
Ao tratar das tarefas domésticas (e confesso que não gosto muito), dei de caras com esta foto (aliás tenho esta foto num porta retratos na minha sala).
Lembranças vieram à mente, lembranças de tempos distantes. Não me recordo de ter tirado esta foto (só tinha 2 anos), fui ver por trás, meu pai tinha a mania de pôr a data e o local onde a foto foi tirada, e reparei que é de Agosto de 1962 (pois é…estou velhota…hehehe…é só fazer as contas e têm a minha idade) e foi tirada na Nª Srª dos Remédios em Lamego, no casamento da minha tia Maria Lucília e aqui a menina foi levar as alianças dos noivos.
Sempre tive um certo encantamento por esta foto, e ela levou-me a outras recordações, as tardes passadas em casa da minha avó materna, o chá de erva cidreira, que ela tinha sempre numa garrafa termos e que eu adorava. Nunca tomei chá tão saboroso e só de me lembrar quase que senti o cheiro, o sabor. As tardes passadas na brincadeira com o meu primo João (filho da tia a quem eu levei as alianças de casamento e originaram esta foto), aliás ambos gostávamos que a tia Mimi nos desse uns bocadinhos de pano, agulha e linhas (tesoura só com a supervisão dela, para não nos cortarmos) para confeccionarmos as roupas para as bonecas.
Minha tia era costureira e tinha sempre uma ajudante com ela, que para além de a ajudar, às vezes brincava mais connosco que ajudava e sempre com a minha avó por perto, sentada numa poltrona, rindo das traquinices dos seus netos.
Meu primo João hoje (tem 41 anos) é economista na banca, está casado e tem 2 filhos, e eu sou educadora de infância…
Porque estas lembranças todas? Talvez por estar prestes a retomar o trabalho, por mais um ano lectivo estar à porta, preparar o jardim-de-infância para receber as crianças, e tudo isso me lembrou a minha infância feliz, comparando com a infância atribulada das crianças de agora.
Lembranças felizes foi o que originou esta foto, cheiros, sabores, brincadeiras de outrora. Tenho pena que tanto a minha avó como a minha tia Mimi já não se encontrem entre nós…adorava a companhia delas e então a minha avó, sempre que ia a casa dela tinha sempre uma palavra de alento, um conselho, um sorriso e aquele chá de erva cidreira que eu tanto gostava.
Para elas, porque me proporcionaram uma infância feliz e lembranças doces um grande xi coração e obrigada por terem estado presentes na minha vida.
angelis
Sem comentários:
Enviar um comentário