25 junho 2004

Criança...



Nasceste, criança, botão de rosa,
Num jardim de esperança.
Olhaste o mundo
E sorriste.
Estendeste a tua mão pequena,
E acariciaste a minha face molhada.
Olhei-te e ri.
Ri como não o fazia há muito.
Era feliz!
E tu, criança, continuavas a sorrir!
Deste os teus primeiros passos,
Para subir os degraus da infância.
E ...
Quiseste brincar,
Mas não te deixaram.
Quiseste comunicar,
Mas selaram-te os lábios.
Quiseste sonhar,
Mas vedaram-te o caminho da fantasia.
Agora ...
Criança que me olhas a chorar
Criança que me estendes a tua mão gelada
Criança que refugias o teu corpo frágil nos meus braços
Quem apagou o teu sorriso?
Quem roubou o teu Natal?
Quem te abandonou nas vielas escuras da miséria?
Quem maltratou o teu coração?
É este duro passeio a tua cama
É este naco de pão o teu comer
De onde vieste?
Para onde vais?
Quem te pôs neste mundo infame?
Diz-me, criança, quem te matou?
Quando tu sorrias,
Eu era feliz.
Agora que silenciaram o teu riso,
Eu choro.
Homens, deixai as crianças serem CRIANÇAS!


Angelis

20 junho 2004

Ailaife blog

Neste vasto oceano de blogs que invadem a internet, podemos encontrar de tudo e para todos os gostos... Felizmente, para muitos de nós, ainda há blogs com qualidade e que vale a pena visitar. É o caso do Ailaife Blog...um blog com qualidade e actualidade, escrito por alguém com uma alma sonhadora, transparente, mas também incisiva, consciente e um pouco revoltada...alguém que escreve entre duas margens, a pessoal e a social, sempre com um olhar critico e actual. Vale a pena dar uma espreitadela a Ailaife Blog E quem lá for, vai querer voltar, e voltar e ficar assíduo num blog com qualidade escrito por alguém muito especial... Parabéns meu querido e doce amigo...não só pela qualidade da tua escrita que reflecte a tua alma, mas também pela coragem de escrever sobre o que preocupa a sociedade actual. Continua com essa força e garra...eu sou fã do teu blog...

Angelis

19 junho 2004

Desafios...




Quando procuramos alcançar determinado objectivo, que é imposto ou proposto por outros tornamo-nos pessoas sem vontade própria, apenas tentando alcançar metas que os outros nos dão.
Para atingir o topo da minha carreira profissional tive que voltar aos bancos da escola, após 20 anos de carreira. Na altura em que me propus satisfazer o objectivo imposto pelo meu estatuto profissional, questionei-me se valeria a pena…questionei-me se seria justo e correcto exigirem-me algo que não me exigiram quando me formei…
Meu curso confere-me o grau de bacharel…algo exigido na época em que me formei, e que me permitiu exercer a minha profissão. Entretanto o curso passou (largos anos depois) a licenciatura…e todos aqueles que eram bacharéis ficaram para trás…como castigo pelo grau académico não podiam atingir o topo da carreira…justo? Injusto? Talvez…
Meti mãos à obra…e ao fim de tanto tempo…candidatei-me para fazer o dito grau de licenciada…como tinha experiência profissional, curriculum de 20 anos de serviço, muita formação profissional, fui seleccionada e lá fui eu estudar…
Levava expectativas, sonhos, esperanças de poder aprender algo que não tinha aprendido quando me formei…algo de novo em termos pedagógicos, novas metodologias, etc.
Deparei com um curso de 2 anos, com uma carga horária excessiva para pessoas com uma longa experiência profissional, pessoas que trabalhavam durante o dia e que no final do seu trabalho ainda se sujeitavam a estudar das 17h30m até às 22h30m, durante 4 dias por semana.
Deparei com disciplinas fora do contexto educativo proposto pelo curso, com professores que em nada dignificavam o seu estatuto e desrespeitavam quem, com muito sacrifício, ali estava, deixando família sozinha.
Poderão questionar-me e dizer: - Foi opção vossa…sabiam para o que iam!!!
Certo…mas deveria haver mais coerência e respeito pelas pessoas que procuram os estabelecimentos de ensino superior, com a esperança de aprenderem algo de novo, de se reciclarem profissionalmente, de se actualizarem, valorizando-se como profissionais e pessoas.
Foram 2 anos de intensa carga horária, de exigências muitas vezes descabidas, mas após esse tempo posso, e poderemos dizer todas as 30 profissionais que fizeram o curso comigo, que tivemos uma força fora de série, que com o fruto do nosso esforço conseguimos chegar ao fim do curso.
Penosa a caminhada deste tempo, mas (perdoem-me o auto elogio) sinto-me orgulhosa de mim mesma, de ter conseguido alcançar o objectivo, de ter conseguido conciliar profissão e estudos e ainda a minha vida pessoal.
Vai longa esta conversa…mas apesar de o mérito me pertencer por ter conseguido terminar a tarefa a que me propus…deixo aqui um singelo, mas sincero agradecimento a duas pessoas que muito me ajudaram e deram força…um querido e doce amigo, que me ouviu desabafos longos e irritantes, me deu força e coragem o Alberto e à minha querida amiga de profissão e curso a Filomena (obrigada amigos!).
A todos os profissionais que não desistem dos seus sonhos, que ainda têm coragem de enfrentar novos desafios, que conseguem voltar aos bancos de escola…força!!!


Angelis

15 junho 2004

Convencemo-nos...

Convencemo-nos que a vida será melhor depois... Depois de acabar os estudos, depois de arranjar trabalho, depois de casarmos, depois de termos um filho, depois de termos outro filho.


Então, sentimo-nos frustrados porque os nossos filhos ainda não são suficientemente crescidos e julgamos que seremos mais felizes quando crescerem e deixem de ser crianças, depois desesperamo-nos porque são adolescentes, insuportáveis.

Pensamos: «Seremos mais felizes quando esta fase passar!»

Então decidimos que a nossa vida estará completa quando o nosso companheiro ou companheira estiver realizado, quando tivermos um carro melhor, quando podermos ir de férias, quando conseguirmos uma promoção, quando nos reformarmos.

A verdade é que NÃO HÁ MELHOR MOMENTO PARA SER FELIZ DO QUE AGORA MESMO!

Se não for agora, então quando?

A vida está cheia de depois, de reptos. É melhor admiti-lo e decidir ser feliz agora, de todas as formas. Não há um depois, nem um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho e é AGORA!

Deixa de esperar até que acabes os estudos, até que te apaixones, até que encontres trabalho, até que te cases, até que tenhas filhos, até que eles saiam de casa, até que te divorcies, até que percas esses 10kg, até sexta-feira à noite ou Domingo de manhã, até à Primavera, o Verão, o Outono ou o Inverno, ou até que morras, para decidires então que não há melhor momento que justamente ESTE para seres feliz!

A felicidade é um trajecto, não um destino.

Trabalha como se precisasses de dinheiro, ama como se nunca te tivessem magoado e dança como se ninguém estivesse a ver!


(Desconheço o autor)

Ame...

Diz um Conto Chinês que um jovem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos por uma bela moça.
O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma coisa:
- Ame-a. E logo se calou.
Disse o rapaz:
- Mas, ainda tenho dúvidas...
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio.
E, diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte:
- "Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento.

Amar é dedicação e entrega.
Amar é um verbo e o fruto dessa acção é o amor.
O amor é um exercício de jardinagem.
Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide.
Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas mas nem por isso abandone o seu jardim!
Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afecto, ternura, admire e compreenda.

Simplesmente: Ame!!!
A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz avarento.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz ridículo.
A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A lei sem amor, te escraviza.
A política sem amor, te deixa egoísta.
A vida sem amor não tem sentido...

10 junho 2004

Reflexões do guerreiro da luz

Paulo Coelho

Os defeitos e as qualidades

Um guerreiro da luz conhece seus defeitos. Mas conhece também suas qualidades.
Alguns de seus companheiros queixam-se o tempo todo: "os outros tem mais oportunidade que nós".
Talvez tenham razão; mas um guerreiro não se deixa paralisar por isto, e procura valorizar ao máximo as suas virtudes.
Sabe que o poder da gazela é a habilidade de suas pernas. O poder da gaivota é sua pontaria para atingir o peixe. Aprendeu que um tigre não tem medo da hiena, porque é consciente de sua força.
Um guerreiro procura saber com que pode contar. Sempre verifica seu equipamento, composto de três coisas: fé, esperança, e amor.
Se as três estão presentes, ele não hesita em seguir adiante.

Acreditar sem medo

O guerreiro da luz acredita. Assim como as crianças acreditam.
Porque crê em milagres, os milagres começam a acontecer. Porque tem certeza que seu pensamento pode mudar sua vida, sua vida começa a mudar. Porque está certo que irá encontrar o amor, este amor aparece.
De vez em quando, se decepciona. As vezes, se machuca.
E então escuta os comentários: "como é ingênuo!"
Mas o guerreiro sabe que vale o preço. Para cada derrota, tem duas conquistas a seu favor.
Todos os que acreditam sabem disso.

Nas horas difíceis e nas horas alegres

Um guerreiro não compartilha sua tenda com quem lhe quer fazer mal. E tampouco é visto em companhia daqueles que só desejam "consolar".
Evita quem só está ao seu lado em caso de derrota. Estes falsos amigos querem provar que a fraqueza compensa.
Sempre trazem más notícias. Sempre tentam destruir a confiança do guerreiro - sob o manto da "solidariedade".
Quando o vêem ferido, desmancham-se em lágrimas, mas - no fundo do coração - estão contentes porque o guerreiro perdeu uma batalha, sem entender que isto é parte do combate.
Os verdadeiros companheiros de um guerreiro estão ao seu lado em todos os momentos, nas horas difíceis e nas horas fáceis.

O inimigo oculto

Os amigos do guerreiro da luz perguntam de onde vem sua energia. Ele diz: "do inimigo oculto".
Os amigos perguntam quem é.
O guerreiro responde:"alguém que não podemos ferir".
Pode ser um menino que o derrotou numa briga na infância, a namorada que o deixou aos onze anos, o professor que o chamava de burro.
O inimigo oculto passa a ser um estímulo. Quando está cansado, o guerreiro lembra-se que ele ainda não viu sua coragem.
Não pensa em vingança, porque o inimigo oculto não faz mais parte de sua história. Pensa apenas em melhorar sua habilidade, para que seus feitos corram o mundo e cheguem aos ouvidos de quem o machucou no passado.
A dor de ontem transformou-se na força de hoje.

Do breviário de Cavalaria Medieval

Assim diz o Breviário da Cavalaria Medieval:
"A energia espiritual do Caminho utiliza a justiça e a paciência para preparar teu espírito.
"Este é o Caminho do Cavaleiro. Um caminho fácil e ao mesmo tempo difícil, porque obriga a deixar de lado as coisas inúteis, e as amizades relativas. Por isso, no começo, sente-se tanta hesitação em segui-lo.
" Eis o primeiro ensinamento da Cavalaria: tu irás apagar o que até então tinhas escrito no caderno de tua vida: inquietação, insegurança, mentira. E iras escrever, no lugar disto tudo, a palavra coragem. Começando a jornada com esta palavra, e seguindo com a fé em Deus, chegarás onde precisas".

A arte de despertar

O guerreiro da luz está agora despertando de seu sono.
Ele pensa: " não sei lidar com esta luz, que me faz crescer".
A luz, entretanto, não desaparece.
O guerreiro pensa: " serão necessárias mudanças que eu não tenho vontade de fazer".
A luz continua lá - porque a vontade é uma palavra cheia de truques.
Então os olhos e o coração do guerreiro começam a se acostumar com a luz.
Ela já não assusta; passa a aceitar sua Lenda, mesmo que isto signifique correr riscos.
O guerreiro esteve dormindo por muito tempo. É natural que vá despertando aos poucos.

01 junho 2004

Ver além...



Olho para o azul do céu e meu pensamento perde-se nessa imensidão azul apenas recortada pelas árvores frondosas que agitam os seus ramos ao sabor da brisa que sopra.
Nesse olhar perdido, parado, meu pensamento vagueia por lembranças, por recordações, por horas passadas.
Perco-me nas lembranças felizes da minha infância, onde traquina brincava, corria, ria e sonhava. Rapidamente sou trazida ao presente, ao presente que vivo diariamente com as crianças com quem trabalho. Olho seus rostos, alguns tristes, alguns marcados, alguns sorrisos malandros e a eterna alegria de ser criança.
O que mudou? Tento lembrar com mais exactidão a minha infância, mas perco-me nos corredores do tempo…tempo em que jogava à bola com os meus vizinhos, que brincava “às casinhas”, aos cowboys, aos policias e ladrões, tempo em que acreditava no sonho, na lua que me seguia, nos cães que falavam, e na velha boneca de trapos.
Ao que e com que brincam as crianças de hoje? Não sabem brincar…passam horas enfiadas nos infantários, passam horas enfiadas nas escolas e depois nas actividades extra curriculares, passam horas sozinhas em casa, em frente ao vídeo, ao computador, crescem sozinhas de valores, de afectos, de brincadeiras, de sonhos, crescem sem saberem que foram crianças.
De quem é a culpa? Dos pais? Da sociedade? Da escola?
É preciso ver mais além…é preciso parar e pensar para onde queremos levar estas crianças, como as queremos criar, como queremos que elas cresçam.
Dizem que a taxa de natalidade diminuiu e vai continuar a diminuir no nosso pais, somos um país de velhos, o interior está deserto e os grandes centros desenraizados de valores culturais, de valores morais e sociais.
As cidades crescem desordenadamente, sem espaços verdes, sem espaços seguros para as crianças poderem brincar e dar espaço ao sonho, à fantasia. Os pais absorvidos pelo trabalho, pela correria diária não têm tempo, as escolas não têm meios, não têm recursos e entramos num circulo vicioso de culpas, numa rotunda sem saída, andando às voltas, às voltas sem encontrar respostas ou soluções.
É preciso ver mais além…parar um pouco, pensar, reflectir…é preciso que as crianças sejam crianças no tempo certo, com espaço para o sonho, a brincadeira, os sorrisos e os afectos, e não só hoje que é Dia Mundial da Criança, mas todos os dias, pois estas crianças nascem, sonham, sorriem e muitas delas morrem sem saber que foram crianças.
É preciso sorrir, é preciso ver e ir mais além…

Angelis

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...