25 agosto 2005

Pedaços de mim…



Rasgados pedaços de mim se espalham pelas cinzas,
Qual puzzle desmanchado, pelo sabor da dor.
Procuro os pedaços que me tiraram da alma,
Rasgados de mim e espalhados ao vento.
Chamo pelo vento…que me traga notícias de mim
E o vento soprando, passa apressado, varrendo minha alma.
Chamo pela chuva…que venha lavar-me a alma.
Mas a chuva surda á minha dor…apenas salpica meu rosto.
Onde estão os pedaços que me faltam?
Rasgados…torturados…perdidos!!!
Chamo pelo rio que corre…saltitando de pedra em pedra.
Peço-lhe notícias dos meus pedaços perdidos.
Ele responde: - Galguei montes e vales, passei por cidades e aldeias, por pontes construídas, por campos floridos e não encontrei nada.
Chamo pelo mar sereno e azul.
Pergunto-lhe se no seu fundo encontrou algum tesouro…
Sim, tesouro, porque esses pedaços são tesouros preciosos.
E o mar me responde: - Minha doce sereia, vasculhei o mais fundo do meu leito, vi pérolas, peixes sem fim, mas esse tesouro não o vi.
Já não sei quem chamar…
Já não sei onde procurar…
Já não sei por onde caminhar…
Faltam-me os meus pedaços de alma…
Rasgados de mim e espalhados ao acaso!!!

angelis

22 agosto 2005

Deste modo ou daquele modo...

Há dias em que acordamos e sentimos que precisamos de escrever o que estamos a sentir.
Mas as palavras teimam em permanecer na alma, aconchegadas pelos pensamentos que lhes dão cor e forma.
Há dias em que queremos expor-nos…
Mas a teimosia das palavras faz-nos ficar “presos” a elas mesmas.

Procurei algo que exprimisse o meu sentir…e encontrei este poema de Fernando Pessoa, que aqui vos deixo, pois tal como ele, também eu me sinto muitas vezes assim…
Afinal “ser poeta é ser mais alto, é ser maior…é ser mendigo…” (Florbela Espanca)




Deste modo ou daquele modo...


Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.

E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele – próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Fernando Pessoa

16 agosto 2005

Açores a Natureza Viva


Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, pois quem vai pela 1ª vez aos Açores, não mais quer sair de lá…ou anseia, rapidamente, lá voltar.
Foi o que eu senti quando pisei o solo da ilha de S. Miguel, quando me senti em terra firme e olhei á minha volta.
Não tenho palavras para descrever a beleza da ilha, a simpatia das gentes, diversos miradouros sobre o oceano, de onde se pode observar os recortes da costa, as angras e baias existentes, vistas deslumbrantes de paisagens inesquecíveis, de lagoas ou crateras de vulcões já extintos, fumarolas e nascentes de água, campos cultivados num ambiente de verdadeira tranquilidade e ausente de poluição.
A gastronomia e sem esquecer o famoso cozido das Furnas…um verdadeiro manjar dos deuses, cozido nas entranhas da terra, no fumegar do vulcão vivo.
A S. Miguel foi dado o nome de Ilha Verde e é a maior ilha do arquipélago, e por curiosidade, tem uma superfície de 759,41 km2, o comprimento é de 65 km e a largura de 14 km.
Locais de visita obrigatória e aos quais não falhei a visita e me deliciei: Sete Cidades com as suas 2 lagoas. O Miradouro do Escalvado, as Caldeiras da Ribeira Grande, a Praia dos Moinhos. Gorreana e Porto Formoso e a cultura do chá e visita ás respectivas fábricas, a Lagoa do Fogo, Ilhéu de Vila Franca, o Vale das Furnas e o seu famoso “cozido nas caldeiras”, o Parque “Terra Nostra”, o Salto do Cavalo, Ribeira Quente e o Nordeste.
Ficaria aqui, indefinidamente, a falar-vos destas maravilhas, mas termino meu artigo, com algumas fotos que tirei durante a minha estadia e deixo-vos um conselho…vão aos Açores, vale a pena e regressam de lá de alma renovada e com vontade de voltar no dia seguinte.
Eu voltarei lá um dia destes, mas desta vez, visitando outra ilha, pois sei que os Açores me conquistaram, lá deixei um pedaço da minha alma e do meu coração.

29 julho 2005

De partida...


Já de malas feitas e pronta para ir de férias...
Usem, abusem, mas não estraguem!!!
Em breve estarei de volta...
Lá em cima...direi "adeus" a todos os amigos e visitantes...
E se sentirem uma leve brisa tocando o vosso rosto...sou eu a saudar-vos!!!
Até ao meu regresso...
E não se esqueçam...Ousem ser FELIZES!!!

22 julho 2005

Metades...


Todos procuramos a metade de nós...
Todos procuramos o complemento de corpo e alma...
A metade do coração...
A metade da alma...
O outro lado do riso...da lágrima...
O que falta ao sonho...
Não desistamos dessa procura...dessa busca!!!
Não desistamos do sonho, do riso!!!
Não desistamos do Amor...
Não desistamos de nós!!!
E ousemos sempre SER FELIZES!!!
Hoje...aqui e agora é o momento...

14 julho 2005

Tua ausência...

Esta tua ausência de mim deixa-me perplexa
Esta distância de nós deixa-me solitária
Estendo as mãos à tua procura…e não te encontro
Procuro-te fora de mim e encontro o vazio deixado por ti
Tua ausência me perde
Tua ausência me alucina
Onde te procurar?
Onde te encontrar?
Percorro os caminhos da alma…silencio!!!
Palmilho as encruzilhadas do coração…vazio!!!
Da próxima vez…não vás!!!
Para a próxima vez…deixa um sinal de ti
Não me quero perder de mim…
Não sei viver sem te ter por perto…
No vazio da noite procuro teu corpo…
No silêncio da alma busco teu coração…
Esta tua ausência rodeia-me…perde-me…desencontra-me…
E uma lágrima de saudade…doce…quente…
Rola de encontro à tua boca…aos teus lábios…
E deixa-me um sabor salgado na alma…
Esta tua ausência…faz-me amar-te mais…
Desejar-te mais…querer-te ainda mais…
E faz-me encontrar-te...
De onde nunca saíste…
Onde sempre viveste e viverás…
Mesmo ausente de mim…


angelis

17 junho 2005

Porque é fim de semana...


Uma cadeira para mim...
Uma cadeira para ti...
Um refresco...ou um gelado...
Um livro...ou um jornal...
Só...ou acompanhado...
É fim de semana...tempo de descanso...tempo de lazer.
Aproveitem...relaxem...pois aqui a menina amanhã vai trabalhar.
O que não se faz pela criançada?!!!!
Curiosos?
Ainda bem!!!
Na segunda feira, conto-vos onde vou...e porque trabalho amanhã.
Até lá...divirtam-se...passeiem...comam um gelado, vão ao cinema, jantar fora...qualquer coisa que vos faça sair da rotina da semana.
E não se esqueçam de namorar...namorar muito com o vosso marido, a vossa esposa...o vosso/a companheiro/a.
Arranjem tempo para telefonar aquele amigo que não vêm há muito tempo, ao vosso pai, ao vosso irmão.
E claro...ousem ser felizes!!!!


angelis

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...