28 outubro 2007

Recordações




Porque será que, quando vamos mexer no baú das recordações, só trazemos as tristes, as menos boas, aquelas que nos magoaram mais?
Será que o ser humano não consegue reter as lembranças boas, as lembranças que o fizeram feliz, nem que fosse por um segundo apenas?
Hoje, ao arrumar o baú das minhas recordações, lembrei-me de ti!!!
Um doce calor, invadiu meu coração, ao recordar a primeira vez que falamos, o primeiro beijo, os momentos doces que partilhamos.
Lembrado?
Ou já passou assim tanto tempo, que já te esqueceste?
A verdade é que já lá vão muitos anos. Quantos…? Muitos…pois éramos jovens, muito jovens e a vida sorria-nos. Éramos livres, alegres e tínhamos o futuro pela frente.
Um dia, disse-te adeus. Recordado porquê?
Claro que sim. Nunca esquecemos, quando alguém se despede de nós. Quando alguém decide sair da nossa vida. E eu, naquele dia longínquo (não me recordo se era Verão ou Inverno, apenas que passou muito tempo), parti. Deixei-te para trás, segui o meu caminho, sem ti.
Sofri, chorei, esfarrapei a alma, mas segui sem ti.
Que é feito de ti? Onde estás? Que caminhos trilhaste desde então?
Hoje, lembrei-me de ti. Senti a tua presença, o cheiro do vinho do Porto que adorávamos beber, a melodia da tua voz nas minhas lembranças mais doces, de um passado que é isso mesmo…passado!!!
É engraçado como me lembro das coisas boas que partilhamos, e, ao mexer no meu baú, decidi deitar ao lixo o que nos magoou, o que nos fez seguir caminhos diferentes.
Será que tudo seria diferente se eu não tivesse partido?
Não sei, e não interessa, pois não se pode mudar o passado e não me arrependo de nada.
Apenas escrevo pensamentos soltos, lembranças vividas, amores passados.
Trilho meu caminho sem constrangimentos, estou onde quero e como quero.
E tu? Será que te lembras de mim, que me guardaste no teu baú das lembranças?
Afinal o passado é o passado e o presente é o que se vive e constrói a cada dia.
Recordações, quem as não tem?



angelis

14 outubro 2007

Riscos



Risquei o meu coração
Tracei os riscos do meu caminho
Abanei a alma
Sacudi as lágrimas
E segui…
Segui os riscos do meu coração
Segui os traços do caminho
Que me levam a ti
Até aos riscos do teu coração
Até aos traços da tua alma

Juntei os riscos
Alinhei os traços
Juntei os caminhos
E cheguei a ti
Os teus riscos
Entrelaçaram-se nos meus
Os teus traços abraçaram-se aos meus
Os teus caminhos
Emaranharam-se nos meus
E… Riscamos caminhos novos

Os teus riscos e os meus
Os teus traços e os meus
Os teus caminhos e os meus
São…
Infinitos
Coloridos
Inseparáveis
Perpétuos
Porque eles são
O AMOR


angelis

23 setembro 2007

Porque...




Porque questionamos?
Interrogamos?
Duvidamos?

Porque…
Somos irracionais
Ilógicos

Perdidos na selva
Dos sentimentos
Contraditórios

Imersos
Nos desejos contidos
Nas palavras
Silenciadas
Nos abraços
Suspensos

Porque somos
Amantes
Amigos
Companheiros

Porque
Amamos
Desejamos
Sentimos
Queremos

angelis

15 setembro 2007

A little smile - "Superstars" David Fonseca

Às vezes esquecemo-nos das pequenas coisas que dão côr à vida.
Este vídeo faz-nos lembrar a importância de um sorriso, de um abraço, faz-nos olhar para a Natureza que nos rodeia, etc.
Da música...que dizer? È um artista português de qualidade.
Deliciem-se e ousem SER FELIZES!!!

10 setembro 2007

Metade

(foto de Ricardo Araújo)


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...


Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...



Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso

Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;

Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;

Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;

Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)

31 agosto 2007

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...