28 fevereiro 2005

Temporais...


Minha alma revolta em marés profundas
Vagueia pelo mar da incerteza
Meu coração angustiado
Vagueia pelas ruas da amargura
Que temporal assolou meu coração?
Que temporal devassou minha alma?
O mar da incerteza vai cheio de nada
As ruas desertas de sentimentos
Assombram meu olhar
Espero marés revoltas
Vagas intempestivas
Minha alma é barco frágil
Meus pés estão cansados
De palmilhar ruas sem saída
Becos escuros
Encruzilhadas desertas
Temporais
Assolam
Temporais
Devassam
Em terra ou no mar
Na alma e no coração
Temporais
Se avizinham


angelis


21 fevereiro 2005

És...



És…
O meu porto de abrigo
O meu refúgio
A minha paz e acalmia
És…
A minha paixão
A minha loucura
O meu desatino
Incendeio-me na tua boca
Sacio-me no teu corpo
Encontro-me com todas as loucuras
És…
O meu amor
A minha vida
O meu passado, presente
E o meu futuro
Almas que se amam
Almas que se procuram
Almas que sorriem
E vivem na eternidade
Do amor que sentem

angelis

10 fevereiro 2005

Casamento…ou nem por isso?

O casamento depende igualmente das mulheres e dos homens, estando estas, hoje em dia, menos voltadas para o casamento do que em qualquer período da história. No passado, as mulheres foram economicamente dependentes do casamento e assumiram uma responsabilidade desproporcionalmente pesada para manterem o vínculo, mesmo que o relacionamento subjacente estivesse sério ou irremediavelmente deteriorado.

Contudo, no último terço do século XX, como as mulheres tiveram maiores oportunidades de conseguir um emprego pago e viram aumentada a disponibilidade de infantários, ficaram menos dependentes do casamento como forma de sustentação económica. Ainda que não seja fácil, é possível às mulheres criarem os filhos sozinhas. Isto fez com que o divórcio se tornasse muito mais atractivo como um remédio para um casamento insatisfatório e um número crescente de mulheres tenha extraído vantagem da opção.

A debilitante ligação da mulher ao casamento não deve ser encarada como uma falta de interesse pelo casamento ou pela parceria marido – mulher na criação dos filhos. Pelo contrário, é um sinal dos padrões emocionais mais exigentes das mulheres para com os maridos e da crescente persistência para que os homens participem em maior grau na criação dos filhos e da família. Dada a sua dupla responsabilidade como ganha pão e mães, muitas mulheres com emprego acham a necessidade de reforço do ego do homem e outras formas de manutenção emocional e física aborrecidas, para além do seu fracasso na partilha do trabalho doméstico e na custódia dos filhos, que consideram absolutamente enfurecedores.

" Se as mulheres solteiras podem fazer sexo, ter as suas próprias casas, o respeito dos seus amigos e um trabalho interessante, não têm necessidade de dizer a si próprias que qualquer casamento é melhor do que nenhum. Porque não ter um filho sozinha? As crianças são uma alegria. Muitos homens não o são."

O acordo tradicional entre homem e mulher foi quebrado, e ainda não foi celebrado um novo contrato. É impossível prever como será o novo acordo ou se existirá um. Contudo, é possível especular acerca dos pontos em agenda que podem levar as mulheres à mesa das negociações. Primeiro, uma cláusula crucial: deverá ser reconhecida a mudança do estatuto social e económico da mulher. Qualquer esforço para repensar o casamento deve aceitar o facto de que as mulheres continuarão a trabalhar fora de casa.

Portanto, deverá ser acertado um novo acordo sobre a divisão do trabalho pago e do trabalho familiar. Isto não significa necessariamente uma divisão 50/50 do trabalho em cada simples dia, mas significa que os homens deverão fazer um esforço determinado e consciente para executarem mais que um terço das tarefas domésticas. A forma como cada casal vai chegar a um acordo justo irá, certamente, variar, mas o objectivo é estabelecer um entendimento e um compromisso mútuos que conduzam a uma divisão equitativa das tarefas




Dar o sim a uma união dispensa papéis. Talvez por isso sejam tantos os que fazem questão de assumi-la. A opção de contrair matrimónio revalorizou-se. Simboliza a intenção de viver o amor de forma plena.

Os casais que permanecem juntos por vontade própria - e não por comodismo ou restrições legais que deixaram de existir nas últimas décadas - e que se assumem realizados e "vivos" no casamento, conseguiram lidar com divergências e conflitos a ponto de não lhes atribuir uma importância de vida ou de morte, que ponha em causa a sua união. Os casais que rejubilam com as bodas de prata e continuam a sentir-se gratos por permanecerem de mãos dadas descobriram, à sua maneira, a mais-valia preciosa do relacionamento que é viver noutra velocidade, a ritmos mais cálidos que escaldantes. Só a pessoa que conhece e aceita o ar com que acordamos de manhã, que compreende as nossas manias e ataques de nervos (nem sempre, mas esforça-se...) é capaz de passar a barreira das ondas e deslizar, seguro, até ao fundo do mar e das águas correntes, sendo essas que confortam, para lá do que se passa à superfície.

Como surge a motivação para casar? Portugal distingue-se da média europeia, entre outras razões, pelo facto de as pessoas se casarem mais cedo. As heranças culturais terão uma influência decisiva neste campo, mas a ideia de formalizar uma união pressupõe de algum modo a convicção de que ela tem o potencial para dar certo. Este sentimento de fé não tem de alicerçar-se em provas de amor, mas sim na disposição pessoal para se identificar com outro e expormo-nos regularmente perante ele.

É hoje socialmente admissível – e normal – ser feliz, não através de um único, mas de diversos relacionamentos, vividos sucessivamente, com a emergência de um "novo amor". Na era das famílias "dos teus, dos meus e dos nossos [filhos]", há contudo quem acredite ainda no amor de morada única – o coração da pessoa que se elege para companheiro de estrada.

É a favor do casamento? Acha que ele, enquanto instituição, está condenado? Uniões de facto, divórcios, responsabilidades e culpas repartidas, fazem parte do seu dia a dia? Tudo isto leva-me a questionar, a rever comportamentos, formas de ser e estar. Meus pais estão casados há 45 anos, união duradoura, mas nada fácil, com imensos escolhos pelo caminho, mas permanecem juntos até hoje. O que os levou a permanecer? O que nos leva a não permanecer? Que futuro? Que passado? E acima de tudo, que presente, para todos nós, que buscamos a felicidade, a harmonia e o bem-estar?

angelis

04 fevereiro 2005

Carnaval

O que é o Carnaval?

O Carnaval é uma festa anual, celebrada de forma diferente em vários países do mundo. Ao tentar compreender o seu significado podemos aprender muito sobre nós próprios e sobre os outros. O Carnaval, ao contrário do que possamos pensar, é muito mais do que uma altura do ano em que reinam as palhaçadas e brincadeiras. O Carnaval constitui uma forma de expressão em constante evolução, que nos liga ao nosso passado e mostra muito sobre a forma como cada cultura interage com o ambiente que a rodeia. O poder e a criatividade que assumem os Carnavais do Brasil e das Caraíbas exemplificam o modo como esta forma de arte pode ser determinante na vida dos povos, pela celebração daquilo que nos torna diferentes dos outros.

A palavra Carnaval

Existem duas teorias fundamentais quanto à origem e significado da palavra Carnaval A primeira atribui à palavra Carnaval uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão, brincadeiras e malícia a que a associamos hoje em dia. "Carnaval" teria tido origem no latim carnevale (carne+vale = carne+adeus), e seria a designação da "Terça-Feira Gorda" o último dia do calendário cristão em que é permitido comer carne, uma vez que, no dia seguinte, inicia-se a Quaresma. Já a segunda teoria é peremptória em afirmar que a palavra Carnaval vem de Carrus Navalis, por influência das festas em honra de Dionísio, onde um carro, com um enorme tonel, distribuía vinho ao povo na Roma antiga. Muitas das celebrações carnavalescas são bastante mais antigas do que a própria religião cristã, tendo sido alvo de diferentes manifestações ao longo da história. No fundo, todos os carnavais são reminiscências das festas dionisíacas da Grécia Antiga, dos bacanais de Roma e dos bailes de máscaras do Renascimento.


Cronologia do Carnaval

4000 a.C. Festas agrárias realizadas no antigo Egipto em devoção a Osíris

605 a 527. Oficialização do culto a Dioniso na Grécia, com bacanais e vinho século V a.C. Referências de cultos semelhantes ao de Dioniso entre os Hebreus, a Festa das Sáceas; entre os Babilónios, a festa da Deusa Herta

186 a.C. O Senado Romano reprime os bacanais, festas em homenagem a Baco, o Dionísio dos Romanos, pois geram desordens e escândalo

325 d.C. O Concílio de Niceia institui forma de cálculo da data da Páscoa, determinando que a Quaresma se inicia 40 dias antes

590 O Papa Gregório I, cria a expressão dominica ad carne levandas, sucessivamente abreviada até a palavra Carnaval Idade Média Os franceses comemoravam o Carnaval com sexo e vinho. Em Itália fazem-se cortejos e as pessoas divertem-se com batalhas de água, ovos, etc. A Europa divide-se em países que encaram o Carnaval como celebração religiosa e países em que o Carnaval é a festa da gula, do vinho, da música e do sexo

1464 O Papa Paulo II incentiva o Carnaval de Veneza na sua vertente religiosa, mas o Carnaval continua a ser visto como um período de permissividade associado ao uso das máscaras transformadoras, alegorias e fantasias

1723 Portugueses introduzem celebrações do Entrudo no Brasil


Carnaval em Portugal: celebração da vida e da morte

As tradições carnavalescas específicas de Portugal são um misto de paganismo e de religiosidade; assim, a par da preparação para a Quaresma, o Carnaval em Portugal bebeu de muitos ritos pagãos ligados a celebrações da natureza, sobretudo de recomeço da vida purificada na Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. Por isso, enraizado no folclore português está o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum (o mais constante é o Enterro do Bacalhau), para depois se celebrar a vida, com danças, cortejos, muita cor, luz e música. Assim se vislumbram os motivos da morte que se projectam da festa da vida que é o Carnaval. Em muito locais, associado ao Enterro do Bacalhau, surge um Julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma. A origem destas celebrações perdeu-se no tempo.

E agora brincando um pouco…porque é Carnaval e ninguém leva a mal…. Esta é a minha fantasia carnavalesca



Qual a vossa?
Vão mascarar-se?
Vão brincar ao Carnaval?
Ou detestam esta festa?

Brincando ou não ao Carnaval...é fim de semana e prolongado. Aproveitem para sair...passear... E não se esqueçam de sorrir, amar e serem felizes.


angelis
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