Espreitem o Pé de Vento [23/Março/04] sem medo ou sustos, pois é apenas uma leve brisa que sopra do coração.
29 outubro 2006
Destruição
Em que pensamos
Há sempre uma vez
Em que choramos
Ás vezes rimos
Rimos loucamente
Da vida louca
Que levamos
O mundo é um caos
Nós somos
Irracionais
Porque destruímos
A racionalidade
O homem o que é?
O que somos todos?
Homens e mulheres
Que fizeram a terra
Homens e mulheres
Que destroem a terra
Olhamos em redor
Animais feridos
Lançam o seu grito
Crianças esfomeadas
Lançam o seu grito
Homens feridos
Lançam o seu grito
Todos gritamos:
“QUEREMOS A PAZ”
Será que queremos?
angelis
22 outubro 2006
25 anos depois...
Decorria o ano de 1978, época ainda muito conturbada, após o 25 de Abril, quando abriu, pela 1ª vez em Portugal, no ensino público e no Magistério Primário de Lamego, o 1º curso de Educadores de Infância, no qual ingressei, mais 49 alunas e alunos. É verdade, na altura, ingressaram também 3 rapazes no referido curso.
Fomos pioneiras, e a escola também, assim como professores e todas as pessoas que lá trabalhavam. Foram cometidos alguns erros de percurso, afinal era o 1º curso e todo o corpo docente era inexperiente, mas embarcamos todos a bordo desse barco, decididos a rumar a bom porto.
Ontem, festejamos as bodas de prata, reencontramo-nos com o passado, com as lembranças boas e menos boas. Abraçamo-nos a chorar (algumas de nós não nos víamos há 25 anos).
- Tu por aqui? Como estás? Que tens feito?
- Tens filhos? Onde estás a trabalhar?
- Rapariga o tempo não passou por ti, que fizeste para te manteres assim jovem?
Estes e outros comentários, foram o mote da conversa, e como pôr em dia a conversa destes 25 anos?
Estávamos à porta da Sé de Lamego, à espera que o casório que se estava a celebrar lá dentro saísse, para podermos entrar e assistir à eucaristia comemorativa desta efeméride.
Eu que até não sou muito destas coisas, comovi-me com a missa,cantada e celebrada pelo nosso professor de educação musical (claro que não podiam faltar os professores), um simpático padre com a bonita idade de 80 e muitos anos.
Choramos, sem vergonha, pois o que representava aquele acto era muito, mas muito mais do que uma missa, era a celebração da vida, da dedicação ao ensino, do reencontro de homens e mulheres que conseguiram chegar a bom porto e que hoje (mesmo mais velhotes, mas pouco) voltariam a trilhar os mesmo caminhos e os mesmos ideais.
No final da cerimónia, rumamos à Quinta da Várzea (um palacete senhorial, convertido em hotel rural) para um delicioso almoço e convívio.
Não tenho palavras para descrever as emoções que senti, pois eu fui das que não voltei a ver as colegas quando terminamos o curso. Reencontrar toda esta gente, após 25 anos, comoveu-me, mexeu comigo, chorei, ri, relembrei momentos únicos e especiais.
Discursos, historias vividas, lembranças partilhadas que ficarão para sempre nos nossos corações.
Trocamos telefones, moradas, ficando a promessa de nos encontrarmos, daqui para a frente, uma vez por ano.
Para não se esquecer convívio tão importante nas nossas vidas, recebemos todas uma placa comemorativa destes 25 anos, e as fotógrafas de serviço, ficaram de elaborar um cd com as fotos e o filme deste dia.
Assim que as tiver em meu poder…faço questão de partilhar algumas dessas fotos convosco.
Se voltasse atrás no tempo, faria tudo da mesma forma, voltaria a entrar naquela escola, cheia de sonhos, cheia de esperança, pois valeu a pena e foi essa a certeza que trouxemos deste encontro.
Até à próxima…e que seja breve
Angelis
16 outubro 2006
Espiral
Nas espirais amorosas
Um subtil suspiro
Perdido nos ecos do Tempo
Um raio de Sol
Atravessa o gelo circundante
O teu coração palpitante
Revive na esperança
Uma carícia repousante
Nas margens do esquecimento
O rio da solidão
Vai vazio de sentimento
Um riso cristalino
Ilumina o desencanto
Duas mãos entrelaçadas
Uma vida para viver
angelis
14 outubro 2006
Roupagem nova
Afinal estamos na estação outonal, em que a própria Natureza muda suas cores, transforma suas paisagens.
Porque não mudar a apresentação do Pé de Vento?
Porque não dar nova cor e forma?
Uma coisa não muda...o conteúdo, a forma como estou aqui, o que me dá prazer escrever e publicar, o que me apetece partilhar com quem me visita.
Imutável o conteúdo...variável e mudável a apresentação...
E já agora...bom fim de semana.
E...claro...ousem ser felizes!!!
08 outubro 2006
Cavalo à solta

(foto de Rui Simas)
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura
Ary dos Santos
03 outubro 2006
Horas Rubras

(foto de Alipio Padilha)
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca
30 setembro 2006
Histórias sobre a arrogância
A arrogância do poder
Mestre e discípulo conversavam numa esquina, quando uma velha os abordou:
"Saiam da frente da minha vitrina!", gritou a velha. "Vocês estão atrapalhando os fregueses".O mestre pediu desculpas, e mudou de calçada.
Continuaram a conversa, quando um oficial se aproximou.
"Precisamos que o senhor se afaste desta calçada", disse o oficial. "O conde irá passar por aqui daqui a pouco".
"Que o conde use o outro lado da rua", respondeu o mestre, sem se mover. Depois se virou para seu discípulo:
"Não esqueça: jamais seja arrogante com os humildes. E jamais seja humilde com os arrogantes."
A arrogância da santidade
O monge zen passou dez anos meditando em sua caverna, procurando descobrir o caminho da Verdade. Certa tarde, enquanto orava, um macaco aproximou-se.
O monge tentou concentrar-se. O macaco, porém, aproximou-se de mansinho e pegou a sandália do monge.
- Macaco danado! - disse o ermitão. - Por que veio perturbar minhas orações?
- Estou com fome - disse o macaco.
- Vá embora! Você atrapalha minha comunicação com Deus!
- Como deseja falar com Deus, se não consegue comunicar-se com os mais humildes, como eu? - disse o macaco.
E o monge, envergonhado, pediu desculpas.
A arrogância da força
A aldeia estava ameaçada por uma tribo de bárbaros. Os habitantes foram abandonando suas casas, e fugindo para um local mais seguro. No final de um ano, todos haviam partido - excepto um grupo de jesuítas.
O exército bárbaro entrou na cidade sem resistência, e fizeram uma grande festa para comemorar a vitória. No meio do jantar, um padre apareceu.
“Vocês entraram aqui, e afastaram a paz do lugar. Peço por favor que partam sem demora.”
"Por que você ainda não fugiu?", gritou o chefe bárbaro. "Não vê que eu posso atravessá-lo com minha espada, sem piscar um olho?"
O padre respondeu calmamente:
"Não vê que eu posso ser atravessado por uma espada, sem piscar um olho?".
Surpreso pela serenidade diante da morte, o chefe bárbaro e sua tribo abandonaram o lugar no dia seguinte.
A arrogância da inveja
No deserto da Síria, Satanás dizia aos seus discípulos: "o ser humano está sempre mais preocupado em desejar o mal aos outros, que em fazer o bem a si próprio".
E para demonstrar o que dizia, resolveu testar dois homens que descansavam ali perto.
"Vim realizar seus desejos", disse para um deles. "Pode pedir o que quiser, que lhe será dado. Seu amigo receberá a mesma coisa - só que em dobro".
O homem permaneceu em silêncio por longo tempo.
Finalmente, disse:
"Meu amigo está contente, porque terá sempre o dobro, seja qual for meu desejo. Mas consegui preparar-lhe uma armadilha: o meu pedido é que você me deixe cego de um olho".
Paulo Coelho
Decisões
Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...
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"... A Ti, Touro, Eu dou o poder de transformar a semente em substância. Grande é a Tua tarefa, que requer paciência, pois tem que term...
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(imagem retirada da net) Talvez um dia fale de tudo o que me vai na alma, o que me me cansa física e mentalmente, o que me desgasta o espiri...