27 junho 2006

Prisioneiros

Prisioneiros, até quando?
(foto de Afonso Duarte)

A vida é uma sequência ilógica de sentimentos, de sensações que nos perturbam, nos transformam ou nos anulam a razão.
Olho á minha volta e vejo olhares vazios, gestos suspensos no ar, beijos perdidos na vergonha de mostrar que amamos.
Suspendo um abraço terno...
Não encontro a quem o dar...
Não há receptividade...
Presos num dia-a-dia sem sentido, vivemos alheios aos outros.
Não vemos o companheiro, não beijamos o filho pequeno, não apreciamos a beleza singela da Natureza que se enfeitou para nós.
Prisioneiros...
É isso que somos...
Prisioneiros...
Encarcerados na vida ideal que construímos, mas á margem da própria vida.
Construímos celas para aprisionarmos os sentimentos...
Erguemos muros para nos protegermos dos outros...
E acabamos prisioneiros de nós mesmos, numa vida triste e cinzenta, rodeados de medos...
Rodeados de fantasmas que alimentamos com os restos de uma vida sem sentido.
Prisioneiros, até quando?
Derrubemos os muros...
Derrubemos angústias e desânimos...
Soltemos o sentimento...
Pintemos a amizade...
Aprendamos a amar...
Prisioneiros, até quando?


angelis

24 junho 2006

19 junho 2006

"Somos..."

Loucura até ao fim?
(foto de Pedro Miguel Costa)


Na espiral do sonho,
Caminha lentamente a loucura.
Doce,
Implacável,
Irresistível.
Atrai-me ferozmente para o abismo.
E a inspiração solta-se.
Esqueço-me de tudo.
Mergulho profundamente.
É horrível a sensação de abandono.
Esqueço-me de mim
E entro em ti…
Violentamente.
Fundimo-nos…
Obsessivamente.
E a loucura apodera-se de nós.
Não temos nome
Nós somos o Tempo,
O Espaço.
Nós somos aquilo…
Que não fomos.
Nós somos aquilo…
Que sonhamos.
Nós somos o irreal,
O inatingível.
A loucura é o nosso meio,
Para atingirmos a felicidade.
Loucura até ao fim?

angelis

17 junho 2006

13 junho 2006

Histórias tristes...ou a triste história de uma mulher

trilho solitário

A natureza humana não pára de me surpreender, e sempre que ouço histórias verídicas de mulheres, fico triste e pergunto-me como é possível...
Esta é a história da “mulher dos € 5”, ou a triste sina dos seus 2 filhos, ou mais uma história das mulheres galegas.
M. é casada e mãe de 2 crianças, um menino com 7 anos e uma menina com 4 anos e a historia dela começa com um episodio caricato no centro de saúde local.
Um belo dia, de manhã, em horário de consultas, entra o marido da M. muito zangado, pelo centro de saúde, e aos berros comenta: “ Era só o que me faltava, cheguei a casa e encontrei a minha mulher na cama com outro.”
O espanto dos utentes foi geral e os sussurros e comentários não paravam. O homem continuou: “Mas o que mais me chateia é que a “vaca” estava a beber o meu melhor uísque.”
Ai, não se contiveram...e as gargalhadas foram gerais. O homem era doido, então não queria saber do que se passava e apenas o preocupava a garrafa de uísque?
A partir dai, as bocas do povo nunca mais se calaram...e a M. fez jus á sua fama e começou a “aviar” clientes a €5.
A fama espalhou-se e a clientela aumentou. Mas, cada um faz o que quer da sua vida, o que revoltava as bocas populares era ela arrastar os filhos para as suas andanças e as pobres crianças assistirem a tudo. O que dizia o marido? Rigorosamente nada. A mulher trazia dinheiro para casa, e ele perdoava tudo pois gostava dela.
Um dia, pega nos 2 filhos e foge para outra terra, atrás de um homem. Por lá ficou cerca de 1 ano, até que voltou novamente a casa e retorna à mesma vida de sempre.
Queixas e tareias pelo meio, a policia metida ao barulho e o ultimo acto acontece quando, a família, preocupada com as crianças, resolve segui-la e descobre que ela os leva, quando vai atender os clientes e os deixa a dormir no seu carro.
Queixa formalizada à Protecção de Menores e os filhos são-lhe retirados.
E isto demoveu-a de continuar na vida que levava?
Nem pensar...vem novo filho a caminho de um qualquer cliente, e os outros 2 filhos, entregues aos cuidados de uma tia, sofrem a ausência da mãe e a pequenita diz que não gosta da mãe, que ela tem muitos homens e não quer saber dela.
Invenção? Nem pensar...esta é a triste história de 2 crianças cuja mãe trilha o caminho que escolheu, esquecendo-se dos sagrados deveres de mãe.
Conheço-os, conheço a sua triste realidade, e lamento a sua sorte, a das crianças que não pediram para nascer, que não escolheram a mãe que têm e, de certa forma, lamento as más escolhas daquela mulher, que se esquece dos filhos e que apenas pensa no seu triste vicio, que lhe dá €5 por cliente.

Para pensar...sem sombra de duvida!!!


angelis

08 junho 2006

Guerra

Será que eles tiveram escolha...!?

Olhei a guerra de fora
E disse:
- Não quero entrar!
Alguns olharam a guerra de fora
E disseram:
- Não queremos entrar!
Se todos olhassem a guerra de fora
E dissessem:
- Não queremos entrar!
Será que a guerra morreria?

angelis

04 junho 2006

Costumes portugueses...

Será assim o futuro?

Será que é este o cenário futuro?
Aguardemos para ver...mas entretanto, é melhor começarmos a criar uns porquitos e aprendermos a fazer fumeiro para qualquer eventualidade!!!

03 junho 2006

Estou feliz...

Sairam ontem, ao final da tarde, os resultados dos concursos dos professores.
As expectativas eram grandes e a apreensão também, pois este concurso mudou as regras das colocações, e mudará, nos próximos 3 anos, a vida de milhares de professores.
Se é justo ou correcto este sistema novo de colocações, não é isso que neste momento me interessa, embora me afecte, como afecta todos os professores, independentemente do grau de ensino.
Porque escrevo sobre isto? Muito simples...trabalho à 24 anos na educação e durante estes anos todos, trabalhei sempre longe de casa.
Ou tinha que ficar na terra onde estava colocada, ou fazia viagens intermináveis e cansativas, para estar em casa no final de mais um dia de trabalho. Saltei de jardim de infância em jardim de infância durante 17 anos. A cada ano lectivo uma nova colocação, o começar tudo de novo.
Quando me efectivei...bom...fiquei num quadro de escola a 100 e muitos quilómetros de casa e novamente o desterro e não só...
Aproximei-me um pouco, mas mesmo assim, durante 6 anos fiz cerca de 70 kms diários, o que se traduz num desgaste fisico e financeiro incríveis...
Por isso, ontem, quando sairam as colocações e vi que, finalmente, ao fim destes anos todos, consegui aproximar-me consideravelmente de casa e vou ficar pertinho nos próximos 3 anos, conseguem imaginar a minha felicidade?
Nem todos os professores tiveram essa sorte, eu sei e lamento, mas já tive a minha quota parte de desterro, de viagens cansativas e desgastantes...
No próximo ano faço as boas de prata...25 anos dedicados à educação de infância, dos quais não me arrependo, os quais me enriqueceram como ser humano e mulher e repetiria tudo de novo.
Queixas e lamentações? Tenho muitas e uma profunda desilusão por ver o nosso trabalho e dignidade pisados e não nos darem o justo e mercedido valor.
Como em todas as profissões, há bons e maus profissionais e neste momento estamos todos metidos no mesmo saco, rotulados da mesma maneira...mas isso são "outros quinhentos" como alguém costuma dizer.
Não estou aqui a lamentar-me, escolhi o ensino público por convicção e ainda hoje, decorridos 24 anos, acredito que o ensino público pode e deve dar uma educação de e com qualidade e que ainda há profissionais competentes e com imenso valor.
Já vai longo este meu desabafo...e eu só queria partilhar convosco a minha alegria e felicidade, por ter conseguido colocação perto de casa.
Estou feliz...

angelis

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