17 novembro 2005

Descoberta...

Hoje, Dia do Não Fumador, encontrei numa gaveta, um maço muito interessante…um maço poético.
Não fazem a menor ideia do que possa ser, certo?
Eu explico…há uns tempos atrás (provavelmente, alguns anos) a Livraria Bertrand, tinha à venda, uns maços (não de tabaco, como é óbvio), mas maços literários, desde os Maços Poéticos, até Maços com as mais diversas mensagens, da Editora Ausência (pelo menos o que eu tenho, o Maço Poético é)
Idênticos, na sua forma, aos maços de tabaco, eram o apelo á leitura, e a mim, dava um certo gozo, sempre que via alguém pegar no seu maço de cigarros, eu puxar pelo meu maço poético, sacar um “cigarro” e ler um poema.
Vicio que não prejudicava, não poluía, e não fazia mal á saúde…
Dentro destes maços literários, existiam os “cigarros”, pequenos tubos de plástico e dentro deles, enrolados, os poemas.
Hoje, coincidência ou não, Dia do Não Fumador, aqui deixo o testemunho (sem fundamentalismos, falsos moralismos, ou outra treta qualquer) de uma não fumadora, que nunca se deixou manipular e controlar pelo tabaco…mas que transporta na sua bolsa o maço poético.
Desculpem a qualidade da imagem…mas…foi o que se conseguiu…e deixo-vos um poema (cigarro, tirado ao acaso do meu maço de poemas de amor) e a citação que tem na capa: “Ama a Vida, o próximo e a liberdade de escolha!”


Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que um bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrario a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

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