30 dezembro 2004

Seja a diferença



(Vilma Galvão)

Nesta vida, estamos nós a buscar os sonhos,
todos na mesma direcção para chegar a um objectivo...
Muitas pessoas desistem, e partem para outros caminhos,
mesmo que ao deixarem de sonhar,
sintam um vazio grande a incomodar,
mudam de sonhos, por acharem que eles são impossíveis,
sem saber, que o vazio que fica dói ainda mais
do que a própria decepção de não conquista-los...
Temos no coração algo que sempre nos incomoda,
que nos faz aceitar ou rejeitar as coisas,
que nos obriga a fugir de certas situações,
é como se dentro de cada um de nós,
estivesse outro alguém a nos cobrar sempre,
é a nossa consciência, que muitas vezes ignoramos,
não paramos para ouvi-la e com isso,
cometemos as nossas maiores falhas.
Somos todos iguais nesse ponto,
temos os maiores defeitos e lutamos para esconde-los
ao invés de corrigi-los, por estarmos somente enxergando
as nossas qualidades e nos achando os mais perfeitos,
mas sabemos, lá no fundo que não somos
nada daquilo que passamos aos outros...
Infelizmente, a vida nos faz confrontar com nós mesmos todos os dias,
e se estamos em desarmonia, ficamos ainda mais intrigados.
Conselhos não valem de nada,
se não pararmos para pensar em nós mesmos,
e nos auto-avaliar todos os dias.
Ficaria mais fácil se a cada dia
pudéssemos tirar algo de ruim de dentro de nós,
e substituir por qualidades...
Que bom seria se ao invés de criticarmos,
pudéssemos ajudar aquele que está em conflito com ele mesmo.
Se ao invés de pedirmos a Deus as coisas a nós mesmos,
pedíssemos em oração, para que Ele socorresse o nosso inimigo
e lhe colocasse em caminho melhor.
Se ao invés de esperar presentes,
lembrássemos de presentear aqueles que vivem na miséria...
Que bom seria se pudéssemos ser menos egoístas
e conseguíssemos nos doar mais neste mundo,
fazendo com que tivéssemos no futuro
um lugar melhor para se viver...
Somos grãos de areia no deserto,
mas unidos em um só objectivo
poderemos nos tornar melhores e mais fortes,
sem que para isso, desistamos dos nossos sonhos,
pois todas as pessoas precisam de sonhos para viver,
sem eles a vida é vazia,
e no caso de não conseguir conquista-lo
sejamos firmes em buscar mais forças para continuar atrás deles...
Sejamos a diferença nesta vida,
sejamos todos sonhadores
sejamos todos alegres
só assim teremos os nossos seguidores,
só assim estaremos dando o exemplo de vida,
mostrando a nossa própria vida em harmonia!
Seja você também a diferença,
mas não deixe de sonhar nunca,
mostre para as outras pessoas que você é especial,
e verá no futuro, muitos iguais a você
fazendo um volume de exemplos para o mundo.
Seja a diferença nesta vida!



Estes são os meus sinceros votos e desejos para 2005 para todos vós.
Se é fácil? Nem pensar...
Mas é urgente que o façamos, que sejamos nós mesmos e cada um de nós pode e deve fazer a diferença, onde quer que esteja.
Cada um de nós é a diferença, porque é um ser humano único e especial.
Um grande xi coração e um grande sorriso para todos.

angelis

28 dezembro 2004

De volta...

Olá a todos...
Finalmente de volta, após um breve período ausente...
Prometo estar por aqui mais assiduamente, não me ausentar por tanto tempo.
O Natal foi bom? Muitas prendinhas? Abusaram muito dos doces? Aí as gorduras...o peso a aumentar...é preciso fazer dieta, na entrada do novo ano que se aproxima.
Claro que a boa vontade, a solidariedade, o sorriso simpático já desapareceram...afinal o Natal já passou e já podemos voltar a ser carrancudos e mal-humorados novamente...Já podemos esquecer a fome, os carenciados, as crianças e os velhos abandonados...afinal o Natal já passou.
O meu Natal como foi? Passado em família...no calor e aconchego do lar.
Se voltei a ser carrancuda? Nem pensar...Mal humorada? Um pouco...pois ao voltar a confrontar-me com os mesmos gestos hipócritas que rodeiam a sociedade e a humanidade nesta época, quem pode manter a sanidade mental?
Bom, mas nem tudo foi assim tão mau...este Natal tive uma prenda muito especial e única...finalmente vi meu sonho concretizado...Qual?
Vejam esta foto...


Pois é...foi publicado o meu 1º livro de poemas...sonho antigo...sonho que eu vi distante, mas que graças a uma pessoa muito especial, que acreditou em mim e me deu forças e coragem para perseguir e realizar meu sonho...ele aqui está..."Palavras à solta", é um pequeno livro de poemas...mas que para mim é a realização de uma vida.
Afinal ainda existe o Pai Natal...e ele veio pela mão da Editora Amores Perfeitos que também acreditou em mim e com muito carinho editou e publicou meu livro.
Estou feliz e realizada...
Este Natal foi especial e único...e ficará para sempre gravado em minha memória e em meu coração...
E partilho convosco esta minha alegria...este sonho...para que não desistam dos vossos sonhos também...que acreditem, lutem, pode não ser quando queremos, pode demorar algum tempo, podem não se concretizar todos os sonhos...mas acreditem...
Pois como dizia António Gedeão: "...o sonho comanda a vida...e enquanto o homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança".
Um grande xi coração para todos...
Ousem sonhar e ser felizes...


angelis

13 dezembro 2004

UM DIA DE CADA VEZ NATALIDADE




Lei nº 025 de 25 de Dezembro de todo o ano – Belém, D. C.

Dispõe sobre normas a serem vividas por aqueles que um dia, guiados por uma estrela, chegaram a um estábulo deixando-se cativar pelo recém-nascido que ali estava.

A partir da presente data, entra em vigor a seguinte Lei:

Art. 1º - Todos os homens devem respeitar-se mutuamente.

Parágrafo Único – É dever de todos promover a PAZ e uma vida mais humana.

Art. 2º - O verdadeiro amor é gratuito, não busca o prazer pessoal e sim o bem e felicidade do outro.

Art. 3º - O Natal não é comércio e troca de presentes, mas um dia em que o perdão e a solidariedade devem fazer-se mais presentes na vida de cada um.

Art. 4º - Natal é tempo de acreditar nas pequenas coisas e de nascer de novo.

Art. 5º - A partir da presente data, fica estipulado que:

a.O nosso sorriso não tem endereço certo

b.Nossas mãos devem carregar os mais fracos e conduzir mãos que tacteiam no escuro

c.Nossos pés, caminhar em direcção do outro para acolhe-lo

d.Nossos olhos, enxergar a criança faminta, o amigo angustiado, o velhinho desamparado.

Art. 6º - O Natal é Cristo fazendo nascer em cada homem um coração novo com sentimento de esperança.

Parágrafo Único – Todo aquele que aceitar o Salvador deve libertar-se do homem velho, rancoroso, que existe em si próprio.

Art. 7º - O Natal marca o início de uma era onde a Fé, a Esperança e o Amor são critérios básicos para se construir um mundo melhor.

Art. 8º - Fica decretado que o Natal será como a alegria imensa de vidas que renascem e se renovam.

Art. 9º - O tempo de Natal é o seguinte: 24 de Dezembro deste ano até 24 de Dezembro do próximo ano.

Art. 10º - Esta lei entrará em vigor a partir do momento em que as pessoas tomarem conhecimento da mesma.

Art. 11º - Faça cumprir e revoguem-se todas as disposições em contrário.

Parágrafo Único – Feliz Natal! Hoje e sempre!

Quem sabe se colocarmos esta lei em prática, teremos nos próximos Natais um mundo bem melhor.

Pense nisto!!!

Feliz Natal!

angelis

06 dezembro 2004

Volto já...

Meus amigos…vou ausentar-me por um tempo, espero estar de volta em breve…
Lá para as vésperas do Natal…senão antes voltarei a dar noticias…
Porque me ausento?
Bom…isso é segredo…mas venho já…o tempo passa depressa e quando derem conta…cá estarei de volta com novos artigos…
Até lá…portem-se bem…namorem muito…amem ainda mais…
Divirtam-se…riam…surpreendam o vosso amor…vão às compras…
Não se esqueçam de escrever ao Pai Natal…
E acima de tudo…OUSEM SER FELIZES…
Muita PAZ…ALEGRIA…ESPERANÇA para todos vós…


Mas antes de ir…deixo-vos com dois poemas do meu poeta favorito, e um dos maiores poetas portugueses…ARY DOS SANTOS
Sintam a sua poesia…a sua alma…deixem-se envolver pelas palavras que transportam a emoção…a grandeza do poeta…
E…até já…

angelis




No teu poema

No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vezes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda me escapa
e um verso em branco à espera de futuro.

Ary dos Santos


Estrela da Tarde (o meu favorito)

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Ary dos Santos

02 dezembro 2004

Sexta feira...

Chega sexta...já falta pouco para mais um fim de semana...
Amanhã...desliguem os computadores...desliguem-se dos blogs...da internet...
Amanhã...façam um saco de viagem...esqueçam o consumismo desta época...
Amanhã partam à aventura...há tanto para conhecer neste pais...
Visitem "velhos" amigos...familiares...lugares da infância...
E se não quiserem viajar...vão ao cinema...levem os vossos filhos ao circo...
Revivam a magia do circo...os risos e brincadeiras dos palhaços...soltem a criança que vive em vós...
Vão dar um passeio...a pé...de bicicleta...pelo parque da cidade...à beira mar...
VIVAM...respirem a Natureza...façam algo diferente...divirtam-se...
OUSEM...RIR...BRINCAR...SER CRIANÇA...
Bom fim de semana para todos com muita Alegria...Amor...Tranquilidade...

angelis

30 novembro 2004

Porque a SIDA existe...



O meu abraço solidário...

Mantenham-se informados...

Estejam atentos...

28 novembro 2004

Trabalho!!!




Votos de excelente semana para todos...
E mesmo que vos digam que não são profissionais...
E mesmo que o trabalho seja uma "seca"...
E mesmo que não tenham trabalho...
E até que procurem trabalho...
Mesmo assim...somos todos GENTE que procura dar o seu melhor...
Fazer o seu melhor...onde quer que trabalhe...
Pois todo o trabalho é digno...

Fiquem bem...Sorriam...Voem...Sejam vocês mesmos...
Ousem ser felizes...

angelis

26 novembro 2004

Voar...


Talvez a vida seja um sonho que sonhamos cada dia que passa...
Uns sonham de olhos abertos para verem o que os rodeia, preocupados com a realidade da vida... Outros embalam-se na doçura da amizade, sonhando de olhos fechados, confiando no coração do amigo que bate junto ao seu...
A vida é uma borboleta colorida e bela, poisando de flor em flor, aspirando o seu perfume, sorvendo o seu pólen, alimentando-se do que a natureza lhe oferece.
Mas, a borboleta até se transformar, é uma feia larva, que se fecha num casulo e por esforço próprio vai construindo suas asas e sua beleza...
Não é assim o ser humano?
Se não é, deveria aprender com a borboleta e com o seu esforço, a libertar-se do casulo que o prende ás paixões inferiores, ao sofrimento sem sentido, e voar mais alto...
Libertar sua alma...
Abrir suas asas e voar...
Voar pela vida, poisando nas flores da amizade, da fraternidade, da tolerância...alimentando-se de sentimentos nobres e edificantes...
A vida é um sopro...uma brisa, que quando dermos conta já passou e nós permanecemos sem nada termos feito para a agarrar...
Viver é sonhar...
É deixar as emoções fluírem...
É sermos nós mesmos...
É não abdicarmos dos nossos sonhos, mas termos paciência e sabermos esperar que eles se realizem, mas também trabalharmos por eles, pois nada se realiza sem o esforço e méritos próprios.
Abre as tuas asas e voa sem medo.


angelis

22 novembro 2004

Segunda feira!!!


Uma excelente semana para todos...
Para os que estão a trabalhar...muita paciência, tolerância, compreensão.
Para os que estão a estudar...muita atenção, bons estudos, não se distraiam nas aulas e muita alegria.
Para os que estão à procura de emprego...não percam a esperança...não desistam, muita força e coragem.
Para os ociosos...boa preguiça!!!
Muita Paz...Harmonia e Amor para todos.

angelis

18 novembro 2004

“OCEANO DA VIDA...”



No oceano da vida te encontrei.
Quando menos te esperava, os meus olhos cruzaram-se com os teus.
Navegava sem rumo, nem destino.
Vagueava ao sabor dos ventos e das tempestades.
Tinha perdido o meu norte, o meu caminho.
E o meu rio transbordou...
E as margens da minha vida se inundaram...
Desde o primeiro dia te esperava...
Entre tormentas mil...tempestades avassaladoras...margens escarpadas...percursos acidentados...
O rio da minha vida corria sem destino.
Os montes que o oprimiam provinham de uma vida sem sentido.
Navego de encontro ao mar e a meio do percurso te encontro, qual marinheiro aventureiro disposto a salvar este rio sem destino.
As nossas águas fundem-se...
Os nossos corações entrelaçam-se...
Mas o rio segue o seu destino fatal...
Algures se irá encontrar com o oceano e num abraço infinito se fundirá com as suas águas.
As lágrimas terão um sabor a sal que queimará meu coração na hora da despedida, pois o teu rio corre para outro oceano e só por breves momentos se uniu ao meu num abraço de amor eterno.
A vida diz-se e faz-se de pequenos gestos de ternura e carinho...
O rio cresce das pequenas gotas de chuva que a ele se juntam, engrandecendo-o.
O amor floresce da amizade sincera e da entrega de duas almas.
O oceano da vida será imenso, bonito, sereno através das acções que a ele se juntam...acções no bem e na paz...na tranquilidade e serenidade de consciências límpidas.
O rio navega para o mar...
O meu coração navega de encontro ao teu...
Para sempre e na eternidade do amor que os une...


angelis

15 novembro 2004

É sempre tempo de lembrar...Augusto Gil

Augusto César Ferreira Gil nasceu em Lordelo do Ouro (Porto), em 1873.
Estudou inicialmente na Guarda, donde os pais eram oriundos, e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Começou a exercer advocacia em Lisboa, tornando-se mais tarde director-geral das Belas-Artes.
Frequentador de tertúlias literárias, reconhecem-se na sua obra influências de Guerra Junqueiro, do simbolismo e, pela sua veia popular, de João de Deus. Também influenciado pelo lirismo de António Nobre, a sua poesia insere-se numa perspectiva neo-romântica nacionalista.
Cultivou uma poesia simples, de tom sentimental e nostálgico, coloquial, por vezes satírica, retratando circunstâncias prosaicas do quotidiano.
Augusto Gil faleceu em Lisboa, em 1929.
Obras poéticas: Musa Cérula (1894), Versos (1898), Luar de Janeiro (1909), O Canto da Cigarra (1910), Sombra de Fumo (1915), Alba Plena (1916), O Craveiro da Janela (1920), Avena Rústica (1927) e Rosas desta Manhã (1930).
Crónicas: Gente de Palmo e Meio (1913).




Balada da neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.

12 novembro 2004

Serenidade


Sentada à beira mar
Tal como o mar sereno
Assim meu coração se encontra.
O sol brilha
Uma brisa suave acaricia-me o rosto.
O areal branco está deserto.
Pegadas de gaivota aqui e ali.
Viajo no tempo…
Viajo no espaço…
Vou ao teu encontro.
Abraço-te.
Beijo-te.
Sussurro-te ao ouvido: - Amo-te!!!
Volto ao presente…
Ao local onde me encontro
Sonho contigo…
Sereno é o dia
Tranquilo está o mar.
O sol deposita um beijo em minha face
E diz-me: - Este é um beijo do teu amor.
Sorrio!!!
Serenidade é o que a minha alma sente.


angelis

09 novembro 2004

Lembram-se de...António Gedeão?

António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa em 1906. Criança precoce, aos 5 anos escreveu os seus primeiros poemas e aos 10 decidiu completar "Os Lusíadas" de Camões. A par desta inclinação para as letras, ao entrar para o liceu Gil Vicente, tomou contacto com as ciências e foi aí que despertou nele um novo interesse.
Em 1931 licenciou-se em Ciências Físico- Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e em 1932 conclui o curso de Ciências Pedagógicas
na Faculdade de Letras do Porto, prenunciando assim qual seria a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos: professor e pedagogo.
Exigente e comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão e uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentrou durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusivé, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção "Ciência Para Gente Nova" e muitos outros títulos, entre os quais "Física para o Povo", cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970.
Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho nunca esqueceu a arte das palavras e continuou sempre a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca seria útil a ninguém, nunca tentou publicá-la, preferindo destruí-la. Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publicou, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas "Movimento Perpétuo" com o pseudónimo António Gedeão. Continuou depois a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro, no ensaio e na ficção.
Nos seus poemas há uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram esses dois interesses totalmente distintos..
A poesia de Gedeão é bastante comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade.
É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho. Mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".
Nos anos seguintes dedicou-se por inteiro à investigação, publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continuou a sonhar, mas o fim aproximava-se e o desejo da morrer determinou, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.
Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assumiu a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenharia até ao fim dos seus dias.
Quando completou 90 anos de idade, a sua vida foi alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, foi reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música. Faleceu em 1997.

Obra Literária:
Poesia: "Movimento Perpétuo", 1956; "Teatro do Mundo", 1958; "Declaração de Amor", 1959; "Máquina de Fogo", 1961; "Poesias Completas", 1964; "Linhas de Força", 1967; "Soneto", 1980; "Poema para Galileu", 1982; "Poemas Póstumos",
1984; "Poemas dos textos", 1985; "Novos Poemas Póstumos", 1990
Ficção: "A poltrona e outras novelas", 1973
Teatro: "RTX 78/24", 1978; "História Breve da Lua", 1981
Ensaio: "O Sentimento Científico em Bocage", 1965; "Ay Flores, Ay flores do
verde pino", 1975
Obra Científica: "Ciência Hermética", 1947; "Embalsamento Egípcio", 1948;
"Compêndio de Química para o 3º Ciclo", 1953; "Sr. Tompkins explora o
átomo", 1956; "Guias de trabalhos práticos de Química" [3º Ciclo], 1957;
"Que é a física?", 1959; "Problemas de Física para o 3º Ciclo do Ensino
Liceal", I volume, 1959; "A Física para o Povo", 1968; "Ciências da
Natureza",1974; "Aditamento ao guia de trabalhos práticos de Química", 1975;
"A Descoberta do Mundo da Física", 1979; "A Experiência Científica", 1979;
"A Natureza Corpuscular da Matéria", 1979; "Moléculas, Átomos e Iões", 1979;
"A Energia", 1980; "A Estrutura Cristalina", 1980; "As Forças", 1980; "As Reacções Químicas", 1980; "O Peso e a Massa", 1980; "A Composição do Ar", 1982; "A Electricidade Estática", 1982; "A Pressão Atmosférica", 1982; "A Corrente Eléctrica", 1983; "A Electrónica", 1983; "Magnetismo e Electromagnetismo", 1983; "A Energia Radiante", 1985; "A Radioactividade", 1985; "Ondas e Corpúsculos",1985
Investigação histórica: "História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa [1765-1772]", 1959; "História do gabinete de Física da Universidade de Coimbra [1772-1790]- desde a sua fundação em 1772 até ao Jubileu do Prof. Giovani António Dalla Bella", 1978; "Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII", 1979; "A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências da Lisboa nos Séculos XVIII e XIX", 1981; "A Física Experimental em Portugal no Século XVIII", 1982; "A Astronomia em Portugal no Século XVIII", 1985; "História do Ensino em Portugal, desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano", 1986; "O Texto Poético Como Documento
Social", 1994



LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de Sódio.

PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

05 novembro 2004

Lágrima



Lágrima
Encontraram-se um dia, uma lágrima, uma estrela, uma pérola e uma gota
de orvalho. Falou primeiro a estrela:
Quem diria que eu tivesse o trabalho de descer das alturas luminosas, para vir conversar com vocês três?
Não sabem que sou mais alta que as nuvens?
E que a minha altivez fulgura entre mil chamas radiosas, na infinita
amplidão?
Mas, respondeu a pérola vaidosa: - Quem te dará valor, entre milhões de
lâmpadas no espaço?
Tu não passas de um grão de esplendor, metido na poeira do infinito.
Ninguém se lembra de te por nos braços! Enquanto eu, lá no fundo dos
oceanos, sou buscada e vendida aos soberanos, para enfeitar, com minha
limpidez, as coroas dos reis! Vivo no colo esplêndido dos nobres, e nos ricos
seios das rainhas...
Não como ti, que sob o olhar dos pobres poetas vagabundos te
encaminhas...
Valho mais que tu! E ainda mais valho que um orvalho e uma lágrima, pois
ambos são gotas d'água, sem o mínimo valor.
Disse o orvalho, com mágoa: Qual de vocês três, tem esse encanto de se
transformar em gozo, na boca imaculada de uma flor?
Eu venho lá de cima, radiante, nos braços da alvorada, cobrir de beijos uma
rosa, que se sente tão doce nesse instante, que vale a pena vê-la tão ditosa!
E trago o riso ao coração da Terra, engolfada em pranto.
Eis como sou feliz! Na campina, ou no cimo da serra, sou sempre uma
esperança cristalina, nos lábios sorridentes de uma flor! Calou-se o orvalho.
E a lágrima? Coitada, esta nada dizia...
E que respondes tu? Perguntaram os demais.
E ela, rolada na terra húmida e fria, nada ousava falar...
Porém, sublime e calma, respondeu: Eu sou o perdão no crime e a vibração
no amor!
Bailo no olhar risonho da alegria, moro no olhar tristíssimo da dor! Eu sou a
alma da saudade e da harmonia!
Sou o estrilo na lira soluçante dos poetas, sou oração no peito dos ascetas,
sou relíquia de mãe em coração de filho, sou lembrança de filho em coração
de mãe!
Não vivo nos seios perfumados, nos colos orgulhosos, na ostentação
efémera do luxo...
Porém, penetro no espírito do mundo, seja do rei, do sábio mais profundo,
do rústico mais vil... do pecador, do santo, até na face do Senhor um dia já
rolei...
Eu, lágrima pequena, penetrei no coração de Deus, e fiz estremecer, abrir-se extasiado o pórtico dos céus!
Não sei quantos pecados já lavei! A lágrima calou-se humildemente,
deslumbrando...
Em silêncio, a tudo contemplou serenamente, na vastidão vazia...
A estrela se ocultou atrás de uma nuvem e chorava...
A pérola desceu à profundeza dos mares e chorava também...
O orvalho tremulando sobre a relva também chorava...
E a lágrima, só a lágrima sorria!...

Autor Desconhecido

01 novembro 2004

Pensamento do dia



Uma boa semana para todos...
Sorriam...sejam afáveis...gentis...
Olhem para os outros com respeito, carinho...
A vida vale a pena...o amor vale a pena...


angelis

28 outubro 2004

Silêncios...

Na calada da noite...
Ouço a minha respiração…
Que de tão agitada me faz despertar do meu sono.
Ouvidos à escuta…no silêncio que me rodeia…
Silêncios perturbadores me põem alerta…
Batidas aceleradas…descompassadas do meu coração…
Espero…anseio…escuto…
Mas só ouço o próprio silêncio…
Porque demoras?
Porque não escuto os teus passos?
Porque não ouço a tua respiração?
Silêncio…é tudo o que me rodeia…
Silêncio que me perturba…que me confunde…
Onde estás?
Por onde te perdeste?
Ou será que te esqueceste que espero por ti?
Só o silêncio me faz companhia…
Só o silêncio me abraça…
Onde estás?
Porque deixaste o silêncio tomar conta de mim?
Tomar conta de nós?
Silêncios perturbadores é tudo o que ouço…
É tudo o que sinto…em mais uma noite…
Uma noite sem ti…


angelis

25 outubro 2004

Alma de Mulher



Alma triste
Alma apaixonada
Alma sonhadora
Porque choras?
Onde está o teu amor?
Qual a causa de tanta dor?
Será a alma da mulher diferente?
De que é feita?
Já alguém a analisou? A estudou?
Muitos a criticam…poucos a entendem!!!
Mas, afinal de que é feita?
Pedaços de ternura entram na sua composição.
Uma pitada de sensualidade não lhe fica mal.
Uns quilos de compreensão…faz bem ao coração.
E toneladas de amor à mistura para lhe dar sabor.
Não desesperes alma minha…
Teu amor está ai…algures entre o sonho e a realidade.
Ao alcance da tua mão…bem juntinho ao teu coração.
Sê triste…
Sê apaixonada…
Sê sonhadora…
Sê afinal aquilo que tu és…
Alma de mulher.


angelis

19 outubro 2004

25 passos para conseguir um filho mal educado...



25 passos para conseguir um filho mal-educado

1. Satisfaça sempre todos os seus desejos, apetites e prazeres.

2. Dê-lhe sempre tudo o que ele pedir.

3. Ria-se quando ele disser palavrões ou se comportar inadequadamente.

4. Dê-lhe todo o dinheiro que ele queira gastar.

5. Deixe-o vestir-se e pentear-se como quiser.

6. Deixe-o ler tudo o que quiser.

7. Se ele estragou ou destruiu, não faz mal.

8. Desculpe-o sempre dos disparates que faz ou diz.

9. Não restrinja as suas actividades com horários ou rotinas.

10. Deixe-o ver tudo o que quiser.

11. Nunca o repreenda.

12. Recolha tudo o que ele deixar espalhado e desarrumado.

13. Autorize a que faça gazeta quando quiser.

14. Não o faça emendar um erro.

15. Não se incomode com mentiras ou omissões.

16. Garanta a sua privacidade dando-lhe um espaço sobre o qual apenas ele tem autoridade.

17. Defenda-o sempre em caso de conflito.

18. Deixe-o ver tanta televisão quanta quiser e todos os programas que quiser.

19. Não o obrigue a comer o que não quer ou não gosta.

20. Discuta sempre na presença do seu filho.

21. Se ele roubar, garanta que não é apanhado.

22. Não o obrigue a conviver (estar) com a família.

23. Deixe-o incomodar terceiros sem restrições.

24. Não o obrigue a pedir desculpa.

25. Deixe-o fazer o que quiser, sempre que quiser.

angelis

17 outubro 2004

Lixos e afins...


Vivo num local com 3 blocos de apartamentos, até aqui nada de especial.
Tive o azar de o prédio onde vivo, ser o 1º a ser construído e como tal teve que “pagar” algumas facturas extras.
Exemplifico: o meu prédio não tem “casa de lixos”, enquanto os outros dois têm. Num prédio com 2 entradas e com 30 apartamentos por entrada…começa a complicar a situação. Dirão alguns de vocês…qual o problema?
O grande problema no meu prédio e que por consequência, afecta a saúde pública é que para além de não ter a dita “casa dos lixos”, a recolha do mesmo é feita, somente, 3 dias por semana e para agravar a situação não existem nem contentores nem eco pontos por perto.
O carro do lixo passa à minha porta às terças, quintas e sábados e o resto dos dias “levo” com o lixo em casa e com as consequências que isso acarreta, maus cheiros, etc.
Já foi tentado de tudo para a autarquia colocar contentores do lixo nesta área, e foi sempre recusado.
Questiono-me: e se acontecesse a algum membro da autarquia tal situação? Seria imediatamente resolvida…mas para nós munícipes contribuintes…resolver a questão para quê? Levem com o lixo e calem-se.
Pago taxa de resíduos sólidos de 2 em 2 meses com a factura da água…e tenho o lixo à porta ou dentro de casa, nos dias em que não há recolha…
Não existe recolha selectiva de lixos…separar para quê? Reciclar para quê?
Nem o dito eco ponto existe, numa zona residencial e com bastante população.
Nós até queremos contribuir para a melhoria do meio ambiente, estamos sensibilizados para a reciclagem e a separação dos lixos, mas todas as nossas boas intenções caem por terra com a falta de colaboração da autarquia.
Desculpem-me o desabafo…mas tal situação é inadmissível!!!
Quando vim viver para aqui, à 9 anos, tinha recolha diária de lixo…excepto ao domingo…hoje tenho recolha 3 dias por semana!!!
Perdi qualidade de vida…quando deveria ter ganho qualidade de vida.
Algo está errado aqui!!!!
Algo cheira muito mal pelas terras da Maia!!! E asseguro-lhes que não é o lixo doméstico do prédio onde vivo!!!


angelis

14 outubro 2004

Vale a pena divulgar...


(Nota: esta informação foi recolhida no panfleto de divulgação da Associação)

APDMF – Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família

É uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que tem como objectivos:
- Proceder ao estudo interdisciplinar das questões relativas à protecção jurídica e administrativa dos menores e da família
- Promover, dinamizar e organizar serviços comunitários de apoio à criança, ao jovem e à sociedade familiar, sendo o seu âmbito nacional
- Dinamizar formação especializada na área da protecção das crianças e jovens em perigo, junto de técnicos que exercem funções quer nas comissões de Protecção, quer em equipamentos sociais destinados a esta problemática

Na prossecução dos seus objectivos, a APDMF tem, presentemente, em funcionamento quatro centros de acolhimento, encontrando-se em fase de instalação mais três centros de acolhimento, um deles também com uma valência de lar. Destinam-se a crianças e jovens privados do meio familiar, vitimas de violência ou provenientes de famílias cuja situação exija apoio transitório que permita a estabilização de vida e o futuro encaminhamento adequado das crianças.

Actividades principais:
Para além das preocupações de prevenção primária, a Associação desenvolve as seguintes acções:
- Acolhimento de crianças e jovens em situações de risco, com vista ao diagnóstico interdisciplinar, elaboração de Projecto de Vida de cada criança e desenvolvimento desse projecto, com a maior colaboração possível de família e da comunidade
- O regresso à família biológica nuclear ou biológica alargada, directamente ou com a mediação de uma família de acolhimento
- Quando tal não seja possível a integração na família biológica, a adopção nacional ou internacional
- Quando se esgotam as possibilidades de integração familiar, a colocação em instituição que garanta o acompanhamento, dinâmico e individualizado
- Formação nas áreas de protecção, acolhimento e acompanhamento, a técnicos ligados à problemática das crianças e jovens em perigo

Desde a sua criação já foram adequadamente encaminhadas mais de 400 crianças acolhidas nos Centros, a pedido dos Serviços da Segurança Social, dos Tribunais, dos Hospitais e de outras entidades.

Outras actividades:
Consulta psicológica gratuita a crianças em idade escolar e suas famílias, que frequentam escolas situadas na área da sede da associação, em colaboração com a respectiva Junta de Freguesia e escolas locais.

Financiamento das actividades:
Considerando que a associação não tem património nem fontes de receitas próprias, a manutenção destes Centros é feita exclusivamente, através de acordos atípicos celebrados com a Segurança Social, da generosidade das comunidades onde estão inseridos os Centros e do voluntariado que a Associação mobiliza.
Os custos da actividade em harmonia com a qualidade de intervenção que as situações tornam cada vez mais premente uma comparticipação generosa por parte dos cidadãos em geral, canalizados para a Sede da associação ou para as “Ligas de Amigos” de cada um dos Centros de Acolhimento.

Como colaborar:
1.Cooperando em projectos específicos da Associação
2.Prestando trabalho voluntário quer na Associação, quer nos vários Centros de Acolhimento
3.Divulgando a Associação e angariando novos sócios
4.Inscrevendo-se como sócio da Liga de amigos de um dos Centros de Acolhimento
5.Enviando donativos para a Sede da Associação

Contactos: Centros de Acolhimento:
- Casa do Parque Estrada de S.Marçal, nº9/Outurela/Portela 2795-618 Carnaxide – Tel: 214167650/8 Fax: 214167659
- Casa da Encosta Rua S. Rafael – Bairro S. Miguel das Encostas 2775-753 Carcavelos – Tel: 214532700 / 214527375 Fax: 214527379
- Casa do Infantado Praça Infante D. Henrique 1-B r/c – Infantado 2670-390 Loures – Tel: 219824265 Fax: 219820726
- Casa de Cedofeita Rua Instituto dos Cegos S. Manuel nº 22 4050-308 Porto – Tel: 226096960 / 225432175 Fax: 225432176
- Casa do Vale Bairro Engº Machado Vaz, Rua Souto de Contumil 4350 Porto – Tel: 225574470 Fax: 225574479
Sede: Rua Costa do Castelo, nº 5 – r/c, 1100-176 Lisboa Tel: 218883207 / 218816385 / 218800610 / 18 Fax: 218800619 Nº de contribuinte: 502574500 Email:apdmf@vizzavi.pt

11 outubro 2004

Porque hoje é segunda...



Porque hoje é segunda...mas poderia ser outro dia qualquer da semana...
Apenas para reflectirmos...
Apenas porque me apeteceu...mas fica a interrogação...


angelis

08 outubro 2004

Viver


Faço minhas as palavras desta mensagem...
Viver é tudo isso e muito mais...
Aproveitem...vivam...sonhem...
Digam sem medo: "Amo-te meu pai, meu amigo/a, meu filho/a, meu companheiro/a..."
E porque hoje é inicio de fim de semana...soltem as amarras...
Partam à descoberta de vós mesmos...há um mundo interior à vossa espera...encontrem-se com o que são...com o que querem...com o que podem construir de novo...valorizem o que têm...melhorem o que precisa de ser melhorado...chorem...riam...VIVAM...
E...ousem ser felizes...
Bom fim de semana para todos...

angelis

05 outubro 2004

Parabéns Pai




“ PAI “

Tudo o que um filho
Pode dizer é:
- Obrigado.
Tudo o que um filho
Pode desejar é:
- Continua sendo um Homem,
Simples e bom como até aqui.
Norteando sempre o teu caminho
Com verdade e justiça.
Tudo o que um filho
Pode sentir é:
- Amo-te meu Pai.


Hoje meu Pai completa 72 anos de idade e este poema é a minha forma de lhe agradecer e de lhe dar os parabéns.

Muito se sacrificou pelas filhas, pela família, abdicou de si para nós podermos ter o que ele nunca teve…deu-nos principios morais, educou-nos no respeito pelo ser humano, mas também nos ensinou a não calar perante as injustiças, a termos forças perante a adversidade…aprendemos com ele a lutar pela verdade e pela justiça, aprendemos a ser “gente” de bem.

Sei que ele não tem Internet, sei que não vai ver este texto (mas vou-lhe fazer a surpresa de o imprimir e de lho enviar pelo correio), nada disso tem importância, mas sim o facto de aqui e agora, publicamente, lhe prestar esta homenagem, de poder dizer sem vergonha…Amo-te Pai, obrigada pela Vida, pelo Amor, pelos sacrifícios que fizeste por nós e, claro, muitos parabéns e um grande xi coração.

angelis

03 outubro 2004

Violência contra as Mulheres - Uma questão de Direitos Humanos



(Por Ana Maria Braga da Cruz Presidente da Comissão para a Igualdade e para os Direitos da Mulher - CIDM, in Jornal "a Página" , ano 11, nº 113, Junho 2002, p. 16.)

Trabalhando há largos anos nas questões da violência – nomeadamente violência doméstica e prostituição e tráfico – jurista formada numa profunda tradição de direitos humanos, é-me muito grato partilhar hoje aqui as minhas reflexões, dúvidas e esperanças, assinalando a aprovação, em 30 de Abril de 2002, de uma Recomendação do Comité de Ministros do Conselho da Europa sobre a protecção das mulheres contra a violência.

A violência contra as mulheres não é um problema de mulheres: é um problema dos homens, é um problema de toda a sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) proíbe toda a forma de discriminação com base no sexo, garante o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, reconhece a igualdade perante a lei e igual protecção contra toda a discriminação que infrinja a Declaração.

A Carta das Nações Unidas inclui como um dos seus princípios básicos a cooperação internacional no desenvolvimento e estímulo do respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais de todas e todos, sem fazer distinção com base no sexo (art.1.3).
A Convenção Europeia dos Direitos Humanos ( art.14º) dispõe que o gozo dos direitos humanos será assegurado sem discriminação nomeadamente com base no sexo.

O princípio da igualdade de mulheres e homens constitui um sine qua non da democracia e um imperativo de justiça social (Declaração sobre a Igualdade entre mulheres e homens, Conselho da Europa de 88). A igualdade entre mulheres e homens como princípio básico de direitos humanos é um objectivo fundamental para uma sociedade democrática construída na noção de completo respeito pelo indivíduo.

A ausência de protecção contra a discriminação nas relações entre particulares pode ser de tal modo nítida e grave que implique claramente a responsabilidade do Estado.

Os direitos das mulheres
Os direitos das mulheres são inalienáveis e constituem parte integrante dos direitos humanos: Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos
(Viena 93).

A discriminação contra as mulheres não viola apenas os direitos fundamentais e o respeito pela dignidade das mulheres, mas impede as mulheres de contribuírem e de participarem na vida política, social, económica e cultural, a nível nacional e internacional, em condições idênticas às dos homens. Constitui obstáculo à melhoria e ao progresso da sociedade porque priva da integral e completa contribuição de mais de metade da população.

Importa pois reconhecer o direito fundamental à igualdade de homens e mulheres, o que pressupõe o reconhecimento de que a igualdade não é mais uma condição subsidiária para o gozo de qualquer direito fundamental.

A Recomendação aprovada em 30 de Abril de 2002 pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa aponta aos Estados acções a desenvolver em diversas áreas conexas com a problemática da violência: informação, sensibilização, educação e formação; meios de comunicação social; assistência e protecção das vitimas; direito penal, direito civil e procedimentos judiciários, etc.

No que respeita ao sector da educação, recomenda a introdução ou reforço da perspectiva de igualdade entre mulheres e homens nos programas educativos sobre os direitos humanos e o reforço dos programas de educação sexual concedendo particular relevo à igualdade entre os sexos e ao respeito mútuo.

Refere ainda a Recomendação a necessidade de uma educação de base para rapazes e raparigas que evite os preconceitos sociais e culturais, as imagens estereotipadas do papel de cada sexo e inclua formações que permitam o desenvolvimento da personalidade; alude-se ainda à formação de professores visando que estes integrem a igualdade entre os sexos na educação que ministram.

Apela-se aos Estados para que integrem nos programas escolares informação específica sobre os direitos das crianças, sobre linhas telefónicas de urgência, sobre as instituições de acolhimento e sobre pessoas a quem as crianças poderão dirigir-se numa base de total confiança.

A violência contra as mulheres é uma mancha negra que envergonha toda a humanidade. Fenómeno tão extenso que, segundo está apurado, as mulheres dos 15 aos 44 anos são mais susceptíveis de ser afectadas ou mortas como consequência de violência masculina que em consequência de cancro, malária, acidentes de viação ou guerra. As Nações Unidas referem que 200 milhões de mulheres desapareceram: mulheres que deveriam ter nascido ou crescido mas que foram mortas por infanticídio ou aborto selectivo. A África do Sul regista a maior incidência de violação no mundo. Uma mulher é violada em cada 20 segundos; e só uma em 35 apresenta queixa na polícia.

Os movimentos sociais, os movimentos de direitos cívicos, os movimentos de mulheres desenvolveram acções meritórias no sentido do reconhecimento da cidadania das mulheres: actualmente, praticamente em todo o mundo, as mulheres têm o direito de votar e ser eleitas. Mas ainda não se assegurou às mulheres o direito à vida, à sua integridade como pessoa, o direito à dignidade humana. As mulheres são batidas, compradas e vendidas, ameaçadas de vários modos.

Na Irlanda em 98 mais de metade das mulheres assassinadas foram-no pelos seus companheiros ou maridos. Na Finlândia 22% das mulheres sofreram de violência por parte dos seus companheiros. Em Portugal, por semana, cerca de 6 mulheres, em média, são vítimas de crime contra a vida, praticados por homens. E os exemplos poderiam continuar.

As causas da violência
Importa perguntar porquê. Por que razão a violência contra as mulheres foi ignorada durante séculos. Nos anos 60 um tribunal português classificava o comportamento criminoso de um marido como " moderado poder de correcção doméstica" Um outro tribunal português " culpabilizava" duas jovens vitimas de violação sublinhando que elas nunca deveriam ter seguido a pé numa estrada situada numa região considerada " coutada do macho latino".

Importa que a situação seja conhecida: os estudos são importantes. Estudos quantitativos e qualitativos, avaliação sistemática das acções que se vão desenvolvendo, das leis que são publicadas e do modo como são aplicadas.

Várias avaliações efectuadas nos podem porém levar a concluir que há que passar da teoria ( de que o aparelhos legislativo faz parte) à prática. Uma campanha "tolerância zero" deverá estender-se aos poderes executivo e judicial, afirma alguém. Importa também saber como concretizar um acervo jurídico vasto, e tantas vezes disperso.

Importa apurar se o modelo de justiça penal vigente dá a resposta adequada ao problema específico da violência contra as mulheres. Importa, para além dos simbolismo subjacente, apurar se a qualificação do crime de maus tratos como crime público - dependente ou não de queixa da vítima - serve melhor ou pior os interesses da vitima, do agressor, da sociedade em geral.

A natureza pública do crime permite um aumento estatístico das queixas; mas esse aumento pode não corresponder a um aumento de condenações, dadas as dificuldades probatórias envolvidas. E aqui se põem questões sobre o tipo de prova e a inversão do ónus da prova - questões sensíveis em termos de direito penal, conceitos solidificados por tradições jurídicas seculares que importa abordar criticamente mas com o cuidado necessário.

Alfabetização jurídica
O modelo de justiça penal retributiva deu lugar ao modelo de justiça penal preventiva. Fala-se hoje de justiça reparadora centrada não no crime nem no criminoso mas na restauração, compensação de perdas e danos, centrada na vitima. Procura-se neste modelo a satisfação integral dos interesses da vitima e a auto responsabilização do agressor.

O que parece claro é que não há soluções universais e radicais. Teremos que aprender com a experiência, as boas práticas e a reflexão de uns e outros. As leis, por mais perfeitas, não são a única solução. A dupla aproximação de prevenção e repressão não se tem demonstrado particularmente eficaz. Há questões de alteração de mentalidades - do público em geral, das vitimas e agressores, das autoridades públicas , judiciais e policiais - que devem ser trabalhadas. O silêncio sobre estas questões acabou - e isso é uma enorme vitória de direitos humanos. Há que trabalhar as respostas legais. Há que mudar mentalidades (mudar os homens, dizia Mme Theorin, deputada europeia).

Há que apoiar as vítimas. Um dos apoios essenciais consiste na chamada alfabetização jurídica que possibilitará que as mulheres conheçam a lei, e fiquem a perceber o que é que a lei significa no contexto das suas vidas. As mulheres poderão assim reflectir sobre as suas vidas e perceber as violações da lei que ocorreram nas suas vidas, ligar essas violações a causas estruturais, tais como classe, género e perceber como essas estruturas se apoiam na lei. Disso surgirá uma maior crítica acerca da posição subordinada das mulheres na sociedade, e do papel que a lei desempenha no reforço dessa subordinação e levará porventura, ao desenvolvimento de estratégias de mudança social. Os serviços sociais de apoio deverão crescer em quantidade e qualidade, respeitando a decisão das vítimas, informando-as de forma correcta e clara para que as suas decisões sejam assumidas em liberdade.

Há que calar o silêncio: a sensibilização a nível mundial passa pela disponibilização de dados, pelo desenvolvimento de indicadores, pela articulação internacional e por parcerias expeditas e eficazes com a sociedade civil. As ONG, nomeadamente de direitos humanos e movimentos de mulheres são fundamentais. O apoio às vitimas (deveremos antes falar de sobreviventes), nomeadamente no que se refere a informação, sensibilização, apoio na crise, inserção social são pontos fundamentais.

O telefone de emergência da responsabilidade da CIDM recebe uma média de 6000 apelos/ano. No ano 2000 as polícias em Portugal receberam cerca de 12000 queixas. Dispomos de 600 lugares em casas abrigo (de responsabilidade privada mas financiadas pelo Estado) e estamos a abrir mais 4 casas. Estamos a implementar uma rede nacional de estruturas públicas e privadas que trabalham as situações de violência.

Não esqueço 3 mulheres que atendi nos anos 70 e 80 e que, por falta de apoios sociais e policiais, foram a seguir mortas pelos seus companheiros. Não esqueço as crianças que me contaram que foram elas a chamar a polícia. Não esqueço uma mulher desfigurada por queimaduras de ácido sulfúrico. Não esqueço uma técnica superior violada diariamente pelo marido que lhe introduzia na vagina objectos, os mais diversos.

Como afirma uma poeta portuguesa ( Sophia de Mello Breyner) "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar".

27 setembro 2004

Viagens: partidas, chegadas ou destinos ao acaso?

Na correria do dia a dia partimos apressados para mais uma viagem no comboio da vida.
Na correria do dia a dia chegamos estafados à estação da vida.
Destinos ao acaso? Viagens planeadas? Bilhetes pré comprados? Passes utilitários? Ou simplesmente perdidos em mais uma viagem sem destino e com pressa de chegar a algum lado?
Para onde vamos? O que nos move? O que nos faz escolher um destino e deixar outro para trás? Será que depois do bilhete comprado não podemos recuar? Será que depois de apanharmos aquele comboio, que até nem nos leva onde nós queríamos, teremos opção, teremos nova escolha?
Quem escolhe o destino da viagem? Quem escolhe o trajecto, o percurso? Apanhamos o alfa pendular ou um regional? Quanto tempo demora a viagem? Vamos preparados para os percalços, para os imprevistos?
Somos aventureiros sem destino, sem rumo?
Será que conseguimos um lugar para nos sentarmos? Será que o vizinho que vai ao nosso lado é simpático, não cheira mal, poderemos conversar com ele?
Questões…mais questões…na correria da vida nem temos tempo para questionar para onde nos leva o comboio que apanhamos, nem escolher o percurso ou o comboio e lá vamos nós numa viagem num qualquer comboio regional que leva uma eternidade a fazer a viagem e pára em todas as estações e apeadeiros.
Se não vivêssemos tão apressados, tão cheios de vontade de chegar a lado algum…veríamos que a viagem num qualquer comboio regional nos permite chegar sem pressa, saborear a paisagem, dar “dois dedos” de conversa com o parceiro que vai a nosso lado, nos permite ler o jornal, ler um livro, PENSAR, QUESTIONAR…para onde queremos ir e de que forma queremos fazer a viagem.
- Atenção senhores passageiros, vai dar entrada na linha nº1 o comboio procedente de…e com destino a…não efectua paragens em…e…boa viagem.
Desculpem…não posso escrever mais…meu comboio está a chegar…até outro dia e boa viagem para todos.

angelis

23 setembro 2004

Sonhos

Todos temos sonhos. Sonhar faz parte da natureza humana, é inerente à nossa alma. Sonhamos mesmo que não tenhamos consciência de tal. Sonhamos de olhos abertos, sonhamos ao olhar para o céu estrelado em noite de lua cheia. Sonhamos quando nos deliciamos com um magnífico pôr-do-sol à beira mar.
Poderia ficar aqui imenso tempo a dissertar sobre as diferentes formas, as diferentes situações que nos fazem sonhar, mas não é esse o meu propósito imediato.
Quando sonhamos estamos a projectar, estamos a construir os alicerces para a realização desses sonhos.
Claro que há sonhos que nem nos atrevemos a sonhar, há sonhos que ficam aquém das nossas possibilidades de realização e outros completamente impossíveis.
Mas, o que pretendo aqui abordar são os sonhos possíveis…ou aqueles que quando os sonhamos nunca imaginamos torna-los reais um dia.
Quem nunca sonhou algo e pensou que não concretizaria? Quem nunca teve esperança de realizar um sonho?
Pois o que vos pretendo dizer é que não desistam dos vossos sonhos, que não desistam de sonhar, de projectar, e de ter forças para construir, para realizar esses mesmos sonhos.
Pode demorar…mais do que pensamos, pode não ser quando queremos ou desejamos, mas não devemos desistir perante as dificuldades, pois são elas que nos dão força e impulsionam para continuarmos a lutar por nossos sonhos.
Vou concretizar em breve um sonho antigo…sonho que transporto comigo há muitos anos, que nunca pensei ver realizado, mas nunca desisti de sonhar…quem sabe um dia…?
Esse dia está prestes a chegar…o meu sonho vai finalmente concretizar-se.
E qual é esse sonho?
A seu tempo…a seu tempo vos direi, vos porei a par dele…agora apenas quero deixar-vos a minha mensagem de alento, de força, de coragem. Lutem pelos vossos sonhos, não desistam, vale a pena…pois o sonho comanda a vida…já dizia o poeta António Gedeão…e enquanto um homem sonha, o mundo pula a avança como bola colorida entre as mãos de uma criança…


angelis

21 setembro 2004

Fantasias sexuais



(Autor: Dr. Celso Marzano - Urologista e Terapeuta sexual)


As fantasias pertencem ao mundo da imaginação e podem mexer com determinados sentidos (auditivo, olfactivo, visual, táctil, gustativo) independente de presença ou estímulo físico. A força e qualidade da fantasia tendem a provocar as sensações de medo ou prazer; ou seja, de conforto ou desconforto, para quem a experimenta.
No leque de fantasias que reside no interior de cada um, discutirei aquelas cuja temática envolve a sensualidade e o erotismo. Neste aspecto, encontramos a potencialidade das fantasias que servem para aumentar o nível de excitação erótica. Recorrer à fantasia pode provocar os mais diversos sentimentos.
Se julgarmos as fantasias sexuais de forma rígida, é bem provável que os sentimentos despertados com isso sejam negativos à resposta de excitação sexual. Por outro lado, se a fantasia sexual é explorada e apreciada pelas sensações prazerosas que desperta, estará disponível e acessível sempre que se desejar. Envolver-se com as fantasias sexuais não representa necessariamente um evento preocupante, uma doença sexual.
É considerado patológico, doentio quando a fantasia passa a ser confundida com a realidade ou quando se tenta concretizar uma fantasia incompatível com a realidade dos parceiros sexuais. Mais importante que a fantasia em si é o que ela reúne de simbolismos capazes de elevar a excitação sexual. Porém, como tudo que faz parte da experiência humana, as fantasias precisam ser avaliadas, seleccionadas, adaptadas e também renovadas de acordo com o momento actual de vida dos participantes.
Frequentemente as pessoas me perguntam se determinada fantasia sexual é "normal". As fantasias são as mais variadas possíveis: ser visto pela janela se masturbando, transar vestindo roupas ditas não convencionais, voyeurismo, usar instrumentos para penetração, ter duas mulheres, transar a 3, 4, 5..., etc.
Vamos analisar desta forma. Ao longo da vida, todas as pessoas possuem fases, épocas em que só pensam em sexo, o apetite sexual está voraz, e outras em que ele pode até ser despertado, mas há momentos em que não querem saber de nada. Por vários motivos isso pode acontecer: stress, doenças, problemas financeiros, conjugais, familiares, etc. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o sexo pode ser revigorante para todos esses problemas. Aí podem entrar as fantasias sexuais.
Muitos terapeutas sexuais utilizam fantasias, como parte do tratamento de muitas dificuldades sexuais. Elas são usadas para induzir ou intensificar o desejo sexual. As pessoas com pouco desejo frequentemente não arquitectam muitas fantasias, mas qualquer um pode mudar esse padrão evocando fantasias eróticas para enriquecer e activar sua vida sexual.
Aí vão algumas dicas de fantasias: Você pode recordar experiências passadas, momentos inesquecíveis e com pessoas incríveis. Algumas pessoas preferem ver figuras eróticas ou assistir a filmes. Outras podem gostar de ler um conto erótico. Mas se nenhuma dessas alternativas funcionar, vamos tentar montar uma...
Primeiramente, seleccione personagens e cenários. Depois, imagine um roteiro, pense em situações variadas que o excite, comportamentos, situações, falas. Se estiver com dificuldade para imaginar, escreva o seu próprio conto erótico.
A grande vantagem das fantasias sexuais é poder inventá-las do jeito que se quiser. Mas, na nossa cultura existem tantos tabus e preconceitos a respeito do sexo, que qualquer fantasia gera ansiedade e culpa. O resultado é que, embora seja comum todos terem fantasias, pouca gente tem coragem de falar delas ou mesmo de aceitá-las como naturais. Por ser um segredo tão bem guardado, ninguém sabe qual é a fantasia do outro, e cada um fica com a sua, envergonhando-se dela, imaginando ser mais estranha, bizarra do que a da maioria.
As fantasias sexuais variam de pessoa para pessoa e podem ou não incluir o parceiro, mas algumas são mais comuns: sexo grupal, experiências sadomasoquistas, sexo violento, relações homossexuais. Nas mulheres, a mais presente é a de ser forçada a ter relações sexuais, de preferência com vários homens ao mesmo tempo. Nos homens é a de fazer sexo com duas mulheres. Outra fantasia excitante para a mulher é a de se imaginar tendo um papel activo, em que desde o início dirija o ato sexual.
Fantasias sexuais são saudáveis desde que não prejudiquem a outra pessoa ou não se tornem uma obsessão. Pensar nisso 24 horas por dia e não conseguir fazer mais nada não dá. Tudo tem um limite para ser considerado normal. Não se culpe por ter ou até por não ter fantasias. O importante é você viver um sexo de entrega total, com muita satisfação e prazer, sem cobranças, sem rituais pré definidos, mas com muita criatividade, e com muito amor...
Boa sorte.

20 setembro 2004

Erros e acertos

Quem nunca errou na sua vida? Quem nunca cometeu um acto que depois se arrependeu?
Devemos ser julgados e condenados toda a vida por um erro passado, tenha sido ele muito passado ou recente?
Quem somos para julgar os outros, os condenarmos pelas suas atitudes?
Somos juízes? Somos Deus? Quem somos afinal? Quem nos julgamos para continuarmos a acusar e julgar falhas passadas nos outros?
Errar é humano. E se reconhecemos o erro, se pedimos desculpa, porque continuar a acusar? Porque continuar a julgar?
Não merecemos uma oportunidade de nos redimirmos, de acertarmos com o caminho correcto, caminho esse ditado pela nossa consciência e não pelos olhares acusadores do mundo?
Às vezes até somos julgados e condenados por erros e atitudes que não cometemos, simplesmente porque não seguimos os padrões de vida de quem nos julga e condena.
Teria aqui pano para mangas…mas deixo apenas este desabafo…olhemos em 1º lugar para nós mesmos, para o que fazemos ou não fazemos, para quem somos, se somos isentos de culpa ou erro e depois…depois…olhemos para os outros, não com olhos e atitudes condenatórias, mas para pessoas que vivem, erram e acertam como qualquer ser humano.
Não há pior ofensa do que alguém nos julgar e condenar por algo que não fizemos, por algo que não tem nada a ver com a nossa forma de estar e viver.
Já se questionaram porque as pessoas têm a eterna mania de julgar os outros? Porque se acham tão isentas, tão moralistas, que tudo o que foge aos seus padrões é condenável?
Temos obrigações sociais a cumprir, obrigações no trabalho e na família, mas não somos a consciência colectiva, não somos detentores de verdades absolutas para olharmos para os outros e lhes apontar o dedo.
Erros todos cometemos…acertos também…e não nos esqueçamos que a medida com que julgarmos os outros será a medida com que seremos julgados…por quem?
Acima de tudo e para além de tudo…pela nossa consciência.


angelis

17 setembro 2004

Bom fim de semana

Para todos um excelente fim de semana...é sexta feira, quando largarem os vossos empregos, larguem o fato e gravata (homens, claro!!!), larguem as pinturas, os saltos altos(mulheres...sem dúvida!!!), façam um saco de viagem e partam sem destino.
Se não poderem...bom...dediquem um pouco de tempo aos vossos filhos, levem-nos a passear, contem-lhes uma história, façam aquela sobremesa que eles adoram...eles irão ficar muito felizes.
Se não têm filhos, namorem, seja com o vosso marido, o vosso namorado ou aquele amigo especial e único, preparem um petisco (podem ser vocês, homens, a fazer isso...!!!), um bilhetinho amoroso a lembrar que os amam, umas flores, porque não oferecer flores ao vosso marido, ao vosso namorado? De certeza que eles nunca receberam flores...surpreendam os vossos homens...homens superem-se e surpreendam vossas mulheres.
Eu...vou daqui a pouco de fim de semana...saco feito e vou aproveitar os sol...o calor...esvaziar mente e corpo.
Computador e blog...para a semana, afinal nem um nem outro precisam de mim e passam bem sem mim um fim de semana.
Para todos...um grande beijo de amizade...e não se esqueçam...OUSEM SER FELIZES!!!

angelis

16 setembro 2004

Amigos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Moraes

09 setembro 2004

Farol de Esperança


Navegava perdida, no oceano agitado da vida até que ao longe, no horizonte das memórias perdidas encontrei um farol...
Desesperada por encontrar a esperança de dias melhores e felizes, remei com todas as minhas forças até lá...
Atraquei meu barco á encosta escarpada do farol...
Com as forças que me restavam escalei a íngreme encosta, até aquela luz que me cegava de tão intensa.
Pequena casa dava acesso a essa luz.
Entrei a medo.
Deparei com uma sala humilde e iluminada por uma vela pousada em cima de uma pequena mesa.
As paredes caiadas de branco, cortinas de renda e um quadro com a imagem de Jesus completavam o cenário.
Olhei para o quadro, demoradamente, e sem conseguir desviar o olhar, imensa calma se instalou no meu coração.
Sentei-me sem desviar o olhar e sem me aperceber, comecei a falar com Ele...
De repente, pareceu-me que Jesus saiu do quadro...impossível...estou a sonhar...
Não é sonho – respondeu-me Ele. Estou aqui ao pé de ti...chamaste-me e eu vim.
Lágrimas de gratidão corriam-me pelo rosto. Não era digna de tanto...
Orei, fervorosamente, como já não o fazia há muito tempo.
A conversa com Ele foi longa...expus o meu coração sofrido e torturado...entreguei-Lhe a minha vida...a minha alma atormentada.
As horas passaram sem dar por elas... lá fora caía a noite suavemente...o céu engalanava-se de estrelas cintilantes...mas a luz que saía daquela humilde casinha suplantava o sol mais brilhante...a estrela mais bonita...
A luz daquela casa era a Luz de Cristo...do Seu AMOR...
Naquele porto de abrigo encontrei-me com Ele...
Naquele farol perdido no oceano da vida recuperei o que fui e construí o que sou...
Naquele farol nasceu a esperança...
Hoje navego pela vida, com incertezas, com dores e alegrias, mas sem perder de vista aquele farol de esperança que me ilumina os passos incertos e vacilantes de alguém que está construindo o seu futuro com a certeza que Jesus caminha os mesmos passos que ela dando-lhe forças, alento, e coragem...
E quando no imenso areal da vida só vejo duas pegadas impressas na areia é aí que Jesus me pega ao colo, descansando os meus pés cansados da jornada da vida.
Continuo a minha jornada evolutiva...
Vacilante, muitas vezes...
Insegura, quase sempre...
Mas numa coisa vou firme...na esperança que renasceu no meu coração...na fé que transporta montanhas...no amor que ilumina o meu coração...
Que todos possam encontrar dentro de si o farol da esperança...

angelis

06 setembro 2004

Declaração de Direitos das Pessoas Deficientes



As pessoas com deficiência gozam de todos os direitos estabelecidos nesta Declaração. Estes são reconhecidos a todas as pessoas com deficiência sem qualquer excepção e sem distinção ou discriminação com base em questões de raça, cor, sexo, língua, religião, opiniões políticas ou outras, origem social ou nacional, estado de saúde, nascimento ou qualquer outra situação que diga respeito à própria pessoa com deficiência ou a sua família.


Declaração de Direitos das Pessoas Deficientes

Resolução aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 09/12/75

A Assembleia Geral

Consciente da promessa feita pelos Estados Membros na Carta das Nações Unidas no sentido de desenvolver acção conjunta e separada, em cooperação com a Organização, para promover padrões mais altos de vida, pleno emprego e condições de desenvolvimento e progresso económico e social,

Reafirmando, a sua fé nos direitos humanos, nas liberdades fundamentais e nos princípios de paz, de dignidade e valor da pessoa humana e de justiça social proclamada na carta,

Recordando os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem, dos Acordos Internacionais dos Direitos Humanos, da Declaração dos Direitos da Criança e da Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência Mental, bem como os padrões já estabelecidos para o progresso social nas constituições, convenções, recomendações e resoluções da Organização Internacional do Trabalho, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, do Fundo da Criança das Nações Unidas e outras organizações afins.

Lembrando também a resolução 1921 (LVIII) de 6 de maio de 1975, do Conselho Económico e Social, sobre prevenção da deficiência e reabilitação de pessoas com deficiência,

Enfatizando que a Declaração sobre o Desenvolvimento e Progresso Social proclamou a necessidade de proteger os direitos e assegurar o bem-estar e reabilitação daqueles que estão em desvantagem física ou mental,

Tendo em vista a necessidade de prevenir deficiências físicas e mentais e de prestar assistência às pessoas com deficiência para que elas possam desenvolver suas capacidades nos mais variados campos de actividades e para promover tanto quanto possível, a sua integração na vida normal,

Consciente de que determinados países, nos seus actuais estádios de desenvolvimento, podem, desenvolver apenas limitados esforços para este fim.

PROCLAMA esta Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência e apela à acção nacional e internacional para assegurar que ela seja utilizada como base comum de referência para a protecção destes direitos:

1 - O termo "pessoa com deficiência" é aplicável a qualquer pessoa que não possa por si só responder, total ou parcialmente à exigência da vida corrente, individual e/ou colectiva, por motivo de qualquer insuficiência, congénita ou adquirida, das usas capacidades físicas ou mentais.
2 - As pessoas com deficiência gozam de todos os direitos estabelecidos nesta Declaração. Estes são reconhecidos a todas as pessoas com deficiência sem qualquer excepção e sem distinção ou discriminação com base em questões de raça, cor, sexo, língua, religião, opiniões políticas ou outras, origem social ou nacional, estado de saúde, nascimento ou qualquer outra situação que diga respeito à própria pessoa com deficiência ou a sua família.

3 - As pessoas com deficiência têm o direito inalienável ao respeito pela sua dignidade humana. As pessoas com deficiência, qualquer que seja a origem, natureza e gravidade de suas deficiências, têm os mesmos direitos fundamentais que seus concidadãos da mesma idade, o que implica, antes de tudo, o direito de desfrutar de uma vida decente, tão normal e plena quanto possível.

4 - As pessoas com deficiência têm os mesmos direitos civis e políticos que os outros seres humanos. O artigo 7.º da Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência Mental é aplicável a qualquer possível limitação ou supressão daqueles direitos para estas pessoas.

5 - As pessoas com deficiência têm o direito às medidas destinadas a permitir-lhes tornarem-se tão autónomas quanto possível.

6 - As pessoas com deficiência têm direito a tratamento médico, psicológico e funcional, incluindo próteses e ortóteses, à reabilitação médica e social, à educação, educação vocacional e reabilitação, assistência, aconselhamento, serviços de colocação e outros serviços que lhes possibilitem desenvolver ao máximo as suas capacidades e aptidões e a acelerar o processo de sua integração ou reintegração social.

7 - As pessoas com deficiência têm direito à segurança económica e social e a um nível de vida decente. Têm o direito, segundo as suas competências, ao acesso e permanência no emprego ou ao exercício de actividades úteis, produtivas e lucrativas, e de fazerem parte das organizações sindicais respectivas.

8 - As pessoas com deficiência têm o direito a que o planeamento económico e social, a todos os níveis, tome em consideração as suas necessidades específicas.

9 - As pessoas com deficiência têm direito de viver com suas famílias ou os seus substitutos e de participar de todas as actividades sociais, criativas e recreativas. Nenhuma pessoa com deficiência será submetida, por razões de natureza habitacional a tratamento diferente, além daquele requerido pela sua condição ou necessidade de recuperação. Se a permanência de uma pessoa com deficiência num estabelecimento especializado for indispensável, as condições de vida e o meio ambiente devem aproximar-se, tanto quanto possível, de uma vida normal para pessoas da mesma idade.

10 - As pessoas com deficiência devem ser defendidas contra toda a espécie de exploração, de disciplina e de tratamento de natureza discriminatória, abusiva ou degradante.

11 - As pessoas com deficiência devem poder dispor de apoio jurídico qualificado, sempre que seja indispensável para à defesa das suas pessoas e bens. Se contra elas for instaurado procedimento judicial deverá ser tida em consideração a sua condição física e mental.

12 – É reconhecida a utilidade de consulta às organizações de pessoas com deficiência, em todos os assuntos relativos aos direitos daqueles cidadãos.

13 - As pessoas com deficiência, as suas famílias e as suas organizações deverão ser amplamente informadas, por todos os meios apropriados, dos direitos contidos nesta Declaração.

04 setembro 2004

Beleza feminina


Muito se fala sobre a "beleza feminina".
Li um pensamento que achei sensacional: "Ser bela, é ser bela por inteiro, no continente e no conteúdo, no exterior e no interior. Ser sábio, é saber valorizar o todo."

Quantas mulheres conhecemos que tem uma beleza física esplendorosa, mas no interior são vazias.
Elas passam, e não deixam marcas. Mas aquelas que deixam marcas profundas e perenes em todos nós, são as mulheres cujo interior é digno de nota.

Exemplificando: porventura, existiu mulher mais linda do que a Madre Teresa de Calcutá ? do que Anita Garibaldi ? do que Joana D'Arc ?
Existem tantos exemplos que seria difícil enumerar todas.
Essas mulheres, de extraordinária beleza interior marcaram sua passagem pelo mundo, e serão sempre lembradas.
Em contraponto, existiram milhares de mulheres formosíssimas de quem jamais ouvimos falar. Marcaram sua época e nada mais.

A beleza física é herdada pela genética.
A beleza interior é adquirida com o passar do tempo.
Recomendo às belas jovens, que procurem rechear seu interior,
pois a beleza física fenece com o tempo, e se vocês não cuidarem do espírito, não terão mais nenhuma maneira de atrair a atenção sobre si.
Na mesma medida que a beleza física fenece, a maturidade vai revelando a beleza interior das mulheres.
E é exactamente essa beleza que prende os homens, pelo menos os sábios.
A melhor maneira de se ver e sentir a beleza feminina é pela Internet, pois primeiro conhecemos o conteúdo das pessoas.
De minha parte, tenho conhecido virtualmente mulheres belíssimas (pelo menos no meu ponto de vista).
As mensagens delas recebidas são dignas de nota; algumas são poetas (tenho lido coisas lindas), outras são mulheres de acção, que se dedicam à criação de sites verdadeiramente sensacionais que existem pela Internet afora, outras, são pessoas que simplesmente gostam de se comunicar (e o fazem muito bem). A companhia virtual de todas elas, sem nenhuma excepção, é uma das melhores coisas do dia a dia.
Então, amigos, é essa a beleza que conta. Claro é que, quando à beleza interior, se alia a física, fica agradável tanto à mente quanto à vista.

A grande maioria concordou com minha opinião sobre a REAL beleza feminina.
Lógico que tenham havido vozes discordantes. Afinal, toda a unanimidade é burra, ou falsa.
Aos que acham que a beleza física é fundamental, posso dizer que concordo em parte, pois como fonte de atracção, claro que a beleza física é mais chamativa.
Todavia, um bom observador sempre procurará ver além do físico.
Procurará descobrir, digamos, uma chama interior que denuncie um bom conteúdo, se aquela beldade será capaz de prender a atenção por mais do que uma noite.
Claro, para os que procuram apenas uma companhia eventual, o físico é primordial (até que a rima não ficou mal).
Um encontro, um adeus. Nesses casos tem que haver a atracção física. E é só o que importa.

Vamos ver a passagem dos anos. Aquela jovem tão bela, agora é uma senhora de meia-idade, menopausada.
Se ela só cuidou do físico, sem preencher seu interior com algo de bom, será uma frustrada a se olhar no espelho, lamentando a juventude perdida. Todavia, se ela se preparou internamente, se tem um conteúdo bom, certamente ao se olhar no espelho, vai admirar cada ruga, cada adiposidade, sabendo que é querida por muita gente,
por ter sabido manter através do anos o seu brilho interior. Aquela que foi uma "jovem luminosa", agora é uma "senhora luminosa", admirada por sua capacidade, por seu "brilho interior".
E continuará linda aos 40, aos 50, aos 60, aos 70, aos 80 e mais anos.

O importante, crianças, é manter a beleza espiritual intacta.
Ela perdura para sempre. Portanto, minhas lindas "coroas", nunca lamentem a beleza juvenil que se foi.
Ela foi substituída, e com vantagem, pela beleza que vocês souberam manter através dos anos, ou seja, a beleza de seu espírito, que permaneceu jovem e lindo.
Esta mensagem é dedicada a TODAS as mulheres que, ao olhar no espelho, souberem dizer:
VOCÊ É LINDA, EU TE AMO, TODOS TE AMAM.

- Marcial Armando Salaverry ....

01 setembro 2004

SIDA...porque nunca é demais alertar



Porque nunca é demais alertar, falar sem medos ou tabus e porque não acontece só aos outros.

Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença provocada por um vírus, chamado VÍRUS da IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (VIH). Este vírus ataca o sistema imunitário, isto é, o "arsenal de combate de que o organismo se serve para defender das infecções. Quando o sistema imunitário é atingido perde-se essa capacidade de defesa e aparecem muitas infecções graves ou tumores, muitas vezes mortais. Estas infecções chamam-se oportunistas porque aproveitam o enfraquecimento das defesas do organismo. Decerto, já ouviu dizer que alguém morreu de SIDA. Isto não é inteiramente correcto. O que de facto causa a morte são as infecções oportunistas ou tumores; a SIDA facilita o seu aparecimento. No entanto, o mais importante é saber que: A SIDA pode ser evitada; A SIDA não se apanha facilmente; Para se proteger basta tomar algumas precauções muito simples.

O QUE É O VIH?

Os médicos referem que a SIDA é causada por um vírus (Vírus da Imunodeficiência Humana). O VIH é um vírus frágil que não sobrevive fora do organismo, a não ser em condições excepcionais. Mas uma vez em circulação no organismo, pode aí permanecer "silencioso" ou "escondido" durante meses ou anos e ir fazendo grandes estragos no sistema imunitário. Portanto, muitas vezes, as pessoas que parecem estar em perfeita saúde podem, sem o saber, transmitir o vírus a outras. Os médicos ainda não têm certezas sobre a percentagem de pessoas contaminadas com o vírus virão a desenvolver a doença a que chamamos de SIDA. Também ainda não se sabe quanto tempo pode passar desde o momento da contaminação até ao aparecimento da doença.

Contudo, parece não haver dúvidas de que com o tratamento médico adequado, menos pessoas contaminadas virão a desenvolver SIDA. Actualmente, julga-se que muitas pessoas contaminadas pelo VIH podem viver com a doença durante muitos anos. Cada vez mais a doença provocada pelo VIH é uma doença crónica, que pode ser controlada, tal como a diabetes ou a hipertensão arterial.

O VIH transmite-se através de alguns líquidos orgânicos: o sangue, o esperma, as secreções vaginais, o leite materno. Não há nenhuma prova de que o vírus seja transmitido pela saliva, lágrimas, suor. O VIH entra no organismo através das membranas mucosas por exemplo, as paredes do recto, as paredes da vagina ou interior da boca ou da garganta) ou por contacto directo com o sangue. O vírus não atravessa a pele intacta; só o faz se houver uma ferida ou corte que facilite a sua entrada (através do contacto com fluidos de uma pessoa infectada).

O vírus não se transmite pelo ar, através dos espirros ou da tosse. Por isso, não há perigo nenhum no contacto social quotidiano com pessoas infectadas pelo VIH. "SEROPOSITIVO" para o VIH não é a mesma coisa que SIDA, AS PESSOAS COM VIH NÃO TÊM, AUTOMATICAMENTE SIDA.

FAZER O TESTE OU NÃO...

O teste ou análise de que você já ouviu falar detecta a presença dos anticorpos contra o VIH, produzidos pelo organismo. Um resultado positivo significa que se foi contaminado pelo VIH e que o organismo começou a fabricar produtos para se defender, que se chamam anticorpos. Um resultado positivo não quer dizer que você tenha SIDA ou que necessariamente, venha a ter SIDA no futuro. Os médicos sabem é que o VIH pode permanecer adormecido ou escondido no organismo sem que apareçam os sintomas durante um período que pode durar dez anos ou mais; por isso é que é muito importante aconselhar-se antes e depois de fazer a análise.

Qualquer que seja o resultado (positivo ou negativo) pode ter uma influência decisiva na sua vida. É importante saber muito claramente porque é que quer essa informação e o que ela significa para si. Uma análise negativa não deve ser encarada como uma licença para deixar de tomar precauções nas relações sexuais. Os anticorpos podem demorar semanas, às vezes meses, a aparecer no sangue. Actualmente, as pessoas infectadas com uma análise positiva confirmada têm várias opções, pois existem tratamentos novos para combater directamente o vírus, fortalecer o sistema imunitário e prevenir as infecções oportunistas antes de elas se desenvolverem.

O facto de você saber que foi contaminado pode ajudá-lo, a si e ao seu médico, a decidir se necessita de alguns medicamentos para se manter saudável. Não deixe que sejam os outros a decidir por si. Coloque todas as suas dúvidas ao seu médico, assistente. A OPÇÃO É SEMPRE SUA!

QUEM PODE SER CONTAMINADO PELO O VIH?

Toda a gente. O VIH afecta indiferentemente todas as raças, nacionalidade e idades. É possível evitar novas contaminações pelo o VIH, desde que todos colaborem na difusão das medidas de precaução a tomar nas diversas situações. CONHEÇA OS FACTOS!

O SEXO SEGURO É APENAS UMA QUESTÃO DE BOM SENSO.

Ao sabermos que o vírus se transmite pelos fluidos de um corpo, a maneira mais sensata de evitar uma contaminação é bloquear essa entrada. Os preservativos são o meio mais eficaz contra a contaminação pelo o VIH. A utilização de lubrificantes espermicidas, especialmente os que contêm nonoxynol-9, podem aumentar a protecção. No entanto, estes produtos devem ser usados em conjunto com os preservativos e nunca em sua substituição. Muitos preservativos são lubrificados, alguns com espermicidas, mas é natural que se prefira usar preservativos não lubrificados para o sexo oral. Os preservativos continuam a ser a melhor protecção actualmente disponível e o maior descanso pode dar em relação ao risco de infecção pelo VIH. Tanto os homens como as mulheres devem aprender a usar correctamente os preservativos. Faça por torná-los parte integrante do acto sexual, em vez de uma interrupção desajeitada e embaraçosa.

Eis o que deve fazer: quando o pénis estiver em erecção, desenrole o preservativo ao longo do pénis até à base, deixando um pequeno espaço na ponta. Tenha o cuidado de tirar as bolhas de ar. Nas relações vaginais ou anais, use cremes lubrificantes hidrosolúveis, isto é, solúveis em água, como por exemplo KY Gelly. É raro o preservativo se rompa quando usado com cuidado, mas sair antes do orgasmo pode ser uma preocupação adicional. O preservativo deve ser tirado enrolando-o para fora (não deve ser puxado) depois da ejaculação e antes de perder a erecção. Note que o preservativo só deve ser usado uma vez. Não tire o preservativo da embalagem selada até ao momento de o colocar, nem rasgue o pacote com os dentes, pode danificá-lo. Guarde os preservativos fechados, ao abrigo do calor, do sol, da humidade, e da luz fluorescente. Muitas marcas referem o prazo de validade na caixa ou nas embalagens individuais; outras põem a data de fabrico. Quando são guardados num lugar fresco e seco (não na sua carteira ou no porta-luvas do carro!) os preservativos duram cerca de dois anos depois da data de fabrico. Para saber mais sobre a qualidade de preservativos, consulte a Revista Nº113, de Março/92, da DECO – Proteste.

COMO ACONTECE A CONTAMINAÇÃO VIH

Ouve-se dizer, muitas vezes, que são as pessoas com "comportamentos de risco" que se infectam. Mas não interessa o que se é; o que importa é o que se faz. Os comportamentos de risco expõem qualquer pessoa à contaminação pelo VIH. Comportamentos de alto risco são ter relações anais ou vaginais sem protecção com uma pessoa contaminada ou desconhecida (sem protecção quer dizer sem preservativo). Embora seja mais fácil a contaminação do parceiro receptivo, as investigações já demonstram que o vírus também se pode movimentar em sentido contrário, contaminando o parceiro que penetra. Por isso, é tão arriscado ser-se parceiro(a) "activo(a)" como "passivo(a)", homem ou mulher, porque sem protecção parece ser a forma mais habitual de transmissão sexual. Mas é melhor é melhor ter cuidado, seja qual for a sua prática sexual. O sexo oral é menos arriscado, mas pode haver contaminação por via oral, o que faz com que se aplique a mesma recomendação: SEXO PROTEGIDO.

Partilhar agulhas com uma pessoa contaminada ou desconhecida, ou injectar qualquer substância com uma agulha e/ou seringa não esterilizada são comportamentos de alto risco. É por essa razão que os consumidores de drogas injectáveis nunca devem partilhar agulhas e seringas, nem o material utilizado para a preparação da droga, como colheres, algodão, sumo de limão (de preferência substitua o limão por vitamina c (ácido ascórbico) à venda nas farmácias.), água, etc.

Mas se isso acontecer, faça o seguinte: Ponha lixívia num recipiente, por exemplo num copo. Aspire-a para a seringa através da agulha e deite fora para o lavatório. Repita isto 3 ou 4 vezes. Pode também por a agulha e a seringa durante 20 minutos num recipiente com lixívia e água (1 parte de lixívia para 9 de água). Passe por água corrente todo o material durante vários minutos. Limpe o recipiente cuidadosamente com lixívia (não use a que serviu para pôr de molho a agulha e a seringa) e depois passe-o por água corrente. Saiba que dar sangue é completamente seguro! As agulhas usadas para tirar sangue são esterilizadas, vêm em embalagens individuais e são destruídas após o uso. Embora já tenha havido casos de contaminação actualmente, é pouco provável ser-se contaminado com VIH através da transfusão de sangue. Os processos de detecção do sangue contaminado já existem há vários anos. A outra forma de contrair o vírus é nascer com o vírus. Ele pode ser transmitido pela mãe contaminada ao filho antes do nascimento, durante o parto ou pelo leite materno. O VIH não se transmite por contactos superficiais, como tocar usar os mesmos talheres. Também não se apanha em casa de banho ou telefone públicos. Não há risco nenhum de viver com uma pessoa contaminada pelo VIH a não ser que se que se tenha relações sexuais não protegidas ou se partilhe seringas.

CUIDE DO SEU CORPO

A boa forma fortalecerá o seu sistema imunitário. Coma bem, descanse muito, faça exercício e evite o álcool e as drogas, mesmo o cigarro! Não se enerve, nem perca tempo a preocupar-se em adoecer. Um estado de espírito positivo pode mais que um armário cheio de remédios. Confie a um médico a sua história clínica, fale com ele/ela de todas as suas dúvidas acerca da sua saúde e da sua doença. Se não falar com ninguém imaginará sempre o pior. Em Lisboa, pode telefonar para a linha SIDA – 800 26 66 66 ou SOS SIDA – 800 20 10 40. Corrija as pessoas que falam em "vítimas da SIDA". Use a expressão "pessoas com SIDA". As pessoas que não têm SIDA, mas estão contaminadas pelo VIH chamam-se SEROPOSITIVAS. Tem obrigação, para consigo próprio e para com as pessoas que lhe são queridas, de saber o máximo que puder sobre o VIH e SIDA. As pessoas que vivem com a infecção VIH não são diferentes de outras pessoas com outras doenças potencialmente mortais. Não são as pessoas que estão à espera de morrer, mas as pessoas que vivem com a sua doença e continuam a participar na sociedade. Não são "vitimas", são simplesmente pessoas infectadas pelo VIH. Não há nenhum cuidado especial a ter, porque os contactos sociais quotidianos não espalham o vírus. Se vive com uma pessoa seropositiva para o VIH, há certos procedimentos que deve conhecer para os casos de emergência. A coisa mais importante que se pode fazer a uma pessoa infectada pelo VIH é ser um amigo. Trate-o/a exactamente como gostaria que o tratassem a si nas mesmas circunstâncias. Divulgue a informação e a educação, mas não o medo. Fale sobre o VIH com os seus amigos, parentes e colegas. Não tolere a discriminação contra as pessoas infectadas nem em público nem em privado. Participe no trabalho de uma organização ou envie a sua contribuição. Acima de tudo seja responsável por si próprio. Temos todos que ajudar a parar a difusão do VIH. Ninguém, a não ser nós próprios, o pode fazer e o momento é começar já.
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