10 setembro 2006

Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

Pedro Homem de Mello

Nascimento:1904/09/06 Porto
Morte:1984 Porto
País:Portugal

Poeta português, natural do Porto. Formou-se, em 1926, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, após o que exerceu o cargo de delegado do Procurador da República em Águeda (1927), conciliando-o com a prática de advocacia. Foi professor do ensino secundário e director da Escola Comercial Mouzinho da Silveira.
Entre muitas actividades, destaca-se a sua dedicada pesquisa sobre o folclore português, que contemplou com vários programas de televisão, ensaios e exposições de recolha etnográfica da diversidade de registos musicais e culturais de norte a sul do país. Como obras mais significativas publicadas nesta área contam-se A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal.
Como poeta, fez parte do movimento da revista Presença. Estreou-se na escrita com Caravela ao Mar (1934), conquistando, em 1939, o Prémio Antero de Quental com Segredo. Receberia ainda o Prémio Ocidente com Uma Rosa na Manhã Agreste (1964), o prémio Casimiro Dantas com Eu Hei-de Voltar um Dia (1966) e o Prémio Nacional de Poesia com Eu Desci dos Infernos (1972). Entre as suas obras contam-se ainda Pecado (1942), Jardins Suspensos (1937), Príncipe Perfeito (1944), Bodas Vermelhas (1947), Miserere (1948), Os Amigos Infelizes (1952), Grande, Grande Era a Cidade (1955), Povo Que Lavas no Rio, Ecce Homo (1974) e Poemas Escolhidos (1983). As suas tendências literárias surgem associadas ao seu interesse pelo folclore e a uma vivência das tradições de expressão popular, desenvolvendo o poeta muitas das suas obras num cenário nortenho


3 comentários:

  1. Olá.
    Ainda me lembro de o ver aparecer na televisão. Creio que hoje é pouco recordado. Coisas da vida.
    Fica bem.
    Manuel

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  2. Pedro Homem de Melo foi professor do meu pai e segundo ele uma pessoa excelente.
    Gosto imenso deste poema dele.
    Beijinhos.

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  3. Oi amiga, vim matar as saudades de te ler.
    Estou sem Net em casa por enquanto e nem sempre é fácil aqui vir.
    Não estranhes também não receberes mails meus, mas lgo logo eles voltam à carga ;o)

    Beijokas com saudades*

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