03 julho 2004

A cor da lágrima



Por que a lágrima não tem cor?
Enquanto chorava, me pus a pensar.
Se fosse vermelha como sangue,
As minhas vestes poderiam manchar.
Se a lágrima fosse amarela,
A cor da alegria,
Expressar tristeza
Jamais poderia
Se fosse azul,
A cor da serenidade,
Eu não choraria jamais.
Seria só tranquilidade.

Se fosse branca
Como pétalas de rosas,
Não seriam lágrimas...
Mas pérolas preciosas.
Ainda mais uma vez
Fiquei me questionando...
Por que a lágrima não tem cor?
Se ela fosse preta,
Só expressaria o horror?

Por que será que a lágrima não tem cor?
A lágrima não tem cor...
Porque nem sempre exprime dor.
E se ela fosse roxa, como poderia
Expressar a alegria?
As lágrimas não têm cor
Porque são expressões da alma.
Quando o espírito está chorando,
O coração diz: tenha calma!

Se a lágrima tivesse cor
Deveria ter a cor do amor.
Ou mesmo a cor da paixão,
Que as vezes invade o coração.
Ou talvez a cor da tristeza
Que abala a alma e tira a calma
Mas faz em meu ser uma limpeza.

A lágrima não tem cor.
Porque ela nos aproxima do nosso Criador.
Se a lágrima tivesse cor
Eu só iria chorar de alegria.
Mas, e a lágrima da saudade?
De que cor ela seria?
E a lágrima da decepção,
De que cor seria então?
Se a lágrima tivesse cor
Deveria ter a cor de um brilhante.
Como a lágrima é preciosa,
Deus deu-lhe a cor do diamante.

(Wayne W. Dyer)

01 julho 2004

Se eu pudesse...




"Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria o acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho, além do trabalho, a acção.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo, a resposta e a força para encontrar a saída."

Mahatma Gandhi

Mensagem da criança



Dizes que sou o futuro, Não me desampares no presente.

Dizes que sou a esperança da paz, Não me induzas à guerra.

Dizes que sou a promessa do bem, Não me confies ao mal.

Dizes que sou a luz dos teus olhos, Não me abandones ás trevas.

Não espero somente o teu pão, Dá-me luz e entendimento.

Não desejo tão só a festa do teu carinho, suplico-te amor com que me eduques.

Não te rogo apenas brinquedos, Peço-te bons exemplos e boas palavras.

Não sou simples ornamento de teu carinho, Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.

Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.

Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo.

Corrija-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra...

Ajude-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.


(Meimei/Chico Xavier)

27 junho 2004

Quando...

Quando em teu coração desabrocha, cheia de vida, a flor perfumada do amor,
lembra-te que alguém a plantou certo dia, dentro de ti.

Quando o teu coração se ilumina do suave colorido do pôr-do-sol,
lembra-te que alguém amanheceu contigo.

Quando o fogo da paixão abrasa o teu coração,
consumindo todas as tuas fibras, na imolação do prazer, lembra-te que alguém acendeu esta chama.

Quando teu coração estiver bordado de sonhos dourados, tecidos com fios de luar,
lembra-te que alguém coloriu teu mundo interior.

Quando a noite te encontrar com o coração partido e angustiado pelas amarguras colhidas durante o dia,
lembra-te que alguém possui o lenitivo de que precisas.

Quando teu rosto não puder conter a torrente de lágrimas
que se afundam pelas dobras do travesseiro,
lembra-te que existe alguém te esperando de lenço na mão.

Quando a insónia te revolve desesperadamente na cama,
lembra-te que alguém pode semear sonhos de paz em tua mente.

Quando a solidão te oprimir e o teu grito não encontrar eco,
lembra-te que lá do outro lado alguém ama a tua companhia
e entende o teu clamor.

Quando os teus segredos não cabem mais dentro de ti,
ameaçando romper os diques de tua alma,
lembra-te que existe alguém disposto a recolhê-los e guardá-los
com o carinho e a dignidade que tu esperas.

Quando em teu coração mora o azul do céu, a calidez do sol,
o gorjeio dos pássaros, o perfume das flores,
a nostalgia do entardecer, o encanto das manhãs,
a serenidade dos lagos e o sorriso da ventura,
lembra-te que alguém tocou o teu coração
com a varinha milagrosa do amor.

Tu, que amas e vives no controvertido mundo do arco-íris e da escuridão, da calma e da agitação, da paz e da instabilidade,
saibas que existe mais alguém habitando o teu planeta!

Nas horas felizes, partilha com ele teus sorrisos;
nas horas de solidão, vai, levanta-te e o procura,
onde quer que ele esteja.
Ele não é senão parte de ti, assim como tu és parte dele.

Não olhes o relógio! Que importa as horas?
A vida é tão curta, não há tempo a perder.
Tu que amas, se tiveres a coragem e a singeleza de assim o fazer,
abra teus lábios e canta o milagre do amor,
porque só o amor aproxima as pessoas
e faz com que falem a mesma linguagem!

(Autor: Lauro Trevisan)

Navegar...



Navegando pelo mar dos meus sentimentos, desaguei numa praia deserta e árida, como árido estava o meu coração.
Caminhei buscando algo que preenchesse a minha alma vazia e cheia de tudo e nada...
No imenso areal encontrei amores desfeitos e vividos na pressa de um dia sem sentido...
Encontrei sonhos e ilusões desfeitos por caminhos percorridos na pressa de viver e não deixar nada para trás...
Sentei-me cansada e desiludida...
Chorei...
Gritei...
Mas só me rodeava o silêncio inquietante... o sussurrar do vento trazia-me o eco dos meus pensamentos mais íntimos...
Naquele imenso areal branco perdi-me de mim...
Perdi-me da vida...
Achei-me na solidão de um leito desfeito e vazio...
Achei-me na inquietante solidão de que me fiz algoz e vítima...
Olhei o imenso oceano da vida...questionei-me...rasguei-me...
Tomei o barco da vida, decidida a rumar a porto seguro...
Tenho navegado desde então entre tormentas e tempestades, acalmias aparentes e busco o porto de abrigo para o meu coração sofrido e triste...
Nada na vida se faz ao acaso...
Nada na vida se constrói do nada e sim das decisões passadas... dos erros cometidos em encarnações das quais não temos consciência plena...
Sofro por mim própria...pelo que fiz...pelo que deixei de fazer...
Navego, ás vezes sem rumo nem destino...
Navego pelo oceano da vida com consciência sofrida do que sou hoje, é reflexo do que fui no passado, presente ou distante...sou o que sou...talvez nem quisesse ser de outra forma...
Vivo...respiro...quero ser...quero amar...para além de mim na transcendência do meu destino...encontrar a minha alma gémea que vagueia algures pelo espaço infinito á minha procura...
Esta sou eu, quando deixa fluir o que sente...o que a magoa...o que a motiva ou faz chorar...esta é a alma do poeta que vive entre o sonho e a realidade...a sombra e a luz...o presente e o passado...
Confuso? Não...realista? talvez...
Encontro-me onde preciso estar para evoluir...
Estou onde preciso estar para aprender...
Sou o tudo ou nada...
O preto ou branco...
Quente ou frio...
Não tenho meio-termo...
Não sei viver sem ser nos extremos de mim mesma...
Estico-me até ao limite do que sou...
Desfaço-me a cada queda no abismo...
Mas levanto-me e sigo buscando novo caminho...
Sou um poema inacabado...
Uma estrofe perdida...
Sou um poema sem nome...
Serei sempre o que não fui...
Serei o que quiserem...
Mas não me chamem...
E se o fizerem será sem nome...
Porque sou o tudo ou nada...
Porque sou um poema inacabado...
Esta é a vida e a realidade das emoções guardadas...
Continuarei a navegar...
Até ao infinito de mim mesma...
Tudo ou nada...até ao fim...

Angelis

25 junho 2004

Da solidão completa



Os jornalistas já terminaram as entrevistas, os editores tomaram o trem de volta para Zurich, os amigos com quem jantei voltaram para suas casas; eu saio para caminhar por Genebra.
A noite está particularmente agradável, as ruas desertas, os bares e restaurantes cheios de vida, tudo parece absolutamente calmo, em ordem, bonito, e de repente... E de repente eu me dou conta que estou absolutamente só.
É evidente que já estive sozinho muitas vezes este ano.
É evidente que em algum lugar, a duas horas de voo, minha mulher me espera.
É evidente que depois de um dia agitado como o de hoje, nada melhor que caminhar pelas ruelas e becos da cidade antiga, sem ter que conversar nada com ninguém, apenas contemplando a beleza ao meu redor.
Só que esta noite, por alguma razão que desconheço, este sentimento de solidão é absolutamente opressor, angustiante – não tenho com quem dividir a cidade, o passeio, os comentários que gostaria de fazer.
Claro, tenho um celular no bolso e um número razoável de amigos aqui, mas acho que já é muito tarde para telefonar para quem quer que seja.
Considero a possibilidade de entrar em um dos bares, pedir algo para beber – com quase toda certeza alguém me reconhecerá e me convidará para sentar em sua mesa.
Mas penso também que é importante ir até o fundo deste vazio, desta sensação que ninguém se importa com o fato de existirmos ou não, e por isso continuo caminhando. Vejo uma fonte e lembro-me que estive ali no ano passado, com uma pintora russa que acabara de ilustrar um texto que havia escrito para Amnistia Internacional; naquele dia quase não trocamos palavra, apenas escutamos os pingos da água e a música de um violino que vinha de longe.
Tanto eu como a pintora russa estávamos imersos em nossos pensamentos, mas ambos sabíamos que, embora distantes, não estávamos sozinhos.
Ando um pouco mais, em direcção à Catedral. Olho para outro lado da rua, uma janela está semiaberta e lá dentro posso ver uma família conversando; a sensação de solidão aumenta avassaladoramente por causa disso, o passeio nocturno agora é uma jornada noite a dentro, em busca de compreender o que é sentir-se absolutamente só.
Começo a imaginar quantos milhões de pessoas neste momento estão se sentindo absolutamente inúteis, miseráveis - por mais ricas, charmosas, encantadoras que sejam - porque também nesta noite estão sós, e ontem também, e possivelmente estarão sozinhas amanhã. Estudantes que não encontraram com quem sair esta noite, pessoas de idade diante da TV como se fosse a última salvação, homens de negócios em seus quartos de hotel, pensando se o que fazem tem algum sentido, já que tudo que estão sentindo agora é o desespero de estar só.
Lembro-me de um comentário feito durante o jantar: alguém que acabara de divorciar-se dizia "agora tenho toda a liberdade com que sempre sonhei."
É mentira.
Ninguém quer este tipo de liberdade, todos nós queremos um compromisso, uma pessoa para estar ao nosso lado vendo as belezas de Genebra, discutindo as visões da vida, ou até mesmo dividindo um sanduíche.
Melhor comer metade de um que come-lo inteiro, sem ter alguém com quem compartilhar nada, nem mesmo um pouco de comida.
Melhor ficar com fome do que ficar sozinho.
Porque quando você está sozinho - e eu falo da solidão que não escolhemos, mas que somos obrigados a aceitar - é como se não fizesse mais parte da raça humana.
Começo a caminhar para o lindo hotel do outro lado do rio, com seu quarto super confortável, seus empregados atenciosos, seu serviço de primeiríssima qualidade.
Daqui a pouco vou dormir e amanhã esta estranha sensação que - não sei por que razão - me atacou hoje, será apenas uma lembrança remota e estranha, porque não terei nenhum motivo para dizer: estou só.
No caminho de volta, cruzo com outras pessoas solitárias; elas tem dois tipos de olhares: arrogantes (porque querem fingir que escolheram a solidão nesta linda noite) ou tristes (porque entendem que não há nada pior na vida).
Penso em conversar com elas, mas sei que têm vergonha da própria solidão.
Talvez seja melhor que cheguem ao limite e então entendam que é preciso ousar, falar com estranhos, descobrir lugares para encontrar pessoas, evitar ir para casa e assistir TV ou ler um livro – porque se fizerem isso o sentido da vida estará perdido, a solidão terá se transformado em um vício, e a partir de então o longo caminho de volta em direcção ao ser humano já não será mais encontrado.

(Paulo Coelho)

O dia amargo da mulher



Ainda que o prazer me seja negado
Que na África meu clítoris seja cortado
a sangue frio
para extirpar definitivamente
o mal que trago em mim.
Que em outros orientes me cubram de negro
e me concedam apenas o vão que deixa
o mínimo ar da vida entrar.

Ainda que meu corpo pecador
seja molestado desde a puberdade.
Que no norte do Brasil eu seja leiloada
para o prazer dos coronéis.
Que meu corpo seja exibido
como suculento presunto.
Que eu faça sexo pelos cantos
para poder comer.

Que a baba do desejo dos homens
escorra do canto de suas bocas
para meus seios.
Que o passeio no meu corpo
seja o turismo do estrangeiro
que vem para o Brasil.

Ainda que meu canto de tristeza
não seja ouvido.
Que meu homossexualismo
seja pecaminoso e perseguido.
Que a canção do meu amor
tenha que ser sussurrada para minha amada.
Que eu seja surrada até a morte por amá-la.

Ainda que meu corpo não seja meu.
Que me mandem ter filhos
que não quero ter.
Que me neguem o aborto
e me mantenham a bordo
dessa nau de loucos.

Ainda que concedam
o status de consumidora.
Que me paguem menos que aos homens.
Que eu dê forças ao marido explorado quando ele volta ao lar.
Que meu marido mui generosamente me transmita a Aids.

Ainda que minha revolta seja loucura.
Que minha loucura seja feitiçaria.
Que a fogueira esteja sempre pronta
para curar minha tensão pré-menstrual.

Ainda que minha cordialidade
seja tomada por submissão.
Que meus direitos
sejam tidos como atrevimento.
Que eu seja a mais negra.
Que eu seja a mais pobre.

Ainda assim eu resisto. Eu sorrio.
E meu sorriso
é o mais forte e radiante.

(Eugênia Corazon)

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...