28 abril 2005

“PRIMAVERA DO NOSSO CONTENTAMENTO...”

(foto de António Melo)


Vagueava feliz pela vida, qual criança traquina...
Contente percorria o jardim da felicidade...
Espalhava sorrisos...
Ofertava flores belas e perfumadas...
No ar, suave brisa acariciava meu coração...
Tudo era tranquilo...sereno...
Corri ao teu encontro e num abraço terno sussurrei-te ao ouvido:
«Amo-te»
Num beijo doce depositei minha alma nas tuas mãos.
Despedimo-nos com um sorriso e um breve «até amanhã».
Dia após dia regressei aquele jardim encantado.
Hora após hora esperei por ti.
Onde estás?
Que fizeste com a minha alma?
Onde a guardaste?
Onde a abandonaste?
Onde antes era felicidade, reside a tristeza.
No jardim florido crescem as ervas daninhas da desconfiança.
Porque me abandonaste?
Porque me torturaste?
Na primavera da vida sinto o Inverno a instalar-se.
Onde procurar a minha alma?
Algures perdida...
Algures chorando...
Para onde ir?
Que fazer sem minha alma?
Roubada e enganada...
Na primavera do nosso contentamento eu choro...
Naquele jardim abandonado eu espero...
Talvez um dia...me devolvas minha alma...
E naquela primavera longínqua espero...
Espero o teu regresso...o teu amor...as tuas promessas...
Até lá choro...
No jardim da vida...me encontro.


angelis (do meu livro “Palavras à solta”)

17 abril 2005

Violência doméstica




(fonte: mulher.sapo)

A violência e os maus-tratos aparecem todos os dias na televisão. As notícias não se cansam de nos mostrar e de nos contar os actos que ocorrem por todo o mundo, quer sejam praticados em guerras, quer sejam motivados por circunstâncias ou em momentos excepcionais. Outros programas de televisão mostram-nos a violência que não sendo real também condiciona e nos torna cada vez mais insensíveis a cada nova história. Afinal já tudo já se tornou normal e usual. É só mais um exemplo de algo que já se tornou rotineiro.

Infelizmente a violência não se limita ao que se ouve dizer ou ao que se vê na televisão. Muitas vezes as situações dentro de casa são muito piores porque estão realmente a acontecer connosco e embora se vão arranjando desculpas e justificações, as situações existem e persistem. Sob qualquer forma, a violência vai surgindo e vai-se insinuando na vida diária até que as proporções se tornam verdadeiramente assustadoras.

Mesmo depois de reconhecer o que está a acontecer, as vítimas raramente conseguem agir a tempo de se defenderem. Isto porque sendo uma violência dentro de casa, mais ninguém sabe o que se passa e a vergonha impede muitas vezes que se consiga contar sequer aos amigos.

E a violência e os maus-tratos continuam até que surja a coragem de reagir e responder ao agressor.

Por ser difícil lidar com estes problemas é necessário saber em primeiro lugar identificá-los e compreender quais as formas de que se podem revestir e como poderão evoluir. Saber o que se passa no nosso país e a quem poderá recorrer se algum dia se confrontar com essa situação é fundamental. Mas é também importante ter consciência de que o que torna a violência doméstica pior é a indiferença e o desconhecimento. Para apoiar e ajudar as suas vítimas é imprescindível escutar.

Tipos de violência

A violência doméstica é a utilização de agressões continuadas contra um familiar ou contra outra pessoa no espaço em que vive. Estas agressões não são apenas físicas, embora essas sejam as mais frequentes. Existem também agressões de outra natureza e que se revestem de outras formas. Muitas vezes, uma ameaça contínua é mais destrutiva do que a violência física e, embora possa ser suportada durante mais tempo, as consequências futuras podem ser bastante mais graves.

Os principais tipos de violência doméstica identificados são:

físico – inclui qualquer forma de contacto que magoe a vítima;

sexual – qualquer tipo de contacto sexual não desejado pela vítima enquadra-se nesta categoria;

emocional – acções e afirmações que pretendam minar a auto -confiança da vítima;

verbal – ameaças e discussões violentas são formas comuns de abuso verbal;

psicológico – ao comportar-se e reagir de formas estranhas, o agressor pode tentar levar a vítima a um desequilíbrio mental;

espiritual – atacar as convicções espirituais ou religiosas da vítima;

financeiro – muitas vítimas são economicamente dependentes dos agressores, que utilizam esse factor como forma de exercer pressão sobre elas;

destruição de propriedade – para ameaçar ou aterrorizar a vítima, o agressor pode destruir bens que sejam da sua propriedade.

Ao detectar qualquer tipo de violência, é importante saber agir em relação a ela para prevenir que atinja formas piores, pois existem sempre soluções para lidar com os diferentes casos. É, no entanto, necessário ter atenção aos sinais de alarme. Muitas vezes a violência pode surgir porque o agressor está sob a acção de álcool ou de alguma droga, mas isso não significa que deva ser desculpado, antes devem ser encetadas medidas para a prevenção de novos ataques, pois se o agressor não controla as suas acções, as consequências podem ser ainda mais negativas.

A Situação em Portugal

Em Portugal, os casos de violência doméstica são bastante significativos. As estatísticas mostram-nos apenas aqueles em que a vítima procurou apoio, por isso, estes números não representam a realidade. No entanto, para se ter uma noção do que acontece no nosso país, estes indicadores permitem-nos ver um pouco do que se vai passando.

O número de processos de apoio registados pela Associação de Apoio à Vítima (APAV) tem crescido significativamente, representando no ano passado mais de quatro mil casos. Esta evolução não se ficou a dever a um aumento da violência, mas a um melhor esclarecimento das vítimas que puderam recorrer à instituição. Em termos geográficos, a zona que registou um maior número de casos foi a de Lisboa, seguida do Porto e de Coimbra.

A forma de contacto da associação foi principalmente pessoal, mas o número de telefonemas também foi significativo. As próprias vítimas contactam com a APAV, mas também é usual que familiares ou conhecidos o façam por elas. O encaminhamento para a instituição é feito por diversas entidades sendo a mais comum a polícia, mas os familiares também desempenham um papel importante, assim como a comunicação social ao informar dos locais e das formas como a instituição dá apoio às vítimas.
A situação mais comum dos processos que dão entrada na APAV é a de mulheres, entre os 26 e os 45 anos, que se queixam de maus tratos ou de ameaças, geralmente dos cônjuges ou companheiros, muito poucos dos quais deram origem a uma queixa na polícia.

Mas existem muitos outros casos de violência por parte de outros membros da família ou mesmo de antigos companheiros ou cônjuges, com queixas mais ou menos gravosas como homicídio, furto ou burla.
A violência doméstica existe em Portugal e é importante conseguir denunciá-la para que a situação não se agrave e para que os exemplos possam inspirar outras vítimas a reagir e a sair das situações muitas vezes desesperadas em que se encontram.

Prevenção e Defesa

Muitas vezes, não saber como reagir numa situação de violência pode levar a que a vítima sofra mais e durante mais tempo, por não ter a coragem ou por não saber o que fazer. Assim, é importante ter algumas noções para reagir melhor em situações de ataque:

»não ter receio de gritar, nem vergonha de o fazer, pois é o agressor que está errado, não a vítima;

»se for possível, tentar defender-se para evitar lesões maiores;

»evitar discussões em áreas perigosas da casa como a cozinha ou a casa de banho, onde existem muitas armas potenciais;

»ter uma forma de fuga planeada, nomeadamente, qual a melhor forma de sair de casa, para onde ir e o que levar;

»encontrar um vizinho a quem possa contar a situação, que chame a polícia se necessário;

»se decidir sair de casa definitivamente, pense em alguns aspectos de antemão, como a abertura de uma conta bancária separada, deixar as chaves e documentos mais importantes com alguém seguro; no caso de existirem filhos, pensar cuidadosamente na sua situação antes de sair de casa;
»depois de sair de casa, se houver o receio de ser perseguida, podem ser tomadas medidas de segurança: dar a morada apenas a quem confiar, não colocar o telefone na lista, estabelecer formas de contacto com o agressor, quando necessário, na presença de outras pessoas e avisar todas a gente com quem entra em contacto da sua situação para que não ajudem o agressor a encontrá-la.

Cada caso de violência doméstica é diferente e a forma de reagir a esse problema depende da vítima e da relação que tem com o agressor.
É sempre difícil resolver estes casos pois para além de não serem praticados à vista de todos, são também entre pessoas que confiam entre si e que possuem uma relação de interdependência que não será facilmente quebrada, mesmo quando existe violência.

A Quem Recorrer

Desde 1990 que existe em Portugal uma organização criada para dar apoio às vítimas, a APAV. É uma instituição particular de solidariedade social, e o seu interesse social foi reafirmado por um protocolo assinado com os Ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Trabalho e Solidariedade em 1998.
A APAV é dirigida por um grupo de sete elementos, embora conte com vários profissionais para a actividade de apoio às vítimas. Também importantes são os voluntários, que ascendem quase às duas centenas e que recebem todas as pessoas que procuram a instituição e lhes dão todo o apoio inicial que necessitarem, encaminhando-as depois para serviços mais específicos.
Para melhor servir a população que recorre à instituição, foi criada uma rede de gabinetes que funcionam em nove cidades do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Cascais, Vila Real, Setúbal, Loures e Faro. O contacto com as autoridades locais é fundamental para assegurar que todas as pessoas que recorrem à APAV têm a resposta que procuram. O suporte financeiro da instituição baseia-se nas quotas dos seus associados, que podem ser pessoas singulares ou colectivas ou ainda as autarquias. A APAV recebe também donativos de diversas proveniências que lhe permitem continuar o seu trabalho.

A sede da APAV encontra-se na Rua do Comércio nº 56 – 5º , o seu telefone é 21 888 47 32, o fax 21 887 63 51 e o e-mail por onde pode contactar a instituição é apav.lisboa@ip.pt.

Também pode contactar a Associação de Mulheres Contra a Violência
Contacto:

Alameda D. Afonso Henriques, 78-1º Esq.
1000-125 Lisboa
Tel. 21 386 67 22 / Fax 21 386 67 23
amcvportugal@hotmail.com

13 abril 2005

Apanhada

Ao final de um dia de trabalho, com as minhas pestinhas, sento-me ao computador, para ver o correio e fazer uma visita aos meus blogs favoritos e… fui apanhada. O causador desta brincadeira foi o meu amigo Aflores do Ailaife Blog, que decidiu, e porque sabe que respondo aos desafios, desafiar-me a dar seguimento a uma brincadeira de literatura na blogosfera a que alguém deu o nome de Ex-Libris da Tugosfera.
Consta ela de uma série de perguntas que, obviamente, devem ser respondidas e descaradamente nomear 3 novos elementos que terão que lhe dar seguimento.
Ora aqui vai:


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Sinceramente… não li, não vi, não vou ler….e gostaria de ser o meu próprio livro…mas acho que já o sou!!!


Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Claro que sim, há dúvidas a esse respeito? Miss Marple da Agatha Christie (espero que esteja bem escrito o nome dela), pelo seu poder de dedução, pelo seu raciocínio lógico.


Qual foi o último livro que compraste?
Pois não me lembro…aiiii…pois foi comprado na altura do Natal para ser oferecido a um amigo muito especial, como prenda.


Que livros estás a ler?
”Do meio do Azul…” de Paulo Roldão e releio sempre o meu livro “Palavras à solta”


Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Tenho que levar livros? Têm que ser 5? Não posso antes levar outra coisa? Ok…vamos lá a ver…e já que estamos numa ilha deserta: “Os Maias” (Eça de Queirós) “Vai aonde te leva o coração” (Susanna Tamaro) “Onze Minutos” (Paulo Coelho) “A Esperança” (Francesco Alberoni) e claro…não podia faltar o meu livro “Palavras à solta” (Ângela Monforte) e se calhar…não seria má ideia trocar tudo isto por um manual de sobrevivência…grande ideia Aflores.


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Rosália do Escrevo apenas
porque gosto da sua escrita e de visitar o seu blog.
À Menina_Marota do EternamenteMenina porque adoro o seu cantinho, a sua escrita e porque adora livros também e até conhece e leu o meu livro…vais matar-me amiga, não vais?
À Meia Lua do Fragmentos da Lua porque acho que se esconde destas coisas…e agora vai ter que aceitar o desafio…também me vais matar amiga?


Vá lá amigas…desta vez fui mesmo apanhada e por arrasto vocês vão comigo… temos que nos unir no feminino e mostrarmos o que valemos na blogosfera…este é um desafio exclusivamente feminino…vamos a isso.


E para ti Aflores…seu grande malandro…parece-me que desta já me safei…ufa!!!

08 abril 2005

Revolta

Fui ao baú das recordações, abri-o e encontrei este poema!!!
Já nem me lembrava deste velho caderno, onde costumava rabiscar as minhas ideias, os meus poemas, os meus "encontros" comigo mesma...
Incrivel o que descobrimos quando vamos vasculhar velhas caixas guardadas. Impressionante...este poema tem mais de 20 anos...e para mim que o escrevi, continua a ser extremamente actual e se fosse hoje...escreveria a mesma coisa, pois a mulher "marginal" continua a ser tratada da mesma forma, com desdém e um olhar de desprezo, sem nos questionarmos o porquê da sua opção de vida, sem percebermos o porquê de trilharem esse caminho, à margem de tudo, até delas mesmas!!!
Aqui fica assunto para um próximo artigo...




(foto de Paulo Alegria)


"REVOLTA"


Um cigarro na boca,
Um olhar fatal.
A perna cruzada,
Todo o verniz necessário,
Para esconder
A negridão duma alma
Suja pela mesquinhes social.
É esta a tua maneira de estar
Na sociedade.
Não a escolheste!
Não a criaste!
Foi-te imposta.
E…
Quiseste sonhar
Quimeras douradas!
Quiseste viver
Sonhos irreais!
Quiseste caminhar
A estrada flutuante,
Que conduz á realização
Do ser pensante!
Criaste a confusão desnecessária,
Para poderes respirar
Acabaste por cruzar os braços
Com um desdém agressivo
Ante a impotência sublime
De não poderes amar!!!


angelis

04 abril 2005

Elogio à Mulher Portuguesa

(foto de Alexandre Monteiro)


[Opinião/testemunho de um Homem Português]
Armando Vieira, PhD
Departamento de Física
Instituto Superior de Engenharia do Porto

A mulher portuguesa vive ainda amordaçada pela sua condição de mulher. Debaixo de um luto eterno ecoam sons melancólicos e fatídicos do fado da sua vida. A nossa sociedade é injusta, e até cruel, para com as nossas mães, mulheres e amantes. Marcada ainda pelos castradores dogmas católicos, este ser maravilhoso parece condenado a penitenciar por um pecado original de uma Eva que nunca pecou, enquanto Adão sempre soube permanecer impune. A mulher pode ter muitos defeitos, mas no que respeita a “pecados” fica bem atrás do homem.

Apesar de todos os progressos, a mulher portuguesa continua forçada a viver uma sensualidade escondida na vergonha do medo e da ignorância de uma sociedade hipócrita e minada de estereótipos anacrónicos. A mulher portuguesa parece ter medo, quase vergonha, do seu corpo. Trata-o mais como um empecilho do que uma obra de arte da natureza esculpiu. Já alguma vez se interrogaram porque razão as mulheres portuguesas, sobretudo depois de casarem, se vestem tão desajeitadamente, tão cinzentas e sem graça, como se fossem avós? Será o eterno fantasma chamado “medo”, seja medo dos outros ou medo delas próprias.

A mulher portuguesa não é feliz porque não a deixam ser livre. Vive acorrentada a preconceitos teimosamente reincidentes, mesmo na camada mais jovem da população. Se seduz é uma desavergonhada, se ousa é uma descarada, se está livre é um perigo, se triunfa na vida é porque dormiu com alguém importante, se é bonita é tratada como uma peça de museu, assediada com piropos de rapazes imberbes e propostas indecentes de labregos que abundam nas nossas praças.

A mulher portuguesa tem um sorriso bonito e meigo, mas reprimi-o com o medo que este seja interpretado como um sinal de uma coisa que nem lhe passou pela cabeça. É obrigada a carregar um pesado fardo de deveres e obrigações que lhe atormentam a vida. Enquanto jovem, é a família que lhe limita a diversão. “O namoro deve ser uma coisa séria”, de preferência já a pensar no casamento. E será o casamento a chave da independência há tanto ambicionada?

Pura ilusão. Rapidamente a mulher se apercebe que a liberdade não passa de uma vã miragem. Do jugo da família passa para o jugo do marido e, mais tarde, dos filhos, dos pais, dos sogros e o que mais houver. Do estatuto inebriante de amante ela passa rapidamente àquele que parece ser o seu estado natural, “mãe” e “dona – de – casa”, mesmo apesar de trabalhar fora de casa como o homem. Neste estado ela vê-se remetida para uma existência assexuada, longe de ser uma verdadeira mulher. Uma mulher “dona – de – casa” não tem tempo para o romance pois o seu quotidiano é preenchido com a azáfama da casa, das compras e dos filhos. A este estado de “mãe dona – d e – casa”, na física designa-se por atractor estável: uma vez que o sistema entre nesta zona fica aí aprisionado para sempre.

A mulher portuguesa não tem espaço para ser mulher. Que tempo resta para pensar em si, para sentir e partilhar o amor que possui no seu coração? Por vezes não passa de um corpo cansado dos deveres domésticos e que transporta uma mente ocupada de problemas e tarefas rotineiras, sem imaginação e sem espírito, mas com muita dedicação e muito amor.

A mulher portuguesa pode não ser tão bonita e vistosa como a francesa ou a italiana, mas é das mulheres mais ternas, apaixonadas e dedicadas que conheço. De outra forma como podia ela suportar uma existência tão madrasta? Na sua ingenuidade e carinho ela guarda uma grande sabedoria que não aparece em nenhum livro ou registo, mas que se sente no calor da sua presença. De uma forma discreta ela mostra o seu amor por tudo o que lhe é querido, enquanto fica à espera. À espera que um dia lhe deixem ser aquilo que sempre sonhou: mulher.

01 abril 2005

Have a smile

(foto de Nanã Sousa Dias)



have a smile
stretched from ear to ear
to see you walking down the road

we meet at the lights
I stare for a while
the world around disappears
just you and me
on this island of hope
a breath between us could be miles

let me surround you
my sea to your shore
let me be the calm you seek

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you
I grieve in my condition
for I cannot find the strength to say I need you so

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you

Sarah McLachlan
Surfacing
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