01 novembro 2005

O Sexo depois da Menopausa

Há imensas formas de falar, abordar o sexo. Podemos faze-lo como o Ailaife, de forma simples, directa e inteligente.

Podemos falar de sexo de forma jocosa, abusiva e até ofensiva. Ou podemos abordá-lo de forma informativa e esclarecedora.

Qual delas é a melhor, a mais correcta? Cada um responda por si, pela forma como vê, vive e sente o sexo.

Com a publicação deste artigo, pretendo, essencialmente, informar, mas também abordar um tema, que ainda hoje, é tabu, pouco falado, pouco esclarecido e que afecta todos os que atingem a menopausa, ou melhor, todas as mulheres que entraram ou vão entrar na menopausa.

Muito mais, haveria a dizer, a esclarecer. Mas deixo aqui um conselho a todas as mulheres que entraram na menopausa e àquelas que irão entrar:”Procurem o vosso médico de família, o vosso/a ginecologista, falem abertamente com eles, questionem, peçam esclarecimentos. Falem das vossas dúvidas. O médico é para isso mesmo, para ajudar e esclarecer. Mas não se esqueçam de partilhar dúvidas, receios, angustias com o vosso companheiro, pois também ele sentirá dúvidas, anseios, receios e se não falarem com ele como poderão viver a vossa sexualidade em pleno, pese embora o facto de sofrerem alterações?"




O Prazer na Idade Madura

A nossa sociedade, orientada para os ideais da juventude e para estereótipos de beleza feminina para vender de tudo um pouco, desde carros a sabonetes, não é muito favorável à imagem de mulheres menos jovens.

E na verdade, poucos são os que gostam de imaginar a sua mãe ou mesmo a avó em cenas de sexo...

No entanto, "off the record" muitas são as mulheres que, depois do risco da gravidez as preocupar, entram numa nova fase nas suas vidas, descobrindo uma nova fase de sexualidade.

De acordo com o testemunho à ABCNEWS.com do ginecologista americano James Simon, a partir dos 30 anos, os níveis hormonais começam a transformar-se. A falta de estrogéneo desencadeia, entre outros, uma diminuição da lubrificação vaginal, fazendo com que a relação sexual se torne, eventualmente, dolorosa.

As alterações hormonais motivam também uma diminuição da libido. Mas a perda da vontade sexual é muitas vezes psicológica e associada ao facto das mulheres não estarem preparadas para envelhecer e ficarem inférteis.

Para June Reinisch, especialista em psicologia no Kinsey Institute, em Blooming, nos Estados Unidos, a nossa sociedade tem uma mentalidade muito adolescente, pois canaliza a maior parte das suas preocupações para os jovens.

Uma vez que a esmagadora maioria das pessoas têm sexo pela primeira vez na adolescência, tal experiência fica irremediavelmente associada a uma certa fase da vida.

Nesta perspectiva, para a maioria dos jovens não é de todo fácil imaginar os pais a ter uma relação sexual. E à medida que esses jovens crescem e, por seu turno, se tornam pais, é difícil aceitarem padrões sexuais ligados a uma idade mais avançada.

Outros factores que podem contribuir para a diminuição do desejo e alterações no comportamento sexual da mulher são a doenças do seu parceiro (que afectem a potência), morte dos pais ou stress profissional.

Ultrapassar os obstáculos para recuperar o prazer

Com ou sem psicoterapia, com ou sem tratamentos de reposição hormonal, a maioria das mulheres que entram na menopausa acaba por se habituar à sua nova fase da vida e a desfrutar do prazer sexual.

Estudos revelam que o prazer e a frequência dos actos sexuais não diminuem quando as mulheres atingem a menopausa, afirma Nancy Avis, professora das ciências da saúde na Wake Forest University, nos Estados Unidos.

Para a psicóloga June Reinisch, a capacidade de comunicação com o parceiro é a chave para manter uma vida sexual mais equilibrada, quando o sexo e a idade são tabus, as relações deterioram-se.

É importante que os casais compreendam que à medida que a idade vai avançado na mulher é necessária uma maior estimulação para atingir o orgasmo, refere a especialista, adiantando que o mesmo se passa com os homens.

De facto para as pessoas que agora estão a atingir a menopausa poderá, de facto, ser complicado associar a sua sexualidade à nova fase da vida, de um modo saudável, pois os padrões da sociedade podem ser inibidores.

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