17 abril 2006

"Ser..."

Queria ter
Queria ser até ao fim
Ser e sonhar-te…
Amar-te no sonho
Realizar-te na vida
Queria…
Desejar-te numa noite de verão
Banhar-me no luar
E ser…
O caminho palpável
A quimera irrealizável
Ser tudo e nada
Sermos…
Aquilo que talvez não sejamos?



Angelis

12 abril 2006

Amar



Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... para me encontrar...

Florbela Espanca, Charneca em Flor (1930)

07 abril 2006

História da Maria Maia



Maria Maia é uma das mulheres galegas, com uma história muito especial.
Ainda jovem, teria os seus 14/16 anos, a “servir” (como se diz lá na aldeia) em casa de patrão velho, era arrastada para a barra das batatas, para satisfazer os caprichos do velho, não se importando ele com a mulher no andar debaixo da casa.
Outras vezes, Maria era arrastada para o meio do milho e assim vivia seus dias, entre o trabalho doméstico e os caprichos do velho.
Esta vida arrastou-se durante anos a fio, até que um dia o velho passou a acompanha-la para todo o lado, provocando o falatório do mulherio da aldeia.
Ciúmes ou simples maldizer?
O que é certo é que a mulher do patrão, doente e desgostosa com o que se passava debaixo do seu tecto, e sem forças para pôr cobro á situação, faleceu.
Maria, não sabia se havia de chorar, rir ou fugir…e acabou por seguir o seu coração.
O homem podia ser velho, mas era o que ela conhecia, desde a sua adolescência, desde que para aquela casa foi trabalhar.
Passados 6 meses, de ter ficado viúvo, o velho decidiu casar com Maria Maia, e para evitar mexericos, resolveu casar à noite, tendo como padrinhos o sacristão e a irmã do padre.
De nada adiantou…o mulherio maldizente da aldeia soube e há que ir à porta da igreja ver se era verdade o que se dizia e atirar arroz aos noivos.
Irritado o velho gritou: - Isto é para gozar?
Riram as velhas comadres e responderam: - Não, isto é para aguçar!!!
E as vozes maldizentes calaram-se e Maria Maia fez sua vida ao lado do velho, outrora seu patrão.
Mas…toda a história tem um fim e esta não é diferente das outras.
Um dia, chegou a vez do velho partir e Maria ficou viúva. Com 42 anos e as marcas de uma vida de sofrimento no rosto, afaga suas mágoas e desgostos no álcool, mas…todas as sextas feiras, faça chuva ou sol, seja Inverno ou Verão, Maria Maia vai ao cemitério colocar flores na campa de seu velho marido.

angelis

(foto de Paulo Marques)

06 abril 2006

Procura

Caminho
Ao longo da estrada
Não sei para onde vou
Não sei qual o meu destino
Vagueio
Pelo espaço
Procuro
Algo obscuro
Porque obscura
É a vida
Porque irracional
É a guerra
Porque intransponível
É a morte
E o Homem?

Angelis

04 abril 2006

Nova casa



A Primavera chegou e com ela a vontade de mudar. mudar a decoração da casa, e porque não, mudar de casa?
Após as respectivas alterações, decorações e outras coisas tais...neste belo dia (apesar de o sol teimar em fazer cara feia) estou a abrir as portas da nova casa. Espero que gostem e se sintam confortavéis por aqui.
Continuarei a ser igual a mim mesma...e...o Pé de Vento continua a ser uma leve brisa que sopra do coração...
"Seja bem vindo quem vier por bem..."já dizia Zeca Afonso.

Até já

23 março 2006

Dois anos

Um dia, há 2 anos atrás, o Aflores, virou-se para mim e disse-me: “porque não crias um blog e divulgas a tua escrita? “

Palavras ditas, desafio lançado…e lá me lanço eu no escuro, e…crio um blog!!!

Já lá vão 2 anos, quem diria? Não percebia nada do assunto, mas sempre que tinha dúvidas lá chateava o meu amigo Aflores. Que paciência teve e tem para me aturar, nestas lidas bloguistas.

Mas a verdade é que…não me arrependi de ter aceite o desafio e passado este tempo todo, ainda por aqui ando, com o mesmo prazer do 1º dia.

Agradeço ao Aflores, Azoriana Agostinho, e tantos outros (perdoem-me por não os mencionar a todos, mas os Amigos sabem quem são), a sua fidelidade e paciência para me lerem e apoiarem.

Provoquei ventanias? Ou apenas leves brisas?

Isso para o caso, não interessa nada…o que interessa é que me manterei por aqui, enquanto me apetecer e der prazer, partilhar convosco a minha escrita.

angelis

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...