03 outubro 2006

Horas Rubras

Horas Rubras
(foto de Alipio Padilha)

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca

8 comentários:

  1. Uma boa escolha. Ando a tentar recuperar os meus atrasos nos comentários aos blogs amigos. Não é por esquecimento e este blog é um dos primeiros na minha lista de favoritos.
    Boa semana e beijinhos

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  2. Horas rubras (Florbela Espanca) no intervalo de almoço...Bom feriado.

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  3. Belo o poema de uma das minhas poetas!
    Jinhos

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  4. À primeira vista, parecia que irias falar de Pedras Rubras...
    Depois, li que eram as "Horas Rubras" da Florbela neste belo soneto.

    Matando saudades, desejo-te um belo feriado...

    Bjinho

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  5. São estes momentos que tornam o fim de semana mais agradável. Bom fim de semana.

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  6. Convido todos os colaboradores e vivitantes deste espaço a conhecerem os projectos culturais em www.iranima.net

    Participem!!!

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  7. Horas rubras... como é toda a poesia de Florbela! Belissima e rubra como o amor...


    Beijos...

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