30 setembro 2006

Histórias sobre a arrogância

A arrogância do poder

Mestre e discípulo conversavam numa esquina, quando uma velha os abordou:
"Saiam da frente da minha vitrina!", gritou a velha. "Vocês estão atrapalhando os fregueses".O mestre pediu desculpas, e mudou de calçada.
Continuaram a conversa, quando um oficial se aproximou.
"Precisamos que o senhor se afaste desta calçada", disse o oficial. "O conde irá passar por aqui daqui a pouco".
"Que o conde use o outro lado da rua", respondeu o mestre, sem se mover. Depois se virou para seu discípulo:
"Não esqueça: jamais seja arrogante com os humildes. E jamais seja humilde com os arrogantes."

A arrogância da santidade

O monge zen passou dez anos meditando em sua caverna, procurando descobrir o caminho da Verdade. Certa tarde, enquanto orava, um macaco aproximou-se.
O monge tentou concentrar-se. O macaco, porém, aproximou-se de mansinho e pegou a sandália do monge.
- Macaco danado! - disse o ermitão. - Por que veio perturbar minhas orações?
- Estou com fome - disse o macaco.
- Vá embora! Você atrapalha minha comunicação com Deus!
- Como deseja falar com Deus, se não consegue comunicar-se com os mais humildes, como eu? - disse o macaco.
E o monge, envergonhado, pediu desculpas.

A arrogância da força

A aldeia estava ameaçada por uma tribo de bárbaros. Os habitantes foram abandonando suas casas, e fugindo para um local mais seguro. No final de um ano, todos haviam partido - excepto um grupo de jesuítas.
O exército bárbaro entrou na cidade sem resistência, e fizeram uma grande festa para comemorar a vitória. No meio do jantar, um padre apareceu.
“Vocês entraram aqui, e afastaram a paz do lugar. Peço por favor que partam sem demora.”
"Por que você ainda não fugiu?", gritou o chefe bárbaro. "Não vê que eu posso atravessá-lo com minha espada, sem piscar um olho?"
O padre respondeu calmamente:
"Não vê que eu posso ser atravessado por uma espada, sem piscar um olho?".
Surpreso pela serenidade diante da morte, o chefe bárbaro e sua tribo abandonaram o lugar no dia seguinte.

A arrogância da inveja

No deserto da Síria, Satanás dizia aos seus discípulos: "o ser humano está sempre mais preocupado em desejar o mal aos outros, que em fazer o bem a si próprio".
E para demonstrar o que dizia, resolveu testar dois homens que descansavam ali perto.
"Vim realizar seus desejos", disse para um deles. "Pode pedir o que quiser, que lhe será dado. Seu amigo receberá a mesma coisa - só que em dobro".
O homem permaneceu em silêncio por longo tempo.
Finalmente, disse:
"Meu amigo está contente, porque terá sempre o dobro, seja qual for meu desejo. Mas consegui preparar-lhe uma armadilha: o meu pedido é que você me deixe cego de um olho".


Paulo Coelho

24 setembro 2006

Sonho



Sonhei que um dia te encontrei…
Sonhei que um dia podia ser feliz…
Sonhei com uma casinha branca…
Com árvores…flores …um lago de águas límpidas e transparentes…
Sonhei com o amor…
Com o sabor do teu beijo…
O calor do teu abraço…
O cheiro do teu corpo…
Sonhei…
Sonhei…
E tu estavas ao meu lado…
Real …tal como no meu sonho…
E sonhamos os dois…
O amor… a felicidade…
E como é bom sonhar…amar…
Estás na minha alma…
No meu coração…
Na minha pele…
Estás na minha vida…
Não és um sonho…
És a minha realidade…
És o meu sonho mais bonito…
Do qual não quero acordar…
No qual quero continuar a sonhar…
E amar-te…

angelis

21 setembro 2006

Sem tempo

Por muito que me apeteça escrever, por muita vontade que a inspiração tenha em soltar-se, o tempo tem sido opositor a tudo o que seja escrita, exceptuando a escrita oficial e essa dispensava-a bem.
Início de ano lectivo, nova escola, agrupamento novo, autarquia nova…socorro…que não há quem aguente tanta coisa nova, tanta coisa para fazer e tratar.
Condições físicas de trabalho tenho, aliás o edifício onde funciona o jardim de infância, tem boas condições, é espaçoso, tendo um único senão, o espaço exterior que não é grande.
Pessoal a trabalhar lá, desde tarefeiras, passando pelas auxiliares de acção educativa, animador e claro, educadoras, é excelente, competente, simpático e prestativo.
Tenho que “falar bem” do pessoal que coordeno e com quem trabalho.
Mas…nem tudo é um mar de rosas, quando temos 4 crianças sinalizadas com necessidades educativas especiais (dessas 4, uma tem paralisia cerebral e está numa cadeira de rodas, e outra tem baixa visão), mais 2 com problemas na linguagem, uma hiperactiva e…sem saber o que o restante grupo nos reserva.
Com tantas crianças a precisarem de apoio educativo individualizado e especializado, foi colocada uma educadora do ensino especial para apoiar estas crianças e mais 13 numa escola do 1º ciclo.
E esta hein?
A educação está de excelente saúde neste país, mas que se livre de adoecer, que ainda lhe cobram as taxas moderadoras do internamento…
Os professores são os vilões deste processo todo, o que é lamentável e me entristece, pois como conseguimos dar, prestar, um ensino com qualidade e dignidade, se nos é, humanamente impossível, atender as solicitações destas crianças e dar-lhes o apoio individualizado que a sua condição precisa e merece?
Eu só queria falar da minha falta de tempo em escrever…mas fico profundamente indignada perante situações destas.
Não é por ser na escola onde trabalho, pois esta realidade é extensiva a todas as escolas deste país, a todos os professores que lutam pela qualidade do ensino público, que ainda acreditam e procuram a cada dia, dignificar a sua profissão, com imensos sacrifícios e desdobrando-se em mil pedaços para que as crianças tenham tudo o que merecem e têm direito.
Enfim…é melhor ficar por aqui. Amanhã novo dia de trabalho e novos desafios a enfrentar e sabem o que me faz ter forças e animo? O sorriso do Serginho, o meu menino com paralisia cerebral, que é uma meiguice e cujo sorriso faz desaparecer todas as agruras do dia a dia.
Ele consegue sorrir para nós e nesse sorriso dizer: - estou aqui e tu também…vale a pena continuar.


angelis

15 setembro 2006

Se eu fosse apenas…

Se eu fosse apenas...

Se eu fosse apenas um sonho
Onde seria sonhado?
Se eu fosse apenas uma quimera
Onde seria idealizada?
Se eu fosse apenas uma brisa
De onde sopraria?
Que ventos transportaria?
Que amores varreria?
Se eu fosse apenas a realidade
Quem a quereria viver?
Quem a quereria perder?
Se eu fosse apenas o nada
Seria o nada de quem?
Ou seria apenas o tudo do nada?

E se eu fosse apenas quem sou?


Angelis

10 setembro 2006

Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

Pedro Homem de Mello

Nascimento:1904/09/06 Porto
Morte:1984 Porto
País:Portugal

Poeta português, natural do Porto. Formou-se, em 1926, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, após o que exerceu o cargo de delegado do Procurador da República em Águeda (1927), conciliando-o com a prática de advocacia. Foi professor do ensino secundário e director da Escola Comercial Mouzinho da Silveira.
Entre muitas actividades, destaca-se a sua dedicada pesquisa sobre o folclore português, que contemplou com vários programas de televisão, ensaios e exposições de recolha etnográfica da diversidade de registos musicais e culturais de norte a sul do país. Como obras mais significativas publicadas nesta área contam-se A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal.
Como poeta, fez parte do movimento da revista Presença. Estreou-se na escrita com Caravela ao Mar (1934), conquistando, em 1939, o Prémio Antero de Quental com Segredo. Receberia ainda o Prémio Ocidente com Uma Rosa na Manhã Agreste (1964), o prémio Casimiro Dantas com Eu Hei-de Voltar um Dia (1966) e o Prémio Nacional de Poesia com Eu Desci dos Infernos (1972). Entre as suas obras contam-se ainda Pecado (1942), Jardins Suspensos (1937), Príncipe Perfeito (1944), Bodas Vermelhas (1947), Miserere (1948), Os Amigos Infelizes (1952), Grande, Grande Era a Cidade (1955), Povo Que Lavas no Rio, Ecce Homo (1974) e Poemas Escolhidos (1983). As suas tendências literárias surgem associadas ao seu interesse pelo folclore e a uma vivência das tradições de expressão popular, desenvolvendo o poeta muitas das suas obras num cenário nortenho


06 setembro 2006

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