como tal...aqui publico as cartas recebidas, em resposta ao meu desafio.
Estão numeradas por ordem de chegada, e são publicadas na integra.
Como se efectuará a votação da carta mais original ou mais emotiva?
De forma muito simples e directa...comentem as cartas publicadas e digam de qual gostaram mais...simples, directo e eficaz.
Assim, todos ficarão a par da votação e das preferências dos leitores.
Vá lá...não se inibam...é só soltar a criança que existe em vós


CARTA NÚMERO UM

Pai Natal

Espero que ao receberes esta carta, estejas de óptima saúde e excelentes condições físicas para enfrentares o trabalho que nesta altura do ano aparece.
Confesso que é a 1ª vez que te escrevo. Nos anos anteriores tenho escrito ao Menino Jesus, mas, das duas uma, ou a minha mãe engana-se ao colocar a morada no envelope, ou então o Menino Jesus não existe (ou não gosta de mim).
Por isso, este ano decidi, com a ajuda de um amigo mais velho por causa dos erros ortográficos, tomar a iniciativa de te escrever. Se a minha mãe decidir na mesma que devo escrever ao Menino Jesus eu faço de conta, e tu não lhe digas nada.
Para este ano eu gostaria de ter (e volto a pedir) simplesmente uma caixa de guardar os lápis, mas daquelas de dois andares. Sabes quais são? Igual à do meu amigo Francisco (aquele dos cabelos aos caracóis e que canta no coro da escola), mas, para não haver trocas ou enganos na sala, a minha caixa pode ser com tampa sem cor porque a dele é amarela.
E pronto, é só isto que eu gostava de ter no Natal. Claro que a minha mãe diz que devemos pedir sempre saúde, paz e bem estar, mas acho que todos pedimos e queremos isso, por isso não me vou repetir.
No entanto, se as caixas estiverem esgotadas, podes sempre arranjar um livro do Príncipe Valente, Zorro ou Mascarilha que são os meus preferidos e por favor Pai Natal, não quero carros da polícia, pijamas, meias ou cuecas. É tudo Pai Natal. Tem cuidado contigo e podes deixar a minha prenda junto ao meu sapato que na manhã do dia 25 eu vou buscar.

PS: - Pai Natal, tu mandas alguma coisa no mundo dos mais velhos? Se tens alguma influência peço-te que faças com que a minha mãe não ponha muitas vezes na marmita do almoço (que levo para a escola) arroz de legumes….se é complicado almoçar todos os dias à frente da Professora (D. Sofia), comer arroz que não gosto ainda é pior.
- Outra coisa que já me esquecia: Quanto ao pedido que faço todas as noites antes de adormecer (tornar-me rapariga para não ir para a guerra) esquece. O meu amigo João disse que nessa altura, a guerra já deve ter acabado e se não acabar…fugimos os dois para França, mas não digas a ninguém pois caso contrário aqueles homens maus que andam na rua de gabardina e chapéu preto que já prenderam uma vez o meu avô, podem vir buscar-me também e não posso ser preso porque logo que acabe a escola vou trabalhar para ganhar dinheiro.
Pronto, está tudo. Bom Natal para ti e teus ajudantes e muito obrigado.

Teu amigo sincero e que gosta muito de ti.

Berto


CARTA NÚMERO DOIS

Querido Pai Natal,
este Natal, eu não devo merecer grande coisa, pois fui mauzito para a minha mamã e para o meu mano, mas como tu és misericordioso, tem pena de mim e dá-me o que abaixo te peço:

Quero deixar de fantasiar
Quero um cavalo de verdade
Para passear na minha cidade
Como passo a vida a imaginar

Um cavalo castanho e lustroso
Igual àquele do qual falo
Para seu espanto e regalo
Ao meu amiguito Barroso

Quero um cavalo bem verdadeiro
Para trotar pelos verdes montes
Para me portar melhor comigo contes

Pois depois de me tornar cavaleiro
Serei o melhor entre os primeiros
Não hesites nem te amedrontes.

Paulo César Nunes


CARTA NÚMERO TRÊS

Querido Pai Natal:
Eu sei que não me conheces, pois nunca te escrevi. Contudo, na minha infância, o meu Pai Natal sempre me deu mais do que pedia. Era ( e sou) guloso por isso não me esquecia de pedir um chocolate em forma de sombrinha, mais outro em forma de gato e um outro em forma de Pai Natal; depois lá vinha sempre mais uma camisolinha, pois aqui para as bandas da Covilhã faz um frio de rachar, mais umas peúgas e um par de botas verdadeiras e boas e não daquelas que, mesmo já de adultos, não sabemos como havemos de descalçá-las...
Mas hoje resolvi aceitar o desafio de uma boa amiga e escrevi-te pela primeira vez. Não venho pedir-te chocolates, pois a glicemia parece querer entrar comigo, nem espero que me mandes camisolas ou peúgas. Sabes, o meu Pai Natal resolveu partir há um ano atrás e desde então os dias para mim deixaram de ser Natal; por isso na minha crença de menino - adulto venho pedir-te tão somente isto: Ajuda aí o meu Pai Natal pois ele ainda é tão pequenino e ensina-lhe o caminho mais directo para Deus. Faz-me este favor, pois tenho a certeza que quando chegar a minha vez, o meu Pai Natal me vai dar como prenda o ensino deste caminho desejado.
Um bom e feliz Natal para todos os amigos e amigas da Angela. Para a Ângela um grande beijinho e um xi coração muito amigo.




CARTA NÚMERO QUATRO

Querido Pai Natal.

Não me reconheces.
Não te escrevo à tanto tempo, que até te esqueci.
Apenas me lembro vagamente de ti nesta quadra que agora atravessamos
e apenas porque os meus filhotes fazem questão de recordar da tua existência.
Sabes,
Estou mudado.
Mais alto.
Mais gordo.
Mais careca.
Mais atarefado.
Mais cansado e mais triste e sisudo.
Não me reconhecerias.

Lembro com saudades quando, apareciam na base do pinheirinho,
aqueles carrinhos de bombeiros, com escada extensível e tudo!
Diziam-me que eras tu, durante a noite de consoada, que entravas pela
chaminé e os depositavas com carinho, por me ter portado bem durante o ano.
Mas esqueciam-se de um detalhe.
Nós não tinhamos lareira nem chaminé.
Desconfiado, calava-me e deixava os meus pais, com um sorriso nos lábios,
contarem-me as tuas aventuras.
Que vivias no Pólo Norte.
Tinhas as renas para puxar o trenó.
Os duendes para fabricar os brinquedos.

Balela, pensava eu.
Porque, como sabes, sempre fui muito curioso e gosto de perguntar tudo quando não compreendo.
Nunca me respondiam... furtavam-se em evasivas inconsistentes e ocas.
Deixei de perguntar.
Assassinei-te na minha inconsciência.
Ouvia apenas, as renovadas historietas.
A minha opinião estava já formada.
E assim continuou a minha meninice, até me esquecer completamente da tua existência.

Hoje, a expensas de uma amiga chamada Anjo, tive de forçar a minha razão para te visualizar e recordar.
Neste esforço de memória, analisei a minha infância e o quanto estiveste presente, até te desacreditar.
No entanto, aprendi uma lição.
Só tenho um pedido a fazer-te.
Se puderes...

Faz-me novamente criança... mas mais crédulo!
Protege-me da emancipação precoce, a que fui incentivado pelos parentes.
- "... tão esperto! Tão novo e já pensa como um homenzinho. Tem atitudes e pensar de adulto."

Deixa-me brincar e viver, o que não vivi enquanto criança que não teve tempo de o ser!
Deixa-me crer!
Faz-me ser humano por completo, na vivência infantil e na temperança do ser adulto.

Deixa-me acreditar-te.!
Sabendo que não existes como ser físico.
Mas deixa-me compreender também, o quanto és necessário para complemento
do imaginário infantil!
Em suma!
Deixa-me tentar alcançar a minha felicidade.

Quero a minha meninice de novo!

Deste que te recorda vagamente...

E só agora compreende, qual o teu papel no imaginário infantil...

Hohohoho
BOM NATAL
Luís
DEZ-2005


CARTA NÚMERO CINCO

Cartinha ao Pai Natal

Querido Pai Natal,
que és tanto barbudo,
escrevo esta carta
não vou pedir tudo:
Quero lápis p’ra colorir
um mundo especial
de cores a bom sorrir.

Se tiveres mais caixinhas
a Pipoca vou convidar.
Sei que ela vem logo
está pronta p’ra pintar.
Também queria pedir:
(Vê lá se adivinhas?)
Camisinhas de dormir...

Mas não é para mim
é para quem tem frio
e vive sem pai nem mãe
[até me dá um arrepio].
Agora não peço mais,
a carta está no fim.
Com beijinhos especiais!

Azoriana


CARTA NÚMERO SEIS

Querido Pai Natal
Já há muito tempo que não te escrevo, não por te ter esquecido, pois na minha profissão, tu és lembrado a cada Natal, através da inocência das crianças com quem trabalho, mas porque, agora adulta…às vezes, esqueço-me que tu existes no meu imaginário, todos os dias da minha vida.
Lembro-me dos Natais da minha infância, em que ia pôr o sapatinho na chaminé da casa dos meus avós maternos, em casa da minha tia Lucília, e em casa do meu avô paterno. Lembro-me dos meus primos, trazerem, também eles, o sapatinho para porem na chaminé de minha casa.
Lembro-me de pensar, como é que tu adivinhavas o que pedíamos, como tinhas tempo de comprar todos os presentes, de atenderes a todos os pedidos de todas as crianças do mundo.
Lembro-me das rabanadas acabadas de fazer, do jantar em família (confesso que na altura não gostava das batatas cozidas com bacalhau), de jogar o loto com o meu tio Mário (a feijões, é claro, pois as crianças não jogam a dinheiro), da árvore de Natal. Íamos sempre com o meu pai, cortar um pinheiro para enfeitar, na altura ainda havia imensos pinheiros e podíamos fazer isso. Ele barafustava sempre, mas acabava por nos fazer a vontade, a mim e à minha irmã. De apanharmos musgo para fazermos o presépio com a minha mãe e a minha irmã.
Hoje, todas essas lembranças afloram á minha mente, ao meu coração, deixando uma saudade incrível, mas também a alegria de recordar os Natais da minha infância, onde imperou sempre o amor e a união familiar.
A hora de ir dormir, era a pior, pois queríamos ficar acordadas, queríamos ver-te chegar, queríamos dar-te um abraço.
A noite era longa, a excitação tomava conta de nós e quando, finalmente o dia raiava…lá íamos nós a correr para a chaminé e agarrar os presentes que tu tinhas deixado para nós, direitinhos nos respectivos sapatinhos, sem te enganares ou trocares presentes.
Que alegria, que confusão de papéis de embrulho e laços espalhados pelo chão, e acima de tudo, que satisfação por termos os nossos pedidos e sonhos atendidos.
Esta magia, desses Natais passados, não volta mais, eu cresci, e alguns familiares já morreram, mas ficará sempre a saudade, a lembrança, dessa partilha, que enquanto menina – mulher revivo em cada Natal com as crianças na escola e em família (com aquela que ainda permanece entre nós) e sorrio, porque só posso sorrir, por ainda acreditar, por permanecer viva a criança que sou e serei sempre.
Tu, Pai Natal, serás sempre parte integrante do meu imaginário de menina e de mulher, serás sempre o velhinho de barbas branquinhas que atende os sonhos inocentes de todas as crianças.

Angelis

CARTA NÚMERO SETE

Querido Pai Natal,
Vão longos os anos após os quais deixei de escrever-te, ainda que secretamente sempre te tenha dirigido os meus pedidos, tão característicos desta época que agora vivemos. Os meus pais falavam-me muito de ti, mas cedo descobri que eram eles que te ajudavam a fazer a entrega das prendas, pois apanhei um dia a minha mãe a esconder as prendas em cima da estante do corredor. Fiz de conta que não reparei e deixei-a ficar convencida de não tinha visto nada. Quando entrei para a escola, ela tentou dizer-me que tu não existias (porque eu continuava sempre a falar de ti), antes que algum menino mais expedito o fizesse. Sabes o que lhe respondi? "Eu sei, Mãezinha." E mais nada... Mas sempre exististe no meu coração.
Entretanto, muitos anos passaram e, como acontece com todos nós, a minha vida mudou muito. Cedo comecei a dizer adeus àqueles a quem mais amava e, neste momento, a recordação dos natais da minha infância resume-se unicamente à minha memória, pois já não tenho com quem partilhá-la. Sei que todos eles estão bem aqui, juntinho de mim, vivendo num canto do meu coração. Sei também que, de uma forma mágica, todos eles estão a ajudar-me a escrever-te esta cartinha.
Sabes Pai Natal, nunca mais pensei que fosse possível ter vontade de escrever-te outra vez, pois na correria em que vivemos no mundo de hoje (que cada vez mais sinto não se justificar) é difícil conceber o "gastar tempo" com um acto como este. No entanto, uma menina (na verdade, um anjo) cujos cantinhos virtuais muito gosto de visitar (embora nem sempre deixe por lá marca da minha passagem) desafiou-me. Ignorei o primeiro ímpeto, aquela vontade imediata de responder, mas hoje, sentada à secretária, tendo ao meu lado a luz suave uma vela a aquecer esta noite fria de Inverno e a confortar-me a alma, decidi fazê-lo.
Sabes Pai Natal, não gosto de pedir nada, nem mesmo a ti. Tenho andado muito triste e é-me difícil conceber algo que deseje mais do que voltar a sorrir. Ainda assim, vou fazer um esforço: Por favor, mesmo sabendo que tens a agenda ocupada e muito preenchida, toma conta de todos quantos se encontram sós e abandonados, seja por que motivo for, e ampara-os, nem que seja por uma só noite, para que o seu coração e a sua alma possam conhecer um bocadinho do conforto que tantos de nós desprezamos e ignoramos na nossa inconsciente certeza de o termos como dado certo e adquirido. Protege os idosos e as crianças, dá-lhes saúde e fá-los sorrir. Ilumina o Mundo com um pouco de paz e, nem que por um dia apenas, traz-nos harmonia. Por fim, peço-te, abençoa os meus amigos, o meu amor e respectivas famílias; enfim, todos aqueles que me dão uma razão de viver, e os meus "meninos" felinos, que são a minha companhia e a luz dos meus olhos, mesmo tristes.
Sabes que há ainda algo que muito desejo, mas isso é algo que fica só entre nós, não precisa de palavras escritas e, confio, saberás quando conceder-me esse tão ansiado presente.
Até sempre Pai Natal!

Rosália ***

30 novembro 2005

Desafio!!!

Será porque cheira já a Natal? Será porque no jardim de infância onde trabalho, se fazem os primeiros trabalhinhos alusivos ao Natal? Será porque, de repente, me lembrei do Natal, ou melhor, dos Natais da minha infância?
Não interessa o motivo…lembrei-me e pronto!!!
Mas, lembrei-me do quê?
Simples…lembrei-me da minha infância, e da carta que costumava escrever ao Pai Natal, por esta altura, a pedir o brinquedo que desejava receber no sapatinho.
Dizia ao Pai Natal que era uma menina bem comportada, não arreliava os meus pais, não fazia asneiras, e depois, inocentemente, no final da carta, pedia o meu brinquedo.
Lembram-se dos vossos Natais? Escreviam ao Pai Natal?
Confessem…não custa nada!!!
Mas, o título deste artigo é “Desafio!!!” certo? Mas que desafio?
Muito simples…convido-vos (se tiverem coragem) a escreverem uma carta ao Pai Natal, tal e qual como faziam na vossa infância, aceitam? Têm coragem para?
Enviem as vossas cartas para o meu email…e elas serão todas publicadas aqui…e no final…haverá uma carta vencedora e um prémio…sem sombra de dúvida.
Porque este desafio? Um despertar de vivências da infância, um reviver da criança que ainda somos e que nos esquecemos no dia a dia.
Um voltar á inocência, á ilusão, aos sentimentos puros e sinceros da criança…que se procurarmos bem lá no fundo da nossa alma…nos iremos surpreender com o que iremos encontrar…
Vá lá…não custa nada…puxem do papel…perdão…do teclado…e escrevam, escrevam como se tivessem, por uns momentos, 5, 6 ou 10, ou mais anos, escrevam como se ainda acreditassem…pois vale a pena acreditar na magia da inocência, na magia dos sentimentos de solidariedade, fraternidade, amor e respeito.
Despertem a criança que vive em vós…e mãos á obra.
Aceito todos os emails que chegarem até dia 08 de Dezembro…e irei publicando todas as cartas que forem chegando. Podem usar os vossos nomes ou nicks ou pseudónimos.
Vamos lá a puxar pela imaginação e escrever…quem sabe, o Pai Natal vos surpreende neste Natal? Já pensaram nisso?

angelis

21 novembro 2005

Não sei se isto é amor

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê? Nunca pensei num lar
Onde fosse feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te, não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, com este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.


Camilo Pessanha
(do meu Maço Poético/Poemas de Amor)

18 novembro 2005

Ainda bem...




Vou seguir o exemplo do Garfield...óculos de sol...e vou "curtir" o fim de semana.
Vou deliciar-me a ver o DVD dos U2 (U2 05 Vertigo Live from Chicago), pois é uma banda que adoro ver e ouvir.
Vou continuar a minha leitura..."Equador" de Miguel Sousa Tavares.
Vou preguiçar...dormir...relaxar.
Afinal é sexta feira...fim de semana...yessssss...
Mas não vou esquecer-me de sorrir, e continuar a ousar ser Feliz...
E. vocês? Como vão passar o vosso fim de semana?
O que estão a ler?
O que gostam de ouvir?
Cusca? Eu? No way...

Beijinhos...e aproveitem...tal como diz um querido amigo...vivam um dia de cada vez...a vida vale a pena.

angelis

17 novembro 2005

Descoberta...

Hoje, Dia do Não Fumador, encontrei numa gaveta, um maço muito interessante…um maço poético.
Não fazem a menor ideia do que possa ser, certo?
Eu explico…há uns tempos atrás (provavelmente, alguns anos) a Livraria Bertrand, tinha à venda, uns maços (não de tabaco, como é óbvio), mas maços literários, desde os Maços Poéticos, até Maços com as mais diversas mensagens, da Editora Ausência (pelo menos o que eu tenho, o Maço Poético é)
Idênticos, na sua forma, aos maços de tabaco, eram o apelo á leitura, e a mim, dava um certo gozo, sempre que via alguém pegar no seu maço de cigarros, eu puxar pelo meu maço poético, sacar um “cigarro” e ler um poema.
Vicio que não prejudicava, não poluía, e não fazia mal á saúde…
Dentro destes maços literários, existiam os “cigarros”, pequenos tubos de plástico e dentro deles, enrolados, os poemas.
Hoje, coincidência ou não, Dia do Não Fumador, aqui deixo o testemunho (sem fundamentalismos, falsos moralismos, ou outra treta qualquer) de uma não fumadora, que nunca se deixou manipular e controlar pelo tabaco…mas que transporta na sua bolsa o maço poético.
Desculpem a qualidade da imagem…mas…foi o que se conseguiu…e deixo-vos um poema (cigarro, tirado ao acaso do meu maço de poemas de amor) e a citação que tem na capa: “Ama a Vida, o próximo e a liberdade de escolha!”


Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que um bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrario a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

12 novembro 2005

Publicidade…aqui NÃO…OBRIGADA

Já pararam para pensar na falta de respeito que caminha por aqui?
Se pensaram, não se devem ter admirado…pois o que mais encontramos, nos dias de hoje, é falta de respeito pelo próximo e mais grave…falta de respeito por si mesmo.
Porque haveria de ser diferente aqui, nesta estrada virtual, em que nos escondemos atrás de um nickname, de um endereço de email falso…e fiquemos por aqui.
Mas, há uma coisa que me aborrece imenso…e que deve aborrecer a todos os que têm blogs, e cujos conteúdos desses mesmos blogs, são sérios, podem ser brincalhões, mas não necessitam de rodinha vermelha (risos), não são ofensivos, e sabem respeitar e estar nesta estrada…é a publicidade…seja ela qual for.
Ninguém é “obrigado” a comentar um post, quando visita um blog, certo? Mas também, o dono/autor do blog, não é “obrigado” a ler, a ter despejado, nos seus comentários a dita publicidade.
Há quem visite blogs, para publicitar o seu próprio blog…nem comento a atitude.
Há quem visite blogs (e aconteceu-me isso ontem) para deixar publicidade ao seu site de vendas…comentar esta atitude? Nem pensar!!!
O que faço?
Muito simples…apago o comentário e bloqueio o endereço de IP.
HAJA RESPEITO…
HAJA DIGNIDADE…
Estou irritada…grrrrrrrr…
Por isso…o que vai acontecer neste blog é simples…apago qualquer tipo de publicidade, seja de que tipo for…e bloquearei os respectivos endereços de IP.
E isto, também é e será válido para comentários menos dignos ou ofensivos, como já vi em alguns blogs…nos quais, não se limitaram, somente, a comentar (e que comentários ridículos), mas ofenderam todos os que tinham comentado.

Gostem ou não…o blog é meu e o RESPEITO é muito bonito e eu gosto.

angelis

05 novembro 2005

Poemas de amor

ESTE INFERNO DE AMAR


Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma…quem foi?
Esta chama que atenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… – foi um sonho –
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei…dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…


Almeida Garrett

01 novembro 2005

O Sexo depois da Menopausa

Há imensas formas de falar, abordar o sexo. Podemos faze-lo como o Ailaife, de forma simples, directa e inteligente.

Podemos falar de sexo de forma jocosa, abusiva e até ofensiva. Ou podemos abordá-lo de forma informativa e esclarecedora.

Qual delas é a melhor, a mais correcta? Cada um responda por si, pela forma como vê, vive e sente o sexo.

Com a publicação deste artigo, pretendo, essencialmente, informar, mas também abordar um tema, que ainda hoje, é tabu, pouco falado, pouco esclarecido e que afecta todos os que atingem a menopausa, ou melhor, todas as mulheres que entraram ou vão entrar na menopausa.

Muito mais, haveria a dizer, a esclarecer. Mas deixo aqui um conselho a todas as mulheres que entraram na menopausa e àquelas que irão entrar:”Procurem o vosso médico de família, o vosso/a ginecologista, falem abertamente com eles, questionem, peçam esclarecimentos. Falem das vossas dúvidas. O médico é para isso mesmo, para ajudar e esclarecer. Mas não se esqueçam de partilhar dúvidas, receios, angustias com o vosso companheiro, pois também ele sentirá dúvidas, anseios, receios e se não falarem com ele como poderão viver a vossa sexualidade em pleno, pese embora o facto de sofrerem alterações?"




O Prazer na Idade Madura

A nossa sociedade, orientada para os ideais da juventude e para estereótipos de beleza feminina para vender de tudo um pouco, desde carros a sabonetes, não é muito favorável à imagem de mulheres menos jovens.

E na verdade, poucos são os que gostam de imaginar a sua mãe ou mesmo a avó em cenas de sexo...

No entanto, "off the record" muitas são as mulheres que, depois do risco da gravidez as preocupar, entram numa nova fase nas suas vidas, descobrindo uma nova fase de sexualidade.

De acordo com o testemunho à ABCNEWS.com do ginecologista americano James Simon, a partir dos 30 anos, os níveis hormonais começam a transformar-se. A falta de estrogéneo desencadeia, entre outros, uma diminuição da lubrificação vaginal, fazendo com que a relação sexual se torne, eventualmente, dolorosa.

As alterações hormonais motivam também uma diminuição da libido. Mas a perda da vontade sexual é muitas vezes psicológica e associada ao facto das mulheres não estarem preparadas para envelhecer e ficarem inférteis.

Para June Reinisch, especialista em psicologia no Kinsey Institute, em Blooming, nos Estados Unidos, a nossa sociedade tem uma mentalidade muito adolescente, pois canaliza a maior parte das suas preocupações para os jovens.

Uma vez que a esmagadora maioria das pessoas têm sexo pela primeira vez na adolescência, tal experiência fica irremediavelmente associada a uma certa fase da vida.

Nesta perspectiva, para a maioria dos jovens não é de todo fácil imaginar os pais a ter uma relação sexual. E à medida que esses jovens crescem e, por seu turno, se tornam pais, é difícil aceitarem padrões sexuais ligados a uma idade mais avançada.

Outros factores que podem contribuir para a diminuição do desejo e alterações no comportamento sexual da mulher são a doenças do seu parceiro (que afectem a potência), morte dos pais ou stress profissional.

Ultrapassar os obstáculos para recuperar o prazer

Com ou sem psicoterapia, com ou sem tratamentos de reposição hormonal, a maioria das mulheres que entram na menopausa acaba por se habituar à sua nova fase da vida e a desfrutar do prazer sexual.

Estudos revelam que o prazer e a frequência dos actos sexuais não diminuem quando as mulheres atingem a menopausa, afirma Nancy Avis, professora das ciências da saúde na Wake Forest University, nos Estados Unidos.

Para a psicóloga June Reinisch, a capacidade de comunicação com o parceiro é a chave para manter uma vida sexual mais equilibrada, quando o sexo e a idade são tabus, as relações deterioram-se.

É importante que os casais compreendam que à medida que a idade vai avançado na mulher é necessária uma maior estimulação para atingir o orgasmo, refere a especialista, adiantando que o mesmo se passa com os homens.

De facto para as pessoas que agora estão a atingir a menopausa poderá, de facto, ser complicado associar a sua sexualidade à nova fase da vida, de um modo saudável, pois os padrões da sociedade podem ser inibidores.

28 outubro 2005

Pensamento do dia




Bom fim de semana para todos.
Divirtam-se...namorem, vão ao cinema...mimem-se...e amem muito!!!
Chove...mas que a chuva não vos impeça de ser criativos, alegres e bem dispostos!!!
Afinal uma AMIGA como eu é rara!!!
Acima de tudo...sejam iguais a vós mesmos e nunca se esqueçam de ser felizes e sorrir.
Beijinhos e um enorme e feliz sorriso

21 outubro 2005

Caminhada




Entrei na estrada,
Pedi boleia à vida.
Acenou-me ao longe
E disse-me:
- Sobe.
Subi degrau a degrau.
Vi miséria,
Fome,
Humilhações
E privações.
Desci a escadaria da vida.
Bati à porta da morte.
Acenou-me ao longe
E disse-me:
- Entra.


(do meu livro "Palavras à solta")

10 outubro 2005

A força de um amigo

(clica para ler)

Votos de uma excelente semana para todos.
Agora que as eleições acabaram, as promessas se esfumaram...
Há que voltar à realidade dos buracos, das obras inacabadas.
Há que colocar os óculos de sol e não ver os cartazes que ficaram espalhados, lembrando-nos, mais uma vez, o que se promete e não se cumpre...
Sigamos em frente...mas atenção aos buracos, às rotundas que aluiram, as obras acabadas à pressa!!!
Riam...pois chorar não tapa buracos.
Brinquem...e vivam o melhor possivel.
E que nunca...mas nunca vos falte o Amigo na hora certa, pois é ele que nos levanta...ou não nos deixa cair.
angelis

05 outubro 2005

Dia Mundial do Professor

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Professor. Mas que é feito desta profissão tão dignificante, tão importante para as crianças e jovens?
O que têm feito com os professores?
Não pretendo abrir polémicas, deixar queixumes, apenas lembrar o dia de hoje, e que professores somos todos os dias e sabe Deus, muitas vezes, em que condições.
Sou Educadora de Infância há 23 anos e nunca lamentei a profissão que escolhi. Gosto do que faço, pelas crianças, futuros homens e mulheres de amanhã, vale a pena o esforço, a dedicação, o sacrifício.
Temos perante nós, novos desafios, novas mudanças, novas exigências e mais uma vez vamos mostrar que somos capazes, que somos profissionais dignos e competentes, não só hoje, como todos os dias, independentemente do que exijam de nós.

Professores não são os únicos responsáveis

Aos professores, o Presidente da República dirigiu-lhes «uma palavra de muito apreço, apoio e incentivo», sublinhando que os docentes devem ser envolvidos nas decisões que lhes dizem respeito e «não podem ser responsabilizados por todos os problemas, iludindo os deveres da família e da sociedade».

Mas lembrou-lhes que os desafios que a profissão enfrenta só podem ser vencidos «no interior».

«A responsabilidade docente não termina no final de cada aula. Define-se num compromisso ético com a vida escolar de cada criança. É isto que caracteriza, e que dignifica, os melhores professores», disse.

(fonte TSF Online)



ORAÇÃO DO PROFESSOR

Senhor, quero agradecer-Vos a grande missão de ensinar para a qual me chamaste.
Comprometo-me convosco a educar para a vida, a semear ciência e virtude no coração dos meus alunos.
Aceitai o meu trabalho de professor, feito com enormes dificuldades nos dias em que vivemos.
Grandes são os desafios da educação, mas também são encorajadoras as metas a alcançar.
Proponho-me a trabalhar para ajudar os meus alunos a atingir uma esmerada educação, para caminharem sempre por caminhos rectos.
Agradeço-Vos também os êxitos já alcançados e o caminho percorrido.
Que eu tenha coragem para recomeçar todos os dias.
Enchei-me de humildade e de paciência para poder ser bom comunicador e ser bem aceite pelos meus alunos.
O dom da vida que Vós me destes é maravilhoso.
Deixai-me vive-lo para utilidade de meus semelhantes.

02 outubro 2005

Mãos



Mãos
Símbolos
Mãos brancas e impávidas
Mãos que trabalham
Mãos que acariciam
Mãos que á noite
Procuram
Outras mãos
E encontram
O frio
Do leito vazio
Olho as minhas mãos
Trémulas
Inquietas
Que incrédulas
Limpam uma lágrima
Olho-as novamente
E vejo-as vazias
Vazias
E cheias de nada
Nada que eu encontro
Á minha volta
Vazias

angelis

26 setembro 2005

Escrita solta...


(foto de João Parassu)

Hoje as palavras dançam à minha volta…
As letras executam um bailado infernal…
As cores dos sentimentos estão em parte incerta…
Procuro as palavras certas, mas elas fugiram, andam algures por ai.
Procuro as cores vibrantes, mas elas escureceram, empalideceram.
A escrita soltou-se…desamarrou-se de mim…


Por vezes as palavras ganham vida própria…
Percorrem caminhos desconhecidos…
Aventuram-se fora de mim…descobrem novos mundos, novas palavras.
Por vezes as palavras soltam-se…
Percorrem mundos paralelos…mundos absurdos.
Descobrem novos sentimentos, novas cores, novas tonalidades.


Soltas, libertas…dançam…vibram.
Pintam-se de novas cores…
Moldam-se com novos sentimentos…
E trazem para dentro de mim…
E transportam para dentro de mim…
A escrita nova, a escrita solta…renovada…hoje.

angelis

23 setembro 2005

Porque...

Porque hoje é sexta...ou simplesmente porque me apeteceu deixar-vos algo para reflectir no fim de semana...
Porque há dias assim...em que nos apetece dar algo, ou simplesmente porque tive uma semana de trabalho intenso, sem horas e com reuniões intermináveis...
Mas, hoje é sexta feira, fim de semana e o Outono já entre nós, apesar do sol ainda sorrir com todo o seu brilho e esplendor e nos brindar com dias amenos.
Aproveitemos o sorriso solar, deixemo-nos contagiar pela sua alegria...sejamos mais solidários, mais fraternos...mais sorridentes.
E...não se esqueçam de ser felizes.



"Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade."

Miguel Torga

10 setembro 2005

Educação e Qualidade

Seria de perguntar à Sra. Ministra da Educação se sabe o que quer dizer esta dupla “Educação/Qualidade”, e mais…se conhece Paulo Freire.

Bom, se calhar poucos o conhecem…mas um dos seus livros “Politica e Educação” tem um capitulo dedicado a este tema “Educação e Qualidade”, que aconselho vivamente, a quem de direito ler, informar-se e depois “amandar” as leis cá para fora.

Mas criticas à parte… falemos do que realmente representa a qualidade na educação.

Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significativos educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta politico – pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Como estudioso, activista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico – libertadora. Na sua proposta, o acto de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como “ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade.

É ao coração de homens e mulheres que fala Paulo Freire: chama-nos a compreender o mundo, olhando-o de forma crítica, carinhosa, mas não ingénua.

É um olhar claro, real, amoroso, com humildade e em conjunto.

Divulgar suas obras é não permanecer no silêncio, é continuar o diálogo, é partilhar.

“Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a água, a vida.” (Paulo Freire)

Haja quem lhe siga o exemplo, nomeadamente todos os profissionais de educação, aqueles que podem dizer que são bons profissionais e que neste momento se vêm ultrajados na sua dedicação á profissão, ás crianças e jovens que lhes são confiados em mais um ano lectivo.

Paulo Freire é um exemplo a seguir, como o são todos os professores e educadores, que anonimamente dão o seu sangue, suor e lágrimas á camisola que vestiram, á causa a que se dedicaram.

Para todos, um excelente ano escolar e que apesar de tudo o que nos atiram para cima, possamos mostrar mais uma vez que somos PROFISSIONAIS DIGNOS.

angelis

05 setembro 2005

TOLERÂNCIA ZERO

Inicio de ano lectivo…fim de férias…aiiiiiiiiiii…socorro!!!
Ando imensamente atarefada com o arranque do ano lectivo, e as novidades que a Sr.ª Ministra da Educação “atira” para os professores são de “matar” qualquer um.
Estamos pior que os condutores com o novo código das estradas, pois a ordem da senhora é: - TOLERÂNCIA ZERO.
O “recado” da Inspecção da Educação é: - TOLERÂNCIA ZERO.
Será que os professores são assim tão maus condutores? Será que os professores são assim tão infractores?
Claro que há abusos, claro que nem sempre o ano escolar corre da melhor forma…mas somos seres humanos, logo somos falíveis, passíveis de errar…ou será que temos que ser infalíveis, de aço e sem vida própria?
Agora a educação é uma estrada, na qual os condutores/professores têm que ser penalizados a todo o instante?
Perdoem-me o desabafo, mas cheguei há pouco da reunião de apresentação e recepção aos professores, no agrupamento de escolas a que pertenço e assustei-me com as perspectivas para este ano lectivo.
Não tarda nada somos proibidos de faltar, somos proibidos de estar doentes.
Sou educadora de infância há 23 anos, todos eles dedicados ao ensino público. Andei 17 anos da minha vida profissional a saltar de escola em escola a cada novo ano lectivo…sempre me empenhei e dediquei à profissão. Falhei, como toda a gente falha…mas passarem-me cartão vermelho, mas dizerem-me que tenho tolerância zero…meus amigos…é demais.
Este desabafo já vai longo…e não é mais que um simples desabafo de alguém que se sente frustrado, de alguém que vê que o seu esforço e dedicação merecem apenas duas palavras TOLERÂNCIA ZERO

angelis

01 setembro 2005

Regresso...ao trabalho

Desculpa-me AFlores, por ter copiado a tua imagem...mas achei a ideia gira e como tal...pimba!!!
Venho já...o dever chama-me.
Com muita pena minha, o que era bom acabou-se...buáááá...e as férias já eram.

30 agosto 2005

O MAIS É NADA!

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar
deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor
é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem
pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode
molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em
todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a
chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milénio
é outro, se a idade aumenta;
Conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não
enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo
também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar
necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue
nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
O MAIS É NADA!

(Fernando Pessoa)

25 agosto 2005

Pedaços de mim…



Rasgados pedaços de mim se espalham pelas cinzas,
Qual puzzle desmanchado, pelo sabor da dor.
Procuro os pedaços que me tiraram da alma,
Rasgados de mim e espalhados ao vento.
Chamo pelo vento…que me traga notícias de mim
E o vento soprando, passa apressado, varrendo minha alma.
Chamo pela chuva…que venha lavar-me a alma.
Mas a chuva surda á minha dor…apenas salpica meu rosto.
Onde estão os pedaços que me faltam?
Rasgados…torturados…perdidos!!!
Chamo pelo rio que corre…saltitando de pedra em pedra.
Peço-lhe notícias dos meus pedaços perdidos.
Ele responde: - Galguei montes e vales, passei por cidades e aldeias, por pontes construídas, por campos floridos e não encontrei nada.
Chamo pelo mar sereno e azul.
Pergunto-lhe se no seu fundo encontrou algum tesouro…
Sim, tesouro, porque esses pedaços são tesouros preciosos.
E o mar me responde: - Minha doce sereia, vasculhei o mais fundo do meu leito, vi pérolas, peixes sem fim, mas esse tesouro não o vi.
Já não sei quem chamar…
Já não sei onde procurar…
Já não sei por onde caminhar…
Faltam-me os meus pedaços de alma…
Rasgados de mim e espalhados ao acaso!!!

angelis

22 agosto 2005

Deste modo ou daquele modo...

Há dias em que acordamos e sentimos que precisamos de escrever o que estamos a sentir.
Mas as palavras teimam em permanecer na alma, aconchegadas pelos pensamentos que lhes dão cor e forma.
Há dias em que queremos expor-nos…
Mas a teimosia das palavras faz-nos ficar “presos” a elas mesmas.

Procurei algo que exprimisse o meu sentir…e encontrei este poema de Fernando Pessoa, que aqui vos deixo, pois tal como ele, também eu me sinto muitas vezes assim…
Afinal “ser poeta é ser mais alto, é ser maior…é ser mendigo…” (Florbela Espanca)




Deste modo ou daquele modo...


Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.

E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele – próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Fernando Pessoa

16 agosto 2005

Açores a Natureza Viva


Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, pois quem vai pela 1ª vez aos Açores, não mais quer sair de lá…ou anseia, rapidamente, lá voltar.
Foi o que eu senti quando pisei o solo da ilha de S. Miguel, quando me senti em terra firme e olhei á minha volta.
Não tenho palavras para descrever a beleza da ilha, a simpatia das gentes, diversos miradouros sobre o oceano, de onde se pode observar os recortes da costa, as angras e baias existentes, vistas deslumbrantes de paisagens inesquecíveis, de lagoas ou crateras de vulcões já extintos, fumarolas e nascentes de água, campos cultivados num ambiente de verdadeira tranquilidade e ausente de poluição.
A gastronomia e sem esquecer o famoso cozido das Furnas…um verdadeiro manjar dos deuses, cozido nas entranhas da terra, no fumegar do vulcão vivo.
A S. Miguel foi dado o nome de Ilha Verde e é a maior ilha do arquipélago, e por curiosidade, tem uma superfície de 759,41 km2, o comprimento é de 65 km e a largura de 14 km.
Locais de visita obrigatória e aos quais não falhei a visita e me deliciei: Sete Cidades com as suas 2 lagoas. O Miradouro do Escalvado, as Caldeiras da Ribeira Grande, a Praia dos Moinhos. Gorreana e Porto Formoso e a cultura do chá e visita ás respectivas fábricas, a Lagoa do Fogo, Ilhéu de Vila Franca, o Vale das Furnas e o seu famoso “cozido nas caldeiras”, o Parque “Terra Nostra”, o Salto do Cavalo, Ribeira Quente e o Nordeste.
Ficaria aqui, indefinidamente, a falar-vos destas maravilhas, mas termino meu artigo, com algumas fotos que tirei durante a minha estadia e deixo-vos um conselho…vão aos Açores, vale a pena e regressam de lá de alma renovada e com vontade de voltar no dia seguinte.
Eu voltarei lá um dia destes, mas desta vez, visitando outra ilha, pois sei que os Açores me conquistaram, lá deixei um pedaço da minha alma e do meu coração.

29 julho 2005

De partida...


Já de malas feitas e pronta para ir de férias...
Usem, abusem, mas não estraguem!!!
Em breve estarei de volta...
Lá em cima...direi "adeus" a todos os amigos e visitantes...
E se sentirem uma leve brisa tocando o vosso rosto...sou eu a saudar-vos!!!
Até ao meu regresso...
E não se esqueçam...Ousem ser FELIZES!!!

22 julho 2005

Metades...


Todos procuramos a metade de nós...
Todos procuramos o complemento de corpo e alma...
A metade do coração...
A metade da alma...
O outro lado do riso...da lágrima...
O que falta ao sonho...
Não desistamos dessa procura...dessa busca!!!
Não desistamos do sonho, do riso!!!
Não desistamos do Amor...
Não desistamos de nós!!!
E ousemos sempre SER FELIZES!!!
Hoje...aqui e agora é o momento...

14 julho 2005

Tua ausência...

Esta tua ausência de mim deixa-me perplexa
Esta distância de nós deixa-me solitária
Estendo as mãos à tua procura…e não te encontro
Procuro-te fora de mim e encontro o vazio deixado por ti
Tua ausência me perde
Tua ausência me alucina
Onde te procurar?
Onde te encontrar?
Percorro os caminhos da alma…silencio!!!
Palmilho as encruzilhadas do coração…vazio!!!
Da próxima vez…não vás!!!
Para a próxima vez…deixa um sinal de ti
Não me quero perder de mim…
Não sei viver sem te ter por perto…
No vazio da noite procuro teu corpo…
No silêncio da alma busco teu coração…
Esta tua ausência rodeia-me…perde-me…desencontra-me…
E uma lágrima de saudade…doce…quente…
Rola de encontro à tua boca…aos teus lábios…
E deixa-me um sabor salgado na alma…
Esta tua ausência…faz-me amar-te mais…
Desejar-te mais…querer-te ainda mais…
E faz-me encontrar-te...
De onde nunca saíste…
Onde sempre viveste e viverás…
Mesmo ausente de mim…


angelis

17 junho 2005

Porque é fim de semana...


Uma cadeira para mim...
Uma cadeira para ti...
Um refresco...ou um gelado...
Um livro...ou um jornal...
Só...ou acompanhado...
É fim de semana...tempo de descanso...tempo de lazer.
Aproveitem...relaxem...pois aqui a menina amanhã vai trabalhar.
O que não se faz pela criançada?!!!!
Curiosos?
Ainda bem!!!
Na segunda feira, conto-vos onde vou...e porque trabalho amanhã.
Até lá...divirtam-se...passeiem...comam um gelado, vão ao cinema, jantar fora...qualquer coisa que vos faça sair da rotina da semana.
E não se esqueçam de namorar...namorar muito com o vosso marido, a vossa esposa...o vosso/a companheiro/a.
Arranjem tempo para telefonar aquele amigo que não vêm há muito tempo, ao vosso pai, ao vosso irmão.
E claro...ousem ser felizes!!!!


angelis

04 junho 2005

Queria chegar...




Perdi-me no tempo
Afoguei-me no espaço
Ao olhar o passado
Tentei realizar o futuro
Vagueei sem direcção
O meu rumo era incerto
A ilusão do presente
Deixou-me absorta
Pensei em nada
Chorei em vão
Caminhei enlouquecida
O meu destino era chegar
Chegar a lado nenhum
Ninguém me esperava
Ninguém me chamou
Gritei enraivecida
O silêncio era cortante
Suspendi um gesto
E caminhei lentamente
Queria chegar…


angelis

01 junho 2005

Porque hoje é teu dia…

(Foto: Michael Reynolds/EPA)

(Mãe e filho que pedem esmola nas ruas de Pequim dormem num local não especificado. As autoridades chinesas estimam que vários milhares de crianças continuam a viver em condições de pobreza extrema.)


Quem diria, ao ver esta imagem, que hoje é Dia Mundial da Criança…
Quem diria, ao ver esta imagem, que se estraga pão, cama, lar…
Quem diria, ao ver esta imagem, e olharmos para as birras das crianças civilizadas, por não terem o brinquedo, a guloseima, a roupa de marca, que hoje é Dia Mundial da Criança?
Morre, a cada 3 segundo, uma criança!!!
De fome!!!
Doente!!!
Na guerra!!!
Abandonada!!!
Quem diria que hoje é Dia Mundial da Criança, ao vermos os festejos descabidos, o desperdício de comida…etc…!!!
Sensibilizemos as nossas crianças para a realidade da vida…
Contrariemos as suas birras…
Ensinemos-lhes o valor do que têm, do lar, da família, do respeito pelo outro…
Porque afinal…criança é inocência, é amizade e nenhuma criança do mundo merece sofrer a fome, o abandono, a guerra.
Porque hoje é Dia Mundial da Criança…respeitemos as nossas crianças, aqui, mas também na Ásia, na África…e na porta ao lado…porque não sabemos o que esconde cada lar, em sofrimento, em miséria, em desafectos.
Porque hoje é Dia Mundial da Criança…façamos com que seja todos os dias…todas as horas e em qualquer parte do mundo.
Lembremo-nos disso antes de estragarmos os nossos filhos com excessos…sejam eles quais forem.
Criança é beleza…é ternura…
Saibamos respeitar as nossas crianças e saibamos vivenciar a criança que somos…hoje, aqui…agora e em todos os dias das nossas vidas.


angelis

29 maio 2005

Bonecas da minha infância

Passei estes últimos dias na minha terra natal, em casa dos meus pais, e como sou tola por fotografia e queria experimentar a minha máquina nova…há que tirar fotos a tudo que encontrava em casa.
Ao mesmo tempo que tirava as fotos, velhas lembranças surgiam de mansinho…sorrateiras e sorridentes diziam: - Olá, estás boa? Por aqui? Lembras-te daqueles tempos inocentes em que brincavas despreocupada com tuas bonecas?
Minhas bonecas, que seria feito delas? Onde estariam? Corri á cozinha a perguntar á minha mãe por elas. Deixou o que estava a fazer e sorriu.
- Olha-me esta agora…quer saber das bonecas. É para levares para a escola? – Perguntou minha mãe a rir.
- Não – respondi eu, apressada – só quero tirar umas fotos para recordação.
E lá fui eu ao quarto que a minha mãe me indicou, e lá estavam elas, sorridentes, como se o tempo não tivesse passado, como se o tempo tivesse parado naquele instante.
Tirei a foto e sentei-me na beira da cama, com as bonecas ao meu lado.
Quanto tempo tinha passado, desde a última vez que com elas brinquei? Sinceramente não sei…anos, séculos, dias, umas horas, ou breves instantes…que importava isso agora? Reencontrava a minha infância, a inocência de outros tempos e sorria. Sentia-me feliz, pois sabia que a criança que vive em mim está cá, traquina, inocente. A criança que eu sou não morreu, não me abandonou, algures na estrada da vida e…revivo-a diariamente com as crianças com quem trabalho, revivo a inocência, a candura e as brincadeiras de outrora.
E a vossa criança, onde está?
E a vossa inocência, as vossas lembranças da infância, que fizeram delas?
Hoje, aqui, agora…é urgente acreditar.
Hoje, aqui, agora…é preciso sorrir.
Hoje, aqui, agora…deixemos a criança que somos viver, sorrir…acreditar.
Acreditar no sonho, na lua, na lágrima que rola.
Acreditar no abraço, na amizade.
E que a criança que somos viva…sonhe e acredite!!!


angelis

20 maio 2005

A vida também se diz...

“ O viajante almoça com uma amiga advogada em Fort Lauderdale. Um bêbado animadíssimo, na mesa ao lado, insiste em meter conversa a todo o instante.
A certa altura, a amiga pede ao bêbado para ficar quieto.
Mas ele insiste:
- Porquê? Eu falei de amor como um homem sóbrio nunca fala. Demonstrei alegria, tentei comunicar com estranhos. O que há de errado nisso?
- O momento não é apropriado – responde ela.
- Quer dizer que existe uma hora certa para demonstrar felicidade?
Depois desta frase, o bêbado é convidado para a mesa dos dois.”

Paulo Coelho “Maktub”


Reflexões imensas me suscitam este pequeno trecho do livro de Paulo Coelho.
Já pensaram se tivéssemos que estabelecer momentos certos para sermos felizes?
Se tivéssemos que estar sujeitos a horários rígidos para amarmos, para comunicarmos uns com os outros?
Qual é o momento certo, a hora certa para demonstrar felicidade?
Sabem dizer-me?
Eu não tenho hora para ser feliz…vocês têm? Qual é a vossa hora?
É sexta feira…fim de semana á porta, é tempo de lazer, de descanso, mas também de reflexão.
O que queremos? Para onde caminhamos? Qual o nosso horário para demonstrar felicidade?
Teremos que estar bêbados para falarmos sobriamente de amor?
A vida faz-se e diz-se…de pequenas coisas, pequenos momentos de alegria, de partilha, de sorrisos, de abraços.
Podemos não ter dinheiro, mas temos trabalho. Podemos não ter fome, mas temos comida na mesa.
Podemos não ter frio, mas temos agasalhos. Podemos não gostar da casa que temos, mas temos um tecto.
Somos uns felizardos, comparados com o resto da humanidade, pois a cada segundo morre alguém, pois a comida que estragamos matava a fome a milhares.
Horas, momentos para demonstrarmos felicidade?
Horários para falarmos de amor? Para amarmos?
Olhemos para o que somos, olhemos para o que temos…
É fim de semana…
Tempo de lazer…mas também tempo de reflexão…tempo de sorrir, tempo de amar e partilhar.
Porque a vida também se diz e faz…
Muitos sorrisos para todos.
E ousem ser felizes…

angelis

14 maio 2005

Desilusão


A estrutura do Tempo,
Na desilusão da fome.
Uma lágrima que rola,
Alimentando o desespero.
A cama desfeita,
No desencanto do novo dia.
O projecto do futuro,
Na fotografia do passado.
O corpo lavrado,
Nos gemidos do desengano.
Suspiro que morre,
Na luta do amor.
Uma carícia repugnante,
No dia sobrevivente.
O perigo de amar,
Na máquina do Tempo.
Vida sem finalidade,
Na sociedade de consumo.
Novamente a cama aberta,
À espera do teu corpo.
Ris de tristeza
E afogas um grito de revolta.
Um amor comprado,
Na sobrevivência mesquinha.
O reflexo incondicionado,
Do verbo amar.
Conjuga-o no presente.
Projecta-o para o futuro.
Não te amarres a convenções.
O Tempo é fumo ao vento.
Um olhar parado,
No despeito oblíquo.
Constrói o teu Tempo!

angelis

08 maio 2005

Vida é...

A vida é:

Um suspiro...
Uma hesitação...
Uma brisa sussurrante...

Por isso sê:

Um suspiro que console.
Uma hesitação repousante.
Uma brisa acariciante.


angelis

02 maio 2005

Hoje...


Hoje…

Hoje estou triste, triste porque fiz sofrer alguém.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a chorar.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a magoar alguém.
Triste porque confiei em alguém…
Hoje choro, porque fiz alguém chorar.
Choro e não controlo as lágrimas.
Lágrimas que se vão juntar ás lágrimas de alguém.
Lágrimas que não chegam para lavar a alma.
Hoje não sorrio, porque apaguei o sorriso de alguém.
Meu sorriso fechei-o no baú do esquecimento.
Meu sorriso fugiu para parte incerta.
Sorriso que só voltará se esse alguém voltar a sorrir também.
Hoje fico quieta no meu cantinho.
Cantinho que abalei, desintegrei.
Cantinho que está ás escuras.
Como ás escuras está minha alma.
Hoje estou…
Triste…choro.
Meu sorriso fugiu…
Minha alma desassossegou-se.

angelis

28 abril 2005

“PRIMAVERA DO NOSSO CONTENTAMENTO...”

(foto de António Melo)


Vagueava feliz pela vida, qual criança traquina...
Contente percorria o jardim da felicidade...
Espalhava sorrisos...
Ofertava flores belas e perfumadas...
No ar, suave brisa acariciava meu coração...
Tudo era tranquilo...sereno...
Corri ao teu encontro e num abraço terno sussurrei-te ao ouvido:
«Amo-te»
Num beijo doce depositei minha alma nas tuas mãos.
Despedimo-nos com um sorriso e um breve «até amanhã».
Dia após dia regressei aquele jardim encantado.
Hora após hora esperei por ti.
Onde estás?
Que fizeste com a minha alma?
Onde a guardaste?
Onde a abandonaste?
Onde antes era felicidade, reside a tristeza.
No jardim florido crescem as ervas daninhas da desconfiança.
Porque me abandonaste?
Porque me torturaste?
Na primavera da vida sinto o Inverno a instalar-se.
Onde procurar a minha alma?
Algures perdida...
Algures chorando...
Para onde ir?
Que fazer sem minha alma?
Roubada e enganada...
Na primavera do nosso contentamento eu choro...
Naquele jardim abandonado eu espero...
Talvez um dia...me devolvas minha alma...
E naquela primavera longínqua espero...
Espero o teu regresso...o teu amor...as tuas promessas...
Até lá choro...
No jardim da vida...me encontro.


angelis (do meu livro “Palavras à solta”)

17 abril 2005

Violência doméstica




(fonte: mulher.sapo)

A violência e os maus-tratos aparecem todos os dias na televisão. As notícias não se cansam de nos mostrar e de nos contar os actos que ocorrem por todo o mundo, quer sejam praticados em guerras, quer sejam motivados por circunstâncias ou em momentos excepcionais. Outros programas de televisão mostram-nos a violência que não sendo real também condiciona e nos torna cada vez mais insensíveis a cada nova história. Afinal já tudo já se tornou normal e usual. É só mais um exemplo de algo que já se tornou rotineiro.

Infelizmente a violência não se limita ao que se ouve dizer ou ao que se vê na televisão. Muitas vezes as situações dentro de casa são muito piores porque estão realmente a acontecer connosco e embora se vão arranjando desculpas e justificações, as situações existem e persistem. Sob qualquer forma, a violência vai surgindo e vai-se insinuando na vida diária até que as proporções se tornam verdadeiramente assustadoras.

Mesmo depois de reconhecer o que está a acontecer, as vítimas raramente conseguem agir a tempo de se defenderem. Isto porque sendo uma violência dentro de casa, mais ninguém sabe o que se passa e a vergonha impede muitas vezes que se consiga contar sequer aos amigos.

E a violência e os maus-tratos continuam até que surja a coragem de reagir e responder ao agressor.

Por ser difícil lidar com estes problemas é necessário saber em primeiro lugar identificá-los e compreender quais as formas de que se podem revestir e como poderão evoluir. Saber o que se passa no nosso país e a quem poderá recorrer se algum dia se confrontar com essa situação é fundamental. Mas é também importante ter consciência de que o que torna a violência doméstica pior é a indiferença e o desconhecimento. Para apoiar e ajudar as suas vítimas é imprescindível escutar.

Tipos de violência

A violência doméstica é a utilização de agressões continuadas contra um familiar ou contra outra pessoa no espaço em que vive. Estas agressões não são apenas físicas, embora essas sejam as mais frequentes. Existem também agressões de outra natureza e que se revestem de outras formas. Muitas vezes, uma ameaça contínua é mais destrutiva do que a violência física e, embora possa ser suportada durante mais tempo, as consequências futuras podem ser bastante mais graves.

Os principais tipos de violência doméstica identificados são:

físico – inclui qualquer forma de contacto que magoe a vítima;

sexual – qualquer tipo de contacto sexual não desejado pela vítima enquadra-se nesta categoria;

emocional – acções e afirmações que pretendam minar a auto -confiança da vítima;

verbal – ameaças e discussões violentas são formas comuns de abuso verbal;

psicológico – ao comportar-se e reagir de formas estranhas, o agressor pode tentar levar a vítima a um desequilíbrio mental;

espiritual – atacar as convicções espirituais ou religiosas da vítima;

financeiro – muitas vítimas são economicamente dependentes dos agressores, que utilizam esse factor como forma de exercer pressão sobre elas;

destruição de propriedade – para ameaçar ou aterrorizar a vítima, o agressor pode destruir bens que sejam da sua propriedade.

Ao detectar qualquer tipo de violência, é importante saber agir em relação a ela para prevenir que atinja formas piores, pois existem sempre soluções para lidar com os diferentes casos. É, no entanto, necessário ter atenção aos sinais de alarme. Muitas vezes a violência pode surgir porque o agressor está sob a acção de álcool ou de alguma droga, mas isso não significa que deva ser desculpado, antes devem ser encetadas medidas para a prevenção de novos ataques, pois se o agressor não controla as suas acções, as consequências podem ser ainda mais negativas.

A Situação em Portugal

Em Portugal, os casos de violência doméstica são bastante significativos. As estatísticas mostram-nos apenas aqueles em que a vítima procurou apoio, por isso, estes números não representam a realidade. No entanto, para se ter uma noção do que acontece no nosso país, estes indicadores permitem-nos ver um pouco do que se vai passando.

O número de processos de apoio registados pela Associação de Apoio à Vítima (APAV) tem crescido significativamente, representando no ano passado mais de quatro mil casos. Esta evolução não se ficou a dever a um aumento da violência, mas a um melhor esclarecimento das vítimas que puderam recorrer à instituição. Em termos geográficos, a zona que registou um maior número de casos foi a de Lisboa, seguida do Porto e de Coimbra.

A forma de contacto da associação foi principalmente pessoal, mas o número de telefonemas também foi significativo. As próprias vítimas contactam com a APAV, mas também é usual que familiares ou conhecidos o façam por elas. O encaminhamento para a instituição é feito por diversas entidades sendo a mais comum a polícia, mas os familiares também desempenham um papel importante, assim como a comunicação social ao informar dos locais e das formas como a instituição dá apoio às vítimas.
A situação mais comum dos processos que dão entrada na APAV é a de mulheres, entre os 26 e os 45 anos, que se queixam de maus tratos ou de ameaças, geralmente dos cônjuges ou companheiros, muito poucos dos quais deram origem a uma queixa na polícia.

Mas existem muitos outros casos de violência por parte de outros membros da família ou mesmo de antigos companheiros ou cônjuges, com queixas mais ou menos gravosas como homicídio, furto ou burla.
A violência doméstica existe em Portugal e é importante conseguir denunciá-la para que a situação não se agrave e para que os exemplos possam inspirar outras vítimas a reagir e a sair das situações muitas vezes desesperadas em que se encontram.

Prevenção e Defesa

Muitas vezes, não saber como reagir numa situação de violência pode levar a que a vítima sofra mais e durante mais tempo, por não ter a coragem ou por não saber o que fazer. Assim, é importante ter algumas noções para reagir melhor em situações de ataque:

»não ter receio de gritar, nem vergonha de o fazer, pois é o agressor que está errado, não a vítima;

»se for possível, tentar defender-se para evitar lesões maiores;

»evitar discussões em áreas perigosas da casa como a cozinha ou a casa de banho, onde existem muitas armas potenciais;

»ter uma forma de fuga planeada, nomeadamente, qual a melhor forma de sair de casa, para onde ir e o que levar;

»encontrar um vizinho a quem possa contar a situação, que chame a polícia se necessário;

»se decidir sair de casa definitivamente, pense em alguns aspectos de antemão, como a abertura de uma conta bancária separada, deixar as chaves e documentos mais importantes com alguém seguro; no caso de existirem filhos, pensar cuidadosamente na sua situação antes de sair de casa;
»depois de sair de casa, se houver o receio de ser perseguida, podem ser tomadas medidas de segurança: dar a morada apenas a quem confiar, não colocar o telefone na lista, estabelecer formas de contacto com o agressor, quando necessário, na presença de outras pessoas e avisar todas a gente com quem entra em contacto da sua situação para que não ajudem o agressor a encontrá-la.

Cada caso de violência doméstica é diferente e a forma de reagir a esse problema depende da vítima e da relação que tem com o agressor.
É sempre difícil resolver estes casos pois para além de não serem praticados à vista de todos, são também entre pessoas que confiam entre si e que possuem uma relação de interdependência que não será facilmente quebrada, mesmo quando existe violência.

A Quem Recorrer

Desde 1990 que existe em Portugal uma organização criada para dar apoio às vítimas, a APAV. É uma instituição particular de solidariedade social, e o seu interesse social foi reafirmado por um protocolo assinado com os Ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Trabalho e Solidariedade em 1998.
A APAV é dirigida por um grupo de sete elementos, embora conte com vários profissionais para a actividade de apoio às vítimas. Também importantes são os voluntários, que ascendem quase às duas centenas e que recebem todas as pessoas que procuram a instituição e lhes dão todo o apoio inicial que necessitarem, encaminhando-as depois para serviços mais específicos.
Para melhor servir a população que recorre à instituição, foi criada uma rede de gabinetes que funcionam em nove cidades do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Cascais, Vila Real, Setúbal, Loures e Faro. O contacto com as autoridades locais é fundamental para assegurar que todas as pessoas que recorrem à APAV têm a resposta que procuram. O suporte financeiro da instituição baseia-se nas quotas dos seus associados, que podem ser pessoas singulares ou colectivas ou ainda as autarquias. A APAV recebe também donativos de diversas proveniências que lhe permitem continuar o seu trabalho.

A sede da APAV encontra-se na Rua do Comércio nº 56 – 5º , o seu telefone é 21 888 47 32, o fax 21 887 63 51 e o e-mail por onde pode contactar a instituição é apav.lisboa@ip.pt.

Também pode contactar a Associação de Mulheres Contra a Violência
Contacto:

Alameda D. Afonso Henriques, 78-1º Esq.
1000-125 Lisboa
Tel. 21 386 67 22 / Fax 21 386 67 23
amcvportugal@hotmail.com

13 abril 2005

Apanhada

Ao final de um dia de trabalho, com as minhas pestinhas, sento-me ao computador, para ver o correio e fazer uma visita aos meus blogs favoritos e… fui apanhada. O causador desta brincadeira foi o meu amigo Aflores do Ailaife Blog, que decidiu, e porque sabe que respondo aos desafios, desafiar-me a dar seguimento a uma brincadeira de literatura na blogosfera a que alguém deu o nome de Ex-Libris da Tugosfera.
Consta ela de uma série de perguntas que, obviamente, devem ser respondidas e descaradamente nomear 3 novos elementos que terão que lhe dar seguimento.
Ora aqui vai:


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Sinceramente… não li, não vi, não vou ler….e gostaria de ser o meu próprio livro…mas acho que já o sou!!!


Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Claro que sim, há dúvidas a esse respeito? Miss Marple da Agatha Christie (espero que esteja bem escrito o nome dela), pelo seu poder de dedução, pelo seu raciocínio lógico.


Qual foi o último livro que compraste?
Pois não me lembro…aiiii…pois foi comprado na altura do Natal para ser oferecido a um amigo muito especial, como prenda.


Que livros estás a ler?
”Do meio do Azul…” de Paulo Roldão e releio sempre o meu livro “Palavras à solta”


Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Tenho que levar livros? Têm que ser 5? Não posso antes levar outra coisa? Ok…vamos lá a ver…e já que estamos numa ilha deserta: “Os Maias” (Eça de Queirós) “Vai aonde te leva o coração” (Susanna Tamaro) “Onze Minutos” (Paulo Coelho) “A Esperança” (Francesco Alberoni) e claro…não podia faltar o meu livro “Palavras à solta” (Ângela Monforte) e se calhar…não seria má ideia trocar tudo isto por um manual de sobrevivência…grande ideia Aflores.


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Rosália do Escrevo apenas
porque gosto da sua escrita e de visitar o seu blog.
À Menina_Marota do EternamenteMenina porque adoro o seu cantinho, a sua escrita e porque adora livros também e até conhece e leu o meu livro…vais matar-me amiga, não vais?
À Meia Lua do Fragmentos da Lua porque acho que se esconde destas coisas…e agora vai ter que aceitar o desafio…também me vais matar amiga?


Vá lá amigas…desta vez fui mesmo apanhada e por arrasto vocês vão comigo… temos que nos unir no feminino e mostrarmos o que valemos na blogosfera…este é um desafio exclusivamente feminino…vamos a isso.


E para ti Aflores…seu grande malandro…parece-me que desta já me safei…ufa!!!

08 abril 2005

Revolta

Fui ao baú das recordações, abri-o e encontrei este poema!!!
Já nem me lembrava deste velho caderno, onde costumava rabiscar as minhas ideias, os meus poemas, os meus "encontros" comigo mesma...
Incrivel o que descobrimos quando vamos vasculhar velhas caixas guardadas. Impressionante...este poema tem mais de 20 anos...e para mim que o escrevi, continua a ser extremamente actual e se fosse hoje...escreveria a mesma coisa, pois a mulher "marginal" continua a ser tratada da mesma forma, com desdém e um olhar de desprezo, sem nos questionarmos o porquê da sua opção de vida, sem percebermos o porquê de trilharem esse caminho, à margem de tudo, até delas mesmas!!!
Aqui fica assunto para um próximo artigo...




(foto de Paulo Alegria)


"REVOLTA"


Um cigarro na boca,
Um olhar fatal.
A perna cruzada,
Todo o verniz necessário,
Para esconder
A negridão duma alma
Suja pela mesquinhes social.
É esta a tua maneira de estar
Na sociedade.
Não a escolheste!
Não a criaste!
Foi-te imposta.
E…
Quiseste sonhar
Quimeras douradas!
Quiseste viver
Sonhos irreais!
Quiseste caminhar
A estrada flutuante,
Que conduz á realização
Do ser pensante!
Criaste a confusão desnecessária,
Para poderes respirar
Acabaste por cruzar os braços
Com um desdém agressivo
Ante a impotência sublime
De não poderes amar!!!


angelis

04 abril 2005

Elogio à Mulher Portuguesa

(foto de Alexandre Monteiro)


[Opinião/testemunho de um Homem Português]
Armando Vieira, PhD
Departamento de Física
Instituto Superior de Engenharia do Porto

A mulher portuguesa vive ainda amordaçada pela sua condição de mulher. Debaixo de um luto eterno ecoam sons melancólicos e fatídicos do fado da sua vida. A nossa sociedade é injusta, e até cruel, para com as nossas mães, mulheres e amantes. Marcada ainda pelos castradores dogmas católicos, este ser maravilhoso parece condenado a penitenciar por um pecado original de uma Eva que nunca pecou, enquanto Adão sempre soube permanecer impune. A mulher pode ter muitos defeitos, mas no que respeita a “pecados” fica bem atrás do homem.

Apesar de todos os progressos, a mulher portuguesa continua forçada a viver uma sensualidade escondida na vergonha do medo e da ignorância de uma sociedade hipócrita e minada de estereótipos anacrónicos. A mulher portuguesa parece ter medo, quase vergonha, do seu corpo. Trata-o mais como um empecilho do que uma obra de arte da natureza esculpiu. Já alguma vez se interrogaram porque razão as mulheres portuguesas, sobretudo depois de casarem, se vestem tão desajeitadamente, tão cinzentas e sem graça, como se fossem avós? Será o eterno fantasma chamado “medo”, seja medo dos outros ou medo delas próprias.

A mulher portuguesa não é feliz porque não a deixam ser livre. Vive acorrentada a preconceitos teimosamente reincidentes, mesmo na camada mais jovem da população. Se seduz é uma desavergonhada, se ousa é uma descarada, se está livre é um perigo, se triunfa na vida é porque dormiu com alguém importante, se é bonita é tratada como uma peça de museu, assediada com piropos de rapazes imberbes e propostas indecentes de labregos que abundam nas nossas praças.

A mulher portuguesa tem um sorriso bonito e meigo, mas reprimi-o com o medo que este seja interpretado como um sinal de uma coisa que nem lhe passou pela cabeça. É obrigada a carregar um pesado fardo de deveres e obrigações que lhe atormentam a vida. Enquanto jovem, é a família que lhe limita a diversão. “O namoro deve ser uma coisa séria”, de preferência já a pensar no casamento. E será o casamento a chave da independência há tanto ambicionada?

Pura ilusão. Rapidamente a mulher se apercebe que a liberdade não passa de uma vã miragem. Do jugo da família passa para o jugo do marido e, mais tarde, dos filhos, dos pais, dos sogros e o que mais houver. Do estatuto inebriante de amante ela passa rapidamente àquele que parece ser o seu estado natural, “mãe” e “dona – de – casa”, mesmo apesar de trabalhar fora de casa como o homem. Neste estado ela vê-se remetida para uma existência assexuada, longe de ser uma verdadeira mulher. Uma mulher “dona – de – casa” não tem tempo para o romance pois o seu quotidiano é preenchido com a azáfama da casa, das compras e dos filhos. A este estado de “mãe dona – d e – casa”, na física designa-se por atractor estável: uma vez que o sistema entre nesta zona fica aí aprisionado para sempre.

A mulher portuguesa não tem espaço para ser mulher. Que tempo resta para pensar em si, para sentir e partilhar o amor que possui no seu coração? Por vezes não passa de um corpo cansado dos deveres domésticos e que transporta uma mente ocupada de problemas e tarefas rotineiras, sem imaginação e sem espírito, mas com muita dedicação e muito amor.

A mulher portuguesa pode não ser tão bonita e vistosa como a francesa ou a italiana, mas é das mulheres mais ternas, apaixonadas e dedicadas que conheço. De outra forma como podia ela suportar uma existência tão madrasta? Na sua ingenuidade e carinho ela guarda uma grande sabedoria que não aparece em nenhum livro ou registo, mas que se sente no calor da sua presença. De uma forma discreta ela mostra o seu amor por tudo o que lhe é querido, enquanto fica à espera. À espera que um dia lhe deixem ser aquilo que sempre sonhou: mulher.

01 abril 2005

Have a smile

(foto de Nanã Sousa Dias)



have a smile
stretched from ear to ear
to see you walking down the road

we meet at the lights
I stare for a while
the world around disappears
just you and me
on this island of hope
a breath between us could be miles

let me surround you
my sea to your shore
let me be the calm you seek

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you
I grieve in my condition
for I cannot find the strength to say I need you so

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you

Sarah McLachlan
Surfacing

28 março 2005

Amar é...

Será que conseguimos viver sem amor?

Será que conseguimos viver sem amar e ser amados?

(fonte mulher.sapo)

Quando nos apaixonamos não procuramos apenas os traços comuns com os quais nos identificamos, mas também os que nos complementam. Ou seja, vemos na pessoa amada qualidades que gostaríamos de ter em nós. Por exemplo, se somos muito rígidos com nós mesmos, é muito fácil admirar a descontracção da outra pessoa.

Basta por vezes um sorriso, um olhar, uma breve troca de palavras e... pronto... O Cupido faz das suas e de repente o cinzento do quotidiano transforma-se num mundo colorido, pleno de emoções intensas e pulsantes que chegam de repente sem que as possamos controlar!

A verdade é que, por muito que se possa especular, o amor e a paixão são sensações inesperadas, sendo esse um dos seus mistérios, pois muitas das vezes não sabemos por que razão nos apaixonamos por uma pessoa e não outra...

Para muitos apaixonados, o encontro do amor é fruto de uma tremenda coincidência. Para outros, é um resultado do destino e da caprichosa combinação entre os astros.
Para a ciência, não só a beleza é fundamental; a segregação de células hormonais – a dita atracção «química» – pode encerrar muitas repostas, mas mesmo assim (mesmo que se ditem razões para a paixão acontecer) nunca se pode dizer quando vai ou não surgir.


(autor desconhecido)

Amar...Querer muito bem a...
Amar...Gostar muito de...
Amar...Ter afecto a...

Amor...Afeição profunda
Amor...Objecto dessa afeição
Amor...Conjunto de fenómenos cerebrais e
afectivos que constituem o instinto sexual
Amor...Afecto a pessoas ou coisas
Amor...Paixão
Amor...Entusiasmo.

A M A R, quatro letrinhas com tantos significados.
Amar é estar presente…
Amar é ser e querer estar...
Amar é companheirismo e cumplicidade...
Amar é afecto e ternura...
Amar é permanecer juntos, principalmente nos momentos difíceis...
Amar é aquela emoção quando nossos olhos se encontram...
Amar é confiar...
Amar é querer o bem do outro....sempre.
Amar não é querer algo construído, mas construir algo querido...
Amar é receber uma ligação no meio do dia só
para dizer “olá amor, liguei para saber de você...
ou...dizer que você faz falta...”
Amar é desejar e suspirar...
Amar é aprender e crescer...
Amar é Viver e reviver...
Amar é Renascer.
Amar é alegria e fantasia...
Amar é dar e não esperar recompensas...
Amar é agradar e perdoar...
Amar é sonhar e acreditar nos sonhos...
Amar é sentir felicidade e saudade...
Amar não se escolhe, se descobre...
Amar é uma linda emoção.
Amar é recordar as saudades sorrindo e às vezes chorando, pois
Amar também é decepção que nos traz desilusão
maltratando o nosso coração.
Amar é um jogo perigoso, onde ganha quem tem o privilégio de
Amar e ser amado como...
Você

23 março 2005

Há 1 ano...

(foto: Erik Reis)


Tudo começou com o desafio de alguém (estás lembrado? Foi graças a ti que me meti nestas andanças) cria um blog…expõe tua escrita, dá-a a conhecer. E explicou-me como funcionava um blog, para que servia…e eu (que adoro desafios…principalmente se forem interessantes e puserem à prova as minhas capacidades) aceitei, e um pouco a medo…lá entrei no Sapo e criei o meu blog.

Um ano depois…é verdade…quem diria…esta história já dura há 1 ano…ainda por cá ando, com imenso prazer, com a mesma postura…não me interessa fazer a diferença, não quero atingir tops. Escrevo porque a escrita faz parte da minha alma (até publiquei um livro…vejam só os dotes da rapariga), gosto de partilhar pensamentos, ideias, sejam elas minhas ou de outros autores.

Se vou continuar? Claro que sim…enquanto me der prazer e satisfação escrever e partilhar convosco as palavras que sopram do coração…continuarei a ser uma brisa que sopra levemente…
Se provoco pés de vento? Cada um que responda por si e pelo que lê e sente quando me visita.

Até lá…estou de parabéns neste dia…e nunca imaginei que o tempo passasse tão rápido e que fosse tão agradável fazer esta partilha com quem me lê.

A todos os que por aqui passam Aflores, Azoriana, Agostinho e tantos outros (desculpem-me por não os mencionar a todos) o meu muito obrigada, pela vossa fidelidade e assiduidade, pelas palavras carinhosas que deixam neste cantinho.

Um grande beijinho e um xi coração para todos


angelis

19 março 2005

Voltar...

Eu queria cá voltar
Em forma de flor
Em forma de amor
E se para isso
Tiver que renascer
Que seja perto de ti
Não te posso esquecer
Não te posso abandonar
Não quero deixar-te
Sem sentir o teu calor
Sem experimentar o teu amor
Queria continuar
Queria voltar
Queria tentar
Queria ser outra vez
Aquela que não fui
Aquela que partiu
Aquela que chorou
E se algo me impedir
Só se for por amor
Porque este vive
Em cada gesto
Em cada sorriso
Ai como eu te amo
Ai como eu sofro
Acolhe-me outra vez
Em teu coração
Embala-me com o teu sorriso
Aquece-me com a tua doçura
Porque foste, és e serás
Aquilo que eu não fui
Aquele que eu amei
O meu poema inacabado
O meu arco-íris
Deixa-me voltar
Deixa-me abraçar-te
Deixa-me amar-te
E serei feliz
E voltarei a sorrir
Só quero saber
Que não me esqueceste
Que eu voltarei
Hoje e sempre serei
A poetisa abandonada
Só por ti lembrada
E para sempre amada

angelis (do meu livro "Palavras à solta")

14 março 2005

Beijo...

Ao tocar teus lábios subi ao céu...
Ao sentir o teu sabor provei as lágrimas da dor...
Naquele beijo ao final de tarde entreguei-te minha alma.
Naquele beijo dei-te minha vida.
Beijamos porquê?
A mãe beija o seu filho ao deitar, embalando-o em sonhos dourados.
Os irmãos beijam-se ao encontrar-se, depois de longa ausência.
Os filhos beijam os pais ao despedir-se.
Os amigos beijam-se alegremente em cada reencontro.
Os amantes entregam a sua alma em cada beijo trocado, em cada desencontro, em cada despedida.
Cada beijo tem um sabor próprio e único.
Cada beijo tem um significado especial.
Cada alma dá num beijo todo o seu esplendor de dor ou de amor...de saudade...de tristeza...de reencontro...de separação.
Cada alma entrega o melhor de si própria em cada beijo que distribui.
Beijo-te com ternura...
Abraço-te com paixão...
Entrego-me com amor....
Mas aquele beijo ao final de tarde traz-me lembranças especiais...
Mas aquele beijo ao final de tarde foi único porque foi o primeiro...
Aquele em que te senti por inteiro...
Aquele em que te deste de forma especial...
No meu coração ficará sempre guardado esse beijo tão intenso...tão inesperado...tão sincero e sentido.
Ao tocar teus lábios senti tua alma...
Um beijo de despedida...
Um beijo e até sempre...


angelis


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