29 maio 2005

Bonecas da minha infância

Passei estes últimos dias na minha terra natal, em casa dos meus pais, e como sou tola por fotografia e queria experimentar a minha máquina nova…há que tirar fotos a tudo que encontrava em casa.
Ao mesmo tempo que tirava as fotos, velhas lembranças surgiam de mansinho…sorrateiras e sorridentes diziam: - Olá, estás boa? Por aqui? Lembras-te daqueles tempos inocentes em que brincavas despreocupada com tuas bonecas?
Minhas bonecas, que seria feito delas? Onde estariam? Corri á cozinha a perguntar á minha mãe por elas. Deixou o que estava a fazer e sorriu.
- Olha-me esta agora…quer saber das bonecas. É para levares para a escola? – Perguntou minha mãe a rir.
- Não – respondi eu, apressada – só quero tirar umas fotos para recordação.
E lá fui eu ao quarto que a minha mãe me indicou, e lá estavam elas, sorridentes, como se o tempo não tivesse passado, como se o tempo tivesse parado naquele instante.
Tirei a foto e sentei-me na beira da cama, com as bonecas ao meu lado.
Quanto tempo tinha passado, desde a última vez que com elas brinquei? Sinceramente não sei…anos, séculos, dias, umas horas, ou breves instantes…que importava isso agora? Reencontrava a minha infância, a inocência de outros tempos e sorria. Sentia-me feliz, pois sabia que a criança que vive em mim está cá, traquina, inocente. A criança que eu sou não morreu, não me abandonou, algures na estrada da vida e…revivo-a diariamente com as crianças com quem trabalho, revivo a inocência, a candura e as brincadeiras de outrora.
E a vossa criança, onde está?
E a vossa inocência, as vossas lembranças da infância, que fizeram delas?
Hoje, aqui, agora…é urgente acreditar.
Hoje, aqui, agora…é preciso sorrir.
Hoje, aqui, agora…deixemos a criança que somos viver, sorrir…acreditar.
Acreditar no sonho, na lua, na lágrima que rola.
Acreditar no abraço, na amizade.
E que a criança que somos viva…sonhe e acredite!!!


angelis

20 maio 2005

A vida também se diz...

“ O viajante almoça com uma amiga advogada em Fort Lauderdale. Um bêbado animadíssimo, na mesa ao lado, insiste em meter conversa a todo o instante.
A certa altura, a amiga pede ao bêbado para ficar quieto.
Mas ele insiste:
- Porquê? Eu falei de amor como um homem sóbrio nunca fala. Demonstrei alegria, tentei comunicar com estranhos. O que há de errado nisso?
- O momento não é apropriado – responde ela.
- Quer dizer que existe uma hora certa para demonstrar felicidade?
Depois desta frase, o bêbado é convidado para a mesa dos dois.”

Paulo Coelho “Maktub”


Reflexões imensas me suscitam este pequeno trecho do livro de Paulo Coelho.
Já pensaram se tivéssemos que estabelecer momentos certos para sermos felizes?
Se tivéssemos que estar sujeitos a horários rígidos para amarmos, para comunicarmos uns com os outros?
Qual é o momento certo, a hora certa para demonstrar felicidade?
Sabem dizer-me?
Eu não tenho hora para ser feliz…vocês têm? Qual é a vossa hora?
É sexta feira…fim de semana á porta, é tempo de lazer, de descanso, mas também de reflexão.
O que queremos? Para onde caminhamos? Qual o nosso horário para demonstrar felicidade?
Teremos que estar bêbados para falarmos sobriamente de amor?
A vida faz-se e diz-se…de pequenas coisas, pequenos momentos de alegria, de partilha, de sorrisos, de abraços.
Podemos não ter dinheiro, mas temos trabalho. Podemos não ter fome, mas temos comida na mesa.
Podemos não ter frio, mas temos agasalhos. Podemos não gostar da casa que temos, mas temos um tecto.
Somos uns felizardos, comparados com o resto da humanidade, pois a cada segundo morre alguém, pois a comida que estragamos matava a fome a milhares.
Horas, momentos para demonstrarmos felicidade?
Horários para falarmos de amor? Para amarmos?
Olhemos para o que somos, olhemos para o que temos…
É fim de semana…
Tempo de lazer…mas também tempo de reflexão…tempo de sorrir, tempo de amar e partilhar.
Porque a vida também se diz e faz…
Muitos sorrisos para todos.
E ousem ser felizes…

angelis

14 maio 2005

Desilusão


A estrutura do Tempo,
Na desilusão da fome.
Uma lágrima que rola,
Alimentando o desespero.
A cama desfeita,
No desencanto do novo dia.
O projecto do futuro,
Na fotografia do passado.
O corpo lavrado,
Nos gemidos do desengano.
Suspiro que morre,
Na luta do amor.
Uma carícia repugnante,
No dia sobrevivente.
O perigo de amar,
Na máquina do Tempo.
Vida sem finalidade,
Na sociedade de consumo.
Novamente a cama aberta,
À espera do teu corpo.
Ris de tristeza
E afogas um grito de revolta.
Um amor comprado,
Na sobrevivência mesquinha.
O reflexo incondicionado,
Do verbo amar.
Conjuga-o no presente.
Projecta-o para o futuro.
Não te amarres a convenções.
O Tempo é fumo ao vento.
Um olhar parado,
No despeito oblíquo.
Constrói o teu Tempo!

angelis

08 maio 2005

Vida é...

A vida é:

Um suspiro...
Uma hesitação...
Uma brisa sussurrante...

Por isso sê:

Um suspiro que console.
Uma hesitação repousante.
Uma brisa acariciante.


angelis

02 maio 2005

Hoje...


Hoje…

Hoje estou triste, triste porque fiz sofrer alguém.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a chorar.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a magoar alguém.
Triste porque confiei em alguém…
Hoje choro, porque fiz alguém chorar.
Choro e não controlo as lágrimas.
Lágrimas que se vão juntar ás lágrimas de alguém.
Lágrimas que não chegam para lavar a alma.
Hoje não sorrio, porque apaguei o sorriso de alguém.
Meu sorriso fechei-o no baú do esquecimento.
Meu sorriso fugiu para parte incerta.
Sorriso que só voltará se esse alguém voltar a sorrir também.
Hoje fico quieta no meu cantinho.
Cantinho que abalei, desintegrei.
Cantinho que está ás escuras.
Como ás escuras está minha alma.
Hoje estou…
Triste…choro.
Meu sorriso fugiu…
Minha alma desassossegou-se.

angelis
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