28 outubro 2004

Silêncios...

Na calada da noite...
Ouço a minha respiração…
Que de tão agitada me faz despertar do meu sono.
Ouvidos à escuta…no silêncio que me rodeia…
Silêncios perturbadores me põem alerta…
Batidas aceleradas…descompassadas do meu coração…
Espero…anseio…escuto…
Mas só ouço o próprio silêncio…
Porque demoras?
Porque não escuto os teus passos?
Porque não ouço a tua respiração?
Silêncio…é tudo o que me rodeia…
Silêncio que me perturba…que me confunde…
Onde estás?
Por onde te perdeste?
Ou será que te esqueceste que espero por ti?
Só o silêncio me faz companhia…
Só o silêncio me abraça…
Onde estás?
Porque deixaste o silêncio tomar conta de mim?
Tomar conta de nós?
Silêncios perturbadores é tudo o que ouço…
É tudo o que sinto…em mais uma noite…
Uma noite sem ti…


angelis

25 outubro 2004

Alma de Mulher



Alma triste
Alma apaixonada
Alma sonhadora
Porque choras?
Onde está o teu amor?
Qual a causa de tanta dor?
Será a alma da mulher diferente?
De que é feita?
Já alguém a analisou? A estudou?
Muitos a criticam…poucos a entendem!!!
Mas, afinal de que é feita?
Pedaços de ternura entram na sua composição.
Uma pitada de sensualidade não lhe fica mal.
Uns quilos de compreensão…faz bem ao coração.
E toneladas de amor à mistura para lhe dar sabor.
Não desesperes alma minha…
Teu amor está ai…algures entre o sonho e a realidade.
Ao alcance da tua mão…bem juntinho ao teu coração.
Sê triste…
Sê apaixonada…
Sê sonhadora…
Sê afinal aquilo que tu és…
Alma de mulher.


angelis

19 outubro 2004

25 passos para conseguir um filho mal educado...



25 passos para conseguir um filho mal-educado

1. Satisfaça sempre todos os seus desejos, apetites e prazeres.

2. Dê-lhe sempre tudo o que ele pedir.

3. Ria-se quando ele disser palavrões ou se comportar inadequadamente.

4. Dê-lhe todo o dinheiro que ele queira gastar.

5. Deixe-o vestir-se e pentear-se como quiser.

6. Deixe-o ler tudo o que quiser.

7. Se ele estragou ou destruiu, não faz mal.

8. Desculpe-o sempre dos disparates que faz ou diz.

9. Não restrinja as suas actividades com horários ou rotinas.

10. Deixe-o ver tudo o que quiser.

11. Nunca o repreenda.

12. Recolha tudo o que ele deixar espalhado e desarrumado.

13. Autorize a que faça gazeta quando quiser.

14. Não o faça emendar um erro.

15. Não se incomode com mentiras ou omissões.

16. Garanta a sua privacidade dando-lhe um espaço sobre o qual apenas ele tem autoridade.

17. Defenda-o sempre em caso de conflito.

18. Deixe-o ver tanta televisão quanta quiser e todos os programas que quiser.

19. Não o obrigue a comer o que não quer ou não gosta.

20. Discuta sempre na presença do seu filho.

21. Se ele roubar, garanta que não é apanhado.

22. Não o obrigue a conviver (estar) com a família.

23. Deixe-o incomodar terceiros sem restrições.

24. Não o obrigue a pedir desculpa.

25. Deixe-o fazer o que quiser, sempre que quiser.

angelis

17 outubro 2004

Lixos e afins...


Vivo num local com 3 blocos de apartamentos, até aqui nada de especial.
Tive o azar de o prédio onde vivo, ser o 1º a ser construído e como tal teve que “pagar” algumas facturas extras.
Exemplifico: o meu prédio não tem “casa de lixos”, enquanto os outros dois têm. Num prédio com 2 entradas e com 30 apartamentos por entrada…começa a complicar a situação. Dirão alguns de vocês…qual o problema?
O grande problema no meu prédio e que por consequência, afecta a saúde pública é que para além de não ter a dita “casa dos lixos”, a recolha do mesmo é feita, somente, 3 dias por semana e para agravar a situação não existem nem contentores nem eco pontos por perto.
O carro do lixo passa à minha porta às terças, quintas e sábados e o resto dos dias “levo” com o lixo em casa e com as consequências que isso acarreta, maus cheiros, etc.
Já foi tentado de tudo para a autarquia colocar contentores do lixo nesta área, e foi sempre recusado.
Questiono-me: e se acontecesse a algum membro da autarquia tal situação? Seria imediatamente resolvida…mas para nós munícipes contribuintes…resolver a questão para quê? Levem com o lixo e calem-se.
Pago taxa de resíduos sólidos de 2 em 2 meses com a factura da água…e tenho o lixo à porta ou dentro de casa, nos dias em que não há recolha…
Não existe recolha selectiva de lixos…separar para quê? Reciclar para quê?
Nem o dito eco ponto existe, numa zona residencial e com bastante população.
Nós até queremos contribuir para a melhoria do meio ambiente, estamos sensibilizados para a reciclagem e a separação dos lixos, mas todas as nossas boas intenções caem por terra com a falta de colaboração da autarquia.
Desculpem-me o desabafo…mas tal situação é inadmissível!!!
Quando vim viver para aqui, à 9 anos, tinha recolha diária de lixo…excepto ao domingo…hoje tenho recolha 3 dias por semana!!!
Perdi qualidade de vida…quando deveria ter ganho qualidade de vida.
Algo está errado aqui!!!!
Algo cheira muito mal pelas terras da Maia!!! E asseguro-lhes que não é o lixo doméstico do prédio onde vivo!!!


angelis

14 outubro 2004

Vale a pena divulgar...


(Nota: esta informação foi recolhida no panfleto de divulgação da Associação)

APDMF – Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família

É uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que tem como objectivos:
- Proceder ao estudo interdisciplinar das questões relativas à protecção jurídica e administrativa dos menores e da família
- Promover, dinamizar e organizar serviços comunitários de apoio à criança, ao jovem e à sociedade familiar, sendo o seu âmbito nacional
- Dinamizar formação especializada na área da protecção das crianças e jovens em perigo, junto de técnicos que exercem funções quer nas comissões de Protecção, quer em equipamentos sociais destinados a esta problemática

Na prossecução dos seus objectivos, a APDMF tem, presentemente, em funcionamento quatro centros de acolhimento, encontrando-se em fase de instalação mais três centros de acolhimento, um deles também com uma valência de lar. Destinam-se a crianças e jovens privados do meio familiar, vitimas de violência ou provenientes de famílias cuja situação exija apoio transitório que permita a estabilização de vida e o futuro encaminhamento adequado das crianças.

Actividades principais:
Para além das preocupações de prevenção primária, a Associação desenvolve as seguintes acções:
- Acolhimento de crianças e jovens em situações de risco, com vista ao diagnóstico interdisciplinar, elaboração de Projecto de Vida de cada criança e desenvolvimento desse projecto, com a maior colaboração possível de família e da comunidade
- O regresso à família biológica nuclear ou biológica alargada, directamente ou com a mediação de uma família de acolhimento
- Quando tal não seja possível a integração na família biológica, a adopção nacional ou internacional
- Quando se esgotam as possibilidades de integração familiar, a colocação em instituição que garanta o acompanhamento, dinâmico e individualizado
- Formação nas áreas de protecção, acolhimento e acompanhamento, a técnicos ligados à problemática das crianças e jovens em perigo

Desde a sua criação já foram adequadamente encaminhadas mais de 400 crianças acolhidas nos Centros, a pedido dos Serviços da Segurança Social, dos Tribunais, dos Hospitais e de outras entidades.

Outras actividades:
Consulta psicológica gratuita a crianças em idade escolar e suas famílias, que frequentam escolas situadas na área da sede da associação, em colaboração com a respectiva Junta de Freguesia e escolas locais.

Financiamento das actividades:
Considerando que a associação não tem património nem fontes de receitas próprias, a manutenção destes Centros é feita exclusivamente, através de acordos atípicos celebrados com a Segurança Social, da generosidade das comunidades onde estão inseridos os Centros e do voluntariado que a Associação mobiliza.
Os custos da actividade em harmonia com a qualidade de intervenção que as situações tornam cada vez mais premente uma comparticipação generosa por parte dos cidadãos em geral, canalizados para a Sede da associação ou para as “Ligas de Amigos” de cada um dos Centros de Acolhimento.

Como colaborar:
1.Cooperando em projectos específicos da Associação
2.Prestando trabalho voluntário quer na Associação, quer nos vários Centros de Acolhimento
3.Divulgando a Associação e angariando novos sócios
4.Inscrevendo-se como sócio da Liga de amigos de um dos Centros de Acolhimento
5.Enviando donativos para a Sede da Associação

Contactos: Centros de Acolhimento:
- Casa do Parque Estrada de S.Marçal, nº9/Outurela/Portela 2795-618 Carnaxide – Tel: 214167650/8 Fax: 214167659
- Casa da Encosta Rua S. Rafael – Bairro S. Miguel das Encostas 2775-753 Carcavelos – Tel: 214532700 / 214527375 Fax: 214527379
- Casa do Infantado Praça Infante D. Henrique 1-B r/c – Infantado 2670-390 Loures – Tel: 219824265 Fax: 219820726
- Casa de Cedofeita Rua Instituto dos Cegos S. Manuel nº 22 4050-308 Porto – Tel: 226096960 / 225432175 Fax: 225432176
- Casa do Vale Bairro Engº Machado Vaz, Rua Souto de Contumil 4350 Porto – Tel: 225574470 Fax: 225574479
Sede: Rua Costa do Castelo, nº 5 – r/c, 1100-176 Lisboa Tel: 218883207 / 218816385 / 218800610 / 18 Fax: 218800619 Nº de contribuinte: 502574500 Email:apdmf@vizzavi.pt

11 outubro 2004

Porque hoje é segunda...



Porque hoje é segunda...mas poderia ser outro dia qualquer da semana...
Apenas para reflectirmos...
Apenas porque me apeteceu...mas fica a interrogação...


angelis

08 outubro 2004

Viver


Faço minhas as palavras desta mensagem...
Viver é tudo isso e muito mais...
Aproveitem...vivam...sonhem...
Digam sem medo: "Amo-te meu pai, meu amigo/a, meu filho/a, meu companheiro/a..."
E porque hoje é inicio de fim de semana...soltem as amarras...
Partam à descoberta de vós mesmos...há um mundo interior à vossa espera...encontrem-se com o que são...com o que querem...com o que podem construir de novo...valorizem o que têm...melhorem o que precisa de ser melhorado...chorem...riam...VIVAM...
E...ousem ser felizes...
Bom fim de semana para todos...

angelis

05 outubro 2004

Parabéns Pai




“ PAI “

Tudo o que um filho
Pode dizer é:
- Obrigado.
Tudo o que um filho
Pode desejar é:
- Continua sendo um Homem,
Simples e bom como até aqui.
Norteando sempre o teu caminho
Com verdade e justiça.
Tudo o que um filho
Pode sentir é:
- Amo-te meu Pai.


Hoje meu Pai completa 72 anos de idade e este poema é a minha forma de lhe agradecer e de lhe dar os parabéns.

Muito se sacrificou pelas filhas, pela família, abdicou de si para nós podermos ter o que ele nunca teve…deu-nos principios morais, educou-nos no respeito pelo ser humano, mas também nos ensinou a não calar perante as injustiças, a termos forças perante a adversidade…aprendemos com ele a lutar pela verdade e pela justiça, aprendemos a ser “gente” de bem.

Sei que ele não tem Internet, sei que não vai ver este texto (mas vou-lhe fazer a surpresa de o imprimir e de lho enviar pelo correio), nada disso tem importância, mas sim o facto de aqui e agora, publicamente, lhe prestar esta homenagem, de poder dizer sem vergonha…Amo-te Pai, obrigada pela Vida, pelo Amor, pelos sacrifícios que fizeste por nós e, claro, muitos parabéns e um grande xi coração.

angelis

03 outubro 2004

Violência contra as Mulheres - Uma questão de Direitos Humanos



(Por Ana Maria Braga da Cruz Presidente da Comissão para a Igualdade e para os Direitos da Mulher - CIDM, in Jornal "a Página" , ano 11, nº 113, Junho 2002, p. 16.)

Trabalhando há largos anos nas questões da violência – nomeadamente violência doméstica e prostituição e tráfico – jurista formada numa profunda tradição de direitos humanos, é-me muito grato partilhar hoje aqui as minhas reflexões, dúvidas e esperanças, assinalando a aprovação, em 30 de Abril de 2002, de uma Recomendação do Comité de Ministros do Conselho da Europa sobre a protecção das mulheres contra a violência.

A violência contra as mulheres não é um problema de mulheres: é um problema dos homens, é um problema de toda a sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) proíbe toda a forma de discriminação com base no sexo, garante o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, reconhece a igualdade perante a lei e igual protecção contra toda a discriminação que infrinja a Declaração.

A Carta das Nações Unidas inclui como um dos seus princípios básicos a cooperação internacional no desenvolvimento e estímulo do respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais de todas e todos, sem fazer distinção com base no sexo (art.1.3).
A Convenção Europeia dos Direitos Humanos ( art.14º) dispõe que o gozo dos direitos humanos será assegurado sem discriminação nomeadamente com base no sexo.

O princípio da igualdade de mulheres e homens constitui um sine qua non da democracia e um imperativo de justiça social (Declaração sobre a Igualdade entre mulheres e homens, Conselho da Europa de 88). A igualdade entre mulheres e homens como princípio básico de direitos humanos é um objectivo fundamental para uma sociedade democrática construída na noção de completo respeito pelo indivíduo.

A ausência de protecção contra a discriminação nas relações entre particulares pode ser de tal modo nítida e grave que implique claramente a responsabilidade do Estado.

Os direitos das mulheres
Os direitos das mulheres são inalienáveis e constituem parte integrante dos direitos humanos: Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos
(Viena 93).

A discriminação contra as mulheres não viola apenas os direitos fundamentais e o respeito pela dignidade das mulheres, mas impede as mulheres de contribuírem e de participarem na vida política, social, económica e cultural, a nível nacional e internacional, em condições idênticas às dos homens. Constitui obstáculo à melhoria e ao progresso da sociedade porque priva da integral e completa contribuição de mais de metade da população.

Importa pois reconhecer o direito fundamental à igualdade de homens e mulheres, o que pressupõe o reconhecimento de que a igualdade não é mais uma condição subsidiária para o gozo de qualquer direito fundamental.

A Recomendação aprovada em 30 de Abril de 2002 pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa aponta aos Estados acções a desenvolver em diversas áreas conexas com a problemática da violência: informação, sensibilização, educação e formação; meios de comunicação social; assistência e protecção das vitimas; direito penal, direito civil e procedimentos judiciários, etc.

No que respeita ao sector da educação, recomenda a introdução ou reforço da perspectiva de igualdade entre mulheres e homens nos programas educativos sobre os direitos humanos e o reforço dos programas de educação sexual concedendo particular relevo à igualdade entre os sexos e ao respeito mútuo.

Refere ainda a Recomendação a necessidade de uma educação de base para rapazes e raparigas que evite os preconceitos sociais e culturais, as imagens estereotipadas do papel de cada sexo e inclua formações que permitam o desenvolvimento da personalidade; alude-se ainda à formação de professores visando que estes integrem a igualdade entre os sexos na educação que ministram.

Apela-se aos Estados para que integrem nos programas escolares informação específica sobre os direitos das crianças, sobre linhas telefónicas de urgência, sobre as instituições de acolhimento e sobre pessoas a quem as crianças poderão dirigir-se numa base de total confiança.

A violência contra as mulheres é uma mancha negra que envergonha toda a humanidade. Fenómeno tão extenso que, segundo está apurado, as mulheres dos 15 aos 44 anos são mais susceptíveis de ser afectadas ou mortas como consequência de violência masculina que em consequência de cancro, malária, acidentes de viação ou guerra. As Nações Unidas referem que 200 milhões de mulheres desapareceram: mulheres que deveriam ter nascido ou crescido mas que foram mortas por infanticídio ou aborto selectivo. A África do Sul regista a maior incidência de violação no mundo. Uma mulher é violada em cada 20 segundos; e só uma em 35 apresenta queixa na polícia.

Os movimentos sociais, os movimentos de direitos cívicos, os movimentos de mulheres desenvolveram acções meritórias no sentido do reconhecimento da cidadania das mulheres: actualmente, praticamente em todo o mundo, as mulheres têm o direito de votar e ser eleitas. Mas ainda não se assegurou às mulheres o direito à vida, à sua integridade como pessoa, o direito à dignidade humana. As mulheres são batidas, compradas e vendidas, ameaçadas de vários modos.

Na Irlanda em 98 mais de metade das mulheres assassinadas foram-no pelos seus companheiros ou maridos. Na Finlândia 22% das mulheres sofreram de violência por parte dos seus companheiros. Em Portugal, por semana, cerca de 6 mulheres, em média, são vítimas de crime contra a vida, praticados por homens. E os exemplos poderiam continuar.

As causas da violência
Importa perguntar porquê. Por que razão a violência contra as mulheres foi ignorada durante séculos. Nos anos 60 um tribunal português classificava o comportamento criminoso de um marido como " moderado poder de correcção doméstica" Um outro tribunal português " culpabilizava" duas jovens vitimas de violação sublinhando que elas nunca deveriam ter seguido a pé numa estrada situada numa região considerada " coutada do macho latino".

Importa que a situação seja conhecida: os estudos são importantes. Estudos quantitativos e qualitativos, avaliação sistemática das acções que se vão desenvolvendo, das leis que são publicadas e do modo como são aplicadas.

Várias avaliações efectuadas nos podem porém levar a concluir que há que passar da teoria ( de que o aparelhos legislativo faz parte) à prática. Uma campanha "tolerância zero" deverá estender-se aos poderes executivo e judicial, afirma alguém. Importa também saber como concretizar um acervo jurídico vasto, e tantas vezes disperso.

Importa apurar se o modelo de justiça penal vigente dá a resposta adequada ao problema específico da violência contra as mulheres. Importa, para além dos simbolismo subjacente, apurar se a qualificação do crime de maus tratos como crime público - dependente ou não de queixa da vítima - serve melhor ou pior os interesses da vitima, do agressor, da sociedade em geral.

A natureza pública do crime permite um aumento estatístico das queixas; mas esse aumento pode não corresponder a um aumento de condenações, dadas as dificuldades probatórias envolvidas. E aqui se põem questões sobre o tipo de prova e a inversão do ónus da prova - questões sensíveis em termos de direito penal, conceitos solidificados por tradições jurídicas seculares que importa abordar criticamente mas com o cuidado necessário.

Alfabetização jurídica
O modelo de justiça penal retributiva deu lugar ao modelo de justiça penal preventiva. Fala-se hoje de justiça reparadora centrada não no crime nem no criminoso mas na restauração, compensação de perdas e danos, centrada na vitima. Procura-se neste modelo a satisfação integral dos interesses da vitima e a auto responsabilização do agressor.

O que parece claro é que não há soluções universais e radicais. Teremos que aprender com a experiência, as boas práticas e a reflexão de uns e outros. As leis, por mais perfeitas, não são a única solução. A dupla aproximação de prevenção e repressão não se tem demonstrado particularmente eficaz. Há questões de alteração de mentalidades - do público em geral, das vitimas e agressores, das autoridades públicas , judiciais e policiais - que devem ser trabalhadas. O silêncio sobre estas questões acabou - e isso é uma enorme vitória de direitos humanos. Há que trabalhar as respostas legais. Há que mudar mentalidades (mudar os homens, dizia Mme Theorin, deputada europeia).

Há que apoiar as vítimas. Um dos apoios essenciais consiste na chamada alfabetização jurídica que possibilitará que as mulheres conheçam a lei, e fiquem a perceber o que é que a lei significa no contexto das suas vidas. As mulheres poderão assim reflectir sobre as suas vidas e perceber as violações da lei que ocorreram nas suas vidas, ligar essas violações a causas estruturais, tais como classe, género e perceber como essas estruturas se apoiam na lei. Disso surgirá uma maior crítica acerca da posição subordinada das mulheres na sociedade, e do papel que a lei desempenha no reforço dessa subordinação e levará porventura, ao desenvolvimento de estratégias de mudança social. Os serviços sociais de apoio deverão crescer em quantidade e qualidade, respeitando a decisão das vítimas, informando-as de forma correcta e clara para que as suas decisões sejam assumidas em liberdade.

Há que calar o silêncio: a sensibilização a nível mundial passa pela disponibilização de dados, pelo desenvolvimento de indicadores, pela articulação internacional e por parcerias expeditas e eficazes com a sociedade civil. As ONG, nomeadamente de direitos humanos e movimentos de mulheres são fundamentais. O apoio às vitimas (deveremos antes falar de sobreviventes), nomeadamente no que se refere a informação, sensibilização, apoio na crise, inserção social são pontos fundamentais.

O telefone de emergência da responsabilidade da CIDM recebe uma média de 6000 apelos/ano. No ano 2000 as polícias em Portugal receberam cerca de 12000 queixas. Dispomos de 600 lugares em casas abrigo (de responsabilidade privada mas financiadas pelo Estado) e estamos a abrir mais 4 casas. Estamos a implementar uma rede nacional de estruturas públicas e privadas que trabalham as situações de violência.

Não esqueço 3 mulheres que atendi nos anos 70 e 80 e que, por falta de apoios sociais e policiais, foram a seguir mortas pelos seus companheiros. Não esqueço as crianças que me contaram que foram elas a chamar a polícia. Não esqueço uma mulher desfigurada por queimaduras de ácido sulfúrico. Não esqueço uma técnica superior violada diariamente pelo marido que lhe introduzia na vagina objectos, os mais diversos.

Como afirma uma poeta portuguesa ( Sophia de Mello Breyner) "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar".
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