Algures numa estação perdida da vida apanhei um comboio que me levou para parte incerta.
Nessa viagem parti sem nada levar na bagagem , além de sonhos desfeitos.
Queria chegar ao meu destino...
Mas qual é o meu destino?
Qual o destino de todas as almas ?
A viagem faz-se sem grandes sobressaltos...
Pela paisagem deslumbrante, recortada por montes imponentes vai passando minha vida.
Cada monte representa conquista realizada a pulso á custa de esforços sobre humanos.
Cada nuvem leva sonhos desfeitos, quimeras irrealizáveis na dureza da vida.
Cada árvore , cada flor, dá-me a certeza de trabalho realizado.
A viagem segue o seu curso, imparável , sem marcha atrás e sem hipótese de saltar fora antes de chegar ao seu destino.
Mas para onde vai este comboio repleto de almas angustiadas?
Na viagem da vida, tudo se constrói por esforço e mérito próprio.
Cada conquista pessoal é alegria para a alma que trabalha no seu aperfeiçoamento moral.
Conforme a viagem vai decorrendo, todos aqueles que viajam neste comboio, vão-se apercebendo que não viajam sós.
Começam a ver os outros passageiros, começam a falar...a sorrir uns para os outros, pois tomam consciência de que a viagem é longa e poderão aproveitar para se conhecerem.
Uns falam dos seus sonhos.
Outros dos projectos para o futuro.
Outros partilham os seus lanches.
Outros ainda ajudam-se mutuamente no consolo de tristezas e desilusões.
Aos poucos o comboio, até então tristonho e cinzento, vai-se transformando, vai-se pintando com as cores da alegria, da fraternidade, da entreajuda.
Que milagre ocorreu lá dentro?
Simplesmente os seus ocupantes se aperceberam que fazer a viagem da vida fechados no seu egoísmo, na sua dor, os faz demorar mais tempo a crescer.
Partilhar alegrias, dividir tristezas, multiplicar a amizade e a fraternidade dá cor e sabor á vida.
Olhando para fora, para a paisagem que percorrem, vêem a natureza em festa, sorrindo para eles, dando-lhes forças e coragem, dizendo-lhes que vale a pena o esforço de nos aproximarmos dos outros, de escutarmos seus corações , de darmos sem reservas...
Vale a pena amar...
Vale a pena partilhar...
Vale a pena viver...
E a viagem prossegue , imparável no seu destino...
Para onde?
Para a felicidade...
Para o crescimento ....
Para a perfeição...
Para o amor...
Espreitem o Pé de Vento [23/Março/04] sem medo ou sustos, pois é apenas uma leve brisa que sopra do coração.
27 março 2004
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