30 agosto 2005

O MAIS É NADA!

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar
deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor
é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem
pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode
molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em
todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a
chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milénio
é outro, se a idade aumenta;
Conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não
enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo
também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar
necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue
nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
O MAIS É NADA!

(Fernando Pessoa)

25 agosto 2005

Pedaços de mim…



Rasgados pedaços de mim se espalham pelas cinzas,
Qual puzzle desmanchado, pelo sabor da dor.
Procuro os pedaços que me tiraram da alma,
Rasgados de mim e espalhados ao vento.
Chamo pelo vento…que me traga notícias de mim
E o vento soprando, passa apressado, varrendo minha alma.
Chamo pela chuva…que venha lavar-me a alma.
Mas a chuva surda á minha dor…apenas salpica meu rosto.
Onde estão os pedaços que me faltam?
Rasgados…torturados…perdidos!!!
Chamo pelo rio que corre…saltitando de pedra em pedra.
Peço-lhe notícias dos meus pedaços perdidos.
Ele responde: - Galguei montes e vales, passei por cidades e aldeias, por pontes construídas, por campos floridos e não encontrei nada.
Chamo pelo mar sereno e azul.
Pergunto-lhe se no seu fundo encontrou algum tesouro…
Sim, tesouro, porque esses pedaços são tesouros preciosos.
E o mar me responde: - Minha doce sereia, vasculhei o mais fundo do meu leito, vi pérolas, peixes sem fim, mas esse tesouro não o vi.
Já não sei quem chamar…
Já não sei onde procurar…
Já não sei por onde caminhar…
Faltam-me os meus pedaços de alma…
Rasgados de mim e espalhados ao acaso!!!

angelis

22 agosto 2005

Deste modo ou daquele modo...

Há dias em que acordamos e sentimos que precisamos de escrever o que estamos a sentir.
Mas as palavras teimam em permanecer na alma, aconchegadas pelos pensamentos que lhes dão cor e forma.
Há dias em que queremos expor-nos…
Mas a teimosia das palavras faz-nos ficar “presos” a elas mesmas.

Procurei algo que exprimisse o meu sentir…e encontrei este poema de Fernando Pessoa, que aqui vos deixo, pois tal como ele, também eu me sinto muitas vezes assim…
Afinal “ser poeta é ser mais alto, é ser maior…é ser mendigo…” (Florbela Espanca)




Deste modo ou daquele modo...


Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.

E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele – próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Fernando Pessoa

16 agosto 2005

Açores a Natureza Viva


Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, pois quem vai pela 1ª vez aos Açores, não mais quer sair de lá…ou anseia, rapidamente, lá voltar.
Foi o que eu senti quando pisei o solo da ilha de S. Miguel, quando me senti em terra firme e olhei á minha volta.
Não tenho palavras para descrever a beleza da ilha, a simpatia das gentes, diversos miradouros sobre o oceano, de onde se pode observar os recortes da costa, as angras e baias existentes, vistas deslumbrantes de paisagens inesquecíveis, de lagoas ou crateras de vulcões já extintos, fumarolas e nascentes de água, campos cultivados num ambiente de verdadeira tranquilidade e ausente de poluição.
A gastronomia e sem esquecer o famoso cozido das Furnas…um verdadeiro manjar dos deuses, cozido nas entranhas da terra, no fumegar do vulcão vivo.
A S. Miguel foi dado o nome de Ilha Verde e é a maior ilha do arquipélago, e por curiosidade, tem uma superfície de 759,41 km2, o comprimento é de 65 km e a largura de 14 km.
Locais de visita obrigatória e aos quais não falhei a visita e me deliciei: Sete Cidades com as suas 2 lagoas. O Miradouro do Escalvado, as Caldeiras da Ribeira Grande, a Praia dos Moinhos. Gorreana e Porto Formoso e a cultura do chá e visita ás respectivas fábricas, a Lagoa do Fogo, Ilhéu de Vila Franca, o Vale das Furnas e o seu famoso “cozido nas caldeiras”, o Parque “Terra Nostra”, o Salto do Cavalo, Ribeira Quente e o Nordeste.
Ficaria aqui, indefinidamente, a falar-vos destas maravilhas, mas termino meu artigo, com algumas fotos que tirei durante a minha estadia e deixo-vos um conselho…vão aos Açores, vale a pena e regressam de lá de alma renovada e com vontade de voltar no dia seguinte.
Eu voltarei lá um dia destes, mas desta vez, visitando outra ilha, pois sei que os Açores me conquistaram, lá deixei um pedaço da minha alma e do meu coração.
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