08 abril 2005

Revolta

Fui ao baú das recordações, abri-o e encontrei este poema!!!
Já nem me lembrava deste velho caderno, onde costumava rabiscar as minhas ideias, os meus poemas, os meus "encontros" comigo mesma...
Incrivel o que descobrimos quando vamos vasculhar velhas caixas guardadas. Impressionante...este poema tem mais de 20 anos...e para mim que o escrevi, continua a ser extremamente actual e se fosse hoje...escreveria a mesma coisa, pois a mulher "marginal" continua a ser tratada da mesma forma, com desdém e um olhar de desprezo, sem nos questionarmos o porquê da sua opção de vida, sem percebermos o porquê de trilharem esse caminho, à margem de tudo, até delas mesmas!!!
Aqui fica assunto para um próximo artigo...




(foto de Paulo Alegria)


"REVOLTA"


Um cigarro na boca,
Um olhar fatal.
A perna cruzada,
Todo o verniz necessário,
Para esconder
A negridão duma alma
Suja pela mesquinhes social.
É esta a tua maneira de estar
Na sociedade.
Não a escolheste!
Não a criaste!
Foi-te imposta.
E…
Quiseste sonhar
Quimeras douradas!
Quiseste viver
Sonhos irreais!
Quiseste caminhar
A estrada flutuante,
Que conduz á realização
Do ser pensante!
Criaste a confusão desnecessária,
Para poderes respirar
Acabaste por cruzar os braços
Com um desdém agressivo
Ante a impotência sublime
De não poderes amar!!!


angelis

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