10 setembro 2005

Educação e Qualidade

Seria de perguntar à Sra. Ministra da Educação se sabe o que quer dizer esta dupla “Educação/Qualidade”, e mais…se conhece Paulo Freire.

Bom, se calhar poucos o conhecem…mas um dos seus livros “Politica e Educação” tem um capitulo dedicado a este tema “Educação e Qualidade”, que aconselho vivamente, a quem de direito ler, informar-se e depois “amandar” as leis cá para fora.

Mas criticas à parte… falemos do que realmente representa a qualidade na educação.

Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significativos educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta politico – pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Como estudioso, activista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico – libertadora. Na sua proposta, o acto de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como “ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade.

É ao coração de homens e mulheres que fala Paulo Freire: chama-nos a compreender o mundo, olhando-o de forma crítica, carinhosa, mas não ingénua.

É um olhar claro, real, amoroso, com humildade e em conjunto.

Divulgar suas obras é não permanecer no silêncio, é continuar o diálogo, é partilhar.

“Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a água, a vida.” (Paulo Freire)

Haja quem lhe siga o exemplo, nomeadamente todos os profissionais de educação, aqueles que podem dizer que são bons profissionais e que neste momento se vêm ultrajados na sua dedicação á profissão, ás crianças e jovens que lhes são confiados em mais um ano lectivo.

Paulo Freire é um exemplo a seguir, como o são todos os professores e educadores, que anonimamente dão o seu sangue, suor e lágrimas á camisola que vestiram, á causa a que se dedicaram.

Para todos, um excelente ano escolar e que apesar de tudo o que nos atiram para cima, possamos mostrar mais uma vez que somos PROFISSIONAIS DIGNOS.

angelis

05 setembro 2005

TOLERÂNCIA ZERO

Inicio de ano lectivo…fim de férias…aiiiiiiiiiii…socorro!!!
Ando imensamente atarefada com o arranque do ano lectivo, e as novidades que a Sr.ª Ministra da Educação “atira” para os professores são de “matar” qualquer um.
Estamos pior que os condutores com o novo código das estradas, pois a ordem da senhora é: - TOLERÂNCIA ZERO.
O “recado” da Inspecção da Educação é: - TOLERÂNCIA ZERO.
Será que os professores são assim tão maus condutores? Será que os professores são assim tão infractores?
Claro que há abusos, claro que nem sempre o ano escolar corre da melhor forma…mas somos seres humanos, logo somos falíveis, passíveis de errar…ou será que temos que ser infalíveis, de aço e sem vida própria?
Agora a educação é uma estrada, na qual os condutores/professores têm que ser penalizados a todo o instante?
Perdoem-me o desabafo, mas cheguei há pouco da reunião de apresentação e recepção aos professores, no agrupamento de escolas a que pertenço e assustei-me com as perspectivas para este ano lectivo.
Não tarda nada somos proibidos de faltar, somos proibidos de estar doentes.
Sou educadora de infância há 23 anos, todos eles dedicados ao ensino público. Andei 17 anos da minha vida profissional a saltar de escola em escola a cada novo ano lectivo…sempre me empenhei e dediquei à profissão. Falhei, como toda a gente falha…mas passarem-me cartão vermelho, mas dizerem-me que tenho tolerância zero…meus amigos…é demais.
Este desabafo já vai longo…e não é mais que um simples desabafo de alguém que se sente frustrado, de alguém que vê que o seu esforço e dedicação merecem apenas duas palavras TOLERÂNCIA ZERO

angelis

01 setembro 2005

Regresso...ao trabalho

Desculpa-me AFlores, por ter copiado a tua imagem...mas achei a ideia gira e como tal...pimba!!!
Venho já...o dever chama-me.
Com muita pena minha, o que era bom acabou-se...buáááá...e as férias já eram.

30 agosto 2005

O MAIS É NADA!

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar
deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor
é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem
pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode
molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em
todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a
chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milénio
é outro, se a idade aumenta;
Conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não
enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo
também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar
necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue
nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
O MAIS É NADA!

(Fernando Pessoa)

25 agosto 2005

Pedaços de mim…



Rasgados pedaços de mim se espalham pelas cinzas,
Qual puzzle desmanchado, pelo sabor da dor.
Procuro os pedaços que me tiraram da alma,
Rasgados de mim e espalhados ao vento.
Chamo pelo vento…que me traga notícias de mim
E o vento soprando, passa apressado, varrendo minha alma.
Chamo pela chuva…que venha lavar-me a alma.
Mas a chuva surda á minha dor…apenas salpica meu rosto.
Onde estão os pedaços que me faltam?
Rasgados…torturados…perdidos!!!
Chamo pelo rio que corre…saltitando de pedra em pedra.
Peço-lhe notícias dos meus pedaços perdidos.
Ele responde: - Galguei montes e vales, passei por cidades e aldeias, por pontes construídas, por campos floridos e não encontrei nada.
Chamo pelo mar sereno e azul.
Pergunto-lhe se no seu fundo encontrou algum tesouro…
Sim, tesouro, porque esses pedaços são tesouros preciosos.
E o mar me responde: - Minha doce sereia, vasculhei o mais fundo do meu leito, vi pérolas, peixes sem fim, mas esse tesouro não o vi.
Já não sei quem chamar…
Já não sei onde procurar…
Já não sei por onde caminhar…
Faltam-me os meus pedaços de alma…
Rasgados de mim e espalhados ao acaso!!!

angelis

22 agosto 2005

Deste modo ou daquele modo...

Há dias em que acordamos e sentimos que precisamos de escrever o que estamos a sentir.
Mas as palavras teimam em permanecer na alma, aconchegadas pelos pensamentos que lhes dão cor e forma.
Há dias em que queremos expor-nos…
Mas a teimosia das palavras faz-nos ficar “presos” a elas mesmas.

Procurei algo que exprimisse o meu sentir…e encontrei este poema de Fernando Pessoa, que aqui vos deixo, pois tal como ele, também eu me sinto muitas vezes assim…
Afinal “ser poeta é ser mais alto, é ser maior…é ser mendigo…” (Florbela Espanca)




Deste modo ou daquele modo...


Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.

E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele – próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Fernando Pessoa

16 agosto 2005

Açores a Natureza Viva


Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, pois quem vai pela 1ª vez aos Açores, não mais quer sair de lá…ou anseia, rapidamente, lá voltar.
Foi o que eu senti quando pisei o solo da ilha de S. Miguel, quando me senti em terra firme e olhei á minha volta.
Não tenho palavras para descrever a beleza da ilha, a simpatia das gentes, diversos miradouros sobre o oceano, de onde se pode observar os recortes da costa, as angras e baias existentes, vistas deslumbrantes de paisagens inesquecíveis, de lagoas ou crateras de vulcões já extintos, fumarolas e nascentes de água, campos cultivados num ambiente de verdadeira tranquilidade e ausente de poluição.
A gastronomia e sem esquecer o famoso cozido das Furnas…um verdadeiro manjar dos deuses, cozido nas entranhas da terra, no fumegar do vulcão vivo.
A S. Miguel foi dado o nome de Ilha Verde e é a maior ilha do arquipélago, e por curiosidade, tem uma superfície de 759,41 km2, o comprimento é de 65 km e a largura de 14 km.
Locais de visita obrigatória e aos quais não falhei a visita e me deliciei: Sete Cidades com as suas 2 lagoas. O Miradouro do Escalvado, as Caldeiras da Ribeira Grande, a Praia dos Moinhos. Gorreana e Porto Formoso e a cultura do chá e visita ás respectivas fábricas, a Lagoa do Fogo, Ilhéu de Vila Franca, o Vale das Furnas e o seu famoso “cozido nas caldeiras”, o Parque “Terra Nostra”, o Salto do Cavalo, Ribeira Quente e o Nordeste.
Ficaria aqui, indefinidamente, a falar-vos destas maravilhas, mas termino meu artigo, com algumas fotos que tirei durante a minha estadia e deixo-vos um conselho…vão aos Açores, vale a pena e regressam de lá de alma renovada e com vontade de voltar no dia seguinte.
Eu voltarei lá um dia destes, mas desta vez, visitando outra ilha, pois sei que os Açores me conquistaram, lá deixei um pedaço da minha alma e do meu coração.

29 julho 2005

De partida...


Já de malas feitas e pronta para ir de férias...
Usem, abusem, mas não estraguem!!!
Em breve estarei de volta...
Lá em cima...direi "adeus" a todos os amigos e visitantes...
E se sentirem uma leve brisa tocando o vosso rosto...sou eu a saudar-vos!!!
Até ao meu regresso...
E não se esqueçam...Ousem ser FELIZES!!!

22 julho 2005

Metades...


Todos procuramos a metade de nós...
Todos procuramos o complemento de corpo e alma...
A metade do coração...
A metade da alma...
O outro lado do riso...da lágrima...
O que falta ao sonho...
Não desistamos dessa procura...dessa busca!!!
Não desistamos do sonho, do riso!!!
Não desistamos do Amor...
Não desistamos de nós!!!
E ousemos sempre SER FELIZES!!!
Hoje...aqui e agora é o momento...

14 julho 2005

Tua ausência...

Esta tua ausência de mim deixa-me perplexa
Esta distância de nós deixa-me solitária
Estendo as mãos à tua procura…e não te encontro
Procuro-te fora de mim e encontro o vazio deixado por ti
Tua ausência me perde
Tua ausência me alucina
Onde te procurar?
Onde te encontrar?
Percorro os caminhos da alma…silencio!!!
Palmilho as encruzilhadas do coração…vazio!!!
Da próxima vez…não vás!!!
Para a próxima vez…deixa um sinal de ti
Não me quero perder de mim…
Não sei viver sem te ter por perto…
No vazio da noite procuro teu corpo…
No silêncio da alma busco teu coração…
Esta tua ausência rodeia-me…perde-me…desencontra-me…
E uma lágrima de saudade…doce…quente…
Rola de encontro à tua boca…aos teus lábios…
E deixa-me um sabor salgado na alma…
Esta tua ausência…faz-me amar-te mais…
Desejar-te mais…querer-te ainda mais…
E faz-me encontrar-te...
De onde nunca saíste…
Onde sempre viveste e viverás…
Mesmo ausente de mim…


angelis

17 junho 2005

Porque é fim de semana...


Uma cadeira para mim...
Uma cadeira para ti...
Um refresco...ou um gelado...
Um livro...ou um jornal...
Só...ou acompanhado...
É fim de semana...tempo de descanso...tempo de lazer.
Aproveitem...relaxem...pois aqui a menina amanhã vai trabalhar.
O que não se faz pela criançada?!!!!
Curiosos?
Ainda bem!!!
Na segunda feira, conto-vos onde vou...e porque trabalho amanhã.
Até lá...divirtam-se...passeiem...comam um gelado, vão ao cinema, jantar fora...qualquer coisa que vos faça sair da rotina da semana.
E não se esqueçam de namorar...namorar muito com o vosso marido, a vossa esposa...o vosso/a companheiro/a.
Arranjem tempo para telefonar aquele amigo que não vêm há muito tempo, ao vosso pai, ao vosso irmão.
E claro...ousem ser felizes!!!!


angelis

04 junho 2005

Queria chegar...




Perdi-me no tempo
Afoguei-me no espaço
Ao olhar o passado
Tentei realizar o futuro
Vagueei sem direcção
O meu rumo era incerto
A ilusão do presente
Deixou-me absorta
Pensei em nada
Chorei em vão
Caminhei enlouquecida
O meu destino era chegar
Chegar a lado nenhum
Ninguém me esperava
Ninguém me chamou
Gritei enraivecida
O silêncio era cortante
Suspendi um gesto
E caminhei lentamente
Queria chegar…


angelis

01 junho 2005

Porque hoje é teu dia…

(Foto: Michael Reynolds/EPA)

(Mãe e filho que pedem esmola nas ruas de Pequim dormem num local não especificado. As autoridades chinesas estimam que vários milhares de crianças continuam a viver em condições de pobreza extrema.)


Quem diria, ao ver esta imagem, que hoje é Dia Mundial da Criança…
Quem diria, ao ver esta imagem, que se estraga pão, cama, lar…
Quem diria, ao ver esta imagem, e olharmos para as birras das crianças civilizadas, por não terem o brinquedo, a guloseima, a roupa de marca, que hoje é Dia Mundial da Criança?
Morre, a cada 3 segundo, uma criança!!!
De fome!!!
Doente!!!
Na guerra!!!
Abandonada!!!
Quem diria que hoje é Dia Mundial da Criança, ao vermos os festejos descabidos, o desperdício de comida…etc…!!!
Sensibilizemos as nossas crianças para a realidade da vida…
Contrariemos as suas birras…
Ensinemos-lhes o valor do que têm, do lar, da família, do respeito pelo outro…
Porque afinal…criança é inocência, é amizade e nenhuma criança do mundo merece sofrer a fome, o abandono, a guerra.
Porque hoje é Dia Mundial da Criança…respeitemos as nossas crianças, aqui, mas também na Ásia, na África…e na porta ao lado…porque não sabemos o que esconde cada lar, em sofrimento, em miséria, em desafectos.
Porque hoje é Dia Mundial da Criança…façamos com que seja todos os dias…todas as horas e em qualquer parte do mundo.
Lembremo-nos disso antes de estragarmos os nossos filhos com excessos…sejam eles quais forem.
Criança é beleza…é ternura…
Saibamos respeitar as nossas crianças e saibamos vivenciar a criança que somos…hoje, aqui…agora e em todos os dias das nossas vidas.


angelis

29 maio 2005

Bonecas da minha infância

Passei estes últimos dias na minha terra natal, em casa dos meus pais, e como sou tola por fotografia e queria experimentar a minha máquina nova…há que tirar fotos a tudo que encontrava em casa.
Ao mesmo tempo que tirava as fotos, velhas lembranças surgiam de mansinho…sorrateiras e sorridentes diziam: - Olá, estás boa? Por aqui? Lembras-te daqueles tempos inocentes em que brincavas despreocupada com tuas bonecas?
Minhas bonecas, que seria feito delas? Onde estariam? Corri á cozinha a perguntar á minha mãe por elas. Deixou o que estava a fazer e sorriu.
- Olha-me esta agora…quer saber das bonecas. É para levares para a escola? – Perguntou minha mãe a rir.
- Não – respondi eu, apressada – só quero tirar umas fotos para recordação.
E lá fui eu ao quarto que a minha mãe me indicou, e lá estavam elas, sorridentes, como se o tempo não tivesse passado, como se o tempo tivesse parado naquele instante.
Tirei a foto e sentei-me na beira da cama, com as bonecas ao meu lado.
Quanto tempo tinha passado, desde a última vez que com elas brinquei? Sinceramente não sei…anos, séculos, dias, umas horas, ou breves instantes…que importava isso agora? Reencontrava a minha infância, a inocência de outros tempos e sorria. Sentia-me feliz, pois sabia que a criança que vive em mim está cá, traquina, inocente. A criança que eu sou não morreu, não me abandonou, algures na estrada da vida e…revivo-a diariamente com as crianças com quem trabalho, revivo a inocência, a candura e as brincadeiras de outrora.
E a vossa criança, onde está?
E a vossa inocência, as vossas lembranças da infância, que fizeram delas?
Hoje, aqui, agora…é urgente acreditar.
Hoje, aqui, agora…é preciso sorrir.
Hoje, aqui, agora…deixemos a criança que somos viver, sorrir…acreditar.
Acreditar no sonho, na lua, na lágrima que rola.
Acreditar no abraço, na amizade.
E que a criança que somos viva…sonhe e acredite!!!


angelis

20 maio 2005

A vida também se diz...

“ O viajante almoça com uma amiga advogada em Fort Lauderdale. Um bêbado animadíssimo, na mesa ao lado, insiste em meter conversa a todo o instante.
A certa altura, a amiga pede ao bêbado para ficar quieto.
Mas ele insiste:
- Porquê? Eu falei de amor como um homem sóbrio nunca fala. Demonstrei alegria, tentei comunicar com estranhos. O que há de errado nisso?
- O momento não é apropriado – responde ela.
- Quer dizer que existe uma hora certa para demonstrar felicidade?
Depois desta frase, o bêbado é convidado para a mesa dos dois.”

Paulo Coelho “Maktub”


Reflexões imensas me suscitam este pequeno trecho do livro de Paulo Coelho.
Já pensaram se tivéssemos que estabelecer momentos certos para sermos felizes?
Se tivéssemos que estar sujeitos a horários rígidos para amarmos, para comunicarmos uns com os outros?
Qual é o momento certo, a hora certa para demonstrar felicidade?
Sabem dizer-me?
Eu não tenho hora para ser feliz…vocês têm? Qual é a vossa hora?
É sexta feira…fim de semana á porta, é tempo de lazer, de descanso, mas também de reflexão.
O que queremos? Para onde caminhamos? Qual o nosso horário para demonstrar felicidade?
Teremos que estar bêbados para falarmos sobriamente de amor?
A vida faz-se e diz-se…de pequenas coisas, pequenos momentos de alegria, de partilha, de sorrisos, de abraços.
Podemos não ter dinheiro, mas temos trabalho. Podemos não ter fome, mas temos comida na mesa.
Podemos não ter frio, mas temos agasalhos. Podemos não gostar da casa que temos, mas temos um tecto.
Somos uns felizardos, comparados com o resto da humanidade, pois a cada segundo morre alguém, pois a comida que estragamos matava a fome a milhares.
Horas, momentos para demonstrarmos felicidade?
Horários para falarmos de amor? Para amarmos?
Olhemos para o que somos, olhemos para o que temos…
É fim de semana…
Tempo de lazer…mas também tempo de reflexão…tempo de sorrir, tempo de amar e partilhar.
Porque a vida também se diz e faz…
Muitos sorrisos para todos.
E ousem ser felizes…

angelis

14 maio 2005

Desilusão


A estrutura do Tempo,
Na desilusão da fome.
Uma lágrima que rola,
Alimentando o desespero.
A cama desfeita,
No desencanto do novo dia.
O projecto do futuro,
Na fotografia do passado.
O corpo lavrado,
Nos gemidos do desengano.
Suspiro que morre,
Na luta do amor.
Uma carícia repugnante,
No dia sobrevivente.
O perigo de amar,
Na máquina do Tempo.
Vida sem finalidade,
Na sociedade de consumo.
Novamente a cama aberta,
À espera do teu corpo.
Ris de tristeza
E afogas um grito de revolta.
Um amor comprado,
Na sobrevivência mesquinha.
O reflexo incondicionado,
Do verbo amar.
Conjuga-o no presente.
Projecta-o para o futuro.
Não te amarres a convenções.
O Tempo é fumo ao vento.
Um olhar parado,
No despeito oblíquo.
Constrói o teu Tempo!

angelis

08 maio 2005

Vida é...

A vida é:

Um suspiro...
Uma hesitação...
Uma brisa sussurrante...

Por isso sê:

Um suspiro que console.
Uma hesitação repousante.
Uma brisa acariciante.


angelis

02 maio 2005

Hoje...


Hoje…

Hoje estou triste, triste porque fiz sofrer alguém.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a chorar.
Triste porque as minhas atitudes levaram alguém a magoar alguém.
Triste porque confiei em alguém…
Hoje choro, porque fiz alguém chorar.
Choro e não controlo as lágrimas.
Lágrimas que se vão juntar ás lágrimas de alguém.
Lágrimas que não chegam para lavar a alma.
Hoje não sorrio, porque apaguei o sorriso de alguém.
Meu sorriso fechei-o no baú do esquecimento.
Meu sorriso fugiu para parte incerta.
Sorriso que só voltará se esse alguém voltar a sorrir também.
Hoje fico quieta no meu cantinho.
Cantinho que abalei, desintegrei.
Cantinho que está ás escuras.
Como ás escuras está minha alma.
Hoje estou…
Triste…choro.
Meu sorriso fugiu…
Minha alma desassossegou-se.

angelis

28 abril 2005

“PRIMAVERA DO NOSSO CONTENTAMENTO...”

(foto de António Melo)


Vagueava feliz pela vida, qual criança traquina...
Contente percorria o jardim da felicidade...
Espalhava sorrisos...
Ofertava flores belas e perfumadas...
No ar, suave brisa acariciava meu coração...
Tudo era tranquilo...sereno...
Corri ao teu encontro e num abraço terno sussurrei-te ao ouvido:
«Amo-te»
Num beijo doce depositei minha alma nas tuas mãos.
Despedimo-nos com um sorriso e um breve «até amanhã».
Dia após dia regressei aquele jardim encantado.
Hora após hora esperei por ti.
Onde estás?
Que fizeste com a minha alma?
Onde a guardaste?
Onde a abandonaste?
Onde antes era felicidade, reside a tristeza.
No jardim florido crescem as ervas daninhas da desconfiança.
Porque me abandonaste?
Porque me torturaste?
Na primavera da vida sinto o Inverno a instalar-se.
Onde procurar a minha alma?
Algures perdida...
Algures chorando...
Para onde ir?
Que fazer sem minha alma?
Roubada e enganada...
Na primavera do nosso contentamento eu choro...
Naquele jardim abandonado eu espero...
Talvez um dia...me devolvas minha alma...
E naquela primavera longínqua espero...
Espero o teu regresso...o teu amor...as tuas promessas...
Até lá choro...
No jardim da vida...me encontro.


angelis (do meu livro “Palavras à solta”)

17 abril 2005

Violência doméstica




(fonte: mulher.sapo)

A violência e os maus-tratos aparecem todos os dias na televisão. As notícias não se cansam de nos mostrar e de nos contar os actos que ocorrem por todo o mundo, quer sejam praticados em guerras, quer sejam motivados por circunstâncias ou em momentos excepcionais. Outros programas de televisão mostram-nos a violência que não sendo real também condiciona e nos torna cada vez mais insensíveis a cada nova história. Afinal já tudo já se tornou normal e usual. É só mais um exemplo de algo que já se tornou rotineiro.

Infelizmente a violência não se limita ao que se ouve dizer ou ao que se vê na televisão. Muitas vezes as situações dentro de casa são muito piores porque estão realmente a acontecer connosco e embora se vão arranjando desculpas e justificações, as situações existem e persistem. Sob qualquer forma, a violência vai surgindo e vai-se insinuando na vida diária até que as proporções se tornam verdadeiramente assustadoras.

Mesmo depois de reconhecer o que está a acontecer, as vítimas raramente conseguem agir a tempo de se defenderem. Isto porque sendo uma violência dentro de casa, mais ninguém sabe o que se passa e a vergonha impede muitas vezes que se consiga contar sequer aos amigos.

E a violência e os maus-tratos continuam até que surja a coragem de reagir e responder ao agressor.

Por ser difícil lidar com estes problemas é necessário saber em primeiro lugar identificá-los e compreender quais as formas de que se podem revestir e como poderão evoluir. Saber o que se passa no nosso país e a quem poderá recorrer se algum dia se confrontar com essa situação é fundamental. Mas é também importante ter consciência de que o que torna a violência doméstica pior é a indiferença e o desconhecimento. Para apoiar e ajudar as suas vítimas é imprescindível escutar.

Tipos de violência

A violência doméstica é a utilização de agressões continuadas contra um familiar ou contra outra pessoa no espaço em que vive. Estas agressões não são apenas físicas, embora essas sejam as mais frequentes. Existem também agressões de outra natureza e que se revestem de outras formas. Muitas vezes, uma ameaça contínua é mais destrutiva do que a violência física e, embora possa ser suportada durante mais tempo, as consequências futuras podem ser bastante mais graves.

Os principais tipos de violência doméstica identificados são:

físico – inclui qualquer forma de contacto que magoe a vítima;

sexual – qualquer tipo de contacto sexual não desejado pela vítima enquadra-se nesta categoria;

emocional – acções e afirmações que pretendam minar a auto -confiança da vítima;

verbal – ameaças e discussões violentas são formas comuns de abuso verbal;

psicológico – ao comportar-se e reagir de formas estranhas, o agressor pode tentar levar a vítima a um desequilíbrio mental;

espiritual – atacar as convicções espirituais ou religiosas da vítima;

financeiro – muitas vítimas são economicamente dependentes dos agressores, que utilizam esse factor como forma de exercer pressão sobre elas;

destruição de propriedade – para ameaçar ou aterrorizar a vítima, o agressor pode destruir bens que sejam da sua propriedade.

Ao detectar qualquer tipo de violência, é importante saber agir em relação a ela para prevenir que atinja formas piores, pois existem sempre soluções para lidar com os diferentes casos. É, no entanto, necessário ter atenção aos sinais de alarme. Muitas vezes a violência pode surgir porque o agressor está sob a acção de álcool ou de alguma droga, mas isso não significa que deva ser desculpado, antes devem ser encetadas medidas para a prevenção de novos ataques, pois se o agressor não controla as suas acções, as consequências podem ser ainda mais negativas.

A Situação em Portugal

Em Portugal, os casos de violência doméstica são bastante significativos. As estatísticas mostram-nos apenas aqueles em que a vítima procurou apoio, por isso, estes números não representam a realidade. No entanto, para se ter uma noção do que acontece no nosso país, estes indicadores permitem-nos ver um pouco do que se vai passando.

O número de processos de apoio registados pela Associação de Apoio à Vítima (APAV) tem crescido significativamente, representando no ano passado mais de quatro mil casos. Esta evolução não se ficou a dever a um aumento da violência, mas a um melhor esclarecimento das vítimas que puderam recorrer à instituição. Em termos geográficos, a zona que registou um maior número de casos foi a de Lisboa, seguida do Porto e de Coimbra.

A forma de contacto da associação foi principalmente pessoal, mas o número de telefonemas também foi significativo. As próprias vítimas contactam com a APAV, mas também é usual que familiares ou conhecidos o façam por elas. O encaminhamento para a instituição é feito por diversas entidades sendo a mais comum a polícia, mas os familiares também desempenham um papel importante, assim como a comunicação social ao informar dos locais e das formas como a instituição dá apoio às vítimas.
A situação mais comum dos processos que dão entrada na APAV é a de mulheres, entre os 26 e os 45 anos, que se queixam de maus tratos ou de ameaças, geralmente dos cônjuges ou companheiros, muito poucos dos quais deram origem a uma queixa na polícia.

Mas existem muitos outros casos de violência por parte de outros membros da família ou mesmo de antigos companheiros ou cônjuges, com queixas mais ou menos gravosas como homicídio, furto ou burla.
A violência doméstica existe em Portugal e é importante conseguir denunciá-la para que a situação não se agrave e para que os exemplos possam inspirar outras vítimas a reagir e a sair das situações muitas vezes desesperadas em que se encontram.

Prevenção e Defesa

Muitas vezes, não saber como reagir numa situação de violência pode levar a que a vítima sofra mais e durante mais tempo, por não ter a coragem ou por não saber o que fazer. Assim, é importante ter algumas noções para reagir melhor em situações de ataque:

»não ter receio de gritar, nem vergonha de o fazer, pois é o agressor que está errado, não a vítima;

»se for possível, tentar defender-se para evitar lesões maiores;

»evitar discussões em áreas perigosas da casa como a cozinha ou a casa de banho, onde existem muitas armas potenciais;

»ter uma forma de fuga planeada, nomeadamente, qual a melhor forma de sair de casa, para onde ir e o que levar;

»encontrar um vizinho a quem possa contar a situação, que chame a polícia se necessário;

»se decidir sair de casa definitivamente, pense em alguns aspectos de antemão, como a abertura de uma conta bancária separada, deixar as chaves e documentos mais importantes com alguém seguro; no caso de existirem filhos, pensar cuidadosamente na sua situação antes de sair de casa;
»depois de sair de casa, se houver o receio de ser perseguida, podem ser tomadas medidas de segurança: dar a morada apenas a quem confiar, não colocar o telefone na lista, estabelecer formas de contacto com o agressor, quando necessário, na presença de outras pessoas e avisar todas a gente com quem entra em contacto da sua situação para que não ajudem o agressor a encontrá-la.

Cada caso de violência doméstica é diferente e a forma de reagir a esse problema depende da vítima e da relação que tem com o agressor.
É sempre difícil resolver estes casos pois para além de não serem praticados à vista de todos, são também entre pessoas que confiam entre si e que possuem uma relação de interdependência que não será facilmente quebrada, mesmo quando existe violência.

A Quem Recorrer

Desde 1990 que existe em Portugal uma organização criada para dar apoio às vítimas, a APAV. É uma instituição particular de solidariedade social, e o seu interesse social foi reafirmado por um protocolo assinado com os Ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Trabalho e Solidariedade em 1998.
A APAV é dirigida por um grupo de sete elementos, embora conte com vários profissionais para a actividade de apoio às vítimas. Também importantes são os voluntários, que ascendem quase às duas centenas e que recebem todas as pessoas que procuram a instituição e lhes dão todo o apoio inicial que necessitarem, encaminhando-as depois para serviços mais específicos.
Para melhor servir a população que recorre à instituição, foi criada uma rede de gabinetes que funcionam em nove cidades do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Cascais, Vila Real, Setúbal, Loures e Faro. O contacto com as autoridades locais é fundamental para assegurar que todas as pessoas que recorrem à APAV têm a resposta que procuram. O suporte financeiro da instituição baseia-se nas quotas dos seus associados, que podem ser pessoas singulares ou colectivas ou ainda as autarquias. A APAV recebe também donativos de diversas proveniências que lhe permitem continuar o seu trabalho.

A sede da APAV encontra-se na Rua do Comércio nº 56 – 5º , o seu telefone é 21 888 47 32, o fax 21 887 63 51 e o e-mail por onde pode contactar a instituição é apav.lisboa@ip.pt.

Também pode contactar a Associação de Mulheres Contra a Violência
Contacto:

Alameda D. Afonso Henriques, 78-1º Esq.
1000-125 Lisboa
Tel. 21 386 67 22 / Fax 21 386 67 23
amcvportugal@hotmail.com

13 abril 2005

Apanhada

Ao final de um dia de trabalho, com as minhas pestinhas, sento-me ao computador, para ver o correio e fazer uma visita aos meus blogs favoritos e… fui apanhada. O causador desta brincadeira foi o meu amigo Aflores do Ailaife Blog, que decidiu, e porque sabe que respondo aos desafios, desafiar-me a dar seguimento a uma brincadeira de literatura na blogosfera a que alguém deu o nome de Ex-Libris da Tugosfera.
Consta ela de uma série de perguntas que, obviamente, devem ser respondidas e descaradamente nomear 3 novos elementos que terão que lhe dar seguimento.
Ora aqui vai:


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Sinceramente… não li, não vi, não vou ler….e gostaria de ser o meu próprio livro…mas acho que já o sou!!!


Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Claro que sim, há dúvidas a esse respeito? Miss Marple da Agatha Christie (espero que esteja bem escrito o nome dela), pelo seu poder de dedução, pelo seu raciocínio lógico.


Qual foi o último livro que compraste?
Pois não me lembro…aiiii…pois foi comprado na altura do Natal para ser oferecido a um amigo muito especial, como prenda.


Que livros estás a ler?
”Do meio do Azul…” de Paulo Roldão e releio sempre o meu livro “Palavras à solta”


Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Tenho que levar livros? Têm que ser 5? Não posso antes levar outra coisa? Ok…vamos lá a ver…e já que estamos numa ilha deserta: “Os Maias” (Eça de Queirós) “Vai aonde te leva o coração” (Susanna Tamaro) “Onze Minutos” (Paulo Coelho) “A Esperança” (Francesco Alberoni) e claro…não podia faltar o meu livro “Palavras à solta” (Ângela Monforte) e se calhar…não seria má ideia trocar tudo isto por um manual de sobrevivência…grande ideia Aflores.


A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Rosália do Escrevo apenas
porque gosto da sua escrita e de visitar o seu blog.
À Menina_Marota do EternamenteMenina porque adoro o seu cantinho, a sua escrita e porque adora livros também e até conhece e leu o meu livro…vais matar-me amiga, não vais?
À Meia Lua do Fragmentos da Lua porque acho que se esconde destas coisas…e agora vai ter que aceitar o desafio…também me vais matar amiga?


Vá lá amigas…desta vez fui mesmo apanhada e por arrasto vocês vão comigo… temos que nos unir no feminino e mostrarmos o que valemos na blogosfera…este é um desafio exclusivamente feminino…vamos a isso.


E para ti Aflores…seu grande malandro…parece-me que desta já me safei…ufa!!!

08 abril 2005

Revolta

Fui ao baú das recordações, abri-o e encontrei este poema!!!
Já nem me lembrava deste velho caderno, onde costumava rabiscar as minhas ideias, os meus poemas, os meus "encontros" comigo mesma...
Incrivel o que descobrimos quando vamos vasculhar velhas caixas guardadas. Impressionante...este poema tem mais de 20 anos...e para mim que o escrevi, continua a ser extremamente actual e se fosse hoje...escreveria a mesma coisa, pois a mulher "marginal" continua a ser tratada da mesma forma, com desdém e um olhar de desprezo, sem nos questionarmos o porquê da sua opção de vida, sem percebermos o porquê de trilharem esse caminho, à margem de tudo, até delas mesmas!!!
Aqui fica assunto para um próximo artigo...




(foto de Paulo Alegria)


"REVOLTA"


Um cigarro na boca,
Um olhar fatal.
A perna cruzada,
Todo o verniz necessário,
Para esconder
A negridão duma alma
Suja pela mesquinhes social.
É esta a tua maneira de estar
Na sociedade.
Não a escolheste!
Não a criaste!
Foi-te imposta.
E…
Quiseste sonhar
Quimeras douradas!
Quiseste viver
Sonhos irreais!
Quiseste caminhar
A estrada flutuante,
Que conduz á realização
Do ser pensante!
Criaste a confusão desnecessária,
Para poderes respirar
Acabaste por cruzar os braços
Com um desdém agressivo
Ante a impotência sublime
De não poderes amar!!!


angelis

04 abril 2005

Elogio à Mulher Portuguesa

(foto de Alexandre Monteiro)


[Opinião/testemunho de um Homem Português]
Armando Vieira, PhD
Departamento de Física
Instituto Superior de Engenharia do Porto

A mulher portuguesa vive ainda amordaçada pela sua condição de mulher. Debaixo de um luto eterno ecoam sons melancólicos e fatídicos do fado da sua vida. A nossa sociedade é injusta, e até cruel, para com as nossas mães, mulheres e amantes. Marcada ainda pelos castradores dogmas católicos, este ser maravilhoso parece condenado a penitenciar por um pecado original de uma Eva que nunca pecou, enquanto Adão sempre soube permanecer impune. A mulher pode ter muitos defeitos, mas no que respeita a “pecados” fica bem atrás do homem.

Apesar de todos os progressos, a mulher portuguesa continua forçada a viver uma sensualidade escondida na vergonha do medo e da ignorância de uma sociedade hipócrita e minada de estereótipos anacrónicos. A mulher portuguesa parece ter medo, quase vergonha, do seu corpo. Trata-o mais como um empecilho do que uma obra de arte da natureza esculpiu. Já alguma vez se interrogaram porque razão as mulheres portuguesas, sobretudo depois de casarem, se vestem tão desajeitadamente, tão cinzentas e sem graça, como se fossem avós? Será o eterno fantasma chamado “medo”, seja medo dos outros ou medo delas próprias.

A mulher portuguesa não é feliz porque não a deixam ser livre. Vive acorrentada a preconceitos teimosamente reincidentes, mesmo na camada mais jovem da população. Se seduz é uma desavergonhada, se ousa é uma descarada, se está livre é um perigo, se triunfa na vida é porque dormiu com alguém importante, se é bonita é tratada como uma peça de museu, assediada com piropos de rapazes imberbes e propostas indecentes de labregos que abundam nas nossas praças.

A mulher portuguesa tem um sorriso bonito e meigo, mas reprimi-o com o medo que este seja interpretado como um sinal de uma coisa que nem lhe passou pela cabeça. É obrigada a carregar um pesado fardo de deveres e obrigações que lhe atormentam a vida. Enquanto jovem, é a família que lhe limita a diversão. “O namoro deve ser uma coisa séria”, de preferência já a pensar no casamento. E será o casamento a chave da independência há tanto ambicionada?

Pura ilusão. Rapidamente a mulher se apercebe que a liberdade não passa de uma vã miragem. Do jugo da família passa para o jugo do marido e, mais tarde, dos filhos, dos pais, dos sogros e o que mais houver. Do estatuto inebriante de amante ela passa rapidamente àquele que parece ser o seu estado natural, “mãe” e “dona – de – casa”, mesmo apesar de trabalhar fora de casa como o homem. Neste estado ela vê-se remetida para uma existência assexuada, longe de ser uma verdadeira mulher. Uma mulher “dona – de – casa” não tem tempo para o romance pois o seu quotidiano é preenchido com a azáfama da casa, das compras e dos filhos. A este estado de “mãe dona – d e – casa”, na física designa-se por atractor estável: uma vez que o sistema entre nesta zona fica aí aprisionado para sempre.

A mulher portuguesa não tem espaço para ser mulher. Que tempo resta para pensar em si, para sentir e partilhar o amor que possui no seu coração? Por vezes não passa de um corpo cansado dos deveres domésticos e que transporta uma mente ocupada de problemas e tarefas rotineiras, sem imaginação e sem espírito, mas com muita dedicação e muito amor.

A mulher portuguesa pode não ser tão bonita e vistosa como a francesa ou a italiana, mas é das mulheres mais ternas, apaixonadas e dedicadas que conheço. De outra forma como podia ela suportar uma existência tão madrasta? Na sua ingenuidade e carinho ela guarda uma grande sabedoria que não aparece em nenhum livro ou registo, mas que se sente no calor da sua presença. De uma forma discreta ela mostra o seu amor por tudo o que lhe é querido, enquanto fica à espera. À espera que um dia lhe deixem ser aquilo que sempre sonhou: mulher.

01 abril 2005

Have a smile

(foto de Nanã Sousa Dias)



have a smile
stretched from ear to ear
to see you walking down the road

we meet at the lights
I stare for a while
the world around disappears
just you and me
on this island of hope
a breath between us could be miles

let me surround you
my sea to your shore
let me be the calm you seek

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you
I grieve in my condition
for I cannot find the strength to say I need you so

oh and every time I'm close to you
there's too much I can't say
and you just walk away

and I forgot
to tell you
I love you
and the night's
too long
and cold here
without you

Sarah McLachlan
Surfacing

28 março 2005

Amar é...

Será que conseguimos viver sem amor?

Será que conseguimos viver sem amar e ser amados?

(fonte mulher.sapo)

Quando nos apaixonamos não procuramos apenas os traços comuns com os quais nos identificamos, mas também os que nos complementam. Ou seja, vemos na pessoa amada qualidades que gostaríamos de ter em nós. Por exemplo, se somos muito rígidos com nós mesmos, é muito fácil admirar a descontracção da outra pessoa.

Basta por vezes um sorriso, um olhar, uma breve troca de palavras e... pronto... O Cupido faz das suas e de repente o cinzento do quotidiano transforma-se num mundo colorido, pleno de emoções intensas e pulsantes que chegam de repente sem que as possamos controlar!

A verdade é que, por muito que se possa especular, o amor e a paixão são sensações inesperadas, sendo esse um dos seus mistérios, pois muitas das vezes não sabemos por que razão nos apaixonamos por uma pessoa e não outra...

Para muitos apaixonados, o encontro do amor é fruto de uma tremenda coincidência. Para outros, é um resultado do destino e da caprichosa combinação entre os astros.
Para a ciência, não só a beleza é fundamental; a segregação de células hormonais – a dita atracção «química» – pode encerrar muitas repostas, mas mesmo assim (mesmo que se ditem razões para a paixão acontecer) nunca se pode dizer quando vai ou não surgir.


(autor desconhecido)

Amar...Querer muito bem a...
Amar...Gostar muito de...
Amar...Ter afecto a...

Amor...Afeição profunda
Amor...Objecto dessa afeição
Amor...Conjunto de fenómenos cerebrais e
afectivos que constituem o instinto sexual
Amor...Afecto a pessoas ou coisas
Amor...Paixão
Amor...Entusiasmo.

A M A R, quatro letrinhas com tantos significados.
Amar é estar presente…
Amar é ser e querer estar...
Amar é companheirismo e cumplicidade...
Amar é afecto e ternura...
Amar é permanecer juntos, principalmente nos momentos difíceis...
Amar é aquela emoção quando nossos olhos se encontram...
Amar é confiar...
Amar é querer o bem do outro....sempre.
Amar não é querer algo construído, mas construir algo querido...
Amar é receber uma ligação no meio do dia só
para dizer “olá amor, liguei para saber de você...
ou...dizer que você faz falta...”
Amar é desejar e suspirar...
Amar é aprender e crescer...
Amar é Viver e reviver...
Amar é Renascer.
Amar é alegria e fantasia...
Amar é dar e não esperar recompensas...
Amar é agradar e perdoar...
Amar é sonhar e acreditar nos sonhos...
Amar é sentir felicidade e saudade...
Amar não se escolhe, se descobre...
Amar é uma linda emoção.
Amar é recordar as saudades sorrindo e às vezes chorando, pois
Amar também é decepção que nos traz desilusão
maltratando o nosso coração.
Amar é um jogo perigoso, onde ganha quem tem o privilégio de
Amar e ser amado como...
Você

23 março 2005

Há 1 ano...

(foto: Erik Reis)


Tudo começou com o desafio de alguém (estás lembrado? Foi graças a ti que me meti nestas andanças) cria um blog…expõe tua escrita, dá-a a conhecer. E explicou-me como funcionava um blog, para que servia…e eu (que adoro desafios…principalmente se forem interessantes e puserem à prova as minhas capacidades) aceitei, e um pouco a medo…lá entrei no Sapo e criei o meu blog.

Um ano depois…é verdade…quem diria…esta história já dura há 1 ano…ainda por cá ando, com imenso prazer, com a mesma postura…não me interessa fazer a diferença, não quero atingir tops. Escrevo porque a escrita faz parte da minha alma (até publiquei um livro…vejam só os dotes da rapariga), gosto de partilhar pensamentos, ideias, sejam elas minhas ou de outros autores.

Se vou continuar? Claro que sim…enquanto me der prazer e satisfação escrever e partilhar convosco as palavras que sopram do coração…continuarei a ser uma brisa que sopra levemente…
Se provoco pés de vento? Cada um que responda por si e pelo que lê e sente quando me visita.

Até lá…estou de parabéns neste dia…e nunca imaginei que o tempo passasse tão rápido e que fosse tão agradável fazer esta partilha com quem me lê.

A todos os que por aqui passam Aflores, Azoriana, Agostinho e tantos outros (desculpem-me por não os mencionar a todos) o meu muito obrigada, pela vossa fidelidade e assiduidade, pelas palavras carinhosas que deixam neste cantinho.

Um grande beijinho e um xi coração para todos


angelis

19 março 2005

Voltar...

Eu queria cá voltar
Em forma de flor
Em forma de amor
E se para isso
Tiver que renascer
Que seja perto de ti
Não te posso esquecer
Não te posso abandonar
Não quero deixar-te
Sem sentir o teu calor
Sem experimentar o teu amor
Queria continuar
Queria voltar
Queria tentar
Queria ser outra vez
Aquela que não fui
Aquela que partiu
Aquela que chorou
E se algo me impedir
Só se for por amor
Porque este vive
Em cada gesto
Em cada sorriso
Ai como eu te amo
Ai como eu sofro
Acolhe-me outra vez
Em teu coração
Embala-me com o teu sorriso
Aquece-me com a tua doçura
Porque foste, és e serás
Aquilo que eu não fui
Aquele que eu amei
O meu poema inacabado
O meu arco-íris
Deixa-me voltar
Deixa-me abraçar-te
Deixa-me amar-te
E serei feliz
E voltarei a sorrir
Só quero saber
Que não me esqueceste
Que eu voltarei
Hoje e sempre serei
A poetisa abandonada
Só por ti lembrada
E para sempre amada

angelis (do meu livro "Palavras à solta")

14 março 2005

Beijo...

Ao tocar teus lábios subi ao céu...
Ao sentir o teu sabor provei as lágrimas da dor...
Naquele beijo ao final de tarde entreguei-te minha alma.
Naquele beijo dei-te minha vida.
Beijamos porquê?
A mãe beija o seu filho ao deitar, embalando-o em sonhos dourados.
Os irmãos beijam-se ao encontrar-se, depois de longa ausência.
Os filhos beijam os pais ao despedir-se.
Os amigos beijam-se alegremente em cada reencontro.
Os amantes entregam a sua alma em cada beijo trocado, em cada desencontro, em cada despedida.
Cada beijo tem um sabor próprio e único.
Cada beijo tem um significado especial.
Cada alma dá num beijo todo o seu esplendor de dor ou de amor...de saudade...de tristeza...de reencontro...de separação.
Cada alma entrega o melhor de si própria em cada beijo que distribui.
Beijo-te com ternura...
Abraço-te com paixão...
Entrego-me com amor....
Mas aquele beijo ao final de tarde traz-me lembranças especiais...
Mas aquele beijo ao final de tarde foi único porque foi o primeiro...
Aquele em que te senti por inteiro...
Aquele em que te deste de forma especial...
No meu coração ficará sempre guardado esse beijo tão intenso...tão inesperado...tão sincero e sentido.
Ao tocar teus lábios senti tua alma...
Um beijo de despedida...
Um beijo e até sempre...


angelis


11 março 2005

Um dia...

Não chores por mim
Que um dia eu volto
E quando as lágrimas caírem
E quando a saudade doer
Eu estarei a teu lado
Amparar-te-ei e amarei
Não chores por mim
Que eu caminho a teu lado
Embalo-te o sono
Embelezo o teu sonho
Dou cor à fantasia
Não chores por mim
Que eu choro também
Olha o arco-íris no céu
Deixa-o entrar no teu coração
E lembra-te do pássaro que sou
Da brisa que corre
Da flor colorida
Não chores por mim
Que um dia eu volto


angelis (do meu livro "Palavras à solta")

07 março 2005

Dia Internacional da Mulher

História do Dia Internacional da Mulher

(Fonte: mulher.sapo)

A revolução dos cravos desencadeou várias mudanças na sociedade portuguesa. E a comemoração do Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de Março, foi uma das mudanças ocorridas depois do 25 de Abril.

Contudo, apesar de ser comemorado desde 1909, o Dia Internacional da Mulher só foi proclamado oficialmente pelas Nações Unidas em 1975. E, somente em 1979 foi aprovada a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres.

Toda a verdade...
As reivindicações de operárias de uma fábrica de têxteis em Nova Iorque, em 1857, originaram a comemoração do Dia da Mulher em todo o mundo.
Revoltadas com condições de trabalho bastante precárias, as trabalhadoras fizeram greve e manifestaram-se contra os salários baixos, o excesso de horas de trabalho, e contra as más condições da fábrica.
Durante a greve deu-se um incêndio que causou a morte a cerca de 130 manifestantes.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League.

Esta associação tinha como principal objectivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto.
Caminhavam com o slogan “Pão e Rosas”, em que o pão simbolizava a estabilidade económica e as rosas uma melhor qualidade de vida.
Mais tarde, o Partido Socialista norte-americano decretou o último Domingo de Fevereiro o Dia Internacional da Mulher.
Foi comemorado pela primeira vez em 1909 e pela última vez no ano de 1913, pois durante uma conferência mundial das organizações socialistas, decorrida em Copenhaga (Dinamarca), a revolucionária alemã Clara Zetkin propôs o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

De ano para ano, esta data passou a ser assinalada em todo o mundo dando estímulo à luta das mulheres pela igualdade de direitos. Além do mais, Março passou a ser um mês marcado por várias manifestações organizadas por mulheres:

Em 1911, na Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suíça, milhares de mulheres marcharam a exigir o direito de voto, de trabalho e o fim da discriminação;

Também em 1911 a associação Women’s Trade Union League organizou uma manifestação, com mais de cem mil pessoas envolvidas que protestaram contra um incêndio, que vitimou 140 mulheres, por falta de condições de trabalho;

Na Rússia, a revolução bolchevique teve o seu inicio em 1917, com as reivindicações de mulheres que reclamavam por “pão e paz”;

No ano de 1937 mulheres espanholas revoltaram-se contra o regime franquista;

Já em Itália, no ano de 1943, um movimento feminino protestou contra Mussolini e exigiu o fim da II Guerra Mundial;

Em Portugal, a luta pela implantação da República, que levou à queda do regime fascista, contou com a ajuda das mulheres, que até 1974 não tinham muitos dos direitos que deviam usufruir como cidadãs.


Porque as mulheres são importantes?

O coração de uma mulher é o que faz o mundo girar!
Elas sorriem quando querem gritar. Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes. E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo que acreditam. Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para suas crianças poderem tê-los. Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Seus corações quebram quando um(a) amigo(a) morre. Elas lamentam-se com a perda de um membro da família, contudo são fortes quando elas pensam que não há mais força.
Elas amam incondicionalmente. Elas ficam contentes quando ouvem sobre um aniversário, um baile ou um novo casamento.
Mulheres têm muito a dizer e muito a dar.
Elas dão compaixão e ideais. Elas dão apoio moral para sua família e amigos.
Elas sabem que um abraço e um beijo podem curar um coração quebrado.
Mulheres fazem mais do que dar a vida. Elas trazem alegria e esperança.

03 março 2005

Infidelidade

(Por: Maria Conceição Oliveira, Psicóloga)

Há tempos tive uma discussão com um grupo de amigos. Uns achavam que os homens eram mais infiéis do que as mulheres e outros, entre os quais eu, achávamos que isso é uma grande parvoíce...."

Esta afirmação é não racional e não mensurável! Diria tratar-se de um mito que traduz apenas a verdade de certas percepções que continuam ainda a existir. Desta forma, trata-se de uma opinião e não de uma realidade!

A frase “Os homens são mais infiéis do que as mulheres” reflecte o paternalismo que condiciona a vida da mulher, tão conveniente ao parceiro masculino. Surge em contraposição com o privilégio do aventureirismo masculino, sempre custoso e doloroso à parte feminina.

“Os homens são mais infiéis do que as mulheres” funciona como uma espécie de entrave apolíneo imposto para mascarar os impulsos da noite dionisíaca e perpetuar a crença na mulher “bem comportada”, asséptica e de boas maneiras...

Sabemos que essa mulher já saiu de cena!

Também há quem diga, "Não percebo porque é que certas mulheres que sabem serem enganadas pelos seus maridos preferem continuar com eles e não pedem o divórcio..."

A grande diferença no caso de infidelidade com consentimento não é que o cônjuge enganado saiba, é que o outro esteja ao corrente.

Esta conveniência matrimonial é tácita repousando, geralmente, no princípio da reciprocidade. Pode ser fruto da cobardia ou da passividade, bem como de um estoicismo sofisticado, ou desejo de salvaguardar uma aparente dignidade.

Também não podemos esquecer que o casamento traz certas vantagens e daí ter que ser dissociado de ideias abstractas e fúteis tais como o amor ou a paixão. Assim, o casamento funciona como um “emprego” que permite pagar ao fim do mês o infantário, a empregada, as prestações do carro e, enfim, o acesso a um sono tranquilo.

Os homens só querem sexo, sexo e mais sexo?
Se os homens só querem sexo e mais sexo, o que é que poderão querer as mulheres?

Amor? Sem dúvida que sim!
As mulheres querem amor mas este amor não funcionará, ele próprio, como uma espécie de desculpa para negar o papel integrante que o sexo tem nos relacionamentos da mulher?

E esta negação não é, em si mesma, um sintoma que traduz o quanto não sabemos sobre a sexualidade das mulheres?

Pior, muito pior... Apesar das mudanças que se têm verificado, poderá esta afirmação ser o reflexo da resistência profunda, do tabu existente contra as mulheres sexualmente contentes, as que têm sexo para seu próprio prazer?

Faria sentido as mulheres, libertadas pelos contraceptivos do seu imperativo biológico, não aproveitarem essa sua nova liberdade?

Será que a sexualidade feminina incomoda?
Os homens e as mulheres estão longe de serem iguais nas questões da infidelidade. Acho que não se pode fugir a uma questão que depende do biológico, do hormonal.

Em matéria de infidelidade, as diferenças existentes entre os dois sexos são condicionadas pela interacção dinâmica entre a natureza e a cultura. Se nos colocarmos neste vértice poderemos dizer que há diferenças entre homens e mulheres e que elas são qualitativas, não quantitativas.

Vejamos algumas:

A hormona “erótica” é a testosterona! O homem e a mulher produzem esta hormona, embora o homem tenha dez vezes mais testosterona do que a mulher. Mas este facto não faz com que o homem seja dez vezes mais infiel do que a mulher.

A herança do pecado cometido no Jardim de Éden faz com que o homem só em parte controle a sua erecção. Pelo contrário, nunca se sabe se uma mulher está ou não realmente excitada.

Mesmo quando casados, muitos homens pensam que são livres. Mesmo que sejam solteiras, muitas mulheres consideram-se ligadas a um homem. Ainda perseguidas e maculadas pelo discurso cultural, as mulheres preferem não falar da sua sexualidade mantendo-a guardada no silêncio do segredo.

A infidelidade pode ter um preço bem alto para a mulher – o seu casamento, o estatuto social, a custódia dos filhos ou orçamento para os sustentar.

O contexto cultural continua a empurrar deliberadamente o homem para a infidelidade, campo eleito para demonstrações de virilidade. E ele continua a escudar-se nesta pressão cultural até porque os “custos directos” desta infidelidade são bem menores.

Na infidelidade, homens e mulheres são vítimas do desejo. Desejo nunca satisfeito e nunca conformado com a hostilidade e a angústia inerente à condição humana. Desejo que teima em voltar ao par narcísico inicial – mãe e criança, um único ser.

28 fevereiro 2005

Temporais...


Minha alma revolta em marés profundas
Vagueia pelo mar da incerteza
Meu coração angustiado
Vagueia pelas ruas da amargura
Que temporal assolou meu coração?
Que temporal devassou minha alma?
O mar da incerteza vai cheio de nada
As ruas desertas de sentimentos
Assombram meu olhar
Espero marés revoltas
Vagas intempestivas
Minha alma é barco frágil
Meus pés estão cansados
De palmilhar ruas sem saída
Becos escuros
Encruzilhadas desertas
Temporais
Assolam
Temporais
Devassam
Em terra ou no mar
Na alma e no coração
Temporais
Se avizinham


angelis


21 fevereiro 2005

És...



És…
O meu porto de abrigo
O meu refúgio
A minha paz e acalmia
És…
A minha paixão
A minha loucura
O meu desatino
Incendeio-me na tua boca
Sacio-me no teu corpo
Encontro-me com todas as loucuras
És…
O meu amor
A minha vida
O meu passado, presente
E o meu futuro
Almas que se amam
Almas que se procuram
Almas que sorriem
E vivem na eternidade
Do amor que sentem

angelis

10 fevereiro 2005

Casamento…ou nem por isso?

O casamento depende igualmente das mulheres e dos homens, estando estas, hoje em dia, menos voltadas para o casamento do que em qualquer período da história. No passado, as mulheres foram economicamente dependentes do casamento e assumiram uma responsabilidade desproporcionalmente pesada para manterem o vínculo, mesmo que o relacionamento subjacente estivesse sério ou irremediavelmente deteriorado.

Contudo, no último terço do século XX, como as mulheres tiveram maiores oportunidades de conseguir um emprego pago e viram aumentada a disponibilidade de infantários, ficaram menos dependentes do casamento como forma de sustentação económica. Ainda que não seja fácil, é possível às mulheres criarem os filhos sozinhas. Isto fez com que o divórcio se tornasse muito mais atractivo como um remédio para um casamento insatisfatório e um número crescente de mulheres tenha extraído vantagem da opção.

A debilitante ligação da mulher ao casamento não deve ser encarada como uma falta de interesse pelo casamento ou pela parceria marido – mulher na criação dos filhos. Pelo contrário, é um sinal dos padrões emocionais mais exigentes das mulheres para com os maridos e da crescente persistência para que os homens participem em maior grau na criação dos filhos e da família. Dada a sua dupla responsabilidade como ganha pão e mães, muitas mulheres com emprego acham a necessidade de reforço do ego do homem e outras formas de manutenção emocional e física aborrecidas, para além do seu fracasso na partilha do trabalho doméstico e na custódia dos filhos, que consideram absolutamente enfurecedores.

" Se as mulheres solteiras podem fazer sexo, ter as suas próprias casas, o respeito dos seus amigos e um trabalho interessante, não têm necessidade de dizer a si próprias que qualquer casamento é melhor do que nenhum. Porque não ter um filho sozinha? As crianças são uma alegria. Muitos homens não o são."

O acordo tradicional entre homem e mulher foi quebrado, e ainda não foi celebrado um novo contrato. É impossível prever como será o novo acordo ou se existirá um. Contudo, é possível especular acerca dos pontos em agenda que podem levar as mulheres à mesa das negociações. Primeiro, uma cláusula crucial: deverá ser reconhecida a mudança do estatuto social e económico da mulher. Qualquer esforço para repensar o casamento deve aceitar o facto de que as mulheres continuarão a trabalhar fora de casa.

Portanto, deverá ser acertado um novo acordo sobre a divisão do trabalho pago e do trabalho familiar. Isto não significa necessariamente uma divisão 50/50 do trabalho em cada simples dia, mas significa que os homens deverão fazer um esforço determinado e consciente para executarem mais que um terço das tarefas domésticas. A forma como cada casal vai chegar a um acordo justo irá, certamente, variar, mas o objectivo é estabelecer um entendimento e um compromisso mútuos que conduzam a uma divisão equitativa das tarefas




Dar o sim a uma união dispensa papéis. Talvez por isso sejam tantos os que fazem questão de assumi-la. A opção de contrair matrimónio revalorizou-se. Simboliza a intenção de viver o amor de forma plena.

Os casais que permanecem juntos por vontade própria - e não por comodismo ou restrições legais que deixaram de existir nas últimas décadas - e que se assumem realizados e "vivos" no casamento, conseguiram lidar com divergências e conflitos a ponto de não lhes atribuir uma importância de vida ou de morte, que ponha em causa a sua união. Os casais que rejubilam com as bodas de prata e continuam a sentir-se gratos por permanecerem de mãos dadas descobriram, à sua maneira, a mais-valia preciosa do relacionamento que é viver noutra velocidade, a ritmos mais cálidos que escaldantes. Só a pessoa que conhece e aceita o ar com que acordamos de manhã, que compreende as nossas manias e ataques de nervos (nem sempre, mas esforça-se...) é capaz de passar a barreira das ondas e deslizar, seguro, até ao fundo do mar e das águas correntes, sendo essas que confortam, para lá do que se passa à superfície.

Como surge a motivação para casar? Portugal distingue-se da média europeia, entre outras razões, pelo facto de as pessoas se casarem mais cedo. As heranças culturais terão uma influência decisiva neste campo, mas a ideia de formalizar uma união pressupõe de algum modo a convicção de que ela tem o potencial para dar certo. Este sentimento de fé não tem de alicerçar-se em provas de amor, mas sim na disposição pessoal para se identificar com outro e expormo-nos regularmente perante ele.

É hoje socialmente admissível – e normal – ser feliz, não através de um único, mas de diversos relacionamentos, vividos sucessivamente, com a emergência de um "novo amor". Na era das famílias "dos teus, dos meus e dos nossos [filhos]", há contudo quem acredite ainda no amor de morada única – o coração da pessoa que se elege para companheiro de estrada.

É a favor do casamento? Acha que ele, enquanto instituição, está condenado? Uniões de facto, divórcios, responsabilidades e culpas repartidas, fazem parte do seu dia a dia? Tudo isto leva-me a questionar, a rever comportamentos, formas de ser e estar. Meus pais estão casados há 45 anos, união duradoura, mas nada fácil, com imensos escolhos pelo caminho, mas permanecem juntos até hoje. O que os levou a permanecer? O que nos leva a não permanecer? Que futuro? Que passado? E acima de tudo, que presente, para todos nós, que buscamos a felicidade, a harmonia e o bem-estar?

angelis

04 fevereiro 2005

Carnaval

O que é o Carnaval?

O Carnaval é uma festa anual, celebrada de forma diferente em vários países do mundo. Ao tentar compreender o seu significado podemos aprender muito sobre nós próprios e sobre os outros. O Carnaval, ao contrário do que possamos pensar, é muito mais do que uma altura do ano em que reinam as palhaçadas e brincadeiras. O Carnaval constitui uma forma de expressão em constante evolução, que nos liga ao nosso passado e mostra muito sobre a forma como cada cultura interage com o ambiente que a rodeia. O poder e a criatividade que assumem os Carnavais do Brasil e das Caraíbas exemplificam o modo como esta forma de arte pode ser determinante na vida dos povos, pela celebração daquilo que nos torna diferentes dos outros.

A palavra Carnaval

Existem duas teorias fundamentais quanto à origem e significado da palavra Carnaval A primeira atribui à palavra Carnaval uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão, brincadeiras e malícia a que a associamos hoje em dia. "Carnaval" teria tido origem no latim carnevale (carne+vale = carne+adeus), e seria a designação da "Terça-Feira Gorda" o último dia do calendário cristão em que é permitido comer carne, uma vez que, no dia seguinte, inicia-se a Quaresma. Já a segunda teoria é peremptória em afirmar que a palavra Carnaval vem de Carrus Navalis, por influência das festas em honra de Dionísio, onde um carro, com um enorme tonel, distribuía vinho ao povo na Roma antiga. Muitas das celebrações carnavalescas são bastante mais antigas do que a própria religião cristã, tendo sido alvo de diferentes manifestações ao longo da história. No fundo, todos os carnavais são reminiscências das festas dionisíacas da Grécia Antiga, dos bacanais de Roma e dos bailes de máscaras do Renascimento.


Cronologia do Carnaval

4000 a.C. Festas agrárias realizadas no antigo Egipto em devoção a Osíris

605 a 527. Oficialização do culto a Dioniso na Grécia, com bacanais e vinho século V a.C. Referências de cultos semelhantes ao de Dioniso entre os Hebreus, a Festa das Sáceas; entre os Babilónios, a festa da Deusa Herta

186 a.C. O Senado Romano reprime os bacanais, festas em homenagem a Baco, o Dionísio dos Romanos, pois geram desordens e escândalo

325 d.C. O Concílio de Niceia institui forma de cálculo da data da Páscoa, determinando que a Quaresma se inicia 40 dias antes

590 O Papa Gregório I, cria a expressão dominica ad carne levandas, sucessivamente abreviada até a palavra Carnaval Idade Média Os franceses comemoravam o Carnaval com sexo e vinho. Em Itália fazem-se cortejos e as pessoas divertem-se com batalhas de água, ovos, etc. A Europa divide-se em países que encaram o Carnaval como celebração religiosa e países em que o Carnaval é a festa da gula, do vinho, da música e do sexo

1464 O Papa Paulo II incentiva o Carnaval de Veneza na sua vertente religiosa, mas o Carnaval continua a ser visto como um período de permissividade associado ao uso das máscaras transformadoras, alegorias e fantasias

1723 Portugueses introduzem celebrações do Entrudo no Brasil


Carnaval em Portugal: celebração da vida e da morte

As tradições carnavalescas específicas de Portugal são um misto de paganismo e de religiosidade; assim, a par da preparação para a Quaresma, o Carnaval em Portugal bebeu de muitos ritos pagãos ligados a celebrações da natureza, sobretudo de recomeço da vida purificada na Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. Por isso, enraizado no folclore português está o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum (o mais constante é o Enterro do Bacalhau), para depois se celebrar a vida, com danças, cortejos, muita cor, luz e música. Assim se vislumbram os motivos da morte que se projectam da festa da vida que é o Carnaval. Em muito locais, associado ao Enterro do Bacalhau, surge um Julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma. A origem destas celebrações perdeu-se no tempo.

E agora brincando um pouco…porque é Carnaval e ninguém leva a mal…. Esta é a minha fantasia carnavalesca



Qual a vossa?
Vão mascarar-se?
Vão brincar ao Carnaval?
Ou detestam esta festa?

Brincando ou não ao Carnaval...é fim de semana e prolongado. Aproveitem para sair...passear... E não se esqueçam de sorrir, amar e serem felizes.


angelis

31 janeiro 2005

“Aos que passam pela nossa vida”



Saint Exupery

Cada um que passa em nossa vida passa sozinho…
Porque cada pessoa é única para nós, e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só…
Levam um pouco de nós mesmos
E nos deixam um pouco de si mesmos
Há os que levam muito
Mas há os que não levam nada
Há os que deixam muito
Mas há os que não deixam nada
Esta é a mais bela realidade da vida…
A prova tremenda de que cada um é importante
E que ninguém se aproxima do outro por acaso…

27 janeiro 2005

Para reflectir...

(Foto: Robin Utrecht/EPA )

Três judeus caminham na parte exterior do antigo campo de concentração nazi de Auschwitz, na Polónia. Esta quinta-feira, 27 de Janeiro, comemora-se o 60º aniversário da libertação do campo, onde foram assassinados mais de 1.5 milhões de homens, mulheres e crianças pelas mãos da então Alemanha nazi do ditador Adolf Hitler.


Foi no século passado...poderia ser hoje, agora, aqui neste momento...
Não nos esqueçamos do que o homem é capaz na sua loucura, na sua sede de poder e controle dos outros seres humanos, do mundo...da humanidade.
Há quem pense (as gerações mais jovens) que nada disto aconteceu...que foi uma invenção!!!
Só neste campo nazi morreram 1,5 milhões de judeus...onde está a invenção? Poderia não ter acontecido? Quando? Como?
Indigesto este post para inicio de fim de semana?
Temos que ter mente aberta para o que se passa á nossa volta, a realidade da nossa história bem recente...
Coisas bonitas, doces...todos gostamos de ouvir, sentir, ler...mas também precisamos, de vez em quando, de agitarmos as consciências...de vermos o lado negro da vida, da nossa história, do que somos capazes no extremo da nossa loucura!!!


E já agora...
Votos de excelente fim de semana!!!


angelis

24 janeiro 2005

É favor não incomodar...



Silêncio...
Deste lado preguiça-se...
E que preguiça gostosa...que soneca apetecivel...
É só para quem pode...hehehe...
Votos de excelente semana para todos...trabalhem muito...estudem muito...
Mas...por favor...não incomodem quem preguiça e faz a sua soneca...
Silêncio...
É favor não incomodar....


angelis

21 janeiro 2005

Pensamento...


A vida até pode mudar todas as perguntas...e é bom que o faça...
Mantem-nos vivos...atentos...sempre em movimento...
Para nos melhorarmos...para aprendermos...para questionarmos...
Crescermos em Harmonia...em Paz...
Faz-nos ver e sentir que não sabemos todas as respostas...que não aprendemos tudo...que não somos detentores da verdade absoluta...
Diz-nos que há sempre novos recomeços...novos sonhos...nova esperança...
Somos seres humanos em evolução e aprendizado...e só aprendemos se tivermos mente e coração abertos e prontos a partilhar com os outros.
Pensem nisto...não pretendo ser a consciência de ninguém...mas é sempre tempo de pararmos e ouvirmos a vida...ouvirmos a nossa consciência...ouvirmos os nossos silêncios.
Hoje ou amanhã...iremos ao encontro de tudo isso...
Mas aqui e agora...deixo os meus votos de excelente fim de semana!!!
E porque não...aproveitarem este tempo de sol...para ouvirem as novas questões que a vida vos coloca...os novos desafios?
É sempre tempo...


angelis

17 janeiro 2005

Poema inacabado...


Um poema inacabado
É como um filho por fazer
É como um beijo com sabor a sal
Um poema inacabado
É o caminho por onde vou
É o trilho que eu não quero seguir
Um poema inacabado
É aquilo que eu não sou
É o amor que não amei
Um poema inacabado
É o grito que eu calei
As palavras que não falei
Os amores que eu amei
Um poema inacabado
É a diferença inaceitável
É a confusão descontrolada
Um poema inacabado
É a vida que eu não vivi
Aquilo que não fui
Aquilo no que me transformei
Um poema inacabado
É o meu nome talvez...


angelis

14 janeiro 2005

Bom fim de semana


O dia está cheio de sol...de energia...
Mais um fim de semana á porta...
Descontraiam...relaxem...
Vão passear...esqueçam problemas, tristezas...
Tirem algum tempo para ler...aquele livro esquecido...um banho relaxante...
O filme que andam para ver há séculos!!!
Aquele passeio em familia...
Façam alguma coisa por vós mesmos, por vossos(as) parceiros(as)...filhos...familia.
É tempo de descanso...e como tal...preguicem muito...divirtam-se...sejam iguais a vós mesmos...
Votos de excelente fim de semana...
E se sentirem uma leve e fresca brisa no vosso rosto, no vosso coração...pois sou eu que vos visito...que vos levo um abraço...

Até sempre...até já...

angelis

11 janeiro 2005

Finalmente...

Pois é meus amigos…não desistam de reclamar e fazer valer os vossos direitos.
Tanto insisti e ameacei que os via sentados no tribunal…que hoje de manhã a Worten contactou-me, pediu-me desculpas pelo sucedido e disponibilizou-se para: ou restituir-me o dinheiro ou trocar por outra máquina da louça.
Aleluia…ainda há justiça neste país.
A todos aqueles que prontamente e desinteressadamente se disponibilizaram para me ajudar, me deram apoio, aqui…publicamente o meu muito obrigada…do fundo do meu coração.
Fizeram-me voltar a ter fé no ser humano…pois encontrar aqui, nesta via virtual gente pronta a ajudar, gente solidária…meus amigos…é OBRA!!!
Valeu a pena a luta de quase 2 meses…valeu a pena gritar bem alto pelos meus direitos de consumidora.
Aqui fica o meu exemplo…não se calem…não deixem correr…como seres humanos, cidadãos e consumidores temos direitos e como tal, na hora, na altura em que eles forem lesados…RECLAMEM…NÃO FIQUEM EM SILÊNCIO…NÃO BAIXEM OS BRAÇOS…


Votos de uma excelente semana para todos, com muitos sorrisos e alegria


angelis

10 janeiro 2005

Indignação

Não costumo publicar mais que um artigo por dia, mas hoje estou indignada…furiosa…sinto-me lesada nos meus direitos de consumidora e como já não sei mais o que fazer…publico aqui a minha indignação para conhecimento de todos os que visitam o meu blog.
Porque estou indignada? É muito simples…
Comprei na Worten do Maiashopping, no dia 23/11/04, uma máquina de lavar a louça Ariston LL65, pela “módica” quantia de €399…feliz da vida, aguardei que me entregassem a máquina em casa, o que ocorreu no dia 26/11/04.
Bom…minha felicidade durou pouco…pois quando fui pôr a máquina a trabalhar, ela resolveu verter água…o que fiz? Dirigi-me á Assistência Pós Venda da Worten e reclamei…a assistência técnica veio cá a casa e (espantem-se, se poderem ou conseguirem…) e disse-me que a máquina vertia água por causa do detergente que eu usava e foi-se embora.
Comprei todos os detergentes do mercado para testar a máquina, afinal foi um técnico (já agora digo-vos que a casa que presta assistência técnica á Ariston é a Arsamel-Porto) que disse tal e devia saber mais que eu.
Pois…no dia seguinte estava novamente a ligar para lá…experimentei tudo e a máquina continuava a verter água. Vieram novamente cá a casa uma semana depois…e este técnico foi ainda melhor e mais eficiente que o anterior…ligou para o outro e como ele lhe disse que a máquina vertia água, por causa do detergente que eu usava…simplesmente abriu a máquina, estava tudo bem (nem a testou…ou coisa parecida) e foi-se embora.
Espantados? Que direi eu…bom…finalmente no dia 27/12/04 e após muitas queixas minhas e telefonemas, levantaram a máquina para reparar…
Mas reparar o quê? Se a máquina nunca funcionou!!!
Como dali não saia nada que se visse…resolvi fazer uma queixa por escrito á Worten, relatando o sucedido, acompanhando a carta com fotocópias de todos os documentos comprovativos e enviei-a no dia 03/01/05, dando-lhe um prazo de 10 dias, a contar da recepção da carta, para me darem uma máquina nova e não uma que nunca funcionou e que foi para reparar. Mandei cópias dessa carta para a DECO – Porto, outra para o GMIAC – Gabinete Municipal de Informação e Apoio ao Consumidor – Maia e ainda uma para o Centro de Informação de Consumo e Arbitragem do Porto e para a Indesit Company Portugal SA.
Hoje 10/01/05 a Indesit quer que eu aceite a máquina reparada…a Worten não me dá resposta e a DECO diz que só atende os associados.
Onde estão os meus direitos de consumidora lesada? Quem me ouve e faz valer os meus direitos?
Estou indignada…irritada e fui lesada em termos financeiros e não só.
O que faço a partir daqui? Não aceito uma máquina que nunca funcionou e foi para reparar…mas ninguém me ajuda a fazer valer os meus direitos e ando nisto quase há 2 meses…empatei o meu dinheiro…não tenho máquina e continuo a lavar a louça á mão…
Não acham que é demais? Se alguém tiver uma solução…se alguém souber de algo que eu possa fazer para além do que já fiz…é bem vinda qualquer solução que faça valer os meus direitos lesados.
Estou indignada…furiosa….andam a brincar comigo, com o meu dinheiro, com os meus direitos….
Há que dizer: “BASTA…”


angelis

Amigos...


Votos de uma excelente semana para todos...os que trabalham...os que estudam...os que estão desempregados...doentes...
Paciência...tolerância...profissionalismo e sempre um sorriso no coração...sejam quais forem as circunstâncias da vida, do trabalho, da familia...
Um grande xi coração para todos...e claro...um enorme sorriso

angelis

06 janeiro 2005

Misão possível


(Autor Desconhecido)

Tenho uma missão bem possível para você.
Preste atenção e siga todas as orientações, passo a passo.

*-Pegue seus problemas, pelo menos os mais cabeludos,
Coloque-os dentro de uma gaveta e esqueça-os, no mínimo, por 24 horas.

*-Esconda a sua tristeza em algum lugar bem absurdo.
Dê preferência a um local tão escondido que você nunca mais a encontre.

*-Seleccione as suas frustrações, coloque-as dentro de um envelope e
Envie-as pelo correio para o lugar mais distante da Terra, sem colocar o endereço do remetente, claro!

*-Peneire suas mágoas e ressentimentos. O que sobrar na peneira jogue no lixo.
O que passar por ela, você coloca dentro de um vidro e jogue-o num rio. A correnteza se encarregará do resto.

*-As dificuldades, os obstáculos, as complicações, os apertos, os apuros e as críticas, você mistura tudo e bate no liquidificador. Com certeza, ficará uma meleca.
Ponha essa meleca numa assadeira, coloque-a no forno a 150º e deixe queimar.

*-Enfim, tudo o que for ruim, misture com um produto bem light e saboreie em doses homeopáticas.

Que tal?

PS: Esta mensagem não se auto-destruirá em 5 segundos...


Votos de excelente fim de semana para todos...
Riam, sonhem...brinquem e amem muito...
A vida é para ser vivida, sonhada e realizada a cada dia...
E ousem...mas ousem mesmo ser Felizes...


angelis

03 janeiro 2005

Caminhos



Corremos apressados pela vida...
Corremos apressados pelos sentimentos, ás vezes de posse obsessiva...
Corremos por tudo e por nada...
E na pressa da vida, esquecemo-nos da própria vida...
Que caminhos percorremos?
Para onde nos levam?
Onde queremos chegar?
Questiono-me e não encontro respostas.
Olho para as pessoas que correm apressadas, sem olharem para nada, porque nada lhes enche o olhar vazio.
Olhares perdidos na pressa de chegar...
Olhares vazios que buscam a vida...mas perdem-se dela!!!
Caminhos paralelos...vidas sem sentido...
Para onde vamos?
O que fazemos aqui?
O que nos trouxe a este presente sem sentido?
Que futuro?
Questões, mais questões, e o coração vazio.
Se parássemos um pouco...
Se escutássemos o coração...
Se soubéssemos amar...
Se nos despíssemos do egoísmo...
Se nos libertássemos de todos esses se...se...
Aprendíamos a ser felizes.
Abríamos as asas e voaríamos pelo infinito...
Porque infinito é o tempo...
Porque temos todo o tempo do mundo para sermos felizes.
Tenhamos a coragem de percorrer o caminho da felicidade.
Tenhamos a coragem de percorrer o caminho do amor.
Usemos a liberdade de escolha.
E escolhamos o caminho da Luz, da Paz, do Amor...
O caminho está á nossa frente...
Sejamos felizes...no caminho que trilharmos.


angelis (do meu livro "Palavras à solta")

Decisões

  Há decisões que tomamos que afetam a nossa vida e a vida dos outros, mas que mesmo assim temos que as tomar para bem de nós mesmos e dos o...